1 de julho- Dia da Vacina contra BCG por Johnny Ribeiro
Mais um mês se passa e o ano está se aproximando do fim. No mês de julho, que é o sétimo mês do calendário, celebramos datas importantes para a sociedade e também festas tradicionais. É um mês em que o frio começa a apertar em algumas regiões do país, além de ser o período das festas julinas, que continuam as comemorações caipiras.
Hoje, quero falar sobre um tema muito importante para a nossa sociedade: o Dia da Vacina BCG (Bacillus Calmette-Guérin). Essa vacina é utilizada principalmente para proteger contra a tuberculose (TB), uma doença infecciosa grave que afeta os pulmões e outros órgãos.
A vacina BCG foi desenvolvida a partir de uma bactéria atenuada (distratada) do Mycobacterium bovis, que é relacionada ao bacilo da tuberculose. Seu objetivo principal é prevenir formas graves da tuberculose, especialmente em crianças, como meningite tuberculosa e tuberculose miliar (que se espalha pelo sangue). Geralmente, ela é aplicada com uma injeção na pele do braço.
A proteção contra a tuberculose pulmonar em adultos pode variar, mas a vacina é altamente eficaz na prevenção de formas graves da doença em crianças. A vacinação com BCG faz parte do calendário de imunizações de muitos países, especialmente aqueles com alta incidência de tuberculose.

A vacina BCG foi criada na década de 1920 pelos microbiologistas franceses Albert Calmette e Camille Guérin. O desenvolvimento começou em 1908, e a vacina foi disponibilizada ao público em 1921 após anos de pesquisa e testes.
A data dedicada à vacina BCG varia de país para país.
2 de Julho: Independência da Bahia
Vamos falar sobre a independência da Bahia em 2 de julho de 1823. Liderados por figuras como D. João de Almeida, grupos locais tomaram o controle da cidade de Salvador, declarando oficialmente a independência da Bahia. O povo brasileiro e baiano é incrível; enfrentaram as tropas leais a Portugal até que o domínio português fosse completamente expulsos da região.

A independência da Bahia foi um passo crucial para a consolidação da independência do Brasil. Após a resistência, a região passou a fazer parte do novo país soberano, sob o governo de Dom Pedro I.
Hino da Independência da Bahia
Autor: José Joaquim de Almeida
Letra:
Abaixe os olhos, brasileiros,
Vede o tempo de vergonha e dor!
Vede o tempo de lágrimas,
Vede a Bahia e o Brasil!
No trono da liberdade,
A Bahia se enfezou,
Sua bravura e seu valor,
Ao mundo altaneiro,
Se expande e reluz!
Através do Caleidoscópio
Por Carlos Lopes
No giro de hoje, ” Guerra: o silêncio que grita mais alto que as bombas.”
Trincheiras da Alma
Não sei como será a terceira guerra mundial, mas a quarta — dizem — será com paus e pedras. Einstein disse isso, ou disseram que ele disse. De todo modo, tanto faz. A frase pesa como chumbo na consciência do mundo. Ela não fala apenas de bombas, mas da estupidez em repetir a história, até que não reste mais história a ser contada.
Escrevo essas linhas não de uma trincheira, mas de uma mesa, ainda assim cercado de combates. Não há estilhaços ao redor, mas há gritos abafados, há cansaços invisíveis, há uma guerra que não se transmite pela TV: a guerra de dentro. De mim comigo. De cada um com o que sente, com o que cala, com o que já não suporta.
Vivemos num mundo onde as guerras não terminam — elas apenas mudam de uniforme. Ontem, eram cavalos e espadas. Hoje, drones e algoritmos. Amanhã, talvez o silêncio cúmplice. E enquanto os velhos continuam a decidir, os jovens continuam a morrer. “A guerra é feita por jovens que não se conhecem para matar-se uns aos outros, por decisão de velhos que se conhecem e se odeiam, mas não se matam”, disse o piloto Erich Hartmann, que viu o céu virar cemitério.
Mas e nós, escritores? E nós, poetas? O que fazemos com esse horror?

Escrevemos.
Escrevemos porque é a nossa forma de não nos conformarmos. Porque cada palavra é um manifesto contra o esquecimento. Porque enquanto houver poesia, ainda há humanidade.
A guerra é, antes de tudo, a falência da escuta. Quando já não se ouve o outro, grita-se. Quando não se compreende, impõe-se. Quando não se suporta, extermina-se. E há tantas formas de extermínio — não apenas de corpos, mas de culturas, de ideias, de afetos, de memórias. Há quem apague o outro com tanques, há quem apague com palavras.
E, não raro, com o próprio silêncio.
Guerra é também a mãe das guerras invisíveis: a psicológica, a emocional, a social. A guerra contra si mesmo, contra o corpo que não se aceita, contra a voz que não se ouve, contra a dor que ninguém vê. É a batalha cotidiana de ser e resistir num mundo que nos pede rendição constante.
O general prussiano Carl von Clausewitz dizia que “a guerra é a continuação da política por outros meios”. Mas e quando a política erra? Quando a diplomacia mente? Quando a humanidade falha em ser humana?
Então a guerra vira rotina.

Jean-Paul Sartre nos lembrou que “quando os ricos fazem a guerra, são sempre os pobres que morrem”. Os de carne, os de ossos, os de sonhos. Aqueles que não têm abrigos subterrâneos, nem passaporte diplomático, nem sobrenome blindado. Os pobres de tudo, menos de dor.
E há ainda a guerra de egos — tão invisível quanto destrutiva. A guerra dos que precisam vencer sempre, mesmo que isso custe o mundo. A guerra dos que governam com arrogância, dos que amam com posse, dos que debatem sem escutar. A guerra dos que se acham deuses e dos que se esquecem que o outro também sente, também teme, também sonha.
George Orwell, com sua lucidez incômoda, afirmou que “a maneira mais rápida de acabar com uma guerra é perdê-la”. E talvez seja esse o problema: ninguém quer perder. Todos querem vencer, mesmo que isso signifique um planeta inteiro em ruínas. E no fim, o que resta não é a vitória — é o vazio.
Benjamin Franklin nos dizia: “Nunca houve uma guerra boa nem uma paz ruim.” Mas parece que esquecemos disso quando se trata de defender a pátria, a honra, a ideologia, o petróleo, o orgulho. Disfarçamos massacre com bandeira. Chamamos vingança de justiça. E matamos em nome do amor à nossa gente, esquecendo que a “gente deles” também é feita de mães, filhos, saudades.
Sun Tzu, mestre da arte da guerra, alertou: “A guerra é um jogo de azar.” Mas somos viciados na roleta da destruição. Jogamos e perdemos, mas insistimos. Porque no fundo, talvez, ainda não aprendemos a lição das guerras passadas. Ainda não entendemos que um inimigo morto não é um problema resolvido. É apenas mais uma cicatriz no planeta.
Se há algo que as guerras ensinam — ou deveriam ensinar — é que a paz precisa de coragem. Mais coragem que empunhar uma arma. Mais coragem que apertar um botão. A coragem de dialogar, de ceder, de ouvir, de reconstruir.
Mas para isso, é preciso mais poetas no mundo.
Poetas que desarmem palavras afiadas. Que semeiem pontes. Que denunciem as bombas com versos. Que transformem trincheiras em travessias.
E se aprendêssemos, enfim, que a maior das vitórias é não precisar guerrear? Que a força mais revolucionária não vem das armas, mas da escuta, do cuidado, da coragem de permanecer sensível num mundo que endurece?
Se for para lutar, que seja pela dignidade.
Se for para vencer, que seja o orgulho, o preconceito, a ganância.
Se for para morrer, que morra a indiferença.
Mas que nunca — nunca — enterremos o humano que pulsa em nós.
Porque toda guerra, por fora ou por dentro, só termina de fato quando a paz começa a ser construída nos gestos pequenos: no abraço possível, na palavra que não fere, no silêncio que acolhe.
Porque, no fim — e que fique ecoando — “os poetas odeiam o ódio e fazem guerra à guerra”, como escreveu Pablo Neruda.

