Mariana e Joaquim estão abraçados. Ele ainda está muito triste e não sabe o que será de sua vida daqui para a frente, pois, sem seus pais, como ele iria se cuidar e proteger os irmãos?
Mariana sabe que não vai ser fácil para ele. Entende que aquele é um momento de dor e não de pensar no futuro, por isso diz:
— Joaquim, eu gosto muito de você também, mas pense no que seria melhor para você agora. Eu queria pegar tudo isso que você está sentindo e fazer sumir: as dúvidas, os medos e a insegurança.
— Sabe, está difícil… — desabafa ele. — E eu agora preciso saber corretamente o que vai acontecer. Não sou só eu, tenho os meus irmãos também.
— Sabe o que eu acho que você tem que fazer agora? Vá para casa, descanse, veja como estão seus irmãos e tente dormir.
— Joaquim, eu gosto muito de você também, mas pense no que seria melhor para você agora. Eu queria pegar tudo isso que você está sentindo e fazer sumir: as dúvidas, os medos e a insegurança.
— Sabe, está difícil… — desabafa ele. — E eu agora preciso saber corretamente o que vai acontecer. Não sou só eu, tenho os meus irmãos também.
— Sabe o que eu acho que você tem que fazer agora? Vá para casa, descanse, veja como estão seus irmãos e tente dormir.
Joaquim olha para ela e a beija. O ônibus de Mariana se aproxima, e ele vai embora.
Dentro do ônibus, Mariana fica pensando no que seria melhor para ele, analisando o seu futuro daqui por diante. Ela sabe que, se ele ficar, será destinado a uma vida muito diferente da de um adolescente comum do ensino médio. Também há a questão do pai, que a mãe sempre quis deixar distante; agora, com a morte dela, o pai vai querer a guarda deles. Qual será o futuro do garoto? Ela fica triste, pois sabe que o melhor conselho a dar é que ele vá morar com a tia para tentar ser alguém na vida, mesmo sabendo que a relação dos dois precisará esperar ou se tornará algo distante.
Em seu diário, ela escreve sobre como poderia trazer um pouco de alegria a ele. Sabendo que o mais provável é que ele vá embora logo, ela pensa: “Quem sabe se eu falar com toda a turma e contar quem realmente é o Joaquim? Assim, todos podem parar com a impressão ruim que os boatos espalharam”. Isso talvez o deixasse melhor antes de partir.
Mais um dia na escola e nada de Joaquim. Na entrada da sala, Patrícia já começa com provocações:
— Onde está o seu amor? Para onde ele foi? Será que está no hospital com um tiro no peito?
Mariana rebate imediatamente com uma pergunta:
— Será? Se eu fosse você, não falaria isso. Você não conhece o que tem por trás da história dele. Se quiser, eu te conto.
— Por que eu me interessaria pela história dele? O que vou ganhar com isso? O que eu já sei é o que todos dizem por aí.
— Nesse caso, existem duas histórias: o que espalham e a verdade.
— E o que é que você sabe? Conheceu ele há pouco tempo!
— Exato. Mas eu conheci a história vindo dele, não me apeguei aos boatos que todos contam — principalmente você, que faz fofoca sem saber de nada.
— Então me fala, o que você sabe?
— Vou te contar apenas o que eu vi e o que ele me contou. Aí você avalia se está certa ou não. Você sabia que a mãe dele estava internada com câncer terminal, recebendo cuidados paliativos, e que ele saía da escola correndo todos os dias para dar almoço aos irmãos, levá-los para a escola e depois ia trabalhar?
— Como assim? — Patrícia reage, surpresa.
— Também sabia que ele ia visitar a mãe sempre no hospital? E aqueles homens que você via entregando envelopes a ele estavam a mando do pai. O pai dele de fato não é boa gente e está preso, mas ele e os irmãos precisavam comer, então ele tinha que aceitar o dinheiro que o pai mandava.
— Poxa vida… Mas e o fato de ele não ter amigos?
— Ele se isolou depois que todos o criticaram. Isso aconteceu porque ele quebrou o nariz daquele Lucas, que ficou zoando a profissão da mãe do Joaquim. Ela era empregada doméstica e, por sinal, fazia faxinas na casa da família do próprio Lucas.
— Onde está o seu amor? Para onde ele foi? Será que está no hospital com um tiro no peito?
Mariana rebate imediatamente com uma pergunta:
— Será? Se eu fosse você, não falaria isso. Você não conhece o que tem por trás da história dele. Se quiser, eu te conto.
— Por que eu me interessaria pela história dele? O que vou ganhar com isso? O que eu já sei é o que todos dizem por aí.
— Nesse caso, existem duas histórias: o que espalham e a verdade.
— E o que é que você sabe? Conheceu ele há pouco tempo!
— Exato. Mas eu conheci a história vindo dele, não me apeguei aos boatos que todos contam — principalmente você, que faz fofoca sem saber de nada.
— Então me fala, o que você sabe?
— Vou te contar apenas o que eu vi e o que ele me contou. Aí você avalia se está certa ou não. Você sabia que a mãe dele estava internada com câncer terminal, recebendo cuidados paliativos, e que ele saía da escola correndo todos os dias para dar almoço aos irmãos, levá-los para a escola e depois ia trabalhar?
— Como assim? — Patrícia reage, surpresa.
