REVISTA POESIAS E CARTAS-ABRIL 2026

Mês de abril chegou o quarto  deste ano turbulento com guerras, mas estamos de pé firmes e cada um com seu proposito enfrentando seus desafios lembrando que todos temos problemas um diferente do outro mas em sua proporção e na miha opnião cada um sabe o tão grande que é o seu e eu também sempre digo que o pequeno pra mim pode ser enorme para uma outra pessoa mas para resolver pense positivo lembrando que Deus esta sempre com a gente.
E vamos começar a nossa revista espero que gostem do nosso conteudo diversificado mas sempre com muita poesia.

E vamos falar da semana santa-Por Johnny Ribeiro

O Verdadeiro Sentido da Semana Santa

A Semana Santa é o período mais importante do ano para o cristianismo, celebrando a paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Iniciada no Domingo de Ramos e culminando no Domingo de Páscoa, a semana relembra os últimos dias de Jesus, incluindo a Última Ceia, a crucificação na Sexta-Feira Santa e sua vitória sobre a morte.
Significado dos Dias Principais:
  • Domingo de Ramos: Celebra a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém.
  • Quinta-Feira Santa: Instituição da Eucaristia e do sacerdócio na Última Ceia, além do rito do lava-pés.
  • Sexta-Feira Santa: Dia de jejum e reflexão, marcando a condenação, tortura e morte de Jesus na cruz.
  • Sábado de Aleluia (ou Santo): Dia de silêncio e espera, concluído pela Vigília Pascal, que celebra a ressurreição.
  • Domingo de Páscoa: Ressurreição de Jesus Cristo, simbolizando a vida eterna e a vitória sobre o pecado.
Tríduo Pascal (da noite de quinta-feira ao domingo) representa o ponto alto da fé, focando na salvação humana e na renovação da esperança.
Como cristão criado nos ensinamentos da Igreja Católica, embora hoje eu esteja mais ausente, procuro seguir o que aprendi. Observo com tristeza o desrespeito e a falta de comprometimento de muitos com este período. Lembro-me de minha mãe fazendo jejum a semana inteira; ela rezava de joelhos, pedindo e agradecendo — algo que raramente vemos hoje. Atualmente, muitos não respeitam sequer a Sexta-Feira Santa e não compreendem o significado de substituir a carne pelo peixe.
Comer peixe na Sexta-Feira Santa é uma tradição de penitência, onde se evita a carne vermelha (associada ao sangue de Cristo e a banquetes) em respeito ao Seu sacrifício. O peixe simboliza a humildade e a simplicidade, além de ter sido um dos primeiros símbolos cristãos.
As razões dessa tradição incluem:


Abstinência e Penitência:
 A Igreja incentiva a renúncia a alimentos que representavam fartura.
Significado Bíblico: O peixe está presente em milagres como a multiplicação e a pesca milagrosa.
Símbolo Cristão (Ichthys): No início do cristianismo, a palavra grega para peixe era usada como um acrônimo para “Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador”.

Infelizmente, grande parte da sociedade perdeu esse entendimento e foca em aspectos superficiais. Vivemos momentos delicados em que a ganância domina o mundo. Ficamos à mercê dos mais fortes e de guerras por poder, sem saber em quem confiar.

Meu desejo é que o mundo pensasse mais em Deus e buscasse a paz sem mortes. Que nesta Semana Santa as pessoas conhecessem o verdadeiro sentido dessa data: não se trata de peixes ou chocolates, mas de amor incondicional, ressurreição e renascimento. É tempo de cultivarmos o que há de bom.

 

Dia Mundial do Autismo-por Daya Ribeiro

O dia 2 de abril é o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, instituído pela ONU em 2007 para conscientizar sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), reduzir a discriminação e promover a inclusão social. A data foca no respeito, compreensão e na garantia de direitos e qualidade de vida para pessoas autistas.

Vamos também falar um pouco sobre as pessoas que estão por trás dos autistas também e falar tudo o que eles fazem para que seus filhos possam ser incluídos nesta sociedade.

Não podemos dizer que é fácil, pois o autismo tem 3 níveis: leve, moderado e grave, ou seja, no nível leve são pessoas que praticamente não necessitam de ajuda, mas também é necessário acompanhar; o moderado, um nível mais complicado um pouquinho, precisa de suporte substancial no dia a dia; o grave é necessário um suporte para o dia a dia muito significativo.

