Patins Clube Namacurra por Renato Lannes Chagas
Nayton Ferreira Salaúde (Idealizador/Coordenador)
Devido a conexão imediata estabelecida entre Brasil e Moçambique, seja pelas lembranças das muitas quedas e andanças com os patins, mais a leitura atenta e as longas conversas a respeito do conteúdo desta história (JOÃO Um Romance Sobre Panificação), que põe as pessoas para viajar por épocas e terras distantes, que passam a parecer nada distantes. O Idealizador desta brilhante iniciativa, está aqui, para nos falar um pouco mais sobre o Clube de Patins Namacurra.
Além da patinação, aproveitamos para falar sobre outros assuntos, acompanhe em mais um:
Sem Fronteiras Entrevista
“Esse projeto é demais!”
“Não é apenas um projeto, é uma escola de ensino na verdade, onde a pessoa aprende não só a prática, como também à teoria, são conhecimentos tão importantes que são passados no patins clube, não ensinam só a praticar, como a lidar com o mundo lá fora, educando e disciplinando!”
“Quero acompanhar mais sobre estes projetos!”
Essa opinião espontânea vinda de um leitor angolano, é exatamente a tradução do que ocorreu com este entrevistador ao ler, logo em seguida ver e ouvir os alunos em ação com os patins. A conexão imediata que foi estabelecida entre o brasileiro e o moçambicanos ao lerem sobre um brasileiro que: no passado, na ficção, faz o caminho do Brasil para África.
De lá para cá são horas e mais horas de diálogos francos, por duas pessoas que acreditam na educação, na leitura e na instrução como instrumentos fundamentais, para mudanças sociais, necessárias e que devem fazer parte, por toda vida, da vida de todos.
Nayton Ferreira Salaúde: Falar de cultura hoje é, inevitavelmente, falar de responsabilidade.
Em contextos marcados por desigualdades históricas, a palavra deixa de ser ornamento e passa a ser ferramenta.
É a partir desse entendimento que desenvolvo meu trabalho em Moçambique, transitando entre: educação, arte, leitura e ação comunitária.
Um dos espaços onde tudo isso se materializa é o Patins Clube Namacurra.
O clube nasceu do movimento, mas rapidamente tornou-se mais do que desporto.
Patinar ali é aprender equilíbrio em todos os sentidos: físico, emocional e social. É um lugar onde crianças e jovens entendem, que cair faz parte, mas levantar é escolha.
O Patins Clube é formação humana em estado vivo — disciplina, convivência, respeito e sonho compartilhado.
A leitura caminha junto desse processo. Não como imposição vazia, mas como ferramenta de libertação.
Foi nesse percurso que os livros de Renato Lannes Chagas atravessaram o Atlântico e encontraram leitores atentos em Moçambique. JOÃO Um Romance Sobre Panificação é, sem dúvida, uma das leituras que mais frequentei nos últimos dias. Não apenas pela história, mas pelo eixo que sustenta o livro: o conhecimento como direito, o trabalho como dignidade e a língua como território de resistência.
É uma obra que cresce a cada releitura e que dialoga profundamente com realidades africanas, mesmo tendo sido escrita no Brasil.
Outro livro fundamental na minha formação como leitor é Ualalapi, de Ungulani Ba Ka Khosa
Trata-se de uma obra que não facilita, não adoça a história e não protege o leitor do desconforto. É um livro que desmonta mitos, revisita o poder, a violência e a memória colonial com coragem. Li e reli Ualalapi, e continuo a recomendá-lo, porque a boa literatura não serve para tranquilizar — serve para acordar.
Paralelamente à leitura, desenvolvo meu trabalho como Rad_Black , no rap de intervenção social. O rap que faço não nasce do entretenimento puro, mas da leitura crítica do mundo. Leio livros, leio pessoas, leio ruas.
A música surge como continuação do pensamento. A literatura me oferece estrutura, vocabulário e profundidade; o rap devolve urgência, pulsação e diálogo direto com a comunidade. Um alimenta o outro.
Como ativista social, acredito que a palavra precisa circular. Não basta escrever, é preciso partilhar, debater, provocar. Por isso, minha produção não se limita ao papel: ela se espalha em vídeos, músicas, encontros, leituras coletivas e projetos comunitários. A arte só cumpre seu papel quando encontra gente.
Projetos como o Palavras Sem Fronteiras, idealizado por Renato Lannes Chagas, confirmam que a literatura não tem passaporte. Quando um texto brasileiro é lido, discutido e trabalhado em Moçambique, cria-se algo maior que uma simples leitura: cria-se comunidade de pensamento, troca real, reconhecimento mútuo. A palavra atravessa fronteiras, porque a humanidade que ela carrega é comum.