— Também sabia que ele ia visitar a mãe sempre no hospital? E aqueles homens que você via entregando envelopes a ele estavam a mando do pai. O pai dele de fato não é boa gente e está preso, mas ele e os irmãos precisavam comer, então ele tinha que aceitar o dinheiro que o pai mandava.
— Poxa vida… Mas e o fato de ele não ter amigos?
— Ele se isolou depois que todos o criticaram. Isso aconteceu porque ele quebrou o nariz daquele Lucas, que ficou zoando a profissão da mãe do Joaquim. Ela era empregada doméstica e, por sinal, fazia faxinas na casa da família do próprio Lucas.
Patrícia ficou sem palavras quando Mariana começou a revelar a verdade sobre quem era Joaquim. Envergonhada, ela começou a se retirar, mas Mariana continuou andando atrás dela, contando o restante da história.
— Ah, e ele não está vindo à escola porque a mãe dele faleceu.
— Ah, e ele não está vindo à escola porque a mãe dele faleceu.
Ainda mais constrangida, Patrícia disse:
— É que ele não falava com ninguém, andava sempre sozinho e todos falavam a mesma coisa…
— Sim, todos falam o que você espalhou e o que o Lucas contou. Mas nada disso saiu da boca do Joaquim.
— É que ele não falava com ninguém, andava sempre sozinho e todos falavam a mesma coisa…
— Sim, todos falam o que você espalhou e o que o Lucas contou. Mas nada disso saiu da boca do Joaquim.
Sem saber o que falar, Patrícia sentou-se em sua cadeira, e Mariana foi para a dela.
A aula termina. Mais um dia sem Joaquim. Ao ir embora, Patrícia chama a colega:
— Mari, como faço para me desculpar com o Joaquim?
— Não sei. Não sei quando ele vai voltar, nem se vai voltar.
— Mas ele vai perder o ano na escola?
— Isso eu ainda não sei. Pelo visto, ele vai morar com uma tia em outra cidade.
— Bom, Mariana… É muito triste perder a mãe e estar sozinho. Você me dizendo isso e eu assimilando todo o ocorrido, percebo que fui muito injusta e ajudei a espalhar uma mentira sobre ele.
— Você faz muitas críticas sem fundamento. Ele sabia o que você falava dele, mas não se importava em provar o contrário, pois a cabeça dele estava em problemas muito maiores. O jeito quieto dele esconde uma pessoa maravilhosa, inteligente e talentosa.
— E como me redimir deste erro? Não tenho ideia. Somente pedir desculpas é algo fácil… E fica a questão: será que ele vai me desculpar?
— Toda história tem sempre dois lados, Patrícia. É sempre bom averiguar antes de espalhar boatos indesejáveis sobre as pessoas.
— Eu devia ter, pelo menos, perguntado a ele sobre o que acontecia, em vez de acreditar em tudo.
— Ele mesmo me disse que sabe que não devia ter sido violento, mas, na hora, agiu por impulso e nem pensou. Ainda bem que uma professora viu a cena toda e ficou do lado dele. E sobre as pessoas que traziam os envelopes, era melhor ter perguntado em vez de deduzir o pior por si mesma.
— Sinceramente, estou muito arrependida.
— Eu pensei em uma coisa que talvez ele gostasse… Ou não. Às vezes ele pode até ficar bravo comigo, mas tenho certeza de que isso pode deixá-lo bem.
— O que seria?
— Comece a falar a verdade sobre ele para todos da escola.
— Mari, como faço para me desculpar com o Joaquim?
— Não sei. Não sei quando ele vai voltar, nem se vai voltar.
— Mas ele vai perder o ano na escola?
— Isso eu ainda não sei. Pelo visto, ele vai morar com uma tia em outra cidade.
— Bom, Mariana… É muito triste perder a mãe e estar sozinho. Você me dizendo isso e eu assimilando todo o ocorrido, percebo que fui muito injusta e ajudei a espalhar uma mentira sobre ele.
— Você faz muitas críticas sem fundamento. Ele sabia o que você falava dele, mas não se importava em provar o contrário, pois a cabeça dele estava em problemas muito maiores. O jeito quieto dele esconde uma pessoa maravilhosa, inteligente e talentosa.
— E como me redimir deste erro? Não tenho ideia. Somente pedir desculpas é algo fácil… E fica a questão: será que ele vai me desculpar?
— Toda história tem sempre dois lados, Patrícia. É sempre bom averiguar antes de espalhar boatos indesejáveis sobre as pessoas.
— Eu devia ter, pelo menos, perguntado a ele sobre o que acontecia, em vez de acreditar em tudo.
— Ele mesmo me disse que sabe que não devia ter sido violento, mas, na hora, agiu por impulso e nem pensou. Ainda bem que uma professora viu a cena toda e ficou do lado dele. E sobre as pessoas que traziam os envelopes, era melhor ter perguntado em vez de deduzir o pior por si mesma.
— Sinceramente, estou muito arrependida.
— Eu pensei em uma coisa que talvez ele gostasse… Ou não. Às vezes ele pode até ficar bravo comigo, mas tenho certeza de que isso pode deixá-lo bem.
— O que seria?
— Comece a falar a verdade sobre ele para todos da escola.
Mariana e Patrícia em um diálogo no qual Patrícia finalmente entendeu como estava errada. Um plano foi elaborado para tentar amenizar um erro. Será que vai dar certo?
Não percam o próximo capítulo, que vai ser emocionante! O que será que vai acontecer com Joaquim? E será que esse plano da Mariana vai funcionar?

