A pandemia nos trouxe vários poetas e escritores; alguns que sempre foram, e outros que começaram a escrever após ficarem presos em casa, sem poder sair.
Hoje me recordo do meu primeiro poema que escrevi para aquela menina da escola, as palavras ditas de modo infantil, sem saber muito o que ia dizer, mas ficou bonitinho para um pré-adolescente de apenas 11 anos — a qual a moça que eu gostava leu, amassou e jogou fora, mas agradeço a ela por ter feito isso, pois com isso descobri que adorava escrever.
Lembro da minha professora de português daquela época, a Dona Malu, que, vendo meus escritos, me deu um livro de poemas de Mario Quintana, o poeta da simplicidade, das palavras simples, aquele que arrasava sem complicar a escrita. Este livro eu nem sei mais por onde anda.
Recordo tantas vezes que eu e meu amigo Jeferson ficávamos escrevendo; os poemas que falávamos de estrelas. Jeferson parou de escrever, mas eu continuei. Apareci hoje já não falo somente de amor; hoje vejo o mundo como uma realidade, falo de sonhos e nostalgia, brinco um pouco com as palavras, inventando acrósticos, meio que poográficos, e nos meus romances as cenas muitas vezes são picantes. Me aventuro em escrever contos e crônicas, me divertindo com minha mente que não para.
Muitas vezes fico com raiva ao ver tantos bons poetas que temos não terem o reconhecimento que merecem. E não falo de mim, e sim de tantos que já conheci neste meu percurso pelo mundo das letras, os que hoje admiro e que, na minha opinião, deveriam ter até mesmo na Academia Nacional de Letras um lugar; mas são apenas os meus pensamentos, as minhas loucuras pensadas de alguém que enxerga a beleza onde não tem.
Hoje eu me vejo com quase 40 anos e penso assim: quantos poemas e poesias será que escrevi? Nunca parei para contar; muitos eu não guardei, alguns usei como cantada e outros rabiscados na parede do quarto de uma amiga, alguns que minha esposa guarda e tenho aqueles que eu escondo de todos, porque a importância deles é de tamanha grandeza. A pandemia conseguiu abrir horizontes para a escrita; encontramos muitos escritores e poetas .
Nesta pandemia encontramos muitos talentos, poemas que a gente lê e arrepiam os pelos do braço; mas também encontramos poetas que não sabem escrever , não podemos chama-los de poeta e nem considerar o que escrevem como poema. É uma crítica de alguém que sempre tenta entender o que é um poema, uma poesia e uma crônica.
Hoje, para mim, é um privilégio ter pessoas que gostam do que escrevo e também ajudar alguém que quer tentar escrever, ver nascerem escritores. É tão gratificante porque vemos que podemos ter a esperança de que, com isso, o interesse pela leitura de um livro aumente.
Encontramos muitos escritores e poetas postando as suas obras no Instagram, Facebook e nas demais redes sociais, mostrando a beleza dos versos. Poderíamos aumentar isso ainda mais e, quem sabe, bolar um trabalho diretamente para as escolas, quem sabe fazer um sarau e dar a oportunidade a estas crianças de lerem. Um plano para o futuro: quem sabe conseguir alguns parceiros que me apoiem.
No Instagram tivemos diversas lives sobre literatura e poesia, as quais ainda continuam hoje; isso é muito bom para incentivar e também trazer o conhecimento que muitos não têm, além de divulgar os trabalhos destes escritores que são entrevistados. A Revista Sarau das Artes faz um trabalho muito bem feito com artistas, escritores, poetas: fazendo uma live com entrevista, conhecendo o entrevistado, seus trabalhos e seu planejamento futuro. As lives acontecem todo o domingo, a partir das 19 horas.
E aqui deixo uma mensagem para vocês, poetas e escritores que ainda não publicaram seus trabalhos em um livro: participem de antologias. Muitas pessoas reclamam por não ver retorno, dizem que gastam sem retorno, mas podem ter certeza de que não é à toa. Eu mesmo já participei de várias antologias e continuo participando e também organizando — é sempre uma aventura legal participar e, assim, conhecer o talento de outros poetas e escritores e, assim, criar vínculos de amizade onde um pode ajudar ao outro.
Novos escritores, não parem de escrever; você que tem um rascunho guardado em uma gaveta, faça uma postagem dele no Instagram e vejam o desempenho.
Muita inspiração para todos.
O impulso da palavra: como a pandemia acendeu a escrita



Verdade, eu comecei escrever durante a pandemia.