Esses espaços reúnem produções ligadas ao rap de intervenção social, às atividades do Patins Clube, a projetos culturais e a reflexões sobre leitura, educação e dignidade humana.
Se há algo que une o Patins Clube, a literatura, o rap e os projetos que abraço, é a convicção de que educação não acontece apenas na sala de aula. Ela acontece no movimento, na escuta, na leitura partilhada, na música, no exemplo cotidiano.
Ler, patinar, rimar, educar — tudo isso faz parte do mesmo gesto:
insistir na vida com consciência, palavra e dignidade.
Renato Lannes Chgas: A sua ligação com o seu trabalho no Clube de Patins pode ser definida por você como?
RED BLACK: Essa ligação, para mim, não é artificial nem construída depois — ela é orgânica.
O farmacêutico e o ativista cultural/rapper nascem do mesmo ponto:
a leitura como ferramenta de responsabilidade. Na área farmacêutica, ler não é opção. É condição ética. Ler protocolos, bulas, artigos científicos, normas técnicas, estudos clínicos. Um erro de leitura pode custar uma vida. A leitura, aqui, é rigor, atenção e compromisso com o outro.
Esse mesmo rigor eu levo para o campo cultural.
Quando escrevo um rap, quando intervenho socialmente, estou lidando com outras formas de saúde: saúde social, emocional, simbólica. A leitura entra como base crítica. Eu não escrevo apenas a partir da emoção; escrevo a partir do entendimento. Ler história, literatura, filosofia, autores africanos como Ungulani Ba Ka Khosa, ou romances como JOÃO, de Renato Lannes Chagas, amplia meu vocabulário, minha visão de mundo e minha capacidade de não simplificar problemas complexos.
O rap, nesse sentido, torna-se tradução.
Tradução do que li, do que observei, do que vivi.
Assim como o farmacêutico traduz o conhecimento científico para uma orientação clara e segura ao paciente, o rapper-ativista traduz ideias complexas em linguagem acessível à comunidade. Ambos exigem leitura profunda, interpretação correta e responsabilidade com quem recebe a palavra.
A leitura me impede de ser raso — tanto no balcão quanto no microfone.
Num mundo que incentiva respostas rápidas e opiniões sem fundamento, ler é um ato de resistência. Para o profissional da saúde, garante precisão. Para o artista, garante densidade. Para o cidadão, garante autonomia.
Por isso insisto tanto na leitura nos projetos culturais, no Patins Clube, na música e na vida cotidiana. Quem lê pensa melhor, escolhe melhor, fala melhor e age com mais consciência.
No fim, não são dois papéis distintos.
É o mesmo compromisso exercido em linguagens diferentes:
Cuidar da vida — com ciência, com palavra e com consciência.
Renato Lannes Chagas: Na sua opinião essa entrevista é…?
RED BLACK:Agradeço imensamente pela oportunidade e pelo privilégio de participar desta entrevista. Ser entrevistado por Renato Lannes Chagas, escritor que admiro pelo rigor, pela ética da palavra e pelo compromisso com a leitura, é por si só um prazer acrescido de responsabilidade.
Mais do que responder perguntas, este diálogo foi um exercício de escuta, reflexão e partilha — exatamente o que a literatura e a cultura devem provocar. Fico honrado por fazer parte deste espaço e por contribuir, ainda que modestamente, para esse movimento que atravessa fronteiras e conecta pessoas pela palavra.
Muito obrigado pela confiança, pelo cuidado e pela generosidade.
Finalizo com uma frase que atravessa tempos e fronteiras, de José Saramago:
“Somos a memória que temos e a responsabilidade que assumimos.”
Que sigamos lendo, escrevendo e agindo — porque palavra sem ação é silêncio, e ação sem palavra é cegueira.
Moçambique – Brasil
Palavras sem fronteiras, ações com sentido.
Renato Lannes Chagas: Deixe suas redes sociais para que as pessoas possam entrar em contato
RED BLACK: Hoje, quem quiser acompanhar meus trabalhos pode encontrá-los nas plataformas digitais e no contato direto, que também faz parte da minha forma de atuar:
YouTube:
Patins Clube Namacurra
Canal artístico:
Rad_Black
WhatsApp (Moçambique):
+258 84 556 9682
+258 86 203 5021
Facebook:
https://www.fb.com/l/6lp1kJRRR Nayton






É muito bom conhecer os projetos e a cultura dos irmãos moçambicanos. Obrigado Renato e Red Black por essa oportunidade de atualizar nossos conhecimentos.
