Revista Poesias & Cartas – Setembro de 2026

Samuel Thorn

Homenagem ao Poeta 

A Revista Poesias & Cartas completa quatro anos e segue crescendo. Agradeço de coração aos primeiros companheiros que, junto comigo, Johnny Ribeiro, começaram a trilhar este caminho que hoje, com o passar dos anos, vem se consolidando em uma revista diversificada. Além de um conteúdo literário, ela traz informação e curiosidade.
Uma singela homenagem ao amigo que a poesia me deu: Samuel Thorn.
Samuel Thorn — poeta e escritor brasileiro, natural de Pastos Bons, Maranhão — começou a escrever poesias no ensino médio, incentivado por seus professores. Seus poemas falam muito de amor, dor e melancolia, com textos profundos e filosóficos.
Em 2020, juntou-se a Johnny Ribeiro e Alexandre Lavrador para criar o WhatsAppCast, um podcast gravado pelo WhatsApp onde expressavam suas opiniões sobre tudo, sendo posteriormente publicado no Spotify.
Em 2022, Samuel aceitou o convite de Johnny Ribeiro e, juntos, criaram a primeira edição da Revista Poesias & Cartas.
Samuel fez as primeiras capas da revista colocando nelas seu estilo visionário e competencia.
Um Jovem escritor de 24 anos que na minha opnião um dos melhores que já li, um amigo que mesmo que a distância e a falta de tempo tenham nos afastado e digo a ele que a revista poesias e cartas sempre esta de portas abertas para quando ele quiser voltar.
Participou e organizou antologias, além de idealizar um concurso de poesias. Sempre autêntico naquilo que escrevia, coloca toda a sua alma em cada poesia. Foi um parceiro importante que ajudou a consolidar a revista que, ao passar do tempo, tomou novos rumos. Desejamos a ele tudo de melhor e, de coração, agradecemos por tudo o que ele acrescentou à nossa jornada.
A Samuel Thorn, um forte abraço, meu amigo!

Memorável

Os próprios desejos
As próprias emoções
Os próprios pensamentos
As próprias decisões

Onde foi que nos perdemos?
É como um grande tsunami
Tudo está inundado
E os nossos corações?

Pra onde foram os sonhos?
E onde está o NÓS?
Cadê a nossa ligação?
Será que tudo acabou?

E essa dor insuportável
E esse som tão barulhento
E o silêncio que mata
Pouco a pouco, minhas emoções

Uma foto nova em um baú antigo
Uma carta amorosa em minhas mãos
Lembranças de tudo o que poderíamos ter sido
E a dor de saber que não fomos.