Hoje falam do autismo como se fosse uma coisa fácil de se lidar, mas muitas vezes mães e pais passam muito sufoco para cuidar dessas pessoas, mas eu também penso que depois que eles procuram os médicos e a orientação certa, pode-se conseguir melhorar a condição tanto para a pessoa com autismo quanto para eles.

O autismo é notado geralmente nos primeiros anos de vida, mas pode ser diagnosticado na idade adulta. Embora não tenha cura, intervenções precoces com equipes multidisciplinares (psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais) melhoram significativamente a qualidade de vida e a inclusão social.

Através do Caleidoscópio

        Por Carlos Lopes

 

O giro de hoje nos leva a uma reflexão: “1º de Abril: A verdade Que Preferimos Chamar de Brincadeira

Existe um dia no calendário em que a mentira ganha licença poética. Um dia em que as pessoas contam histórias absurdas, inventam notícias improváveis e depois soltam uma gargalhada, dizendo: “Primeiro de abril!”. Como se a mentira fosse apenas uma travessura inocente que mora discretamente em uma data específica do ano.
Mas a verdade é outra.
O Dia da Mentira não é exatamente uma celebração. É mais um espelho. Um espelho que, talvez por pudor, preferimos chamar de brincadeira.
Porque, sejamos honestos por alguns segundos — se conseguirmos — nós mentimos todos os dias.
Mentimos para o amigo quando ele pergunta se estamos bem e respondemos automaticamente:
— Estou ótimo.
Mentimos para a esposa quando ela pergunta se gostamos da roupa nova e dizemos:
— Ficou linda.
Mentimos para os filhos quando prometemos:
— Depois eu brinco com você.
Mentimos no trabalho quando justificamos um atraso com um trânsito que nunca existiu. Mentimos na escola quando esquecemos a tarefa e explicamos que o cachorro comeu o caderno — mesmo quando nunca tivemos cachorro.
Mentimos na rua, no comércio, nas redes sociais e, talvez a mais perigosa de todas, mentimos para nós mesmos.
O primeiro de abril não inventou a mentira. Ele apenas a iluminou.
A psicologia tem uma longa relação de estudo com esse comportamento tão humano quanto contraditório. Pesquisas mostram que uma pessoa comum pode mentir diversas vezes ao longo de um único dia. Algumas mentiras são pequenas, quase sociais. Outras são verdadeiras arquiteturas de ficção.
Existem as chamadas “mentiras brancas”, aquelas que parecem inofensivas e que usamos para evitar constrangimentos ou proteger sentimentos. Quando alguém pergunta se o bolo ficou bom, mesmo que esteja seco como areia de praia, respondemos com diplomacia.
Mas existe também a mentira estratégica. Aquela que protege a própria imagem. Aquela que tenta escapar de consequências.
E existe a mentira que se transforma em personagem permanente da vida.
O curioso é que raramente pensamos em nós mesmos como mentirosos. Preferimos acreditar que apenas “adaptamos a verdade”.
É uma forma elegante de dizer que mentimos.
O cérebro humano é extremamente competente em justificar comportamentos. Criamos narrativas internas que nos fazem sentir menos culpados. Dizemos que foi necessário, que foi para evitar sofrimento, que foi para preservar alguém.
A mentira, nesse sentido, não nasce apenas da maldade. Muitas vezes ela nasce do medo.
Medo de perder.
Medo de decepcionar.
Medo de não ser aceito.
Entre a verdade que pode machucar e a mentira que pode salvar o momento, escolhemos frequentemente a segunda opção.
Talvez por isso o Brasil tenha desenvolvido uma habilidade cultural muito peculiar: o famoso jeitinho brasileiro.
O jeitinho, na essência, não é apenas criatividade para resolver problemas. Muitas vezes é uma forma sofisticada de torcer a verdade até que ela caiba na nossa conveniência.
É dizer que “está chegando”, quando ainda estamos saindo de casa.
É afirmar que “já resolvemos”, quando o problema nem começou a ser enfrentado.
É transformar pequenas distorções em hábitos sociais quase aceitáveis.
E quando olhamos para o cenário político, a mentira deixa de ser apenas comportamento individual e passa a ser quase estratégia institucional.
Promessas que evaporam após as eleições. Discursos que parecem escritos para convencer no presente, mesmo que sejam impossíveis no futuro.
Não é raro ouvir alguém dizer que política é “a arte de prometer e não cumprir”. Uma frase cínica, mas infelizmente familiar.
