Desmascarando o Poder: Helen Contra o Assédio

E la estava ela, toda bonita e glamourosa, uma Deusa, passava pela rua e todos os homens e até mesmo mulheres olhavam e comentavam o quão bonita e elegante era ela. Uma mulher de nome Helen, com seus 1,72 de altura, olhos claros, cabelo preto liso e sua pele morena, uma mistura de índio com europeu, seu corpo malhado de academia e seu sorriso lindo com dentes perfeitos era um arraso.
Tinha com ela uma empatia linda com todas as pessoas, uma mulher educada, foi criada assim por sua mãe, Dona Raquel, a qual era filha de índios que saíram de sua tribo para viver na cidade. Dona Raquel que se encantou na juventude por um homem boêmio, o qual a engravidou e sumiu do mundo, criou Helen sozinha, ensinando-a princípios e sempre correr atrás dos seus sonhos.

O sonho de Helen era ser juíza, por isso estudava muito e, logo que se formou e passou na prova da OAB, ela começou a trabalhar em um grande escritório para pegar experiência. O escritório se chamava Lazaro Gomes e Associados; tinham uma excelente reputação na cidade e, como as notas de Helen foram ótimas e quem a entrevistou achou-a linda e muito inteligente, quem a entrevistou foi Carlos, um homem de aproximadamente 40 anos, o qual já era um excelente advogado e estava contratando um associado e resolveu que seria ela.
No dia da entrevista, Helen foi bem vestida com salto alto; seus olhos verdes se destacavam entre os óculos. Vestida com um terninho social, ela estava um arraso, se mostrando uma mulher empoderada, uma jovem cheia de sonhos, pensando que este seria seu primeiro passo para ser juíza.
E ela começa e se esforça mais que os outros, ficando todos os dias até depois do expediente, colaborando e aprendendo. Carlos era um homem muito bonito e educado e explicava para ela tudo nos mínimos detalhes; ela absorvia e aprendia.
Em uma noite, os dois trabalhando até mais tarde, aquele homem educado e gentil se transforma, começa a elogiar e dizer o quanto ele deseja tê-la, que ela pode subir mais rápido aqui no escritório, só precisa fazer certos favores para ele.
Helen se assusta, respira fundo e diz:
-Não preciso disso, seu nojento.
Pega suas coisas e vai embora, chorando com raiva. Chegando em casa, sua mãe a vê chorando e pergunta:
-Filha, o que está acontecendo?
-Mãe, por que o mundo é tão complicado? Por que uma mulher não pode ser linda e inteligente? Por que os homens parecem animais?
-É, minha filha, o mundo é desta forma mesmo. Passam eras e eras e nada de evoluir neste quesito; homens se acham os superiores, sempre os mais inteligentes e superiores às mulheres. Para eles, uma mulher só tem mérito quando se sujeita a certas coisas.
-Mas Mãe, o que devo fazer?
-Enxugue essas lágrimas e continue mostrando o seu melhor, lute contra esse tipo de assédio e mostre que mulheres, além de bonitas, são inteligentes.
Helen respirou fundo e pensou: no banho, quando a água caía em seu corpo, pensava no que fazer para acabar com o machismo e assédios em empresas e, ao mesmo tempo, sabia que não poderia acabar com isso, mas poderia ser uma voz, alguém para lutar pelos direitos femininos, não só mais uma mulher assediada no trabalho que se cala. Então Helen saiu do banho, pegou o seu computador e fez uma planilha. Lá ela marcou o primeiro dia de assédio de Carlos e escreveu como se sentiu, dizendo:
“Um homem tão inteligente que me ensinava tudo, transformou-se em um monstro ao me pedir certos favores sexuais, aos quais meu estômago embrulha de lembrar”.
No dia seguinte, Helen voltou para o trabalho e seu plano ia começar: juntar provas para processar Carlos. Ela pensou que não deveria ter sido a primeira mulher que ele assediou, ou algum outro nesta empresa, pois aqui as advogadas são poucas, apenas ela e mais duas outras, sendo que uma delas é uma das sócias com mais tempo; o restante das mulheres são secretárias e as meninas do RH, as quais ela precisa ter amizade para, ao ponto de, conseguir saber mais sobre Carlos.