Samuel Thorn

Entrevista Literaria por Rose Giar

Este mês Rose Giar nos traz o escritor Di Lutgardes acompanhe esta entrevista

Rose Giar: Nome completo, algum pseudônimo que queira relatar?
Di Lutgardes: Waldir Lutgardes Neves Lacerda – Di Lutgardes.
Rose Giar: Quem seria Di Lutgardes?
Di Lutgardes: Di Lutgardes é um cara sempre em busca do “Di Novo”. Reconhecendo sua caminhada, suas origens, tentando sempre aprimorar e trocar seus saberes, respeitando os espaços e limites, mas sem medo de enfrentar os obstáculos. Vascaíno, casado com Vanessa Reis, pai da humana Carol e dos pets Salada e Cuíca, irmão da Edith e Nathercia e filho de Snaide e Waldir.
Rose Giar: Qual sua formação escolar e qual seu trabalho?
Di Lutgardes: Graduado em Musicoterapia, Licenciado em Música e Pós-graduado em Educação Musical. Músico (Baterista e Percussionista), Musicoterapeuta e Professor.
Rose Giar: Quando a literatura entrou na tua vida?
Di Lutgardes: Na minha adolescência, que foi quando passei das revistas em quadrinhos para os livros. Aventuras, mistérios e existencialismos eram os temas principais.
Rose Giar: Quantos anos você tinha quando começou a escrever?
Di Lutgardes: Desde a minha adolescência, quando comecei a ler livros, eu passei a escrever textos avulsos de temas variados, mas apenas para mim. Foi somente agora, com mais de 50 anos, que finalmente comecei a escrever e querer publicar.
Rose Giar: Quais são suas principais preocupações como escritor?
Di Lutgardes: Quando o livro é específico de tema profissional, minha ideia é que chegue ao máximo possível de pessoas. Espero que quem leia curta e viaje na história contada.
Rose Giar: Quais livros que você leu, que marcaram ou te influenciaram?
Di Lutgardes: Dois livros me marcaram demais “O Apanhador no Campo de Centeio” de J.D. Salinger e “Demian’ de Herman Hesse. Esses me impactaram e semearam com certeza o meu caminhar. Com “Os Meninos da Rua Paulo” de Ferenc Molnár e “Capitães da Areia” de Jorge Amado me identifiquei na minha meninice. Porém, os livros de Clarice Lispector, Lygia Fagundes Telles, Ana Miranda, Carlos Drummond de Andrade e Rubem Fonseca me mostraram caminhos possíveis para escrever.
Rose Giar: Cite um autor ou escritor que te inspira, por quê?
Di Lutgardes: Para escrever e me tornar escritor, cito as minhas irmãs Edith Lacerda e Nathercia Lacerda. Para pensar e repensar e pirar nas ideias, cito Clarice Lispector e Herman Hesse. Agora, como inspiração geral, tem muita gente, mas cito aqui Lygia Fagundes Telles, Conceição Evaristo, Eliana Alves Cruz, Chimamanda Adichie, Paulo Freire, Luiz Antonio Simas, Drummond, Solano Trindade entre muitos. Tem muito mais gente mesmo.
Rose Giar: Qual a importância da Literatura na Arte para você?
Di Lutgardes: Eu sou Músico, sou Artista. A vida sem a Arte não teria sentido, seria sem graça. Todas as vertentes da Arte no meu entender se complementam. A Literatura aparece nas letras das canções e nas Artes Cênicas, por exemplo. Cada expressão artística está de alguma forma contida em outra, elas são interligadas, por isso a Arte é importante.
Rose Giar: O que você acha do uso da Inteligência Artificial (IA) em textos, poemas, letras de músicas?
Di Lutgardes: Eu particularmente não curto. Acho que a modernidade e o avanço das tecnologias são muito importantes, mas tenho receio de tirar nossa espontaneidade e de deixar de aguçar nossa curiosidade. Uma certa “preguiça” de buscar o novo pela nossa própria intuição é o que me faz achar que o uso da Inteligência Artificial nas Artes não é legal.
Rose Giar: Quais são suas esperanças e desesperanças com respeito à literatura brasileira no geral?
Di Lutgardes: De cara eu já digo que os livros não podem acabar! Falo isso porque volta e meia nós ouvimos que em um futuro próximo será tudo digital. O livro físico vai além das páginas e seus escritos. Manusear, folhear, sentir os cheiros, poder colorir (quando for para colorir) etc. são algumas das maravilhas que nos fazem integrar corpo e mente. Minha esperança é que cada vez mais tenhamos livros novos de todos os tipos de temas e de qualquer parte desse mundão. E a desesperança é de deixarmos segmentos que não suportam a Arte por entenderem que ela é libertária. Mas acredito na Arte e ela sempre vencerá.
Rose Giar: Qual o papel das mulheres na literatura? Você acha que elas são e foram importantes para a literatura?
Di Lutgardes: Importantíssimo! Revolucionário! Imprescindível! São importantes demais para a Literatura. Só nessa entrevista já citei várias. Carolina Maria de Jesus, Virginia Woolf, Alice Walker, Marguerite Duras, Scholastique Mukasonga … você encontra em cada parte do planeta mulheres que fizeram e fazem história com suas palavras. Salve a palavra feminina!
Rose Giar: Você acha que as mídias sociais e plataformas ajudam na divulgação do trabalho do escritor? Conte-nos sua experiência.Di Lutgardes: Ajudam sim, mas é preciso saber mexer com essas ferramentas. Os meus livros divulguei pelo Instagram e via mensagem por WhatsApp. Pra mim deu certo, mas é um trabalho de formiguinha, muita paciência e dedicação. Mas, se tiver algum(a) profissional pra ajudar, é bem melhor.
Rose Giar: O que “ir alto na literatura” significa para você hoje? É o reconhecimento da crítica, o alcance de público ou é o sucesso como escritor?
Di Lutgardes: Para mim o alcance do público é o mais importante. Quando a escrita é uma ferramenta complementar na minha profissão ou quando é apenas uma forma de expressar meus sentimentos e ideias livres, quero muito que uma quantidade de pessoas leia. Quanto mais gente melhor. Porém, o livro profissional eu espero um sucesso como escritor, pois me ajudará sempre na minha trajetória de Músico, Musicoterapeuta e Professor. Já o livro livre de questões profissionais o que importa é tocar as pessoas sem compromisso algum. Então, se poucas pessoas lerem, mas ficarem emocionadas e se identificarem, já está bom demais. Para não deixar de falar sobre o reconhecimento da crítica. Pouco me importa, pois, sempre terão divergências, o gosto pessoal muitas vezes prevalece, a caretice e a fiscalização exacerbada nem sempre acho justas, então prefiro o alcance do público e o sucesso.
Rose Giar: Você têm livros editados?
Di Lutgardes: Sim, dois. “Não é Só Futebol: Memórias Futebolísticas de Pai e Filho” e “O Pandeiro e Seus Ritmos”
Rose Giar: Deixe um conselho para quem está começando a escrever?
Di Lutgardes: Não deixe suas ideias acumularem na sua mente e coração, espalhe palavras, coloque no papel ou computador seus pensamentos e desejos e daí você verá se é conto, crônica, romance etc. Não pense se é ficção ou realidade só livre-se, no bom sentido, das palavras e, assim, seu livro sairá.
Rose Giar: Você acha que a leitura em nosso país é evoluída? O que precisamos fazer para melhorar?
Di Lutgardes: Não curto muito essa palavra evolução, mas entendendo seu significado aqui, eu acho que sim é evoluída, pois sempre estão aparecendo novas e novos escritores de vários segmentos. E, para melhorar, é não deixar a Literatura morrer e continuar caminhando com as palavras.
Rose Giar: Deixe seus perfis em redes sociais para que possam te #seguir
Di Lutgardes: Instagram @di.lutgardes