Os amantes também conhecem bem a geografia da mentira
.Histórias cuidadosamente construídas. Horários inventados. Reuniões imaginárias. Um jogo constante entre versões da realidade.
A mentira, nesse caso, exige memória. Porque quem mente precisa lembrar de tudo o que já foi inventado.
Curiosamente, é por isso que muitos mentirosos acabam se perdendo nas próprias histórias.
A verdade tem uma vantagem simples: ela não precisa ser decorada.
Mas talvez o território mais intrigante da mentira seja aquele que habitamos silenciosamente dentro de nós mesmos.
Quantas vezes dizemos que estamos felizes quando, na verdade, estamos apenas sobrevivendo?
Quantas vezes afirmamos que escolhemos um caminho livremente quando, no fundo, foi apenas o caminho que nos restou?
Existe uma mentira íntima que funciona como um mecanismo de defesa. Uma forma de manter a autoestima intacta diante de fracassos, frustrações e medos.
Sigmund Freud dizia que o ser humano desenvolve diversos mecanismos psicológicos para proteger o ego. Alguns negam a realidade, outros a distorcem suavemente.
No fundo, mentir para si mesmo é uma tentativa de preservar a própria narrativa de vida.
Porque a verdade, às vezes, é desconfortável.
Mas a mentira também cobra um preço.
A confiança é uma moeda extremamente delicada. Leva anos para ser construída e poucos segundos para ser destruída.
Uma mentira descoberta pode desmoronar amizades, relacionamentos e reputações inteiras.
Talvez por isso, paradoxalmente, valorizamos tanto a honestidade.
Quando encontramos alguém que fala a verdade com clareza — mesmo quando é difícil — sentimos algo raro: segurança.Sabemos exatamente onde estamos pisando.
E é curioso perceber como o primeiro de abril funciona quase como um carnaval da mentira. Durante um dia, ela ganha fantasia, humor e tolerância.
Brincamos de enganar uns aos outros.
Inventamos histórias absurdas.
Rimos da própria capacidade humana de distorcer a realidade.
Mas, assim como o carnaval não cria a festa — apenas a revela — o dia da mentira não cria o comportamento.
Ele apenas lembra que somos especialistas nisso.
Talvez o primeiro de abril funcione como o Dia dos Pais ou o Dia das Mães. Datas que servem muito mais como lembrete do que como celebração isolada.
Não amamos nossos pais apenas um dia por ano.
E não mentimos apenas um dia por ano.
A mentira é cotidiana. Ela circula pelas conversas, pelas justificativas, pelos silêncios.
Às vezes ela surge em forma de exagero. Outras vezes aparece como omissão.
E existe uma frase curiosa que diz: “Toda mentira contém um pouco de verdade, e toda verdade esconde algo que preferimos não contar.”
Talvez seja por isso que o tema nos incomoda tanto.
Porque, se formos honestos — ironicamente honestos — perceberemos que ninguém escapa completamente desse comportamento.
Não existem seres humanos absolutamente sinceros o tempo todo. Nem completamente mentirosos o tempo inteiro.
Vivemos em uma zona cinzenta onde verdade e mentira convivem, se misturam e, muitas vezes, se confundem.
O verdadeiro desafio talvez não seja eliminar a mentira — algo provavelmente impossível — mas reconhecer quando ela começa a dominar nossa vida.
Quando ela deixa de ser um recurso social ocasional e se transforma em hábito.
Quando ela passa a construir uma realidade paralela.
A verdade pode ser desconfortável, mas tem uma vantagem poderosa: ela simplifica a vida.
Quem fala a verdade dorme com menos histórias para lembrar no dia seguinte.
E talvez seja justamente isso que o primeiro de abril tenta nos dizer, de forma bem-humorada.
Que somos todos, em algum grau, autores de pequenas ficções cotidianas.
Mas também somos capazes de escolher, vez ou outra, a coragem da verdade.
Porque no final das contas, a mentira pode até resolver um problema imediato.
Mas é a verdade que constrói algo que dura.
Então, quando alguém disser “primeiro de abril”, talvez valha a pena rir da brincadeira.
Mas também vale a pena olhar para dentro e perguntar, com certa honestidade:
Quantas vezes hoje eu distorci a verdade?
E, mais importante ainda:
Será que amanhã eu consigo mentir um pouco menos?
Talvez essa seja a verdadeira provocação escondida por trás da data.
O primeiro de abril não é o Dia da Mentira.
É apenas o dia em que fingimos perceber aquilo que fazemos o ano inteiro.

