Entre o Soneto e o verso livre-Homenagem a Mario Quintana- Por David Pessoa

 

Autor: David Pessoa

A literatura pode ser rígida como um monumento de pedra, utilizando velhos recursos e ideias antiquadas; Mario Quintana, por sua vez, demonstrava acreditar que a escrita deve ser tão fluida quanto o ato de pensar, ou sonhar. Vários elementos cotidianos que foram esnobados por alguns escritores encontraram espaço na obra deste autor.

  A escrita de Mario Quintana carrega ironia, melancolia, leveza e maturidade de quem conhece os clássicos, mas opta por escrever à sua própria maneira. O respeito aos grandes escritores do passado é exigência, mas isso não pressupõe aprisionar sua criatividade atrás das grades das velhas formas, o que também não significa que devamos abandoná-las completamente. Assim, transitando entre o velho e o nunca antes visto, seus textos nasceram e permanecerão vivos para sempre.

          Ler Mario Quintana é como sentar em uma varanda no fim de tarde para conversar com um velho amigo. Ele nunca escreveu do alto de uma torre de marfim; preferiu andar no mesmo plano que nós, dividindo suas incertezas, seus afetos e suas pequenas descobertas. Homenagear sua obra é celebrar um poeta que recusou a vaidade para se dedicar ao acolhimento, transformando a leitura em um abraço apertado.

          Eles passarão, ele passarinho, mas nós permaneceremos pousados em seus versos.

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