Entre Quatro Paredes: O Direito de Gozar Gostoso- por Pietra Blanco

Uma data meramente comercial usando o trocadilho 6/9 em referência à posição 69. Mas vamos falar a verdade: sexo é bom, não é? Digamos que, sendo feito com consentimento e agradando a quem esteja no ato, podemos falar em bom português: o importante é gozar, e gozar gostoso. Com uma, duas, três, quatro pessoas… isso independe de cada um. O importante, acima de tudo, é estar bem consigo mesmo, entregando-se de corpo, alma e em todos os sentidos.
Sexo em si não é somente o ato de penetrar. Como diz uma moça que sigo no TikTok, é “fufurucar”, é fazer com intensidade e prazer, deixando aflorar o tesão. Tem que ser satisfatório para todos.
As mulheres, até mesmo nos dias de hoje, reprimem-se nessa questão, pois a sociedade é machista e tem um comportamento que eu julgo ordinário e preconceituoso. São julgamentos inválidos. Afinal, qual é o problema de uma mulher gostar de sexo e fazer como os homens fazem? Temos que parar com esses clichês absurdos que usavam na época do meu avô, de que mulher que gosta de sexo é “puta”, “safada” e tantos outros adjetivos vulgares.
Mulher tem que ser puta mesmo — puta para saciar seus desejos e não os reprimir. Tem que ser safada mesmo, pois entre quatro paredes o importante é se sentir bem consigo mesma e não ter arrependimentos.
No fim das contas, essa data comercial pode ser útil para que possamos refletir e falar sobre o assunto, quebrando barreiras e tabus. E mais uma vez digo aqui: vamos gozar gostoso, fufurucando, trepando, metendo… não importa a palavra, pois o importante mesmo nesta vida é ser feliz.

Casal do Pecado

O vinho está no cálice
Esperando para saborear
Faça-me chegar ao ápice
No corpo ao me torturar

Use de suas artimanhas
E de suas fortes algemas
No olhar vem me assanhas
Que no sexo somos almas gêmeas

Tenha força ao me amarrar
E ao me possuir com fogo
Peça para eu gemer e sussurrar
Que eu entro no teu jogo

Mostro-me ser ardente
E ao me devorar como felina
Nessa pegada quente caliente
Torno-me obediente menina

                                                                    Pietra Blanco

 