Até o próximo giro!
Carlos Lopes
CRP 04/49834
A PAZ GRITA
A guerra não começa com tiros.
Começa quando alguém para de ouvir.
Quando a escuta cede lugar ao medo,
quando o medo veste farda
e a palavra se ajoelha diante do poder.
A guerra é anterior às bombas
Ela se gesta nos discursos inflamados,
nos olhos que evitam outros olhos,
na mão que nega o aperto,
no coração que endurece.
Ela mora nas esquinas da política,
nos bastidores da economia,
na pressa de julgar,
na vaidade de quem comanda
e nunca sangra.
Mas também mora aqui,
neste corpo que trava batalhas sem plateia,
nesta mente que se debate
entre a vontade de ser
e o peso de existir num mundo em guerra consigo.
Há soldados que nunca empunham armas,
mas que marcham todos os dias
rumo ao trabalho,
à sobrevivência,
à aceitação.
E há generais que nunca pisam na lama,
mas decidem destinos
com um clique ou uma frase.
A guerra é esse silêncio que grita mais alto que as bombas.
É o choro contido de uma mãe que não volta a dormir.
É o caderno vazio de uma criança que perdeu a escola.
É o teto que desaba,
a fronteira que se fecha,
o abraço que não chega.
E mesmo quando ela acaba nos mapas,
segue viva nos traumas,
nos escombros da alma,
nos olhos que viram demais
e já não sabem mais ver.
Talvez a paz não venha dos tratados.
Talvez venha do gesto que escuta,
do verso que denuncia,
da ponte que resiste ao rio revolto.
Porque para destruir, basta o ódio.
Mas para reconstruir,
é preciso amor que doa,
ternura que persista,
memória que não adormeça.
Que lutemos, sim —
mas com palavras que acolham,
com atos que salvem,
com a coragem de sentir.

Carlos Lopes, 23/06/25
Dia do Chocolate por Johnny Ribeiro
Conto: Carbenet e Chocolate com Pietra Blanco
Bienal de São Paulo, o ano era 1994, e conheci uma linda escritora que me tirou o fôlego assim que a vi. Meu nome é Leandro e vou relatar a vocês os dois dias que fizeram um homem se apaixonar por uma mulher espetacular.
Na época, eu tinha apenas 21 anos e acabara de lançar meu primeiro livro pela editora Lepar. Se não me engano, foi um dos anos mais frios; estávamos no inverno. Eu, jovem e sem muita experiência nesse mundo literário, recebi o convite da editora para estar no seu stand e divulgar meu livro.
Tudo começou quando, logo na minha chegada, fui recepcionado por Paola, a gerente administrativa da editora. Ela me levou a um hotel onde reservaram dois quartos para dois escritores: eu e uma mulher ruiva de aproximadamente 30 anos, de uma beleza esplêndida e um sorriso encantador, assim como eu, uma escritora e poeta. Nunca tinha visto tamanha beleza; seu sorriso era inspirador. Na hora, me veio um poema à cabeça, mas me contive. Ela era bem-educada, tinha um perfume adocicado; seu nome era Pietra Blanco (não sei se era seu verdadeiro nome ou apenas um pseudônimo).

Logo de início, já nos simpatizamos. Ela, com o meu livro na mão, pediu um autógrafo, elogiou meu jeito de escrever, cotidiano, e perguntou se minha vida era semelhante ao que ela lia nos meus poemas. Sorri meio envergonhado, dizendo que um poeta ve inspiração em tudo, até mesmo um olhar como o dela. Pietra sorriu e comentou que os olhos são as janelas da alma; quanto mais belos e cativantes, mais pura e brilhante à alma é.
No primeiro encontro de desconhecidos, algo aconteceu: me instalei no quarto ao lado do dela, tomei banho e fomos para a bienal, expor nossos livros — quem sabe vender, não é? Era inverno, e em São Paulo o termômetro marcava 12 graus. Estávamos bem agasalhados. Várias pessoas passavam, alguns curiosos olhavam nossos livros, e eu observava Pietra conversando com as pessoas, admirando seu sorriso, a maneira como ela escrevia suas dedicatórias. Eu, marinheiro de primeira viagem, tentava me esforçar, mas queria é observá-la como um fã que adoraria ter uma dedicatória escrita no meu corpo, desejando ser íntimo dela. Pensei em amor à primeira vista, mas acho que o que sentia era apenas desejo — uma vontade de conhecer uma pessoa maravilhosa, que a beleza estava fora do normal. Estava meio bobo, ou apenas querendo vê-la sem roupa, percorrer cada centímetro do corpo dela, não só com os olhos, mas com as mãos e sentir seu sabor de femêa.
No final do dia, enquanto recolhíamos os livros e fechávamos o stand, Paola nos convidou para tomar algo. Eu, jovem, fraco de bebida, e envergonhado, como alguém do interior, aceitei. Chegamos ao bar, Pietra sentou ao meu lado, e começamos a conversar. Paola estava com outras pessoas, às quais dava mais atenção do que a nós. Eu evitei um pouco o álcool para não fazer papel de trouxa, pois queria impressionar aquela mulher que, naquele instante, me dava total atenção. Conversamos sobre várias coisas; ela me contou sobre sua trajetória literária, sem falar de sua vida pessoal. Quando a noite caiu, o frio aumentou. Ela segurou minha mão e disse: “Olha o quanto está frio”, suas mãos geladas tocaram minha face, ela me disse que meu rosto estava quentinho. Minha língua, que não se trava e não cabia na boca, e eu murmurei: “Me abrace, que eu te esquento”, com um sorriso de vergonha e muita vontade.
Já quase às 10 da noite, fomos embora. Subimos, abaraçados parecendo namorados conversando, e ela me sugeriu que eu tomasse banho e fosse ao seu quarto para continuarmos a conversa. Após meia hora, bati na porta do quarto dela e ela me esperando . Um perfume maravilhoso, uma garrafa de vinho Cabernet e uma bandeja com chocolates amargos, além de Pietra, de roupão, decoravam o ambiente. Ela começou a me explicar sobre o sabor do vinho com o chocolate amargo, que juntos criavam uma combinação de aromas e sabores intensos e complexos.
Eu dizia que, como nos poetas intensos, descrevemos sensações com desejos ocultos, apaixonados por gestos simples. Pietra sorriu e me beijou. Eu me senti no céu… Nossa intensidade, o desejo que ardia em nós, a combinação poética dos nossos corpos: sua pele macia, seu aroma magnífico, e seu corpo… ao qual minhas mãos percorriam todo tocando na sua menina úmida minha boca salivando desejando sentir aquele sabor querendo experimentar todo aquele mel que já escorria.
Aquela noite foi um encontro mágico, onde poetas se amaram do melhor jeito, na melhor estação. Os corpos se aqueceram, os desejos se realizaram intensamente. Nos tocamos, nos beijamos — e não foi só sexo; foi algo tão mágico que ultrapassou a expectativa. Depois do prazer, dormimos nus, agarrados.
Na manhã seguinte, fui embora para meu quarto. Após uma hora e meia quando estava na mesa de café a esperando, encontrei um bilhete de Pietra:

“Obrigado pela noite, por saciar o meu desejo. Até um dia.”
Ela foi embora, e nunca mais a vi. Já se passaram anos, e eu ainda desejo aquela mulher intensa e complexa, assim como o Cabernet e o chocolate amargo.
Entrevista com o Poeta
Rose Giar entrevistou este mês um poeta la do Piaui
Apresento a todos Aureliano Gomes.
Rose Giar: Nome completo, algum heterônimo?
Aureliano Gomes: Aureliano Francisco de Carvalho Gomes. Assino-me como Aureliano Gomes e não tenho heterônimo.
Rose Giar: Cidade onde nasceu. Cidade onde mora, casado, tem filhos?
Aureliano Gomes: Nascido e residente em Simões PI. Casado com Suzana da Silva Nascimento há 19 anos, pai de uma filha de 16 anos, Isabelle Sofia.
Rose Giar: Quem é Aureliano Gomes?
Aureliano Gomes: Aureliano Gomes é um ser humano tenente a Deus e aos Seus planos; um homem que valoriza a família e preserva a moralidade; um sonhador com os pés na realidade; um cidadão que busca ser melhor a cada dia; alguém que carrega princípios e valores que os consideram invioláveis e imbarganháveis; uma pessoa que busca semear o bem e escreve o futuro com fé e esperança.
Rose Giar: Sua infância, pais, como era sua vida?
Aureliano Gomes: Minha infância foi deveras difícil. Desde pequeno tive que trabalhar na roça; andar por léguas a pé para estudar; passei por muitas dificuldades na vida: fome, a separação dos meus país por conta do alcoolismo, mas, com as graças de Deus, não segui por caminhos errados e consegui crescer como ser humano.

Rose Giar: Qual sua formação escolar e qual seu trabalho?
Aureliano Gomes: Sou graduado em Letras Espanhol e Letras Português, pós-graduado em Letras Português. Trabalhei por alguns anos como professor e, atualmente, sou funcionário público.
Rose Giar: Quando a poesia entrou na tua vida?
Aureliano Gomes: A poesia entrou em minha vida “acidentalmente”, quando, ainda jovem, participei de um concurso de poesias na escola em que estudava. Surpreendi-me ao produzir um poema sobre drogas. Daquele dia em diante, descobri que era capaz de escrever poesias e nunca mais deixei de produzi-las.
Rose Giar: Quais livros que você leu, que marcou ou te influenciou?
Aureliano Gomes: Recordo-me de ter lido os livros A moreninha, de Joaquim Manoel de Macedo e O menino do engenho, de José Lins do Rego, além dos contos A missa do galo e A cartomante, ambos daquele que considero o maior escritor da língua portuguesa, Machado de Assis. Todas essas leituras para atividades escolares. Na poesia, os primeiros contatos que tive foi com a literatura de cordel do saudoso Bertinho Bento e de outros autores, bem como alguns livros de poesias de autores autônomos, desconhecidos. Sobre poetas famosos, os primeiros que li foi poemas de Patativa do Assaré e o poetinha, Vinicius de Moraes.
Rose Giar: Cite um autor ou escritor que te inspira, porque?
Aureliano Gomes: Tarefa difícil, pois são tantos. Mas vou citar alguns que me inspiram: Florbela Espanca, Fernando Pessoa, Vinicius de Moraes, Pablo Neruda, Bráulio Bessa, Carlos Drummond de Andrade. Além de tantos outros.

