Complexidade na Adoslência Cap. 3

Mariana, com a pulga atrás da orelha e querendo descobrir o porquê do isolamento de Joaquim, começa a procurar saber mais. Ela vai até as suas amigas e começa a fazer perguntas. A primeira é Patrícia, que parece não gostar nem um pouco de Joaquim.
— Paty, você pode me contar sobre o Joaquim?
— Mari, eu já te disse que ele não é boa gente.
— Mas eu converso com ele e acho tão interessante como ele fala, o que ele escreve e os livros que ele lê.
— Você está encantada por ele, mas ele não é somente flores. Tente conhecer os seus espinhos.
— Se você os conhece, me conte. Vejo ele sempre sozinho.
— Bom, o que eu sei é aquilo que já te falei.
Ela para de falar com Patrícia e pergunta a Tamires:
— Tamires, pode me falar o que sabe sobre o Joaquim e por que ele não tem amigos?
— Mari, na realidade, ele tinha amigos e uma boa vida social. Mas, por causa de um desentendimento com um aluno, todos viraram a cara para ele. Acho que foi essa a história.
— E quem foi esse aluno?
— Um tal de Lucas, que foi expulso por causa dele. Mas não sabemos bem o porquê. O que sabemos é que o Joaquim deu uma surra nele, os dois foram para a diretoria e depois ficamos sabendo que o Lucas tinha sido expulso. Sem contar que o Joaquim mora em um bairro perigoso e o pai dele está preso. Mas, se você quiser saber mais, pergunte à Dona Olga, a professora de matemática e defensora voraz dele.
— Mas por causa de uma briga resolveram se afastar dele?
— Não foi só por causa de uma briga, tem mais coisa envolvida. Uns dizem que ele falou uma coisa que estava acontecendo na escola.
Mariana, curiosa, pensa no que deve fazer para saber sobre essa história: se deve perguntar para a professora Olga ou insistir para que Joaquim lhe conte tudo o que aconteceu. Na saída da escola, Mariana tenta falar com Joaquim. Ele diz que está muito atrasado. Ela pergunta para onde ele vai, e ele simplesmente diz “tchau”, pega sua bicicleta e vai embora.
O dia se passa. À noite, Mariana pega seu diário para falar de suas dúvidas, contando como foi o seu dia, e escreve a seguinte frase: “Por que ele não me conta? Eu quero saber o que há de errado… Não é só curiosidade.”
Aquela dúvida se Joaquim é ou não uma boa pessoa, o porquê de ele ser tão rejeitado e o que fez de tão errado para que ninguém o queira como amigo a persegue. Ela só vê um adolescente como outro qualquer, um que estuda e lê mais que a maioria, que sabe escrever e dialogar com as pessoas. Mariana se vê meio perdida e cada vez mais interessada no rapaz, que não quer falar o que houve com ele e fica se escondendo naquele estilo roqueiro.
Mais um dia na escola. No portão, há um homem meio estranho falando com Joaquim e lhe entregando um envelope. Mariana passa próximo a ele e vê seus olhos vermelhos, como se estivesse chorando. Eles entram. Ele vai trancar a bicicleta, e ela vai até ele e pergunta:
— Por que esses olhos vermelhos?
— Não é nada.
— Me conta. Às vezes desabafar com alguém é bom.
— Será que você me entenderia ou seria como todos dessa escola?
— Lembre-se de que sou nova aqui. Por que eu iria te criticar?
— Você quer mesmo saber a minha história? O porquê de ninguém falar comigo e até alguns professores me olharem torto?
— Me conte, quem sabe eu possa te ajudar.
— Bom, no meu caso seria bem difícil.
— Quero ser sua amiga. Será que essa sua história é tão louca assim?
— Depende do seu ponto de vista. Talvez você se comova ou seja apenas mais uma pessoa a se afastar de mim, achando que eu sou um animal ou algum louco.
— Você se acha assim?
— Se você quer saber, vem comigo.
O portão ainda não tinha fechado. Joaquim deixa sua bicicleta e vai saindo. Mariana vai atrás e os dois começam a caminhar. Ela pergunta:
— Para onde vamos?
— Vamos para o hospital.
— O que tem lá?
— Minha mãe!
— Como assim, sua mãe?
— Quer saber da minha história? Agora você irá conhecê-la!

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