Renato Lannes Chagas- Falando sobre a África

ÁFRICA
Hoje e sempre um imenso pedaço de chão. Não há como focar todas as suas nações, então vamos olhar para os países com quem trocamos afinidades, os países que falam a mesma língua portuguesa.
Nem tudo são flores. Lá no início dessa caminhada, um cidadão da primeira das nações contactadas nos deu uma horrível pernada com uma história sobre este evento que rima com fenomenal. O golpe foi desses quase fatais para os versos, para o coração (o poético). Os versos quase foram deixados para… virar nada.
E assim teria sido e teria gerado uma gama de impressões negativas; porém, existe sempre algo que renasce, sem uma satisfatória explicação. Não houve tempo para choro, tampouco para cogitar olhar para os demais poetas e poetisas de lá com algum sentimento negativo pela má conduta daquela criatura. A vida sempre continua.
Almas nuas daqui e de lá, passamos a nos encontrar. Alguns passei a admirar, por outros fui adotado — ora como irmão, tio, até mesmo avô. Como o mais velho, o kota, surgiram os convites para estar em Angola, em Moçambique.
Na impossibilidade de estar presente fisicamente, as facilidades permitidas pela tecnologia estreitaram os laços. Assim foi o início dos trabalhos.
A curiosidade falou mais alto. Nem bem havia feito um punhado de livros e, nesses casos do acaso, uma obra foi achada para trazer mais luz e informações sobre artes e artistas que jamais seriam lidos nesta vida.
Obra escrita pela jornalista Cremilda de Araújo Medina. Pessoa que esteve em cada uma dessas nações recém-independentes, com duros relatos, com aquela crueza dos fatos que hoje já não trazem mais os livros publicados. A partir dessa leitura, parte da África — pequena, é verdade, como se fosse uma mera clareira numa densa mata — passou a ser vista e revista.
A África que por nós poderia ser admirada e conhecida, é triste constatar, permanece completamente desconhecida entre todos no recinto escolar onde todos os dias é necessário ir trabalhar.
A cada livro, mais Brasil e África, África e Brasil vão criando pontes, intercâmbios culturais, possibilidades e mais possibilidades, conhecimento, amizades, afinidades, admiração e artes às quais não é possível atribuir valor monetário.
Neste ano que já entra na reta final, a África é ainda mais admirada. Ainda mais após a chegada, quase como uma dessas chuvas que deixam a paisagem mais verdejante, das músicas do Mano Azagaia.
Não há como citar nomes de centenas de artistas; para não fazer confusão, vai a citação apenas dos países que vêm fazendo parte dos projetos literários Palavras Sem Fronteiras e Literatura pelo Mundo, porque a África é parte de tudo, desde JOÃO, que por lá esteve: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e, recentemente, São Tomé e Príncipe.
Quem sabe um dia…
Quem sabe um dia…
Quem sabe um dia…
Itaboraí, 02 de setembro de 2026.
Renato Lannes Chagas

 DIA MUNDIAL DA ALFABETIZAÇÃO POR LUCIANE CUNHA.

O Dia Mundial da Alfabetização é comemorado em 08 de setembro, sendo oficializado pela UNESCO em 1966. Que data importante quando reconhecemos o papel de conscientizar acerca da necessidade de dominar a leitura e escrita como sinônimo de apoderamento social do homem em sua vivência histórica.

Ler e escrever não é apenas decodificar símbolos, mas ser capaz de interpretar sua realidade e ser capaz de lutar pela construção e melhoria de sua trajetória de vida.

Em cada parte do mundo, uma criança está iniciando seu processo de letramento e, por trás dessa construção, existem profissionais e toda uma estrutura que procura viabilizar suporte e qualidade para que a leitura e escrita seja o ponto de partida de uma série de conquistas na vida de cada ser humano.

Que continuemos na batalha pela erradicação do analfabetismo, não apenas o funcional, mas daquele em que o homem seja, de fato, um ser consciente e pleno de seus direitos e deveres.

 

Luciane Cunha

Névoa: o
livro que prova que a escrita humana é insubstituível por David Pessoa
 
       

