Entre o estado de Minas Gerais no Brasil e Haryana, no norte da Índia, estendem-se cerca de 14.000 km de distância em linha reta (rota aérea) e um fuso horário que nos faz oscilar entre o dia e a noite, separados por 8h30. Ainda assim, nossa amizade floresce, atravessando fronteiras, culturas e tempos.
Nikhil Sehrawat nasceu em uma família Jaat, comunidade tradicional do norte da Índia conhecida por sua ligação com a terra, a agricultura e o senso de coletividade. Cresceu vegetariano desde sempre, nutrindo-se de chapati (pão indiano tradicional, feito sem fermento, preparado com farinha, água e sal, e assado diretamente na chapa ou frigideira quente) e vegetais, símbolos de simplicidade e abundância. Sua mãe, todas as manhãs, cruza as mãos em oração, pedindo a Deus que guarde tudo bem. Ele carrega essa lembrança em mente, cultivando fé e gratidão, sempre com profundo amor pelos pais e pela família, vivendo em comunidade e valorizando o espírito de união.
Em Haryana, os verões de junho e julho chegam a 40 graus, enquanto os meses de setembro a dezembro trazem temperaturas mais amenas, entre 25 e 10 graus. Nas celebrações e no cotidiano, o kurta, feito de algodão ou seda, é a roupa tradicional que une conforto, simplicidade e identidade cultural, refletindo a elegância discreta da tradição indiana.
Um amigo próximo de Nikhil, Sourav, traz no corpo uma tatuagem em sânscrito: अंत अस्थि प्रारम्भ, que significa “o fim é o começo”. Um símbolo de renovação, de ciclos que nunca se encerram, apenas se transformam. Essa visão encontra eco na fé de Nikhil em Lord Shiva, senhor da destruição e da criação, guardião dos recomeços e da eterna dança da vida.
Praticante do hinduísmo, Nikhil encontra na tradição espiritual da Índia não apenas rituais e crenças, mas um caminho de disciplina, devoção e conexão com o divino. Sua fé em Shiva e sua vivência cotidiana revelam a profundidade de uma espiritualidade que une prática, filosofia e vida comunitária.
Escorpiano de 18 de novembro, Nikhil é um homem gentil, educado, empático, encantador e trabalhador, cuja essência reflete tanto a intensidade de seu signo quanto a serenidade de sua espiritualidade.


E eu, do Brasil, compartilho com ele meu encantamento pelos conteúdos indianos que já assisti: o filme O Homem que Descobriu o Infinito, baseado em fatos reais; o tocante documentário Filhas do Destino que narra a história da escola-projeto Shanti Bhavan; e o inspirador filme Como Estrelas na Terra, que mostra a beleza e os desafios de uma criança com dislexia. Também me aprofundei na prática do Yoga de Patañjali, lembrando sempre da invocação:
“Ó sábio Patañjali,
que nos ofereceu o caminho do yoga,
guia nossa mente à disciplina,
nosso corpo à harmonia,
e nosso coração à paz.
Que possamos trilhar os oito passos
com clareza, coragem e devoção,
até alcançar a união com o divino.”
Assim, mesmo à distância, nossas conversas atravessam o tempo e o espaço, unindo dois mundos aparentemente distintos em uma ponte de amizade eterna. Entre Haryana e o ritmo das cidades de Ouro Preto e Mariana, no Estado de Minas Gerais (Brasil), entre o dia e a noite, entre o fim e o começo, seguimos conectados pela palavra, pela fé e pelo respeito mútuo.
Jacilene Arruda é escritora na Revista Poesias e Cartas, turismóloga, autora do Livro “Não beba das águas de quem finge matar a sua sede“, é adepta da dieta vegetal, espiritualista, estudante na Ordem Rosacruz AMORC, astróloga e numeróloga.















Escrita linda! Repleta de amor e afeto. Amei 😍
Gratidão linda ♥️♥️♥️♥️♥️
Que bacana! Muito interessante! Parabéns!
Grata 🤩