Rose Giar: Quantos anos você tinha quando começou a escrever?
Aureliano Gomes: Não consigo precisar o tempo, mas acredito que havia entre 14 e 15 anos.
Rose Giar: Qual seu estilo poético preferido e o que te inspira a escrever?
Aureliano Gomes: Aprecio poemas com rima, ritmo, musicalidade, melodia, expressões sensoriais. Não precisa, obrigatoriamente, ter o rigor métrico na construção.
O silêncio é a principal coisa que me inspira, pois os seus sons me são tão deleitaveis e aprazíveis. (autodenomino-me como poeta do silêncio). Ademais, inspira-me a natureza, o cotidiano, a solidão, a angústia, a tristeza…
Rose Giar: Qual a importância da Literatura na Arte para você?
Aureliano Gomes: A Literatura desempenha um relevante papel na arte. Ao possibilitar a exploração da arte por meio da escrita, dos sentimentos, das emoções, das sensações, preenchendo a arte com a beleza e o primor das letras, das palavras, da escrita. Sem a Literatura a arte seria obsoleta e frívola.
Rose Giar:O que você acha do uso da Inteligência Artificial (IA) em textos, poemas, letras de músicas?
Aureliano Gomes: Vejo a (IA) Inteligência Artifícial como algo inevitável na contemporaneidade, porém, como o uso desenfreado, descontrolado das IAs em textos, poemas, letras de músicas “retira” a essência, o sabor, a criatividade do sentir humano. Temo que em um futuro bem próximo as IAs se proliferem e, aos poucos, tomem conta da arte da escrita. Particularmente, não gosto e nem faço uso da IA na escrita, mas respeito que o faz.
Rose Giar: Quais são suas esperanças e desesperanças com respeito a literatura brasileira no geral?
Aureliano Gomes: As esperanças são os novos e talentosissimos poetas e escritores que surgem a cada dia, mantendo a Literatura viva e ativa. As desesperanças são muitas, infelizmente, pois a literatura está caminhando por uma estrada sem muito futuro, pela diminuição dos leitores e pela desvalorização dos novos autores.
Rose Giar: Qual o papel das mulheres na literatura? Você acha que elas são e foram importantes para a literatura? Como?
Aureliano Gomes: A mulher tem um papel fundamental e valoroso na literatura. Sim, as mulheres foram e são de extrema relevância na literatura, contribuindo com obras excepcionais, com uma identidade que ultrapassa a páginas do tempo.
Rose Giar: Quanto a mulher e escritora negra, você vê oportunidades à elas no mercado Literário?
Aureliano Gomes: Embora as mulheres venham ganhando espaço nas esferas sociais, as notabilidades que lhes são intrínsecas e merecidas deveriam ser diferentes, mas, infelizmente, ainda há muita discriminação e segregação quando é mulher e negra, aspectos que dificultam enormemente as oportunidades dessas no universo literário.
Rose Giar: Na sua opinião, o que o escritor ou poeta, precisa fazer pra ser bem sucedido em nosso país?
Aureliano Gomes: Acho que essa é uma missão dificílima. Pois não basta (só) ter talento, aptidão, habilidades, mas, antes de tudo, é preciso ter coragem, dedicação, resiliência, força de vontade para (re)começar. Outrossim, é imprescindível ter o conhecimento de boas estratégias de marketing para divulgação; ter paciência da semeadura até a colheita; ter uma pitada ou uma enxurrada de sorte, quer seja para a publicação autônoma ou para encontrar uma boa editora e nunca desistir de alcançar esse sonho.
Rose Giar: E quais são as vantagens e desvantagens de participar de uma Academia Literária Virtual ou Física?
Aureliano Gomes: As vantagens em participar de uma academia literária são as possibilidades de um maior alcance dos trabalhos, conhecer as obras e trocar experiências com outros autores, fomentar a produção literária, promover e conservar a língua, estimular o surgimento de novos autores.
As desvantagens são a pouca visibilidade, valorização e reconhecimento ao fazer parte de uma academia literária.
Rose Giar: De tantos talentos que temos no meio da escrita e da poesia, tem algum que te inspira, ou que você admira? (Falando agora de poetas anônimos ou que não são conhecidos.)
Aureliano Gomes: Sim. Entre tantos talentosissimos escritores e poetas anônimos ou poucos conhecidos, há alguns que admiro e me inspiram, como: Francisco de Assis Sousa, os meus conterrâneos, Flávio José Pereira da Silva, (Flávio de Ostanila), Natanael de Macedo Carvalho, Sandy Nonato, Aparecida Reis, Bertinho Bento (in memoriam), Elisa Sales, Celinha Carvalho, além de outros que não me recordo o nome agora.
Rose Giar: Você tem livros ou obras autorais publicadas, cite os nomes e onde podem ser adquiridos?
Aureliano Gomes: Infelizmente, ainda não. Estou em busca de realizar esse imenso sonho, com muito material produzidos.
Rose Giar: Quais seus projetos futuros?
Aureliano Gomes: Buscar novas oportunidades profissionais, com vantagens financeiras e de qualidade de vida, que me ofereça mais tempo para mim, minha família e para os meus projetos pessoais que, entre outros, está a realização de um sonho, que é a publicação do primeiro livro. Ademais, continuar evoluindo como ser humano e escrevendo que é uma grande paixão.
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12 de julho Aniversário de Pablo Neruda
Nosso colunista Luis Augusto nós traz uma simbólica homenagem ao grande pablo Neruda grande Poeta ganhador do Prêmio Nobel e inspirador de muitos outros poetas.
O Veneno e a Rosa: Neruda, entre a poesia e o silêncio
Dizem que Pablo Neruda morreu de dor.
Outros, mais atentos às entrelinhas da história chilena, juram que foi o veneno — não o da saudade, mas o das mãos sujas da ditadura. E entre uma teoria e outra, resta-nos o corpo do poeta, morto em 23 de setembro de 1973, apenas doze dias depois do golpe militar que derrubou Salvador Allende, seu grande amigo, seu presidente, seu companheiro de esperança.
Neruda não era apenas o poeta das mulheres e das cerejeiras — era também o operário das palavras insurgentes. Aquele que escreveu “Canto Geral” como quem escreve um mapa da América Latina ferida, nomeando cada flor e cada faca, cada mina de cobre e cada mineiro de alma exposta. Era diplomata e comunista, um amante da palavra e do povo. Quando muitos silenciaram, ele escreveu. Quando muitos fugiram, ele cantou mais alto.
Mas há silêncios que não se escolhem.
E há mortes que se disfarçam de doenças.

A versão oficial diz que Neruda morreu por complicações de um câncer na próstata. Mas em 2011, seu ex-motorista declarou o que muitos já suspeitavam: o poeta foi assassinado. Envenenado por uma substância misteriosa, injetada em seu corpo enquanto repousava na Clínica Santa María, em Santiago. E de lá pra cá, exumaram o corpo, exumaram a história, e uma nuvem densa de suspeitas paira sobre a lápide do homem que jurava ter vivido “para viver com os outros que respiram”.
Há quem diga que Pinochet não suportava a ideia de um Neruda exilado, escrevendo de longe, inflamando consciências, fazendo do exílio uma trincheira de palavras. A poesia, afinal, sempre foi mais perigosa que pólvora — e Neruda, naquele setembro de fogo, era uma bomba prestes a detonar com estrofes.
Hoje, o Chile ainda tenta entender se matou seu poeta ou se ele morreu de tristeza ao ver seu país sangrar. Mas talvez as duas coisas sejam verdade. Talvez tenham matado Neruda como se mata uma flor: arrancando a raiz, queimando a terra e dizendo que foi o tempo. Talvez ele tenha partido levando em seus ossos a última metáfora, o último segredo, o último grito que não coube no poema.
Neruda era comunista. Mas mais do que isso, era um homem que acreditava na utopia como se fosse um verso possível. Defendeu a Revolução Espanhola, esteve ao lado de Fidel, foi senador, foi perseguido, foi silenciado. E, mesmo assim, sua poesia nunca se ajoelhou. Nunca.
E mesmo que sua morte tenha sido forjada no escuro, sua vida foi um clarão.
O veneno pode ter vencido o corpo. Mas a palavra ainda respira.
E, como ele mesmo escreveu:
“Podem cortar todas as flores, mas não podem deter a primavera.”
O Lobisomem do Bacurizeiro por Paulo Gnoseplay
NUMA NOITE ESTRELADA DESSAS DO MÊS de junho estavam eu e alguns amigos na encruzilhada das ruas Monsenhor Lopes e Alfredo Rosa, conversando antes do ensaio da quadrilha junina “Amor do Campo”. Falávamos de várias coisas, capoeira, quadrilha, pescaria, briga de galo, sobre as meninas mais bonitas do bairro e outras coisas.
Interrompemos nossa conversa para iniciar o ensaio, era sempre às vinte e duas horas, pois tínhamos que esperar os componentes que estudam à noite. Cada um nos seus lugares para dar início. O animador olhava os papeis, ligou o som e começou a nos instruir. Éramos trinta pares, além do animador e a rainha caipira.
O ensaio ia até as vinte e três horas, mas mesmo quando terminava sempre ficava na encruzilhada um grupinho de pessoas conversando. Eu era uma das pessoas. Gostava muito de ficar ali conversando com os amigos, até porque eu estudava no turno da tarde e não tinha problema em acordar após as nove horas.
Lá pelo dia treze de junho, numa sexta-feira, uma das componentes quando ia saindo, após o ensaio, percebeu que o pneu da própria bicicleta estava baixo, então ela pediu emprestada ao dono da quadrilha uma bomba de encher pneu, ele trouxe de bom grado e começou a enchê-lo. Porém, o esforço foi em vão, realmente o pneu da bicicleta estava furado, e naquelas altas horas da noite não tinha nenhuma oficina aberta.
Compadecido da moça, o dono da quadrilha pediu para ela dormir na casa dele, mas ela se recusou, disse que tinha que ir para casa dela se não a mãe ia brigar e tirar ela da quadrilha. Então, eu e meus amigos, Guinei e Toinho, nós oferecemos a ajudar, até porque também ela era nossa amiga. E nos prontificamos em ir deixar a moça, que se chamava Maria Helena, na casa dela.
Tinha só duas bicicletas, a minha e a do Guinei, como as duas tinham uma garupa deu certo para cada um levar uma pessoa. Maria Helena subiu na garupa da minha bicicleta e Toinho na garupa da bicicleta do Guinei.