 Miguel de Unamuno, grande escritor
espanhol, escreveu Névoa com o
intuito perceptível de discorrer a respeito do amor enquanto conceito
filosófico. Com uma sensibilidade geracional, o autor abordou esse tema com
tanta maestria que, mesmo se utilizando de personagens demasiadamente
caricatos, foi capaz de provocar reflexões muito interessantes. Além disso,
incrementou elementos do existencialismo por meio da metalinguagem e transformou
sua narrativa com o passar das páginas em algo inesperado.
          Na literatura, a metalinguagem é um
recurso que permite ao escritor abordar o próprio ato de escrever. Em Névoa,
o próprio Miguel de Unamuno se apresenta como personagem, comunicando-se
diretamente com os protagonistas e ditando todo o rumo da conclusão do romance.
Mais do que isso, o escritor espanhol, em sua própria narrativa, estabelece e
esclarece deliberadamente uma relação de poder sobre toda a trama, como um deus
de seu próprio mundo. A relação entre ele e suas criações gera um desconforto
natural e melancólico ao leitor, sendo essa sensação a força motriz da
interpretação da obra como um todo.
          Paralelamente, através do personagem
Victor Goti (amigo do protagonista, Augusto Pérez), Unamuno propõe a nivola:
uma narrativa existencial, de caráter psicológico, arquitetada para romper a
estrutura do realismo tradicional. Embora não seja um gênero formalmente
apresentado na teoria literária, faz-se necessário compreender essa forma
criada pelo autor para melhor observação da ruptura estética.
          Diante dessa capacidade de subverter
a própria arte, cabe o questionamento: a Inteligência Artificial seria capaz de
gerar uma obra que rompa o convencional de uma expressão artística, assim como
fez Miguel de Unamuno? A resposta é não. Máquinas podem até replicar o estilo
do escritor espanhol e de outros autores, justamente por se basearem naquilo
que nós já exploramos e criamos, mas jamais poderiam redesenhar nossa
compreensão sobre uma estrutura pré-estabelecida. A IA não cria, ela simula e
replica. Esse é o valor da escrita humana. Assim como a vontade de Augusto
Pérez era determinada pelo seu criador, a “imaginação” das máquinas sempre
estará limitada pela nossa.  


         

O Grito Incompleto da Independência- por Johnny Ribeiro

Oh, minha pátria tão amada e tão sofrida… Sete de setembro é o seu dia, meu Brasil! O dia em que deixamos de ser colônia e viramos pátria, em um solo explorado onde nossos verdadeiros descendentes foram enganados. Oh, minha pátria miscigenada, meu país acolhedor, onde todos podem ser bem tratados.
Depois de tantas lutas para conseguir a nossa independência, falta-nos hoje mais esperança e um jeito novo de acreditar em quem vai ser nosso governante. Tanta ladroagem desde o descobrimento que vigora até hoje. Estamos no século XXI e a política descarada mente absurdos; com um bom papo, leva nossos votos. Somos iludidos por promessas de melhoria e dissolvidos por falsas esperanças, em uma sociedade que nos maltrata, onde o rico sempre fica mais rico e o pobre, sempre mais pobre. Um país tão lindo que se vê preso a homens corruptos que só pensam em lucrar com tudo isso.
Penso que o desfile do dia 7 de setembro deveria ter sido diferente: deveria ser o dia em que paramos o Brasil e nos mobilizamos para fazer o que é correto e procurar melhorar. Lutamos tanto para sermos independentes, para deixarmos de ser uma colônia, e hoje somos chacota lá fora. Os gringos só dizem que somos o “país da putaria”, mas nem se apegam a conhecer o seu povo, que luta dia a dia com alegria e se esforça para encarar a vida.
Somos o país do futebol, do carnaval… Pois já nascemos sambando diante dos problemas, os quais driblamos com vontade. Temos que honrar as nossas cores, beijar a nossa bandeira batendo continência e adorando a nossa pátria. Temos que ser verdadeiramente patriotas, não fingidos. E, por mais críticas que façam ao meu país, eu só tenho a responder: Sou brasileiro, não desisto nunca e ainda vou ver o meu país melhorar!

Pátria Amada

Nossos campos verdes,
nossa paisagem,
tão desmatada.
Nosso povo guerreiro,
o povo que luta,
que, mesmo na dor,
ainda batalha.

A vontade de muitos
é acabar com a pobreza,
igualar a sociedade.
Brasileiro não desiste,
brasileiro samba e grita,
canta aos quatro cantos,
com força e suor.
O Brasil é terra de campeões.

No século XXI, evoluímos,
mas tantos medos nos afligem.
A política turbulenta,
que rouba e é cara de pau,
um presidente genocida,
a falta de uma educação digna.

O que sinto, às vezes, é tristeza,
mas, por muitas vezes, contentamento
por nascer neste solo
e poder ser brasileiro,
guerreiro
e sonhador.

Sou aquele que se motiva
e mantém a esperança…

Brasil, minha Pátria Amada!

