Cartas de Agosto para Mim Mesmo-Por Johnny Ribeiro

“Hoje, dia 1 de agosto de 2026, comecei a pensar no meu ano desde o início até agora e me vejo ainda completamente perdido, sem saber se todas as decisões que tomei desde a virada do ano até aqui estão valendo a pena. Respiro fundo tentando saber no que eu sou bom, se atendo às expectativas da minha profissão e se o fato de eu amar escrever — porque vejo isso como uma fonte de desabafo onde coloco meu coração em cada texto que faço, seja uma crônica reflexiva, um conto ou os meus poemas — ainda não é o suficiente, pois continuo sem conseguir me encontrarei penso em tanta coisa: nas tristezas que guardo no peito e nas revoltas que tenho com outras pessoas e comigo mesmo. Costumo sempre dizer para as pessoas respirarem em meio a uma dificuldade e tentarem se acalmar; falo isso, mas nem eu mesmo sei como me acalmar. Sempre vivo o dilema de não me concentrar tanto nas coisas, mas ir fazendo do meu jeito. Muitas pessoas acham que isso é descaso ou algum tipo de falta de amor. Talvez eu tenha algum tipo de dislexia que não conheço, ou precise de um psicólogo que possa me ouvir para que eu consiga pôr para fora tudo aquilo que é difícil. As pessoas me veem sorridente, às vezes brincalhão, mas por dentro, sinceramente, estou um caco. Meu lado poeta e escritor é o que me cura, o que me colocar nos eixos e me devolve a alegria. Tenho sempre o pensamento de que, talvez, o que eu escrevo toque algum coração e possa dar a essa pessoa conforto — o mesmo conforto que sinto ao terminar de escrever algo.Às vezes, eu queria ser melhor, não só para satisfazer o meu ego, mas para deixar as pessoas que amo mais orgulhosas e sabendo que podem contar sempre comigo. No entanto, acabo falhando comigo mesmo e adiando as coisas, deixando tudo para depois. Com toda a certeza, sou uma pessoa procrastinadora, um hábito ruim que, com o tempo, foi se tornando parte de mim. Hoje, com a chegada da idade e das responsabilidades, isso me atrapalha, e prejudica ainda mais as pessoas que estão ao meu lado. Estou tentando mudar, mas aí aparecem coisas que já deixei para depois e que precisam ser feitas com uma extrema rapidez. Hoje, no primeiro dia do oitavo mês deste ano… este ano… um ano de dor no qual eu não consegui estar completamente em nada. Sempre com a cabeça voando, o corpo presente, mas a mente em outros lugares, quase não observando o que estava nítido para ver. Um ano em que perdi meu irmão, próximo ao meu aniversário, e o luto ainda está em mim. Mesmo usando um disfarce de sorrisos e alegria, dói todo dia. Mas tenho que continuar e tentar melhorar a pessoa que sou. Tenho duas pessoas que precisam muito de mim e não sei se estou correspondendo de modo correto e digno. Eu tenho e preciso conseguir me controlar, não ser impaciente e gritão, me acalmar mais e tentar viver melhor. Eu já não quero ter razão e brigar para que me escutem, e sim ter paz, e que eles vejam que eu a encontrei. O mês de agosto começa e eu sigo com novas perspectivas de que seja um mês bom, onde vou poder ser melhor para mim e para a minha família.Eu não desisto e vou persistir, porque preciso melhorar quem eu sou.”

Johnny Ribeiro.

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