Até o próximo giro!

Carlos Lopes

CRP 04/49834

O dia em que a mentira tira a máscara

Rimos alto no primeiro de abril,
como se a farsa tivesse data marcada,
como se o resto do ano fosse limpo,
como se a consciência tirasse folga,
como se a verdade não sangrasse em silêncio.

Mas o riso denuncia mais do que esconde.
Chamamos de brincadeira o que é hábito,
de leve o que corrói aos poucos,
de educação o que é fuga,
de cuidado o que é medo.

A mentira veste roupas elegantes
para não parecer o que realmente é.
Dizemos “estou bem” com a voz treinada,
ensaiada no espelho da sobrevivência,
enquanto algo dentro pede socorro baixo,
quase inaudível, quase esquecido.

Mentimos primeiro para caber no mundo,
depois para não sair dele.
Promessas escapam como vapor morno,
horários se curvam à conveniência,
a verdade é dobrada até caber na agenda.

Chamamos isso de jeitinho, estratégia, vida.
Mas no fundo sabemos — e evitamos dizer —
que é só medo com boa retórica.
A mentira cresce quando é útil,
amadurece quando é repetida,

e envelhece mal dentro de quem a guarda.
Ela exige memória, esforço, manutenção.
A verdade, ignorada, ainda assim insiste:
não precisa ser lembrada para existir.
E talvez o incômodo venha daí:

não do erro, mas do reconhecimento.
Porque não há inocentes completos aqui,
nem vilões absolutos — só versões.
A pergunta não é se mentimos,
mas até quando fingiremos não perceber

Carlos Lopes
04-04-2026

Páginas da Herança-por David Pessoa

Vidas Secas: um retrato verossímil de uma realidade cruel

 

Vidas Secas, de Graciliano Ramos, é a obra definitiva da segunda fase do modernismo brasileiro. Esta é uma afirmação ousada, haja vista a quantidade de grandes clássicos do mesmo período, incluindo O Quinze, de Rachel de Queiroz. O motivo para a audaciosa afirmação se encontra não só na matéria do livro, mas também na forma da escrita.

          Graciliano Ramos foi não só romancista, mas também contista, talvez por isso tenha decidido escrever de tal forma que os capítulos funcionassem como contos independentes. O leitor pode apreciar a obra exatamente como foi organizada, ou definir sua própria ordem de leitura e quem sabe até ler separadamente algum “conto” deste romance.

          Um bom exemplo disso é o décimo capítulo do livro, que trata do fim da vida da cadela chamada Baleia. Este recorte da obra, em específico, chegou a ser publicado como conto posteriormente, sendo considerado por muitos um dos mais importantes textos deste tipo textual no nosso país. A prática não é tão incomum, antes dele Dostoiévski também teve O Grande Inquisidor publicado como conto, ainda que fosse, na verdade, uma parte do romance Os Irmãos Karamázov.

Vidas Secas demonstra a vida em meio à seca do nordeste, apresentando não só as dificuldades do período, mas os efeitos psicológicos nos personagens de forma muito verossímil. A maneira como os capítulos são organizados torna o tema mais palatável, facilitando a leitura não por subestimar o leitor, mas por reconhecer o quão cruel é a realidade que delineou. Aqui se encontra a maior genialidade do autor: entender o impacto social daquilo que escreve e tratar com o devido respeito. Escrever sobre um tema difícil de digerir com indiferença gera textos que parecem feitos por um adolescente frustrado, mas Graciliano Ramos se afasta dessa armadilha com elegância, permitindo que o leitor consuma sua obra no seu próprio ritmo e da forma como preferir.