Johnny Ribeiro

Através do Caleidoscópio

Por Carlos Lopes

O giro de hoje nos leva a pensar:

Setembro Amarelo: e se a pergunta não fosse sobre a morte?

Setembro chegou vestido de amarelo. Nas redes sociais aparecem laços, flores, frases bonitas, campanhas, palestras, caminhadas e cartazes lembrando que precisamos falar sobre prevenção ao suicídio.

E ainda bem que falamos.

Mas talvez seja necessário fazer uma pergunta um pouco desconfortável: estamos realmente falando sobre suicídio ou apenas falando sobre setembro amarelo?

Porque existe uma diferença enorme entre colocar uma fita amarela na camisa e conseguir sentar ao lado de alguém que está sofrendo sem saber exatamente o que dizer.

Existe uma diferença entre publicar “você não está sozinho” e permanecer ao lado daquela pessoa quando ela começa a contar por que está se sentindo assim.

E talvez o maior desafio da prevenção esteja justamente aí: aprender a ouvir aquilo que muitas vezes aparece disfarçado de silêncio.

“Quem pensa em suicídio quer realmente morrer?”

Essa é uma das dúvidas mais comuns.

Nem sempre.

O comportamento suicida é complexo e não pode ser reduzido a uma simples vontade de morrer. Muitas pessoas que chegam a pensar em suicídio estão, na verdade, desesperadas para interromper uma dor psicológica que se tornou insuportável.

É como se a pessoa estivesse presa dentro de um quarto escuro e, depois de muito tempo procurando uma saída, começasse a acreditar que não existe porta.

O problema é que, quando a dor domina a percepção, o cérebro também pode perder a capacidade de enxergar possibilidades.

É a desesperança.

E desesperança não significa necessariamente que não exista saída. Significa que, naquele momento, a pessoa não consegue enxergá-la.

É justamente por isso que o sofrimento precisa ser levado a sério.

“Mas ele tem uma vida tão boa…”

Essa talvez seja uma das frases mais perigosas que podem ser ditas, embora geralmente seja pronunciada com boa intenção.

“Você tem família.”

“Tem emprego.”

“Tem filhos.”

“Tem uma casa.”

“Tem saúde.”

“Tem gente que gosta de você.”

Tudo isso pode ser verdade.

Mas sofrimento psicológico não funciona como uma planilha contábil.

Não existe uma coluna de motivos para viver e outra de motivos para sofrer. O ser humano não é uma equação em que basta somar as coisas boas para eliminar as ruins.

Uma pessoa pode ter amor ao redor e ainda assim estar sofrendo profundamente.

Pode sorrir.

Pode trabalhar.

Pode fazer piada.

Pode postar fotografias felizes.

Pode até dizer “está tudo bem”.

E, por dentro, estar travando uma batalha que ninguém percebe.

Por isso, uma das grandes lições da prevenção é esta: aparência não é diagnóstico de sofrimento.

“Falar sobre suicídio não coloca ideias na cabeça da pessoa?”

Não.

Perguntar com cuidado e de maneira direta sobre pensamentos suicidas não significa estimular o suicídio.

Ao contrário: pode abrir uma porta para que aquilo que estava escondido finalmente seja colocado em palavras.

“Você tem passado por um momento muito difícil?”

“Como você tem se sentido de verdade?”

“Em algum momento você pensou que não queria mais estar aqui?”

Perguntas assim não devem ser feitas como interrogatório, mas como demonstração genuína de preocupação.

Às vezes, a pessoa não precisa imediatamente de uma solução.

Precisa de alguém que suporte ouvir a verdade sem fugir dela.

“E se ela me contar que está pensando em morrer?”

Primeiro: não entre em pânico.

Segundo: não transforme a conversa em sermão.

Evite frases como:

“Isso é falta de Deus.”

“Você precisa ser forte.”

“Pense na sua família.”

“Tem gente em situação muito pior.”

“Isso é só uma fase.”

“Você precisa reagir.”

Talvez você esteja tentando ajudar.

Mas, para quem está sofrendo, essas frases podem soar como: “Você não deveria estar sentindo isso.

E ninguém melhora porque alguém mandou parar de sofrer.

Uma resposta mais humana pode ser simples:

“Eu estou aqui. Quero entender o que está acontecendo com você.”

Depois, é importante procurar ajuda profissional e, diante de risco imediato, não deixar a pessoa sozinha e buscar atendimento de urgência.

