
Entrevista com o poeta Magno Assis: “A escrita depende da boa leitura”
Por: Renato Lannes Chagas
Nascido no coração histórico de Minas Gerais e hoje vivendo a quilômetros de suas raízes, o escritor Magno Assis nos abre as portas de sua biblioteca particular. Em uma conversa franca, ele reflete sobre o papel vital da leitura na juventude, a nostalgia de sua terra natal e como sua ancestralidade molda sua obra poética.

Renato Lannes Chagas: Qual é o nome de sua cidade natal? Você vive nela hoje?
Magno Assis: Minha cidade natal é uma cidade histórica do estado de Minas Gerais. Foi fundada em 1706, oito anos depois de Ouro Preto, pelo mesmo pioneiro, o bandeirante Antônio Dias de Oliveira, que está sepultado em minha cidade, que leva o seu nome: Antônio Dias. É considerada a “cidade-mãe do Vale do Aço”, da qual já fizeram parte Ipatinga, Coronel Fabriciano e Timóteo. Infelizmente, deixei-a aos 15 anos, pois meu pai via na formação acadêmica uma saída para a pobreza familiar. Como em Antônio Dias só havia o ensino fundamental, ele resolveu vender o sítio que tínhamos e nos mudamos para Coronel Fabriciano para que continuássemos os estudos. Mas Antônio Dias nunca saiu de mim e está muito presente em minha poética.
Renato Lannes Chagas: A sua biblioteca é um convite a ficar horas lendo. Você tem uma rotina? Está nela todos os dias? Você a planejou ou ela foi acontecendo? O espaço que ela ocupa foi projetado para ser uma biblioteca?
Magno Assis: Nunca tive uma rotina de leitura. Leio em todo momento livre. Não consigo dormir sem ler; à noite, leio por pelo menos uma hora. Anteriormente eu lia mais, uma média de um livro por semana. Todos os dias estou na minha pequena biblioteca. É onde leio e escrevo. Nada foi planejado. Como sempre li muito e sou um “rato de sebo”, chegou um momento em que os livros eram muitos e eu precisava de um lugar para colocá-los. Aí nasceu minha biblioteca. Em minha casa anterior, eu tinha um lugar planejado para ela. Mas na casa atual, que adquiri já construída, não havia um lugar específico para essa finalidade. Reservei o maior cômodo para a biblioteca, mas ainda o acho pequeno. De vez em quando, é preciso doar livros por não ter onde guardá-los. Independentemente do tamanho, ela tem me atendido em seu principal objetivo.

Renato Lannes Chagas: O Magno escritor, mesmo inserido nas tecnologias de hoje em dia, conseguiria ser escritor sem ter esta bela biblioteca? O quanto o Magno leitor influencia o escritor?
Magno Assis: Eu não consigo imaginar um escritor sem uma biblioteca. A escrita depende da boa leitura. Mesmo que as tecnologias ajudem, não há como negar que a biblioteca física é mais estimulante que toda a tecnologia existente. Posso dizer que o Magno leitor influencia em tudo o Magno poeta. Foi através da leitura que comecei a gostar de literatura de um modo geral. E foi a leitura que me levou a gostar da poesia, através dos livros do poeta acreano J.G. de Araujo Jorge, especialmente “O canto da terra”. Para ser um bom escritor, é necessário ser um excelente leitor. Eu leio de tudo: poesia, romance, história, filosofia, etc. Minhas preferências são poesia, história e uma boa novela policial.
Renato Lannes Chagas: Você é a única pessoa responsável pela organização dos seus acervos? Tem ciúme deles ou a sua biblioteca é um espaço que agrega familiares e amigos? Já foi realizado algum evento literário ou musical neste espaço?
Magno Assis: Sim, estou sozinho no amor aos livros. Ninguém da minha família liga para leitura e livros. Eu me culpo por meus filhos não gostarem de ler; não tive tempo de ensinar a eles o amor pelos livros. Por não ter um horário fixo de trabalho, não fui presente na infância dos meus filhos. Às vezes, ficava a semana inteira sem vê-los. Não tenho ciúme de todos os livros, mas de alguns, sim. Um livro retirado da biblioteca não quer dizer que vai voltar, mas isso dificilmente acontece, até porque moro longe do restante dos familiares. Minha família toda mora no Vale do Aço e eu estou a mais de 400 km de distância. Quanto aos amigos, são poucos e, como trabalhei com tecnologia, eles são todos mais ligados a máquinas do que a livros. Sobre eventos, não, nunca realizamos nenhum, até porque quase todo o espaço está ocupado. Atualmente, participo do “Chá com Poesia JF”, um grupo de resistência poética que está ativo há 14 anos, mas que se reúne em espaços públicos no centro da cidade toda última segunda-feira do mês.
Renato Lannes Chagas: Na sua história pessoal é evidente o peso da escola e da leitura. Qual é a mensagem que você gostaria de deixar para um estudante de hoje, que está sempre recusando e dispensando a leitura como se fosse algo sem importância para sua formação escolar?
Magno Assis: O que eu tenho a dizer a um estudante, ou mesmo a quem não é estudante, é: se você quer melhorar seu vocabulário e seu jeito de pensar, leia. Leia sempre e de tudo. Comece com livros mais leves, do tipo juvenis. São histórias leves e bem elaboradas. Eu mesmo gosto muito desse tipo de literatura. Entre um livro mais “sério” e outro, eu leio um de literatura juvenil para refrescar a cabeça. Eu vejo os jovens de hoje falando errado e sem um vocabulário adequado, e penso: falta leitura. Então, leia em todo o tempo disponível.