Sem pressa saímos a pedalar pela rua Primeiro de Maio, rua que liga o Bacurizeiro Um ao Bacurizeiro Dois, Maria Helena mora próximo aos trilhos, no final do bairro, era só umas pedaladas para chegarmos na casa dela.
No caminho íamos conversando sobre o ensaio, como o mesmo foi bom, divertido. E durante a conversa, ao olharmos para o céu vimos a maravilhosa Lua Cheia, enorme. Fazia um friozinho muito bom, víamos umas poucas nuvens passar bem baixinho. Ouvíamos o caburé cantar. Tudo lindo.
Nessa observação da lua não observamos a estrada e damos com um quebra-molas, passamos por cima de uma vez e perdi o equilíbrio da bicicleta. Maria Helena caiu de costas e eu de peito no chão. Guinei e Toinho conseguiram se segurar e não caíram, eles pararam para nos ajudar.
Maria Helena ficou toda suja de piçarra e começou a chorar, pois tinha medo do que a mãe dela ia pensar em ver a filha chegando em casa com três rapazes e ainda com as costas sujas de piçarra, ia no mínimo perguntar se ela estava virando bicho.
Alimpei as costas de Maria para amenizar a situação, mas não ficou bom o suficiente. Foi então que ela lembrou que na próxima rua tinha uma amiga chamada Mariana e que se fôssemos lá, na casa da Mariana, ela iria pedir uma roupa emprestada, assim a mãe de Maria Helena não ia perceber que ela tinha se sujado, e não ia desconfiar da filha. O bom é que a blusa era igual, pois era do coral da capela de Nossa Senhora de Fátima o qual Maria Helena e Mariana faziam parte.
Só que embora a casa de Mariana fosse na próxima rua, a casa dela era no final da rua e para falar a verdade só tinha a casa de Mariana naquela rua, o restante era só quintas e terrenos cheios de cajueiros e mato.
Quando dobramos a rua, mal andamos a lua começou a sumir por trás de umas nuvens, e mais na frente ouvimos os cachorros latindo sem parar, e o frio começou a aumentar. Os cachorros gritavam como se estivessem apanhando de alguém, será se era ladrão jogando pedra neles. Além disso, um cheiro forte de carniça, de cachorro molhado pairava no ar. Nossa era horrível.
Começamos a nos arrepiar e de longe vimos um cachorro correndo em nossa direção, ficamos parado para ajudar e ver o que estava acontecendo, quando o cachorro se aproximou de nós, vimos ele todo cortado.
– Meu Deus, quem fez isso com esse pobre animal?
– Será que foi de faca? Facão?
– Mas parecia ter sido garras de algum bicho.
– Será onça?
– Guaxinim?

Os outros cachorros pararam de latir, ouvimos só um grito de um que parou repentinamente, e o cachorro que chegou perto de nós dava seus últimos suspiros antes de morrer. Parece que ele perdeu muito sangue e os cortes eram profundos.
– Que pessoa ou bicho poderia ter feito aquilo?
Maria Helena estava com muito medo, queria voltar e eu também, mas Guinei e Toinho insistiram a continuarmos a caminhar, já estávamos no meio da rua, faltava poucos metros para chegarmos na casa de Mariana.
Fomos caminhando empurrando a bicicleta, pois da metade da rua para a casa de Mariana era só areia, muita areia, não dava para pedalar com garupa.
Ainda assustados íamos observando tudo, chegamos de frente de onde os cachorros latiam e gritavam, e avistamos uma cena horrível. Vários cachorros mortos, uns dez. Tinha cachorro partido ao meio, cabeça de cachorro de um lado e patas para o outro. Nossa que cena forte! Tinha pedaços de cachorro espalhado por todos os lados.
Não foi gente não, foi algum bicho. E ao olhar para trás vimos uma coisa grande e peluda correndo atravessando a rua de um lado para o outro. Não deu para identificar, mas tínhamos a certeza de que não era uma onça.
Saímos correndo em direção à casa de Mariana, e quando olhamos para trás a coisa estranha e peluda estava parada no meio da rua olhando para nós. Maria Helena gritou desesperadamente, saímos correndo, soltamos as bicicletas não dava para correr com elas, já estávamos perto da casa de Mariana e a coisa ainda continuava parada no meio da rua olhando em nossa direção.
Chegamos, graças a Deus, batemos na porta, chamamos a Mariana, mas ninguém respondia ninguém abria a porta, estávamos desesperados, o frio aumentava, a lua começou a aparecer por completo e estávamos para arrebentar a porta e ninguém abria.
Sentimos algo perto de nós quando olhamos, só escutei o grito de Maria Helena e vi o Guinei ser arremessado para longe, para o outro lado da rua, o Toinho estava no chão agonizando segurando a própria barriga, vimos que saia muito sangue de sua barriga, quando ele tirou a mão da barriga as tripas dele caiu no chão, minhas pernas gelaram, mas consegui correr com Maria Helena, e ao chegarmos no fundo da casa a porta estava aberta, entramos e a fechamos rapidamente.
Para o nosso desespero havia dois corpos partidos ao meio dentro da casa, Maria Helena reconheceu o corpo da amiga e de seu pai. Ela caiu desmaiada, eu, sem ação, sentei e esperei a morte chegar, mas quando olhei para a porta da frente vi que tinha uma espingarda bate bucha encostada na parede e ela estava carregada, tinha vários objetos dentro, pulseira e um colar que pareciam serem de prata. Só faltava colocar uma bucha e comprimir. Corri e peguei uma bucha de palha de milho que estava no chão, acho que o pai de Mariana estava tentado terminar de carregar a espingarda mas não teve tempo. Eu consegui carregar a espingarda. Quando me virei, avistei uma coisa grande e peluda, de frente à porta da cozinha, ela avança sobre Maria Helena que está desmaiada no chão. Eu gritei e atirei contra aquela coisa que deu um uivo horrível e ensurdecedor. A coisa saiu correndo ferida quintal adentro levando arame no peito. E depois do susto eu apaguei.
No dia seguinte, acordei no Instituto de Saúde José Gil Barbosa, estava internado, vi Guinei e Toinho sentados do meu lado, fiquei sem acreditar, pois vi eles sendo mortos pelo lobisomem no Bacurizeiro. Perguntei como podiam estar vivos, e eles disseram que a pancada na minha cabeça me afetou, pois eles relataram que eu ia muito afoito na bicicleta, passei deles e não vi o quebra-molas, então passei de uma vez e cai, batendo a cabeça numa pedra. Maria Helena conseguiu pular a tempo, não teve nada e eu desmaiei. Eles tentaram me acordar como eu não acordava. O Guinei voltou correndo na casa do Antônio, dono da quadrilha, que conseguiu chamar a ambulância. E fui levado para o hospital e me internaram. Acordei com uma baita dor de cabeça. E logo em seguida Maria Helena veio com minha mãe me visitar. Eu receberia alta só no dia seguinte, então perguntei pelo lobisomem, e todos riram.
– Que lobisomem?
– O Lobisomem do Bacurizeiro -, respondi sem entender nada.