No Brasil, o CVV (Centro de Valorização da Vida) atende pelo telefone 188, gratuitamente, 24 horas por dia. Em uma emergência, o SAMU pode ser acionado pelo 192, além dos serviços de urgência e emergência disponíveis na região.

“Mas e se a pessoa pedir segredo?”

Aqui existe um limite importante.

Guardar uma confidência é diferente de guardar sozinho uma situação de risco.

Se alguém diz que pretende se matar, especialmente quando há risco imediato, o compromisso maior não é com o segredo. É com a vida.

Família, amigos, profissionais de saúde e pessoas próximas precisam entender que prevenção também significa não enfrentar uma situação grave isoladamente.

Pedir ajuda não é trair a confiança.

Pode ser justamente uma forma de protegê-la.

E a família?

A família frequentemente fica perdida.

Pergunta-se:

“Como eu não percebi?”

“Onde foi que eu errei?”

“Eu deveria ter feito alguma coisa?”

É importante tomar cuidado com a culpa.

Depois que uma tragédia acontece, o cérebro humano gosta de procurar explicações. Repassa conversas, mensagens, comportamentos, pequenas mudanças.

“Ele falou aquilo naquele dia…”

“Ela parecia diferente…”

“Se eu tivesse ligado…”

Mas nem sempre os sinais são claros.

Nem todo sofrimento é visível.

Por isso, prevenção não deve ser construída apenas sobre a capacidade de identificar sinais secretos. Ela precisa ser construída sobre uma cultura de conversa, vínculo, acolhimento e acesso à ajuda.

Setembro Amarelo termina em setembro?

Essa é talvez a pergunta mais importante.

Não deveria.

O sofrimento psicológico não respeita calendário.

A depressão não começa no dia 1º de setembro.

A ansiedade não termina no dia 30.

A solidão não espera a próxima campanha.

E a necessidade de conversar não cabe em uma hashtag.

Setembro Amarelo pode ser uma porta de entrada. Mas precisamos atravessá-la.

Precisamos falar sobre saúde mental durante o ano inteiro.

Nas famílias.

Nas escolas.

Nas empresas.

Nas universidades.

Nos clubes esportivos.

Nas igrejas.

Nos consultórios.

Nas rodas de amigos.

E também naquele lugar que talvez seja um dos mais importantes: dentro de casa.

Talvez prevenção seja mais simples — e mais difícil — do que imaginamos

Às vezes pensamos que prevenir o suicídio exige uma grande intervenção

É claro que precisamos de políticas públicas, profissionais capacitados, serviços de saúde acessíveis e tratamento adequado.

Mas existe também uma prevenção cotidiana.

É mandar uma mensagem.

É perceber que aquele amigo desapareceu.

É perguntar novamente quando alguém responde “estou bem” com um olhar que diz outra coisa.

É sentar.

É ouvir.

É não transformar sofrimento em competição.

É compreender que pedir ajuda não é sinal de fraqueza.

E talvez seja principalmente aprender a substituir uma pergunta automática por uma pergunta verdadeira.

Em vez de:

“Tudo bem?”

perguntar:

“Como você está, de verdade?”

Porque “tudo bem?” geralmente aceita como resposta um simples “tudo”.

Já “como você está de verdade?” abre uma fresta.

E às vezes é por essa pequena fresta que entra a luz.

O caleidoscópio

A palavra caleidoscópio vem da ideia de observar imagens formadas por diferentes fragmentos. Pequenos pedaços de vidro, quando movimentados, produzem desenhos completamente diferentes.

Talvez a mente humana também seja um pouco assim.

Há dias em que tudo parece fazer sentido.

Em outros, os fragmentos se misturam.

Uma perda.

Uma separação.

Uma frustração.

Uma doença.

Uma dívida

Uma cobrança.

Uma solidão.

Uma história antiga.

Um sentimento de inadequação.

E, de repente, aquilo que parecia apenas mais um fragmento transforma-se no centro de tudo.

Mas existe uma coisa que o sofrimento costuma esconder: as imagens podem mudar.

Não significa que devemos oferecer falsas promessas.

Não significa dizer que “amanhã tudo estará maravilhoso”.

Significa reconhecer que aquilo que uma pessoa enxerga quando está mergulhada em profunda dor não necessariamente corresponde a todas as possibilidades que existem.

