Primeiro sabor da Paixão- Parte 3

Clara deixa Leandro louco. Ele queria chegar ao ápice, mas ela não faz isso acontecer, dizendo pra ele um simples: “Por hoje chega, já fomos longe demais”!
Eles pegam o caminho para ir embora. Clara acelera a moto e chegam à casa de Leandro. A casa dele é antiga, com janelas voltadas para a rua, o portão na cor vinho, grade. As luzes da sala estão apagadas e a única iluminação vem da TV; já passam das 22 horas. Clara para a moto e, embaixo da árvore escura, eles se beijam. Enquanto isso, a irmã de Leandro chega com o namorado, veem aquilo, cumprimentam Clara, que logo pega sua moto e vai embora, dizendo que liga para avisar quando chegar em casa. Depois, começam as especulações para saber quem era aquela moça.
Leandro, apaixonado, diz:
-Somente uma moça com quem eu estou ficando.
Paula, a irmã de Leandro, diz:
-Do jeito que estavam aqueles beijos, logo vira namoro. Se bem que ela já dirige, né? Ela sabe que você tem 16 anos.
-Uai, claro, por que eu iria mentir?
-Sei lá.
Leandro entra e deixa sua irmã meio que falando sozinha, ficando a imaginar o momento que teve hoje com Clara, algo novo que nunca teve com nenhuma de suas ficantes. Em sua mente também fica pensando que, daqui a pouco, ela vai embora e talvez não queira saber mais dele, então ele quer ser inesquecível, pois ela pode encontrar pessoas melhores do que ele para onde ela vai.


Seu telefone toca:
-Cheguei, menino.
-Você foi embora muito rápido.
-Uai, me assustei com sua irmã.
-Ela tem cara de mal, mas não morde.
-Eu sei, mas não quero responder a perguntas. Estamos nos conhecendo e quero que nada atrapalhe estes nossos momentos.
-Tá. Quero que sejam inesquecíveis. Não sei o que vai ser depois de amanhã, quando você for.
-Não se preocupe, eu volto para te ver sempre.
-Até você encontrar alguém melhor do que eu, mais velho, mais experiente.
-Tá com medo de quê?
-Eu já gosto de você e quero saber mais.
-Vamos aproveitar o dia de amanhã. Antes de eu ir, a gente conversa. Meu menino, fica calmo, deixa acontecer sem afobação, sem ser algo ruim ou pegajoso, sem ter pressa — seja você, como seus poemas sobre a gota do orvalho que derrama na flor, e o beija-flor que a cheira e se encanta com o maravilhoso perfume.
-Sério que você gostou desse poema?
-Sim, lindo mesmo.
-Se você diz.
-Vamos dormir?
-Vamos sim, estou bem cansado.
-Te pego que horas para você almoçar comigo?
-Ao meio-dia, pode ser no centro da cidade, na catedral.
-O que vai fazer lá? Quer companhia?
-Não precisa. Dorme bem.
-Vai encontrar com quem, então?
-Ninguém fica em paz. Bons sonhos.
-Pra você também!
Às 9 da manhã, Clara liga para Leandro:
-Menino, já acordou?
-Menina, já estou quase saindo de casa.
-Eu quero ir com você.
-Mas por quê?
-Só quero ir, uai. Vai que você encontra alguém.
-Rsrs, menina capricha no almoço que vou encontrar alguém só depois de resolver o que tenho que resolver.
-O almoço já está caprichado e você vai amar.
-Hum.
Leandro vai até o centro da cidade à procura de um presente que combine com Clara, algo que ela goste e que possa lembrar destes dias juntos, da alegria que um deu para o outro. Leandro pensa em tudo, até mesmo em um peixe, mas, passando por algumas barracas, ele vê uma pessoa gravando coisas em madeira — um quadro com uma escrita, um poema simples, mas que seja uma lembrança. Que tal esta: “O para sempre pode ser alguns dias onde juntos podemos viver intensamente o que sentimos”. Leandro pede para escrever isso na madeira, colocar alguns corações.


Meio-dia, eles se encontram. Clara pega Leandro e eles vão para a casa dele. Ao chegarem, ela o beija e pergunta:
-Me traiu bastante?
-Depende.
-Como assim?
-Vou te dar uma coisa.
Embalado em um papel bonito, ela abre os olhos, se enchem de lágrimas, ela o beija intensamente!
-Que lindo. Amei. E pra levar comigo, né?
-Sim. Que seja eterno nestes dias e que eu esteja sempre presente nas suas boas lembranças.
Eles entram e há uma mesa posta para duas pessoas. Leandro pergunta:
-Onde está sua mãe?
-Mamãe está no trabalho. Somos só nós dois.
Eles almoçam e Clara chama Leandro para seu quarto.
Um quarto bonito, com cama de casal, estante com livros, escrivaninha e um computador, além de fotos dela com amigos em um mural. Um banheiro no quarto onde Clara tira a roupa e convoca Leandro:
-Menino, vem tomar banho comigo.

 

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