          A segunda fase do modernismo tem como principais características: a busca pelo rompimento com a concepção eurocêntrica de literatura e a necessidade de retratar a realidade do país. Outros grandes clássicos do mesmo período apresentam as mesmas características, mas quantos o fazem com a mesma delicadeza de Graciliano Ramos?

O menino que aprendeu a sonhar-Por Luis Augusto do Carmoo 

Hoje não escrevo como Luis Augusto, o jornalista. Nem como Alladin, o poeta que insiste em transformar sentimentos em palavras. Hoje escrevo como Guto. O menino que ainda vive dentro de mim, com os olhos curiosos e a imaginação inquieta, procurando histórias em cada canto da vida.
Escrevo esta carta aberta ao senhor, Mauricio de Souza, como quem volta à infância e encontra, ainda intactas, as primeiras referências de afeto. Não eram apenas quadrinhos. Eram companhia. Eram presença. Eram abrigo.
Guto passou parte da infância entre corredores longos e silenciosos de hospitais e clínicas. Lugares onde o tempo parecia mais lento, onde o cheiro de remédio substituía o da terra molhada e onde as brincadeiras precisavam caber no espaço de uma cadeira. Mas, mesmo ali, a infância não ficou do lado de fora. Ela chegava dobrada em páginas coloridas.
Era nesses momentos que a Mônica aparecia com sua força, como quem dizia que era possível enfrentar qualquer coisa. O Cebolinha surgia com seus planos infalíveis, lembrando que imaginar ainda era permitido. O Cascão, com seu jeito inseparável, trazia a amizade como proteção. E a Magali, com sua fome infinita, devolvia a leveza, como se a alegria também pudesse ser um remédio.
Enquanto os passos ecoavam pelos corredores e as portas se abriam e fechavam, Guto mergulhava em histórias. O hospital desaparecia por alguns instantes. O silêncio ganhava risadas. A espera ficava mais curta. A solidão, menor. A Turma da Mônica não estava apenas no papel, estava ali, sentada ao lado, oferecendo coragem sem dizer uma palavra.
Ali, cada gibi era uma pausa no medo. As páginas viradas com cuidado criavam um pequeno refúgio, onde o tempo parecia mais gentil e o mundo, menos pesado. Sem perceber, o menino descobria que, mesmo em lugares difíceis, ainda havia espaço para sonhar e seguir em frente.
O tempo passou, como sempre passa. O menino cresceu, tornou-se jornalista, aprendeu a lidar com urgências e realidades mais duras. Mas Guto nunca foi embora. Ele aparece quando uma frase pede delicadeza, quando uma matéria precisa de sensibilidade ou quando o mundo parece pesado demais. Nessas horas, lembro que, um dia, aprendi que a ternura também é uma forma de resistência.
Escrevo, portanto, para agradecer. Não apenas pelos personagens, mas pela companhia silenciosa em dias difíceis. Pela presença que transformou corredores frios em espaços de imaginação. Pela certeza de que, mesmo quando a infância parecia ameaçada, ela encontrava forças para continuar.
Hoje, já adulto, sigo levando comigo aquele menino que encontrava nos gibis uma forma de companhia e conforto. Talvez seja essa a força das suas histórias: criar pontes silenciosas, aproximar pessoas e lembrar que a esperança pode nascer nas coisas mais simples.
Esta carta é, portanto, um gesto de gratidão que atravessa o tempo. Do Guto que percorria corredores de clínicas ao criador que, mesmo distante, estava presente em cada página.
Com carinho e gratidão,
Guto, o menino que aprendeu a sonhar

Literatura nossa- por Johnny Ribeiro

Uma coluna nova para destacar a literatura nacional e seus escritores e poetas.

Em abril de 2026, o destaque literário internacional é a presença da brasileira Ana Paula Maia como finalista do International Booker Prize 2026. Sua obra, “Assim na terra como embaixo da terra”, ambientada em uma colônia penal, consolida uma literatura direta e crítica.

Conhecida por uma literatura violenta, direta e sombria, explora temas sociais, o lado sombrio da humanidade e a marginalidade. A autora carioca, radicada em Curitiba, venceu duas vezes o Prêmio São Paulo de Literatura.