Citação literatura internacional
“A arrogância e o amor não podem se unir num mesmo coração”
As Mil e Uma Noites – Anônimo
Citação literatura nacional:
“ Eu quase que nada sei. Mas desconfio de muita coisa.”
Grande Sertão: Veredas – João Guimarães Rosa
Redes Sociais:
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Instagram: @magnoassis63
Blog: magnoassispoesia.blogspot.com
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Livros:
08 livros de poesias disponível na Plataforma Uiclap
Loja.uiclap.com/titulo/ua58611; ua675191; ua97256; ua119254; ua142107;
Ua157463; ua177002 e ua190790
A palavra é repetida e o sentimento também: GRATIDÃO🙏🏼🙏🏼🙏🏼. É impressionante como as palavras têm o poder de tornar até uma manhã comum de segunda-feira algo especial. Obrigado Johnny Ribeiro pela oportunidade de ler mais esta entrevista publicada, parabéns Magno Assis pela entrevista, a sua história merecia estar em todas as escolas, a sua biblioteca é um espetáculo!!! Aproveito ainda o espaço para agradecer por todas as suas participações no Projeto Literário Palavras Sem Fronteiras.
Queira Deus que o amor pela leitura e pelos estudos um dia seja uma realidade e outras pessoas construam acervos lidos tão belos quanto este seu.
Obrigado pela oportunidade de mostrar minha arte e pela divulgação do meu trabalho. Parabéns por sua luta a favor da cultura. Muito obrigado, Renato. Estamos juntos.
Gratidão🙏🏼🙏🏼🙏🏼🤝🏼🤝🏼🤝🏼📚📚📚
Estudei com o Geraldo Magno e moramos no mesmo bairro. Ele andava lendo pelas ruas de Fabriciano. Ainda nos falamos.
Que bom. É fácil imaginar o Magno andando e lendo.
Gosto de conhecer a história dos colegas do grupo do projeto literário. Isso nos deixa com mais afinidades e podemos falar e ponderar para discutir abertamente dentro do projeto. Nosso objetivo sempre foi e
sempre será produzir textos que auxiliem e desperte o interesse dos leitores. Conhecimento transforma pessoas. Parabéns pela ótima entrevista!
Obrigado pela leitura e pelo comentário!!!
Com certeza poder vê-los aqui nessas entrevistas e saber um pouco mais sobre cada um de vocês é uma alegria imensa.
Eu conheço Magno Assis desde que tinha 18 anos em um encontro literário em Domingos Martins ES.Hoje com 54 anos nossa amizade continua sendo muito especial. Posso dizer que é o meu mentor literário porque eu amo poesias.Neu carinho será eterno. Obrigado meu amigo por tudo que vc representa.Admiro muito seu trabalho e vc como ser humano.
Que história interessante!!! A convido a participar dos livros do projeto literário chamado Palavras Sem Fronteiras, pegue meu contato com o Magno Assis para eu passar as informações a respeito do projeto.
Grato pela leitura e pelo comentário.
Belas palavras ler um bom poema nos enriquecer a alma !