Opinião Literaria por Renato Lannes Chagas

 

*”Vencedora do Nobel usa IA e acende debate sobre sobrevivência da Literatura”*

Algumas manchetes são feitas para chamar a atenção, outras são como notícias tão velhas ou batidas que cansam logo na saída. Aquilo que deveria chamar a atenção do leitor, talvez; talvez é bom que a palavra seja repetida, cause logo um belo bocejo… Vamos então tentar pela enésima vez escrever algumas linhas sobre o assunto da “moda” que é o uso da IA. Antes de ir para as menções a manchete copiada e ao texto que a acompanha, cabe perguntar explicitamente o que é usar a IA enquanto ferramenta? Por quê ela é tão popular e está tão disseminada? A primeira questão, lembrando ao leitor que esta é uma opinião pessoal deste escritor, creio que a IA veio para ser mais uma ferramenta, como todas as demais criadas pelo ser mais criativo e preguiçoso que existe, rapidamente teve seus usos desvirtuados. O que vemos hoje em dia são desde crianças sendo estimuladas a “criar” gráficos usando ela, até essas mesmas crianças querendo usá-las para resolver questões relacionadas a qualquer tarefa de qualquer matéria em sala de aula. Afirmo sem medo de errar que o problema nunca está na ferramenta e sim no trabalho que dá pensar. A IA não põe o processo criativo em risco, como vem mencionando a chamada logo abaixo da matéria mencionada, ela mata qualquer processo criativo quando alguma pessoa resolve que ao escrever vai chamar algo para “escrever” por si. Pensar dá trabalho; pensar é um processo extremamente cansativo; biologicamente/científicamente qualquer coisa que envolva o uso da mente, apesar da palavra mente, não mente. É cansativo. É demorado. Logo, eis a resposta para a segunda provocação, a popularidade desenfreada está na mesma raiz que faz com que a alimentação saudável seja abandonada pela alimentação mais prática. Entre ler uma obra com quinhentas páginas para não conseguir escrever duas páginas com aquilo que entendeu (se é que houve algum entendimento) ou digitar dez palavras e ver surgir ali um belo texto quase que num estalar de dedos, o que a maior parte das pessoas irá optar nestes “tempos modernos”? Cabe, para terminar, dizer que nenhuma ferramenta por mais sofisticada que seja, por mais limpo, belo e isento de erros gramaticais ou “que tenha um texto mais atraente”, como já li alguns colegas de escrita “justificando” seu uso de IA nos seus trabalhos ou quem usa para “criar” música que para qualquer ouvido que foi apresentado a um disco de vinil ou cd serve para ter outro nome, menos música, a IA não serve para criar absolutamente nada. Não cria nada, copiar e colar de um imenso banco de dados não é criar nada. Qualquer pessoa que já escreveu, já compôs, já foi tentar criar o que quer que seja sabe que não é possível pensar em fugir de ter de investir tempo e trabalho para criar alguma coisa. Desconsiderar a ideia de perfeição deveria ser o lema primeiro de quem veio para ir embora. Ninguém vai analisar obra alguma com vistas a corrigir nada depois da sua partida. Alguém se atreve a corrigir os *”monstros”* que vieram bem antes do Nobel sonhar em existir?

Itaboraí, 02 de julho de 2026.

Renato Lannes Chagas

15 thoughts on “Opinião Literaria por Renato Lannes Chagas

  1. Como toda tecnologia ,que foi criada antes, pra auxiliar em todos os campos, como medicina, literatura, música, entre outros que necessitam dela, a IA, também tem sua utilidade. Ela não possui consciência, segue padrões estabelecidos, mas tem uma lógica e resposta rápida. Infelizmente, usada de forma incorreta por muitos. As máquinas são frias, desprovidas de emoções, mas imitam bem. Muitos de nós, ainda usa o velho sistema, escrever com caneta e papel. Antes usávamos máquinas de escrever, depois, computadores. O mundo está em constantes mudanças e nós temos que adaptarmos. Só não perdermos o nosso principal objetivo.

    1. Essa não é a questão maior, a adaptação. É o abandono do trabalho de pensar, pesquisar, ralar e, por fim, criar. Sempre que possível não escrevo à mão, porque tudo hoje em dia alguma hora vai ser repassado para algum meio eletrônico. Os livros não são impressos, quando saem em formato físico, oriundos de outro lugar que não seja o eletrônico. Nós estamos sempre precisando nos adaptar, coisa que não é necessário, em tese, ser feita pelos mais novos quanto ao uso das novas tecnologias. Agora como se convence alguém que impulsiona seu processo de escrita atrelado a uma IA a não usá-la? Isto sim deve exigir uma adaptação que demanda mais energia e mais vontade. Somos péssimos para abrir mão das comodidades depois de as usarmos. Ninguém pensa em voltar a morar numa caverna ou deixar de usar eletricidade. E sem a IA os processos de aprendizado e leitura já estavam mal das pernas, com ela então…

      1. Eu escrevir a letra de uma música não ficou perfeita mas deu para entender
        depois fiz outra ja não gostei ficou muito estranha então
        nada melhor que o normal
        o ia pra mim não é considerado normal