Destaques de sua carreira e obra:
  • Reconhecimento Internacional: Foi finalista do prestigiado International Booker Prize 2026 com o livro Assim na Terra como embaixo da Terra (2017).
  • Estilo: Sua escrita é descrita como “implacável e hipnótica”, focada nas “bordas do mundo” e personagens invisibilizados.
  • Principais Obras:Carvão Animal (2011), De Gados e Homens (2013), Assim na Terra como embaixo da Terra (2017), Enterre Seus Mortos (2018) e De cada quinhentos uma alma (2021).
  • Atuação: Ganhou destaque também como roteirista, sendo responsável pela série Desalma, do Globoplay.
  • Premiações: Venceu o Prêmio São Paulo de Literatura com Assim na Terra como embaixo da Terra (2018) e Enterre seus mortos (2019).
    A autora, que já tocou punk rock na juventude, começou a escrever aos 18 anos e sua obra é

    amplamente traduzida e elogiada por explorar cenários como matadouros, lixões e prisões.

     

    A experiência e o amor a Literatura- Julio Cesar Mauro com dois lançamentos espetaculares mostrando a sua essência poética que encanta seus leitores.

 

Aline da Silva Monteiro é mãe, poeta e escritora. Filha de Maria Raimunda e Manoel de Jesus, é a segunda de dez filhos.
Nasceu em Ananindeua, no Pará, no Quilombo do Abacatal. Viveu no quilombo até os nove anos e, em 1999, mudou-se para a Ilha de Cotijuba, onde reside há mais de duas décadas.
Casada e mãe de quatro filhos, encontrou na escrita um caminho de resistência, memória e reconstrução.
Após um incidente marcante em sua vida, retomou os estudos e apresentou o poema “Incidente” no Sarau Escolar, a convite da professora Raquel Ivinervino.
Desde então, escreve para transformar vivências em voz e silêncio em palavra.

 

Do silêncio da baía ao canto da superação

Algumas histórias não são apenas lembranças: são correntezas que nos arrebatam e nos transformam. Foi assim que recebi os originais deste livro, relatos de uma escritora que naufragou nas águas da baía do Guajará, no Pará, e que, ao sobreviver, reinventou a vida.
Entre o medo e a fé, entre o silêncio das águas e o grito por socorro, nasceu uma mulher que não apenas resistiu, mas converteu sua dor em palavras. O rio que quase a levou é o mesmo que agora a devolve ao mundo — mais forte e consciente. O verdadeiro milagre não foi apenas escapar da morte, mas transformar o trauma em memória, missão e escrita.
Esta obra não é apenas uma narrativa de sobrevivência. É um testemunho da força da mulher amazônida diante da natureza em sua face mais bruta e indomável. A Amazônia, com suas águas que sustentam e desafiam, revela-se aqui como espelho da própria vida: ora calma, ora tempestuosa, mas sempre capaz de ensinar.

“A intenção desta nova coluna é trazer as novidades literárias de famosos e também de escritores anônimos.”

Hino Nacional Brasileiro-por Renato Lannes Chagas

O trabalho realizado em escolas públicas, teve início no final do ano de 2022, bem como a carreira literária, assim como os livros foram sendo escritos, as constatações sobre os problemas decorrentes da falta de leitura se mostram muito evidentes, pela função exercida não deveria ser objeto de intervenção direta sobre fatos que não são recentes, todavia, existiu a oportunidade de trabalhar a leitura, o uso dos dicionários (de papel) em salas de aula, acreditando na necessidade de ensinar aos alunos aquilo que era comum nas escolas nas décadas dos setenta, oitenta, foi proposto trabalhar com três dos hinos que existem em nosso país: o Hino da Independência, O Hino Nacional e o Hino da Bandeira. Primeiro os alunos foram convidados a opinar sobre qual era o mais antigo, depois ouviram as melodias com as letras em execuções disponíveis na internet, por fim foi realizada a leitura com a marcação das palavras que eles não conheciam para buscar seus significados nos dicionários. Em razão da maior parte dos estudantes gostarem de desenhar e da disponibilidade de várias obras artísticas com releituras da nossa bandeira, as duas turmas foram instituídas a realizarem as suas releituras. Os trabalhos foram expostos nos corredores da escola e os participantes gostaram do resultado. Essa foi uma forma não só de passar a importância do nosso Hino Nacional, como dos outros dois hinos mencionados e proporcionar que várias expressões artísticas dali surgissem, já foi sugerido aos colegas de outros países falantes da língua portuguesa trabalho semelhante com seus hinos e suas bandeiras nacionais, sem que seja possível saber se alguém fez semelhante trabalho. A valorização dos símbolos nacionais é parte importante da formação cultural de qualquer cidadão de toda e qualquer nação, apresentando na prática o quão importante é o uso das palavras da nossa língua nessas composições, suas semelhanças e suas diferenças.