Obrigado Magno sempre lendo e interagindo!!!
Em breve chegará sua vez!!!
Definir algumas coisas é difícil, como poder virar de uma hora para outra jornalista e fazer mais uso ainda das palavras da nossa língua, bem como poder apresentar ao público pela segunda vez um projeto e seu idealizador, que têm tanto significado. Mais uma vez agradeço pela oportunidade Johnny, parabéns mais uma vez e sempre por essas grandes janelas literalmente para o mundo abertas, que o público de todos os países falantes da língua portuguesa venham a apreciar os materiais aqui disponibilizados!!!
Eu agradeço por nos engrandecer trazendo esse conteudo maravilhoso, que todos os paises falantes da lingua portuguesa possam conhecer este nosso trabalho que é trazer informação, cultura e muita poesia e literatura.
Calorosas saudações a todos!
De facto, tem sido algo extraordinário e tenho aprendido de forma incansável. Aliás, dou-vos os meus parabéns pela iniciativa saudável pelo projecto que tem tornado uma contínua escola em todas comunidades dos países de língua portuguesa. E em especial ao Brasil com a cooperação de Moçambique (têm havido projectos ofuscantes que são notórios em todos sentidos culturais e literários). Vamos abraçar a leitura como uma cultura habitual.
Forte abraço.
Grato pelo seu comentário!!!
Sigamos fazendo o melhor possível e sem fronteiras sempre!!!
Forte abraço!!!
Parabéns e muitas felicidades, escritor Renato Chagas, pela dinâmica e criatividade, no que tange ao incentivo a leitura a escrita e educar a sociedade através do mestre mudo.
Muito obrigado!!!
Agradeço pela sua leitura e pelo comentário!!!
Acredito que o intercâmbio entre os países da língua portuguesa, não une apenas continentes, países e cidades. Mas faz com que conheçamos pessoas de diferentes lugares, que, estão uníssona nas variadas formas de cultura. Parabenizo Renato, por entender essa ligação e necessidade e poder realizar esse projeto lindo!
Gratidão sempre pelas suas palavras carregadas de gentileza, grande poetisa!!!
Obrigado!!!
A todos os envolvidos o meus parabéns é muito bom poder ler e enobrece a cultura sem fronteiras.
GRATIDÃO!!!🙏🏼🙏🏼🙏🏼
Quero expressar a minha mais sincera gratidão ao Renato Lannes Chagas pela honra da entrevista que nos concedeu, a mim enquanto responsável do Patins Clube Namacuarra, e por todo o reconhecimento dado ao nosso trabalho.
Foi um momento de grande importância para o clube, pois permitiu dar visibilidade ao esforço, à dedicação e aos sonhos dos nossos atletas. A sua postura profissional, atenta e valorizadora mostrou o quanto acredita no potencial da juventude moçambicana.
Aproveito também para agradecer pelos projectos literários que tem desenvolvido e que tanto têm contribuído para inspirar, formar e abrir horizontes aos jovens de Moçambique. Promover a leitura e a escrita é investir na consciência, no pensamento crítico e no futuro do nosso país.
O seu apoio ao Patins Clube Namacuarra demonstra sensibilidade social e compromisso com o desenvolvimento comunitário, unindo cultura e desporto como pilares de transformação.
Receba o nosso respeito, admiração e profunda gratidão.
Que continue a ser instrumento de mudança, inspiração e esperança para muitos jovens moçambicanos.
GRATIDÃO!!!🙏🏼🙏🏼🙏🏼
É com muita alegria que leio suas palavras e com mais alegria ainda pela visão do Johnny em publicar uma entrevista que tem tanto a dizer sobre EDUCAÇÃO, logo após uma matéria sobre este mesmo projeto, mas que era direcionada ao seu idealizador, a parceria e as entrevistas são sempre fruto de trabalhos coletivos, assim como todas as obras desenvolvidas pelo Projeto Literário Palavras Sem Fronteiras, por isso, a arte e seus idealizadores e educadores têm sido convidados a deixar neste espaço seus registros, que isto venha a encorajar mais e mais pessoas a estarem trabalhando em prol de um amanhã melhor.
Gratidão a todos que leram e deixaram seus comentários, continue a ler e deixar aqui o seu comentário!
Obrigado!
Saudações, prezados (as)!
É sempre positivo criar projectos desta dimensão em qualquer país, uma vez que desenvolve a sociedade e ajuda a juventude a se afastar de maus caminhos, ou seja, da criminalidade e desvios em geral.
Força clube de patinagem de Namacurra.