Literatura pelo mundo-Chabir Tadeu CT de Quelimane Moçambique

Chabir Tadeu CT, nascido a 3 de dezembro na cidade de Quelimane, Moçambique, é escritor, editor e diagramador, licenciado em Agropecuária. Apaixonado pela literatura e pela produção editorial, tem participado em diversas antologias literárias, entre as quais Fragmentos do Tempo, Concurso Noémia de Sousa e Entre Versos e Flores. É coautor do livro Vozes Silenciadas, em parceria com o escritor Danny Oficina das Artes, e participou no Bootcamp Activ’Art, um programa de ativação de ideias e negócios das Indústrias Culturais e Criativas. Ao longo da sua trajetória, tem contribuído para o universo literário por meio da edição e diagramação de obras de autores nacionais e internacionais, desempenhando um papel ativo na valorização e divulgação da literatura. Os seus textos encontram-se publicados em diversas plataformas digitais, alcançando leitores para além das fronteiras de Moçambique. Movido pela crença de que cada experiência carrega um significado, Chabir Tadeu CT encontra na escrita uma forma de transformar pensamentos, sentimentos e vivências em palavras capazes de tocar, provocar reflexão e inspirar outras pessoas, sob o lema: «Tudo tem um propósito.»

Por que eu escrevo?

Escrevo porque há coisas que a boca não consegue dizer, mas que as palavras conseguem carregar.
Eu escrevo para dar voz ao silêncio, transformar sentimentos em histórias e guardar aquilo que, de outra forma, talvez se perdesse no tempo. Escrevo sobre pessoas, dores, sonhos, encontros, despedidas e sobre essas pequenas coisas da vida que, embora pareçam simples, deixam marcas profundas. Talvez eu escreva também porque algumas histórias não escolhem quando nascer. Elas simplesmente chegam.

Livro: Vozes Silenciadas— De Chabir Tadeu CT e Danny Amado Vasco

Sinopse:
Há dores que aprendem a permanecer em silêncio. Há palavras que são engolidas pelo medo, pela vergonha, pela indiferença e pelas circunstâncias da vida. Vozes Silenciadas nasce desse silêncio.
Entre poemas e narrativas, a obra atravessa sentimentos, conflitos e experiências humanas que muitas vezes permanecem escondidos. Cada texto procura dar forma àquilo que nem sempre conseguimos dizer em voz alta, revelando feridas, questionamentos, perdas, esperanças e a necessidade de sermos ouvidos.

Otti, o louco?

Numa cidade, a maioria das pessoas não se importava com a sujidade: deitavam os seus próprios resíduos em qualquer sítio e deixavam os contentores de lixo vazios. Pois, para elas, a responsabilidade de recolher e organizar o lixo era exclusivamente do Município da cidade. Para elas, o único culpado pelo lixo na cidade era o Município e o seu dirigente.
Certo dia, um homem visitava a cidade. Enquanto caminhavam, o homem perguntou ao seu companheiro, que o guiava naquela caminhada:
— Então, amigo, onde deito isto?
O seu amigo olhou para a mão do visitante, que continha um pacote vazio de bolachas, e, de seguida, olhou para o chão e disse, sorrindo:
— É só deitar no chão e o vento leva para onde quer que seja.
O visitante, sem entender a atitude, questionou o seu amigo:
— Mas não é errado deitar o lixo no chão?
— Se é errado, eu não sei. Mas aqui o único culpado é o Município, que não faz o seu trabalho.
O visitante, sem querer discutir com o seu amigo, deitou o lixo no chão e continuaram com a caminhada. Caminharam por vários cantos da cidade e a situação da sujidade era quase a mesma em todo o lado, até que passaram por um bairro diferente dos outros. Por incrível que pareça, era muito limpo. O visitante, admirando aquela situação, apreciava como a rua estava limpa.
Diante daquela vista limpa, ele viu um homem todo suado a fazer a limpeza da rua, falando palavras irreconhecíveis, sorrindo e fazendo gestos de saudação para quem passava por perto. Curioso pela atitude do homem, o visitante questionou o seu amigo:
— Quem é aquele homem?
— Oh! Aquele? Aquele é o Otti, o louco da cidade. Ele tem o hábito de fazer limpezas de qualquer maneira.
Sem entender o título que deram ao homem, ele questionou o seu amigo:
— O louco? Ele é considerado louco por manter a rua limpa? Por limpar o lixo que as pessoas deitam no chão?
— Si… Sim, por isso — respondeu o seu amigo, com hesitação.
O visitante, decepcionado, perguntou ao seu amigo:
— O louco é ele, que limpa o nosso lixo, ou nós, que deitamos o lixo no chão?
Por CHABIR TADEU CT
RAÍZES DE MOÇAMBIQUE – Otti, o louco? por Chabir Tadeu

1 thought on “Literatura pelo mundo-Chabir Tadeu CT de Quelimane Moçambique”

  1. Rapaz… As palavras são mesmo surpreendes! Parabéns! Caminho com o “louco”. Ler e escrever parecem muito com a limpeza desse louco. Ou serão os demais os loucos? Difícil dizer…

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