Um dia cansativo, onde Helen trabalhou como uma louca, pois recebeu muito trabalho da parte de Carlos, que está com raiva dela por não ter aceitado o seu pedido; o mesmo que nem no assunto comentou e muito menos ela, que apenas observou tudo o que acontecia e viu um cenário onde o machismo era o que mandava.
Por volta das 15 horas, ela vai à cozinha do escritório e encontra Francine, a responsável pelo RH, e começa a conversar com a mesma, que assistia em seu celular doramas, os quais Helen também é fã.
-Nossa, eu também adoro dorama.
-Eu viajo neste mundinho coreano.
-E as comidas que eles mostram me dão uma vontade…
-Você viu que abriu um restaurante coreano?
-Eu vi, mas não acho companhia.
-Olha, eu estou aqui para te acompanhar.
-Vamos amanhã?
-Ok, fechado no almoço.
O primeiro passo dado agora é ficar íntima e ser amiga.
Novamente, Helen fica até mais tarde e Carlos também, com uma mente brilhante já havia pensado em uma armadilha.
Carlos chega bem perto da mesa de Helen e diz:
-Minha proposta continua de pé, se você quiser?
-E qual era mesmo a sua proposta? O que eu vou ganhar com esses favores sexuais que você quer?
-Quem sabe um caso que você ganhe muito dinheiro, quem sabe ser associada júnior, tudo depende e eu tenho o poder.
-Isso não me interessa; prefiro trilhar meu caminho.
Carlos passa a mão no rosto de Helen e fala umas besteiras. Ela fecha a cara, tira a mão de seu rosto; ele sai rindo, como se fosse o todo-poderoso.
Helen deixou o seu celular gravando tudo o que ele falou e, quando ela chega em casa, passa para um pendrive e deixa guardado.
No outro dia, logo na entrada do trabalho, ela encontra Carlos com um sorriso sarcástico, dizendo bom dia para ela; entram os dois e mais um senhor dentro do elevador, o qual sorri para eles, dizendo bom dia. O andar daquele senhor é o sétimo e o deles é o décimo, três andares onde ficam somente os dois; e Carlos diz:
-Já imaginou uma aventura dentro do elevador?
Com cara de assustada, imaginando o que aquele homem poderia fazer com ela, ela tira o celular da bolsa, abre o WhatsApp, coloca para gravar, e Carlos começa a dizer:
-Imagina nós dois aqui transando, eu chupando esses peitos gostosos; a minha proposta ainda continua de pé quando quiser ser promovida e só me fazer esses favores.
Carlos chega bem perto dela; Helen treme toda e o empurra. Eles chegam ao andar; ela sai correndo e vai para o banheiro; as lágrimas escorrem do seu rosto, ela sente raiva e nojo e acaba por vomitar e consegue enviar a mensagem para sua mãe, a mesma que começa a escutar e, sabendo dos planos da filha, guarda a mensagem e liga para a filha, dizendo:
-Filha, tome muito cuidado com esse homem.
-A mãe, ele está me dando nojo e só de pensar que tenho que passar o dia todo falando com ele.
-Se você quer acabar com ele, você continua; se não, saia desta empresa. Você tem potencial para trabalhar em qualquer outro lugar.
-Tudo bem, só se proteja.