 

 

Dia Nacional do Livro infantil-Por Luciane Cunha

 

No dia 18 de abril comemoramos o dia nacional do livro infantil, data que faz alusão ao aniversário de Monteiro Lobato, o escritor brasileiro conhecido especialmente por sua obra infantojuvenil “O Sítio do Pica-Pau Amarelo” , exibida na televisão nos anos 70/ 80.

Atualmente, muitas escolas realizam projetos de incentivo a leitura, não deixando essa data passar despercebida no calendário.

Dentre as atividades realizadas, há rodas de conversa, leitura coletiva, pesquisa de autores brasileiros, exposição de livros, palestras, participação presencial de autores que reforçam a necessidade de se cultivar o hábito da leitura como fonte segura de conhecimento e crescimento intelectual.

De fato, o hábito de se conviver com a leitura deve ser estimulado desde a infância, a fim de que a prática seja vista como algo prazeroso e não uma mera obrigação.

Os benefícios da boa leitura são imensos : desde a contribuição a saúde mental, quanto as descobertas, aprimoramento dos aspectos cognitivos, ampliação do vocabulário, estímulos ao espírito crítico-reflexivo , dentre outros.

Portanto, promover um ambiente literário às crianças é contemplá-las com recursos infinitamente valiosos que, mais tarde, renderão excelentes frutos.

A dica de hoje é: Dê livros de presente e viva a leitura!

Carta Aberta à Seleção Brasileira: O Peso da Amarela

O que eu faço com essa Seleção? Todo mundo pedindo o Neymar para a Copa e tantos outros jogadores se comparando aos monstros que fizeram história com a nossa camisa. Não critico o futebol deles, mas quero que esta mensagem chegue neles.
Cito aqui um “cara marrento” de baixa estatura que metia medo em qualquer zagueiro do mundo: o Baixinho Romário. Ele se considera melhor que muitos, mas tem a sabedoria de não se comparar a Pelé ou Maradona, e diz que empata com o Fenômeno. Concordo com ele em muita coisa. Tenho 40 anos e acompanho futebol desde 1994, quando vi o Baixinho ser o herói da Copa ao lado de Bebeto — talvez a melhor dupla que vi jogar. Eles faziam chover porque tinham amor àquela camisa e queriam muito estar lá.
Recentemente, o jogador João Pedro citou os clubes onde ele, Vini Jr., Estêvão e Raphinha jogam para dizer que atuam em alto nível. Como amante do bom futebol, eu digo: “Pare de destacar o time em que joga e tente se destacar você.”
Vejam o exemplo de Ronaldo Fenômeno. Em 2000, disseram que ele não voltaria após a lesão no joelho, mas o amor pelo futebol o fez ser campeão e artilheiro em 2002. Mesmo após a segunda lesão, voltou ao Brasil, brilhou no Corinthians e, na minha opinião, deveria ter ido à Copa de 2010 junto com Neymar e Ganso. Teria sido a “passagem de bastão” ideal de um veterano para os jovens craques que o técnico Dunga não quis levar.
E o que dizer de Ronaldinho Gaúcho? O Rei da Alegria. Ele jogava o futebol sério como se fosse uma brincadeira, inventando dribles com sua magia. Foi campeão em 2002 e revolucionou o Barcelona, tirando o clube da crise e devolvendo o protagonismo mundial com seu futebol mágico.
João Pedro, não se comparem a eles. Vocês jogam muito, mas esses caras tinham o que vocês parecem não ter: o senso de dever e o amor em vestir as cores do país, não apenas por status ou dinheiro, mas para dar alegria a um povo que luta tanto. O brasileiro ama o futebol e a Copa é o que une este país.
Ao técnico Ancelotti, um recado: pare de manha e convoque o Neymar. Você é um excelente técnico, capaz de armar um esquema para o time correr por ele e ele definir. Futebol não é só tática, é talento. O Neymar nasceu com o dom. Acredite no potencial dele e dê essa última chance.