A Arte de Escrever por Luciane Cunha
A NOSTALGIA DAS CARTAS.
Certamente, a geração de hoje não imagina a sensação de enviar e receber cartas.
Lembro-me que sempre guardei com muito carinho todas as cartas que recebi.
Um dos momentos mais marcantes foi de uma amiga que iria mudar-se para a Alemanha. Ao nos despedirmos, pedi-lhe: “Olha, você vai escrever- me ? ” A resposta dela foi afirmativa, mas duvidei um pouco, visto que ela iria para tão longe. Não sabia se teria tempo ou lembraria de mim. De qualquer forma, passei-lhe meu endereço completo.
Para minha surpresa, algum tempo depois, recebi uma missiva chegando diretamente de outro continente. A emoção tomou conta de mim! Especialmente porque fiquei imaginando a riqueza de detalhes envolvidos em toda trajetória do remetente ao destinatário.
A carta era um assunto tão sério que estava entre os conteúdos programáticos das disciplinas escolares. Todos precisavam aprender toda estética e formalidade desta escrita. E os jovens da época estavam atentos, afinal, escrever para os amigos e para os pretendentes era uma regra inquebrável.
Posso dizer que perdi a conta de quantas cartas escrevi e recebi. Inclusive, através das cartas, iniciei meu apreço pelo universo literário, escrevendo de forma poética e emotiva.
Hoje, neste mundo de coisas muitas vezes estantâneas, parece não sobrar tempo para sentir o frio na barriga ao aguardar uma correspondência.
Essa é a evolução, a transformação dos tempos que nos reserva apenas o sabor de nostalgia.
CARTA A FELICIDADE
Olá, felicidade!
Convido-te a visitar um importante lugar:
Meu coração, que hoje já não deixo qualquer um entrar.
Vem trazendo toda tua suavidade..
É verdade que não podes permanecer por muito tempo. Às vezes vais tão repentinamente…
Mas acredito que voltarás. As portas e janelas estarão sempre abertas para receber-te.
Farei de tudo para que fiques o maior tempo possível, afinal serás bem-vinda hoje, amanhã e sempre.
Ės linda, bela e atraente !
Jamais poderei desperdiçar a chance de te reencontrar!
Luciane Cunha

Dia dos Avós por Renato Lannes Chagas
Tal qual o dia das mães supera com folgas o dia dos pais. O avô, “perde” quase sempre para a avó, como se aprende aquilo que não é ensinado? Quando não há um exemplo a ser seguido? Não é uma questão com uma resposta linear, nem fácil. O espelho acaba não sendo a lembrança (que não existe) e sim a do exemplo feminino que existiu por uma vida inteira. Hoje os tempos são outros, por mais presente que possamos ser, os avós já não tem mais condições de cuidar dos netos e deixar de trabalhar, por exemplo ou de estar presentes o tempo todo na criação dos netos, ainda que sejam só elas, as avós. A presença dos avós na vida dos netos sempre será importante, não só como referência, bem como por serem quem são: os mais velhos, mais experientes e que, quase sempre, estamos ali para paparicar, esquecer de tudo e todos para curtir o tempo que for possível estar com eles, as alegrias que começam desde o nascimento, sem todas as responsabilidades que carregamos enquanto pais. Difícil não querer mimar em excesso essas pessoas que desde cedo temos em tão elevada estima, consideração e amor sempre.
Renato Lannes Chagas

MEU MENINO
Saudades sempre fico.
Desse meu menino.
Cada dia que passa mais lindo.
E mais gosto quando o vejo.
Sempre querendo ver os meus carrinhos.
Coisa que nos une no caminho.
Se não fosse ficar com falta de vê-lo pedindo.
Para ver esses mesmos carrinhos.
Já os teria dado.
Nem que fosse a metade.
Para este meu amado e lindo menino.
Meu netinho lindo.
Que como o avô.
Ama carrinhos.
Meu menino.
Amo cada dia mais esse meu lindo netinho!!!
Renato Lannes Chagas🚓🚔🚕🚒🚑🚐🚎🚍🚌🚋🚞🚝🚖🚗🚘🚙🚚🚛🚜🚲🛴🛵
Fazendo Arte por Rita Cruz
Olá, caro leitor!
Chegamos em julho, o mês das tão esperadas férias escolares!
A palavra férias origina-se do termo fériae em latim (“dia de festa” ou “dia de descanso”). A história conta que, as férias foram criadas para designar os dias de descanso do povo romano e tinha um sentido religioso, onde os cidadãos suspendiam suas atividades cotidianas e gozavam de períodos de festividades para realizarem homenagem aos deuses.
O primeiro país que concedeu férias aos seus cidadãos como forma de direito através de lei, foi a Inglaterra em 1872. Porém, outros países tiveram esta iniciativa um pouco antes, como a Dinamarca, primeira nação a conceder o benefício de férias aos trabalhadores domésticos, em 1821.
No Brasil, algumas empresas, por deliberação própria, já concediam esse benefício aos seus trabalhadores. Mas esse direito foi concedido a todos empregados através do Decreto nº 4.982 em 24 de dezembro de 2025. No entanto, esta Lei concedeu-lhes o direito de gozarem anualmente de apenas 15 dias de férias e não de 30 como temos atualmente. Em 1949 este período foi estendido para 20 dias e somente em 1977 houve a definição para 30 dias.
Em relação às férias escolares no Brasil, elas acontecem em dois momentos: no mês de julho e entre os meses de dezembro a fevereiro do ano seguinte.
É um período muito importante para que os professores e alunos possam suspender temporariamente os seus compromissos, descansar e realizar atividades que, no resto do ano, não se realizam por falta de tempo. As férias também permitem a redução do stress mental causado pela pressão do ano letivo que professores e alunos sofrem devido à muitas obrigações. Além de permitir também o convívio das crianças com a família, para desfrutarem de momentos agradáveis de lazer, embora nem todos tenham essa oportunidade.
Enfim, aproveito para trazer nesta edição, as nossas dicas culturais que acontecerão nesse período e também uma programação especial voltada para a criançada se divertir. Espero que goste das nossas indicações ee, se for o seu caso, tenha uma excelente féria.
Um abraço e até nossa próxima edição!