Depois de uma manhã perturbada e cheia de trabalho, chega a hora do almoço e Francine já espera por Helen e as duas vão para o tão famoso restaurante.
Um lugar lindo, com coreanos de verdade, lembrando os restaurantes que elas veem em seus doramas.
Francine começa a falar:
-Nossa, que lugar bonito e o cheiro da comida é maravilhoso e que legal, a maioria dos funcionários são coreanos.
-Sim, uma amiga tinha dito que adorou esta louca pra conhecer. Que bom que achei alguém que também gosta. Há quanto tempo você trabalha no escritório?
-Desde quando me formei, comecei como auxiliar e depois que a Marisa pediu demissão eu assumi o lugar dela.
-Nossa, essa Marisa deve ter achado algo melhor, né.
-Então ela trabalha hoje em um supermercado.
-Mas é melhor que o escritório?
-Só sei que ela rala mais do que aqui. Você olhou o cardápio?
-Sim, eu quero a barriga de porco assada que vi muitas pessoas comendo quando cheguei; e você?
-Acho que vou pedir o mesmo.
Eles começam a conversar, sorrir e se conhecer melhor, e Francine diz:
-Queria eu tomar aquela pinga que eles tomam, o tal de soju.
-Verdade, eu também. Que tal a gente comprar uma garrafa e tomar após o expediente?
-Ótimo, mas você não vai ficar até tarde hoje, né?
-E como você sabe que fico até tarde?
-Eu sei de tudo naquela empresa.
Helen sorri e pensa: hoje ela me conta o que eu quero saber.
-Fran, que tal irmos para a minha casa e tomarmos lá?
-Pode ser.
Acabam o almoço como duas grandes amigas e voltam para o trabalho. Assim que Helen chega à sua mesa, vê um bilhete de Carlos pedindo que ela vá até a sua sala.
Chegando lá, ele começa a falar:
-Helen, temos um caso que vamos precisar trabalhar até tarde.
-Hoje, infelizmente, não vou poder.
-Por que está com medo de mim?
-Não; apenas tenho compromisso.
-Não se preocupe, não seremos só nós dois; teremos a companhia da Dra. Magda e seus associados. É um caso grande, mas hoje podemos deixar isto quieto e começar a partir de amanhã.
-Ok, amanhã você passa.
Ela sai da sala dele e olha para todo o escritório e se pergunta:
Por que tantos homens sendo advogados e poucas mulheres, apenas essa tal de Dra. Magda é associada sênior?
O expediente termina e Francine e Helen vão embora. Chegando à casa de Helen, começam a beber com dois copos. Francine já fica bêbada; é a hora em que Helen começa o interrogatório.
-Fran, por que tantos homens no escritório e poucas mulheres?
-Olha, não sei dizer ao certo. Antes todos tinham pelo menos uma mulher na equipe, mas de uns tempos pra cá vejo apenas as associadas pedirem demissão; a última foi a Aline, que era associada do Dr. Carlos, ficou com ele seis meses e ele a despediu, alegando que ela não fazia o trabalho direito.
-Sério! Ele é muito exigente.
-Olha, na verdade não sei se foi bem isso, porque muitas vezes eles saíam para almoçar juntos, trabalhavam até tarde, às vezes jantavam lá, e, no decorrer do tempo, isso foi acabando.
-Como assim?
-Aline começou a ir embora no horário e o Dr. Carlos começou a ficar bravo; às vezes ele a chamava e ela não ia; faltou ao trabalho algumas vezes e houve uma vez em que eu vi seu braço roxo, e ela sumiu.
-Tem mais casos assim?
-Tem de muitas estagiárias que saíram logo no primeiro mês; e houve uma secretaria que acusou o Dr. Magno de ter assediado ela, só que ela sumiu.
-E você lembra o nome dela?
-Sim, é Jaqueline. Mas por que estas perguntas?
-Não, eu só observo muito e queria saber por que a Dra Magda é a única mulher associada sênior.
-Bom, difícil de te dizer, porque ela está lá há mais tempo que eu e quando cheguei ela já era associada sênior.
Helen fica pensativa, tentando entender, e elas bebem a garrafa toda de soju. Francine dorme e Helen diz para ela ficar.
Pensando em um novo plano de encontrar Aline e Jaqueline e descobrir mais sobre o que acontece naquele escritório.

Não percam o proximo capitulo.

2 thoughts on “Desmascarando o Poder: Helen Contra o Assédio

  1. Infelizmente, na vida real e na ficção, milhares de mulheres são assediada, sofrem perseguição e algumas são até mesmo vítimas de feminicidios…

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