Por isso, precisamos ganhar tempo.

Acolher.

Proteger.

Tratar.

Acompanhar.

Construir novamente vínculos e possibilidades.

E lembrar que uma pessoa em sofrimento não precisa enxergar o caminho inteiro.

Às vezes, basta ajudá-la a encontrar o próximo passo.

Talvez esse seja o verdadeiro sentido do setembro amarelo.

Não pintar o mundo inteiro de amarelo.

Mas iluminar, ainda que por alguns instantes, aquele pedaço de caminho que alguém já não consegue enxergar.

Porque há pessoas que não precisam de uma frase bonita.

Precisam de presença.

Há pessoas que não precisam que alguém lhes diga para serem fortes.

Precisam descobrir que não precisam carregar tudo sozinhas.

E há pessoas que talvez estejam silenciosamente perguntando, sem coragem de formular

“Será que alguém perceberia se eu desaparecesse?”

Que a nossa resposta seja dada antes mesmo da pergunta.

Sim. Nós percebemos.

Você importa.

Sua dor merece ser ouvida.

E pedir ajuda não é desistir da vida.

Às vezes, pedir ajuda é justamente a primeira maneira de começar a reconstruí-la.

 

Até o próximo giro!

 

Carlos Lopes

CRP 04/49834

Amarelo é a cor da esperança

Setembro chega trazendo uma flor,
um laço, um abraço, um gesto de amor,
mas pede silêncio para escutar
quem sofre calado, sem conseguir falar.

Nem sempre quem chora consegue explicar,
nem sempre quem ri deixou de lutar;
por trás de um sorriso, pode existir
uma dor escondida querendo sair.

Não diga “seja forte”, apenas fique,
ofereça presença, acolha e não critique;
pergunte com calma: “Como você está?”
e esteja disposto, de fato, a escutar.

A vida, às vezes, perde a direção,
e a dor faz silêncio dentro do coração;
mas quando encontramos alguém para ouvir,
uma pequena luz pode voltar a surgir.

Que o amarelo não dure somente um mês,
que a escuta floresça de janeiro a vez;
pois cuidar da vida é também perceber
que às vezes salvar é simplesmente permanecer.

Carlos Lopes
12-09-2026

Lançamento Editora Parle- Por Daya Ribeiro

No dia 4 de setembro, na Feira do Livro de Ribeirão Preto – SP, a editora Parle realizou o lançamento da antologia Coração de Poeta, organizada por Johnny Ribeiro, uma obra formada por 23 poetas dos quatro cantos do país. Foi um dia de festa para estes poetas, um dia repleto de sorrisos. Afinal, quando um poeta escreve um poema, ele descreve sua alma, colocando a intensidade de um coração que sente todas as emoções.
Com a excelente colaboração de Rita Cruz, que conseguiu um espaço no estande dos autores da casa na Feira do Livro, foi possível que, junto a Johnny Ribeiro, Selma, Joana Darque e Rosana Grilloni, se lançasse esta magnífica obra, onde cada verso era a batida de um coração intenso de poetas que mostraram sua arte. A poesia que emana é a mesma que comanda a fé, a vida e o coração de um poeta.
Estes poetas representaram com honra todos os que participaram, deixando claro que a poesia une pessoas, gerando transformações. Esta obra já está disponível para venda, e você pode comprá-la diretamente com os autores para garantir o seu livro autografado.

3 thoughts on “Revista Poesias & Cartas – Setembro de 2026

  1. É uma honra e um privilégio estar nas páginas desta publicação!!!
    Parabéns para todos os participantes desta revista!!!
    Parabéns Johnny Ribeiro!!!
    Deixo o convite para você colega desta revista participar do projeto Literatura pelo Mundo.
    Leia as publicações desta bela iniciativa que está disponível aqui neste espaço e, sempre que tiver gostado da leitura, deixe seu comentário.
    Este site é um excelente difusor de trabalhos COM QUALIDADE não só da Arte Literária, mas também da Língua Portuguesa e tem sido ao longo deste ano uma grande ponte entre todos os países falantes da língua portuguesa que por aqui têm passado, isto é motivo de muitas alegrias, mesmo com todos os problemas nossos de cada dia, aqui é possível ler e ver, além de claro, escrever e saber que a arte é tão viva quanto a vida.
    Mais uma vez agradeço e parabenizo a todos e que por muitos anos esta publicação prossiga!!!

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