Rita Cruz
RIBEIRÃO PRETO
SESI – programação cultural gratuita.
Dia 5 de julho – Festa Julina com comidas típicas, brincadeiras para crianças e música ao vivo com trios de forró e quadrilha.
Mostra CINE SESI-SP ‘Curtas-metragens brasileiros’
Veja programação no link:
<https://www.sesisp.org.br/eventos?data=0&codigoUnidade=1d2a9687-9384-41c5-9e4b-cf87cb38236e&search>
SESC – oficinas criativas, vivências em família, espetáculos e sessões de cinema com acesso gratuito durante todo o mês de julho.
Veja programação no link:
<https://www.sescsp.org.br/programacao/>
BRODOWSKI
Museu Casa de Portinari – programação cultural gratuita denominada ‘Férias no Museu’ para as crianças e toda família, com oficinas de brinquedos feitos de materiais recicláveis, atividades lúdicas com massinha de modelar, pintura, pião de papel e contação de histórias, além de estações temáticas com cores e memórias da infância do artista.
O museu também oferece uma Feira de Artesanato com peças produzidas por moradores da cidade e uma exposição denominada “Saberes e Fazeres da Casa de Portinari com Bordados, Bordaduras e Bordadeiras”, que valoriza o trabalho manual.
Endereço: Praça Candido Portinari, 298 – Centro, Brodowski
- Data: de 1º a 31 de julho, de terça a domingo
- Horário: das 10h às 16h
POEMA
No dia 18 de Julho é comemorado o dia do trovador, data escolhida para homenagear o dia do nascimento de Luiz Otávio, pseudônimo de Gilson de Castro, fundador e presidente perpétuo da União Brasileira de Trovadores.

Como trovadora que sou, escrevo essa trova para homenagear a todos os irmãos trovadores!
“Nessa minha caminhada
componho versos de amor
sigo firme nessa estrada,
sou poeta e trovador!”
Rita Cruz
Manual de Sobrevivência por Dr. Love
No Episódio de hoje, “O Fim das Rapidinhas?”
Especial Férias Escolares
Senhoras, senhores e indecisos do coração… bom dia, boa tarde ou boa noite!
Senhoras e senhores, maridos e esposas, namorados e ficantes firmes, cá estamos nós em mais um capítulo do nosso já quase premiado (por mim mesmo) Manual de Sobrevivência. E hoje, o tema é quente — ou, pelo menos, era, até as benditas férias escolares começarem.
Porque, vejam bem, manter o fogo aceso é uma arte. Mas tentar reacender a brasa com criança em casa, gato no colo, controle remoto sumido e um TikTok tocando no volume máximo no quarto ao lado… é praticamente uma prova do Enem emocional. Até ontem, o romance fluía: um beijo apressado antes da van escolar buzinar, um abraço demorado depois do almoço, uma rapidinha matinal entre um gole de café e um grito de “cadê meu tênis?”. Mas agora? Agora, os filhos estão em casa 24/7, com energia de atleta olímpico e senso de privacidade de uma porta giratória.
É oficial: começaram as férias escolares, também conhecidas como “temporada de testes para casais apaixonados”. Mas calma, Doutor Love não abandona ninguém na trincheira! Aqui vão estratégias testadas (em pensamento) e aprovadas (por mim mesmo) para manter o clima mesmo com as crias por perto:

A Tática dos Horários Alternativos
Quem disse que só se ama à noite? Inove!
Manhãs com cara de tarde: Acordem 30 minutinhos mais cedo. Sim, o sono vai reclamar, mas o corpo agradece.
Sexta estratégica: Criança na frente da TV com um balde de pipoca + quarto trancado = oportunidade. O nome disso é logística afetiva.
Banho juntos? Sempre um clássico. O chuveiro é o último reduto da intimidade — e não tem perigo de aparecer ninguém pedindo suco.
Dormiu fora? Hora de aproveitar!
O filho foi dormir na casa do amiguinho, da vó ou da vizinha do bloco ao lado? Acione o modo lua de mel:
Troque a louça pelo vinho.
Esqueça o celular e vá direto ao que importa.
Faça amor na sala, na cozinha, até no chão da área de serviço, se o coração (e a coluna) aguentarem.
Lembre-se: na guerra (e nas férias escolares), toda chance é sagrada.
Código Morse de Paixão
Não dá pra ter privacidade? Use a linguagem secreta dos casais:
Toques sutis, bilhetinhos picantes escondidos na gaveta das meias ou atrás da porta do armário.
Áudios no WhatsApp que não podem ser ouvidos no viva-voz (se é que me entende…).
Olhares que dizem: “Hoje à noite, quando a criançada dormir, você não me escapa.”
A Arte do Disfarce
Você quer um beijo ardente, mas tem uma criança no sofá? Use táticas de camuflagem: “Vamos ver um filme no quarto e já voltamos!”
“A mamãe vai tirar uma soneca.” (Só se for de conchinha!)
“Papai e mamãe estão resolvendo um problema sério da casa!” (E estão mesmo: o problema é a abstinência!)
Revezamento é Vida
Cansados demais? Proponham dias alternados de cuidados com os filhos para que um dos dois possa relaxar e, depois, devolver o favor. Nada mais sexy do que um parceiro que diz: “Vai descansar, que eu fico com eles.” Tesão começa na gentileza.
Quando o Amor Pede Reforço
Claro, nem sempre o desejo vai dar as caras entre uma briga por tablet e uma pilha de roupas sujas. Mas aí entra o jogo de paciência. Lembre-se:
Desejo também é construir.
Intimidade não é só nudez, é parceria.
E carinho é o combustível da paixão: às vezes um cafuné prepara o terreno melhor que uma lingerie.
E se você acha que isso tudo é exagero, convido você a lembrar do último fim de semana em que tentou dar um beijo mais demorado no parceiro e foi interrompido por um “mããããe, acabou a internet!” ou “pai, onde tá meu boneco do dinossauro com a cabeça quebrada?”. A verdade é que as férias escolares transformam a casa num parque temático de caos, com fila de brinquedo, barulho sem fim e comida sumindo misteriosamente da geladeira.
Mas no meio disso tudo, ainda é possível encontrar pequenos oásis de amor — às vezes disfarçados de pizza no sofá após o banho das crianças ou de uma massagem nos pés enquanto a TV exibe mais um episódio do desenho animado favorito da prole. E é aí que entra a parte mais nobre da missão: ensinar pelo exemplo. Mostre aos filhos, com leveza e sem discursos longos, que o amor dos pais também precisa de espaço. Que carinho e respeito entre os adultos da casa são coisas bonitas e importantes.
Eles não precisam saber dos detalhes (nem queremos traumas infantis, por favor), mas entender que o casal precisa de momentos juntos, que é saudável rir, conversar e até se trancar no quarto de vez em quando (com a desculpa de organizar o armário ou fazer uma reunião muito séria). Afinal, manter o relacionamento vivo é também um presente para os filhos — porque crescer vendo afeto sincero é a melhor aula sobre amor que alguém pode ter.
No Final das Contas…
As férias passam. As crianças voltam para escola. As vans voltam a circular. Mas o amor… o amor fica — se vocês o alimentarem, mesmo que com migalhas de tempo e criatividade. Então, meus queridos, não desistam. Nem toda guerra precisa de vencedores. Mas no amor, os dois podem sair ganhando, mesmo que seja em turnos alternados.
E lembrem-se: se a cama virou campo de brinquedos, o chão pode virar suíte cinco estrelas. Porque quem ama, adapta. E quem deseja, inventa.
Até o próximo capítulo do Manual de Sobrevivência. E, por favor, hoje à noite, deixem o celular de lado e acendam outra luz… a da intimidade.
— Doutor Love, direto do front das férias escolares.

