Preconceito em Perspectiva: Entre Raças, Entre Pessoas

 

Vejo a ignorância das pessoas e como o mundo é injusto. Vejo brancos humilhando negros, assim como já vi negros humilhando brancos; isso é difícil de ver, mas acontece. O ser humano é complicado, e a discriminação pelo lugar de onde vem ainda é maior. Às vezes os julgamentos são mentiras baseadas no que acontece no cotidiano.
Eu me pergunto: como vou julgar uma pessoa da comunidade se nem ao menos convivo diariamente com ela? Também me pergunto por que dizer que a cor de pele tem relevância ao caráter. São coisas indignas que nunca devemos dizer; imagine alguém ouvindo e se magoando por um comentário importuno.
Aqui fico pensando e tento não focar claramente nesses problemas, mas eles me perseguem; e eu, como tenho bons ouvidos e bons olhos e uma língua afiada, não consigo me controlar, tenho que soltar todo o meu descontentamento e falar as verdades que eu acredito, do modo como fui criado.


Para mim, a diferença de cor não existe; isso não molda um ser humano. O que penso é que temos que conhecer a pessoa para saber quem ela é de verdade, não apenas julgar por ser negro, branco, amarelo, cor-de-rosa; porém, infelizmente, hoje, em pleno século 21, enfrentamos problemas de outras eras. E sabe de uma coisa: a questão de preconceito ou racismo não é uma característica com a qual nascemos, e sim algo que aprendemos. Podemos dizer que foi passado por pais, avós, tios; a nossa própria família faz isso com a gente, pois aprenderam com os seus pais.
Quando eu era criança, tinha uma vizinha que afastava o filho das outras crianças porque achava que ele era melhor do que elas. Hoje a realidade é diferente: aquelas crianças que ela não deixava o filho brincar são exemplos de homens que, mesmo com tantas coisas que o mundo nos dá, seguiram um caminho correto e digno, trabalharam, estudaram, têm famílias e cuidam bem delas, passando os valores que aprenderam com seus pais. E aquele menino bonitinho que só ficava em casa jogando videogame — o que a mãe dava — acabou virando usuário de drogas. Essa mãe tinha preconceito, porque a maioria de nós, naquela época, gostávamos de ficar na rua como crianças comuns; na adolescência, enquanto ele apenas estudava, nós estávamos todos trabalhando e ajudando no sustento de nossas casas.
Hoje em dia vemos que o rap é aceito na sociedade, mas ao assistir ao documentário do grupo Racionais MC’s, percebo que, em meados dos anos 80, quando eles começaram a fazer suas músicas, o preconceito contra o seu estilo de música e por serem de favela e negros veio com força. Polícia barrava seus shows, que eram contra o movimento que começava a surgir, o qual eles apenas queriam expressar: lutar contra um sistema que só favorecia aquela classe de maior poder aquisitivo. Eles iniciaram uma luta e, com o passar dos anos, o preconceito foi diminuindo e eles começaram a ser aceitos.
Tudo é falta de conhecimento; é preciso se aprofundar. Nunca devemos julgar um livro pela capa, nem dizer que uma sopa não é boa antes de experimentar.
Eu sei que preconceito e racismo são coisas com as quais a humanidade vai demorar muitos, muitos anos para amenizar, pois, a cada hora, isso recai em uma classe discriminada. Hoje temos tantos tipos de preconceito e de conceitos que a sociedade impõe.
Devemos ter sanidade e a vontade de tentar mudar isso, ou apenas amenizá-lo.
Sou contra o preconceito, apesar de saber que eu, às vezes, também julgo que não deveria; mas são coisas que tento lapidar e fazer da melhor forma possível, para não magoar o meu semelhante. Somos todos iguais: o respeito e a empatia devem estar sempre presentes no nosso dia a dia.

1 thought on “Preconceito em Perspectiva: Entre Raças, Entre Pessoas

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *