
Passados alguns meses. Resolveu que deveriam retornar e convidou a mãe para viagem, afinal não havia porque ela deixar de ver com os próprios olhos todos aqueles animais, que tanto a impressionavam nos selos e nos desenhos dos cartões postais, que ele sempre lhe enviava. Fizeram os preparativos necessários e embarcaram. A viagem transcorreu melhor que o esperado. Logo ao chegar ela ficou maravilhada, com o tamanho das girafas e também com a tromba dos elefantes, mas um tanto ressabiada, de chegar perto de qualquer dos felinos, porque sabia que se alimentavam de carne e não queria que fosse a sua, em hipótese alguma. O filho ia explicando para a mãe os costumes dos lugares, que iam visitando. Em cada parada uma coisa nova os aguardava. Explicou também o acordo que tinha estabelecido com a esposa. Só ela seria de fato a sua mulher e mãe de seu filho, porém, para colocar em prática seus planos, precisava fazer como fizeram antes dele os egípcios e Salomão. Desse a mãe conhecia bem a história e não queria pro filho a mesma sina. O filho então a consolava, porque embora fosse casado por diversas vezes no papel, só a primeira mulher era a que contava, tanto que procuravam juntos, as candidatas, entre as viúvas mais velhas e com família já formada, e preferencialmente, sem crianças pequenas em casa. A expansão dos negócios era o que importava e respeitar os costumes locais para não contrariar os chefes tribais. A sua mãe também achou engraçado, quando descrobriam que além de padeiro o filho era também doutor e mais respeito ainda demonstravam. E estavam sempre indo a toda parte, ora para preparar o pão, ora para prestar algum atendimento. E a mãe foi estendendo a estadia porque, como gostava de dizer, uma mãe sempre se dá com a outra. E o filho prosperava, e crescia a sua empresa, naquela terra esquecida. Permanecia tão somente em Angola, a próxima experiência seria em Moçambique. Certo dia, quando precisou de fermento para uma massa de pão, teve dificuldade para se fazer entender e surgiu a ideia de começar, ali mesmo naquele dia, pela mais pura diversão, a elaboração de um dicionário trilíngue em português. Mas como assim? Sempre perguntavam, principalmente quando voltava ao Brasil ou ia a Portugal. E ele sempre, pacientemente, explicava, que tal qual a massa para o pão, a língua viva estava, e se adaptava a cada novo lugar, para facilitar quem viria depois, ele já estava elaborando aquele trabalho. Ainda que não tivesse sido até agora mencionado. Era um homem muito estudado e fizera das letras e dos números seus companheiros a todos os momentos. Aprendeu cedo com o pai a gestão dos negócios, a ficar sempre atento, para não perder nem o tempo do crescimento da massa nem o tempo da fornada. A cada erro, o pai parava, para questionar aonde houve a falha e com essas lições, que não viu serem ensinadas em nenhuma sala de aula por aonde passou, aprendeu a ser o melhor que poderia ser. Numa dessas viagens de volta a sua terra de nascimento, a mãe pediu para ficar, já tinha visto e viajado, segundo sua opinião, o suficiente, sabia, todavia, que o filho ia seguir em frente. E com medo de perder a oportunidade de não ter mais a família assim toda reunida, pegou da carta que havia muito estava guardada, e tentou a emoção conter e ler aquelas palavras do seu amado endereçadas aos dois, mesmo sabendo que a parte principal era para o filho tanto querido, que só fazia os orgulhar. Nela o pai relatava que, se aquelas palavras estavam chegando aos ouvidos corretos não era porque o pai fosse profeta e sim porque só antevia, que o filho aonde colocasse as mãos prosperaria, já sentia aquilo no coração, só lamentava a partida antes daquele dia chegar, fazia questão de fazer daquela carta sua prova de fé, porque se Deus não o restituira como a Jó, dele também não se esquecera, e ali estava no filho a prova mais do que completa de que a fidelidade de Deus era eterna. Choraram todos, até a esposa e o filho, neste caso o neto, contagiados pelo relato. João, então revelou a mãe, tudo o que tinha descoberto, sobre as origens do pai.
E ela ouviu todo o relato, depois pediu ao filho que daquele assunto não falassem mais, era para ser deixado naquele cais. A Justiça cabia a Deus e assim ele fez. De volta a África continuou com os mesmos hábitos e ia ganhando corpo o trabalho com o dicionário.

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Uma bela padaria esta da imagem!!!!