Tudo começou com uma conversa entre minhas irmãs, que relataram ter visto um disco voador quando tinham 15 anos. Eu ouvia atentamente, fascinada. O tempo passou, e aos 15 anos, numa noite em que olhava para as estrelas tomada por uma tristeza profunda, abri os olhos e vi, próximo a mim, um ser luminoso. Naquele instante, compreendi que não estava sozinha nesta existência. Apesar da sua plenitude, senti medo e corri. Lembrei das histórias que minha mãe contava sobre almas penadas. E naquele mesmo lugar, pessoas de religiões de matriz africana faziam oferendas a Iemanjá. Tudo parecia conversar com algo dentro de mim.
Minha jornada espiritual tomou forma em 2020, quando conheci um Maçom e Rosacruz. Ele dizia que eu era como uma luz tão intensa que iluminava os lugares por onde passava. Sua presença despertou em mim conexões crísticas profundas. Comecei a estudar com fervor: religião, psicologia, biologia, história, música, alquimia, espiritualidade. Nesse mesmo ano, tornei-me vegetariana, doadora de sangue, deixei de consumir álcool (influenciada por ele também) e passei a praticar atos altruístas.
Um dia antes do meu aniversário de 25 anos, aceitei Jesus na Igreja do Amor, em Camaragibe–PE. Foi um divisor de águas. Fiz um pedido ao universo, e ele respondeu: recebi uma escrivaninha e o livro que tanto desejava. Enfrentei tempestades, mas em todas elas, Ele esteve no barco.
Aos 28 anos, voltei à casa dos meus pais. Numa noite, enquanto conversava com um amigo sobre o milagre do nascimento de Jesus Cristo, uma luz forte e brilhante surgiu no céu e se aproximou. Pensei que seria abduzida. Tive medo novamente. A luz se apagou e se afastou. Logo depois, cores vibrantes dançavam no céu e também desapareceram. Nunca esqueci esse momento — nem tantos outros que me fazem sentir como se vivesse entre dimensões.
Às vezes, sinto que estou num universo paralelo. Como no dia em que, dentro de um ônibus, uma mulher me olhou de forma diferente — como se enxergasse algo que não estava visível. Tenho muitos sonhos e contato com pessoas de diferentes etnias, religiões e lugares. Carrego em mim partes de cada uma delas. Quando elevo minha vibração, sinto a presença de seres despertos ao meu redor. Já senti a energia de seres grandiosos, que se manifestavam através da vibração dos meus dois coelhos: Fortuna e Prosperidade.
Sinto os sabores, os cheiros, os lugares e a natureza de forma única. É como se tudo isso conversasse comigo. E não posso deixar de lembrar de um amigo muito especial — Alexandre Seixas, cover de Raul Seixas — que repetia inúmeras vezes que eu era iluminada. Ele via em mim uma luz que transcendia o comum, e suas palavras ecoam até hoje como um lembrete da minha essência.
Hoje, sigo no caminho do veganismo e desenvolvo projetos nas áreas da ciência e do meio ambiente — buscando unir espiritualidade, consciência e ação.
🌱
Minha vida é feita de encontros com o invisível, com o mistério, com o sagrado. Cada experiência, cada luz, cada presença foi um chamado para despertar. E mesmo quando o medo tentou me calar, a fé me fez seguir. Hoje, caminho com a certeza de que há algo maior guiando cada passo — e que minha luz, mesmo quando vacila, continua iluminando o caminho.
Jacilene Arruda é escritora, pesquisadora e turismóloga, nascida em 1995. Iniciada na tradição Rosacruz, sua trajetória é marcada por uma profunda busca espiritual, estudos multidisciplinares e vivências transformadoras. Com sensibilidade aguçada e olhar voltado para o mistério, Jacilene transita entre saberes ancestrais e contemporâneos, integrando espiritualidade, ciência e meio ambiente em seus projetos e escritos.