Dia dos povos Indígenas- por Rose Giar

O Dia dos Povos Indígenas, celebrado em 19 de abril, comemora a diversidade cultural e os direitos dos povos originários do Brasil. Instituída em 1943, a data busca combater preconceitos e refletir sobre a história e a proteção das populações indígenas. Desde 2022, a lei mudou de “Dia do Índio” para “Dia dos Povos Indígenas” para destacar a pluralidade étnica e valorizar os modos de vida.
Pontos importantes sobre a data:
    • Origem: A data foi definida após o Primeiro Congresso Indigenista Interamericano, realizado no México em 19 de abril de 1940, para garantir direitos e discutir a proteção dos povos originários.
    • Terminologia:
       O termo “indígena” é considerado mais adequado por especialistas e pelos próprios povos, pois significa “originário”, “natural do lugar”, superando o estereótipo do termo “índio”.
  • Significado: Longe de ser apenas uma comemoração, 19 de abril é um dia de luta pela demarcação de terras, preservação da cultura e valorização da diversidade, com mais de 300 povos diferentes no Brasil.
  • O Abril Indígena: O reconhecimento estende-se por todo o mês, conhecido como “Abril Indígena”, focado em atividades e discussões sobre os direitos e contribuições indígenas para a sociedade brasileira.

O dia reforça a necessidade de políticas públicas de inclusão social e respeito ao modo de vida único de cada comunidade.

“Atualmente, discute-se a inclusão dos povos indígenas na sociedade, mas frequentemente ignora-se que eles eram os detentores originais do território. Foram vítimas de massacres, enganações e escravidão; tribos inteiras foram dizimadas pela fome e pela violência dos colonizadores que tomaram seus lares.
Esta data serve para resgatarmos nossas raízes e evidenciarmos a miscigenação do povo brasileiro, no qual a herança indígena é predominante. Celebrar este dia exige consciência histórica para nunca esquecermos os impactos devastadores da ganância sobre as populações originárias.”

As Fases da Lua em Abril de 2026

Por Maryam Arruda (@evolucaoeconhecimento)

O espetáculo celeste de abril

Abril de 2026 reserva aos observadores do céu um verdadeiro espetáculo lunar. Logo no início do mês, a Lua Cheia iluminou as noites, trazendo consigo o fascínio e a energia que tradicionalmente acompanham essa fase. A cada semana, o satélite natural da Terra nos presenteia com uma nova face, marcando o ritmo do tempo e influenciando tanto a natureza quanto a vida humana.

Calendário lunar

1º de abril – Lua Cheia (23h13): máxima iluminação, noites intensamente claras e propícias para contemplação.

9 de abril – Quarto Minguante (09h38): metade da Lua visível, simbolizando recolhimento e introspecção.

16 de abril – Lua Nova (18h49): invisível a olho nu, mas marcando o início de um novo ciclo.

24 de abril – Quarto Crescente (04h00): metade iluminada, crescendo em direção à próxima cheia.

Influência na Terra

As fases da Lua não são apenas um espetáculo visual. Elas influenciam diretamente as marés, regulando o movimento dos oceanos. Durante a Lua Cheia e a Lua Nova, as marés de sizígia se tornam mais intensas, enquanto nos quartos Crescente e Minguante predominam as marés de quadratura, mais suaves.

Reflexão

Observar a Lua é também refletir sobre os ciclos da vida. Assim como ela cresce, mingua e renasce, também nós vivemos fases de expansão, recolhimento e renovação. Abril de 2026 nos lembra que o céu é um espelho do tempo e que cada fase lunar é um convite à contemplação e ao equilíbrio.

2 thoughts on “REVISTA POESIAS E CARTAS-ABRIL 2026

  1. Mais uma bela revista!!!
    Parabéns para todos os participantes!!!👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼
    Gratidão por apresentar mais um trabalho🙏🏼🙏🏼🙏🏼

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