Nos encontramos no próximo episódio — se o coração permitir.
CARTA ABERTA SOBRE O DESCASO COM A CULTURA E SEUS FAZEDORES por Luis Augusto do Carmo
À quem interessar possa,
Às vezes, sinto vergonha. Vergonha não de ser artista, mas da forma como o Brasil — especialmente os gestores públicos — tratam a cultura e os trabalhadores que a constroem todos os dias com coragem, criatividade e quase nenhum apoio.
Falo em primeira pessoa, porque vivi na pele. Neste ano de 2024, fui reconhecido internacionalmente com duas homenagens: a Comenda da Ordem Pablo Neruda, concedida no Chile a personalidades que promovem a cultura e o pensamento crítico na América Latina, e o título de Personalidade do Ano, na Alemanha — que, com tristeza e indignação, recusei.
A comenda me encheu de orgulho. Fui o único nordestino, o único pernambucano a recebê-la este ano. Representaria não só minha cidade, Gravatá, mas o Agreste, Pernambuco, e a cultura viva que pulsa nos becos, ruas e terreiros do Brasil profundo.
Mas como tantos artistas brasileiros, me vi barrado pela falta de recursos. Sem apoio financeiro próprio, busquei ajuda junto a órgãos públicos e entidades privadas. Alguns membros do governo municipal tentaram intermediar, correram atrás de soluções, mas no fim das contas, nenhuma resposta concreta veio. E o que era para ser um momento de celebração virou constrangimento. Tive que informar aos organizadores da comenda que não poderia comparecer. Não por falta de vontade ou orgulho, mas porque este país ainda não entende o valor de seus artistas.
A cultura no Brasil é tratada como supérflua. Lembrada em época de campanha, esquecida no cotidiano. A política cultural se resume, muitas vezes, à burocracia e à indiferença. Quem não tem meios próprios, fica para trás. E o que fica, além do prêmio não recebido, é a sensação amarga de abandono.
Escrevo esta carta para registrar mais do que uma dor pessoal. Escrevo como denúncia. Escrevo como resistência. Porque a cultura é mais do que entretenimento: é espinha dorsal de uma nação. É educação, é identidade, é instrumento de transformação.
O Brasil precisa parar de premiar seus artistas com desprezo. Não se constrói um país digno abandonando seus poetas, seus griôs, seus batuqueiros, suas cineastas, seus escritores. Não se pode exigir que se represente uma nação que não cuida de quem a representa.
Sigo com minhas palavras, mesmo que elas não paguem passagem. Sigo porque ainda acredito. Porque amar esse país é, às vezes, gritar com ele. E essa carta é meu grito.
Com indignação, mas também com esperança,
Luis Alladin Bambá
Escritor, ator, educador, produtor cultural, jornalista e cineasta

Horóscopo & Cia por Jacilene Arruda
Mês de Julho de 2025:
Áries – de 21 de março a 20 de abril
Transformação profunda para quem nasceu até 26/03, com Saturno e Netuno exigindo maturidade e introspecção.
Os demais arianos terão um mês mais leve, com criatividade, romances e comunicação em alta.
Cuidado com baixa energia e excesso de idealismo.
Touro – de 21 de abril a 20 de maio
Início do mês agitado com Vênus em conjunção com Urano, trazendo mudanças inesperadas em relacionamentos e valores.
A partir do dia 4, foco em estabilidade financeira e prazer prático.
Evite gastos impulsivos e conflitos afetivos após o dia 14.
Gêmeos – de 21 de maio a 20 de junho
Vênus entra no seu signo no dia 4: carisma, sociabilidade e autoestima em alta.
Urano também entra em Gêmeos (dia 7), iniciando um ciclo de mudanças mentais e comunicativas.
A partir do dia 14, tensão entre vida pessoal e obrigações familiares.
Câncer – de 21 de junho a 22 de julho
Júpiter no seu signo traz expansão, otimismo e novas oportunidades.
Mercúrio ajuda na organização financeira, mas retrógrado a partir do dia 18 exige revisão de planos e contratos.
Evite idealizações e mantenha o foco.
Leão – de 23 de julho a 22 de agosto
Mercúrio em Leão até o dia 18 favorece comunicação, apresentações e visibilidade.
Depois disso, com Mercúrio retrógrado, é hora de revisar discursos e cuidar da autoimagem.
Evite decisões impulsivas e escute mais.
Virgem – de 23 de agosto a 22 de setembro
Marte no seu signo traz energia, foco e iniciativa.
Ótimo para resolver pendências e iniciar projetos, mas cuidado com perfeccionismo e impaciência.
A quadratura com Vênus pode gerar tensão nas relações.
Libra – de 23 de setembro a 22 de outubro
Mês de introspecção e amadurecimento, com Saturno pedindo revisão de estruturas pessoais.
Mercúrio retrógrado pode trazer reavaliações de amizades e parcerias.
Evite decisões impulsivas e cuide da saúde emocional.
Escorpião – de 23 de outubro a 21 de novembro
Destaque para carreira e imagem pública.
Mercúrio retrógrado exige revisão de estratégias profissionais.
Evite lançamentos importantes e administre divergências com diplomacia.
sargitario– de 22 de novembro a 21 de dezembro
Urano em oposição ao Sol natal (para nascidos até 26/11) traz inquietação e desejo de liberdade.
Energia para avançar na carreira, mas atenção ao equilíbrio com a vida pessoal.
Risco de rupturas se não houver consciência.
Capricórnio– de 22 de dezembro a 20 de janeiro
Júpiter em oposição ao Sol natal estimula revisão de metas e limites.
Fase de preparação e observação de padrões rígidos.
Cuidado com decisões impulsivas e excesso de ambição.
Aquário – de 21 de janeiro a 19 de fevereiro
Diálogo e equilíbrio nas relações são favorecidos.
Mercúrio retrógrado pode trazer reencontros e mal-entendidos.
Evite decisões definitivas e pratique escuta ativa.
Peixes – de 19 de fevereiro a 20 de março
Marte em oposição ao seu signo traz pressões externas e tensão nas relações.
Será necessário encontrar uma postura assertiva sem explosões emocionais.
Desejo e tensão caminham juntos — atenção ao equilíbrio.
Lua Crescente: dia 2 às 16:30
Lua Cheia: dia 10 às 17:36
Lua Minguante: dia 17 às 21:37
Lua Nova: dia 24 às 16:11
Jacilene Arruda é astróloga e numeróloga, escritora na Revista Poesias e Cartas. + 55 31 99531-5732, instagram @evolucaoeconhecimento