      2. Antes da IA já existia sites de deveres prontos, resenha dos livros. Isso funciona com alunos ou pessoas que têm preguiça mental. Mas desde sempre existiu o certo e o errado. Ainda acredito que, nem todos, fazem mal uso da tecnologia. Ela possibilita ampliar nossos conhecimentos. O que importa é o equilíbrio. Faço uso sem exageros. Nunca deixo pra trás minha proficiência e ética. E, assim, continuamos a conviver com o progresso, que é inevitável através dos tempos…

        1. Quando estávamos diante de algo que indicava alguma tarefa pronta já era ruim. O quê se vê agora é numa escala muito pior. O conteúdo didático, provas, testes é bem “água com açúcar”, estamos lidando com adolescentes em salas de aula do oitavo ano que não sabem identificar um verbo numa oração e não sabem a diferença entre sujeito simples e composto. O uso do pensamento está sendo abandonado numa velocidade muito mais drástica do que os piores prognósticos, isto não é apenas mal uso da tecnologia… Esse é o GRANDE PROBLEMA…

  2. Eu , pessoalmente, não consigo usar a IA para criar um texto. Aliás, eu pedi ao chatgpt para corrigir um texto meu, ele não corrigiu ( deixei alguns erros de propósito), mas me deu umas sugestões que se eu seguisse, iria descaracterizar meu texto. Tenho usado a IA para criar imagens para a capa.

    1. Como literalmente não sei usá-la e meus equipamentos não servem, não faço uso. Já criei algumas imagens usando a IA do zap. Para escrever provavelmente nunca, para correções idem.

  3. Gostei muito do seu texto, Renato.
    Você fala com sinceridade sobre algo que preocupa muita gente: a tentação de usar IA como atalho e perder o trabalho íntimo de pensar e criar. A comparação com escolhas alimentares é simples e eficaz, lembra que o que é rápido nem sempre é o melhor.
    Ao mesmo tempo, sinto falta de mais espaço para os usos bons da tecnologia: a IA ajuda quem tem barreiras, acelera pesquisas e pode ser uma ferramenta de rascunho, não necessariamente um substituto do talento humano. No fundo, concordo com seu tom: o que importa é manter o esforço, a ética e a vontade de aprender. Se isso ficar de lado, corremos o risco de empobrecer a arte.
    Em resumo: achei seu texto honesto, necessário e bem escrito. Parabéns!

  4. Eu utilizo IA para pesquisa científica,para trazer meus entes queridos pelo menos numa foto juntos ,mas olhe ,eu como quase advogada e quase psicanalista,ouço pessoas dizendo que é mais barato fazer terapia com essas ferramentas do pagar sessões comigo ,e tbm ouço o absurdo que as terapias Reiki,podem ser feitas por esse mesmo processo ,como assim? Os insumos,a energia,as orações,o canal de bençãos ,is oleis essenciais ,velas etc,? Ia tbm? Daqui há pouco advocacia será uma ia , hj a pensou no tribunal? Não né… A psicanálise? Vc fala irá ela e está TD bem? Ela te dá a resposta que vc pede,não te dá anos de estudos ,centenas de livros ,tempo( tão sagrado tempo) mente ,muita escrita manual….e medicina? Mas para pesquisas rápidas ela é interessante,verificando as citações ,etc, depois …tipo.. eu gosto ,mas desgosto …. bipolaridade pura nesse assunto ia.

  5. Eu já usei a ia fiz uma música eu gostei em partes uouta não gostei mas pra mim ainda prefiro de forma bem normal

  6. Parabéns, Renato Lannes Chagas, pela excelente reflexão. Concordo que o maior risco da inteligência artificial não está na tecnologia em si, mas no abandono do exercício de pensar, pesquisar, errar, amadurecer e criar. A literatura nasce da experiência humana, das emoções, das vivências e da sensibilidade, elementos que nenhuma máquina é capaz de sentir.

    Ao mesmo tempo, acredito que a IA pode ser uma ferramenta útil quando empregada com ética, como apoio à pesquisa, revisão ou organização de ideias. O problema começa quando ela substitui a voz do autor, transformando a criatividade em mera reprodução de padrões e enfraquecendo a identidade literária.

    Vivemos uma época em que a rapidez muitas vezes vale mais do que a profundidade. Precisamos defender o pensamento crítico, a leitura e a escrita autoral, para que a tecnologia sirva ao ser humano, e não o contrário.

    Parabéns pelo texto e por trazer um debate tão necessário para todos os que amam a literatura.

    1. Concordo. Como sempre você vem trazendo uma ótima argumentação/fundamentação. Infelizmente o que se vê não é o uso da IA como ferramenta, mas como substituto, mesmo não sendo capaz de realizar um trabalho literário com a mesma qualidade do que é feito por um ser humano. Em resumo: é a preguiça no que ela pode ter de pior. Até quando e o quanto iremos deixar que tudo piore, para depois tentar estimular a velha prática do esforço mental é que torna tudo ainda mais preocupante. Quanto mais inércia, maior a demanda de coragem e energia para criar as condições necessárias para COMEÇAR, apenas começar o movimento… E seguem os dicionários expulsos, sem nem “ocupar” um dos quatro cantos numa sala de aula, nem as mochilas dos alunos…

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