Conto-Aonde o Mundo se Abre

E lá estava ele, sentado, ouvindo uma história. Aquele garotinho tão jovem se via como um grande cavaleiro da Távola Redonda, lutando contra dragões e salvando princesas. Seu avô lia para ele a história do Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda, e o menino, chamado Leandro, viajava em seus pensamentos a cada palavra contada.
Seu avô, o Sr. Guilherme, aos 70 anos, adorava ver a expressão de felicidade do neto quando pegava na estante um dos livros que costumava ler para o pai de Leandro na mesma idade — de contos de fadas a histórias lendárias. Lembrava-se também da sala de jantar lotada de amigos para o clube do livro que sua esposa, Marta, realizava uma vez por semana, ou das vezes em que seu filho, Johnny, estudava com os colegas para o vestibular diante daquela estante repleta de livros.
Guilherme recordava-se de seu primeiro emprego no varejão, um lugar mágico onde o Sr. Ricardo, o dono, ensinou aquele garoto pobre a ler. Com nove para dez anos, ele precisava trabalhar e não podia frequentar a escola; saindo às ruas para ganhar um trocado, conseguiu aquele emprego. Muito esforçado, logo ganhou a confiança do patrão. Na primeira vez que entrou na casa dele e viu uma estante forrada de livros, encantou-se. Sr. Ricardo leu para ele O Pequeno Príncipe; o menino se fantasiava e sempre queria uma nova história. Um belo dia, aquele senhor, cujos filhos já eram adultos, fez uma surpresa ao garoto e começou a lhe ensinar a magia das primeiras letras.
Isso despertou no menino uma vontade imensa de ler. Um acordo entre os dois foi firmado com um aperto de mão: Sr. Ricardo colocaria o jovem Guilherme em uma escola e ele trabalharia apenas meio período, mantendo o mesmo salário para ajudar em casa.
Ao lembrar dessa história, Sr. Guilherme se emociona. Graças àquele homem, ele venceu na vida, deu uma educação digna à família, formou-se e passou a incentivar outras crianças a ler. Tornou-se professor, compartilhando conhecimento e contando sua trajetória a vários alunos. Lia para o filho que, quando pequeno, assim como o neto agora, fantasiava acordado, querendo dar a volta ao mundo em um balão ou empunhar sua espada contra dragões. Guilherme tornou-se um incentivador da leitura, sempre promovendo novas histórias.
Mas uma de suas maiores alegrias foi quando recebeu o seu primeiro livro autoral. Ao segurar a própria criação, sentiu uma emoção que lhe trouxe lágrimas aos olhos. Agora, ele podia contar aquela história para seu filho e, futuramente, para seus netos, com a esperança de que, mesmo com a modernidade, o hábito de ler continue sendo sagrado.
Sr. Guilherme lê para o neto Leandro, todos os dias, uma história diferente de sua estante — que muito se assemelha à do Sr. Ricardo, quem o ensinou a valorizar cada obra. Da mesma forma, o Sr. Guilherme ensinou a todos os seus alunos que quem lê viaja a lugares incríveis sem precisar sair de casa. Livros são o conhecimento que a humanidade jamais pode abandonar.

1 thought on “Conto-Aonde o Mundo se Abre

  1. Boa história. Ler para uma criança ou para várias, tem coisas que nunca deveriam sair de cena. O que a Fundação daquele banco fazia era uma dessas. Livros que eram enviados para nossas casas e quantas vezes foram lidos para filhos, para sobrinhos e agora para os netos. Escrever nossas próprias histórias também é algo extremamente gratificante. Parabéns pela história!!! No dia mundial do livro que sempre façamos referência a importância da leitura para dar muitas asas a imaginação das nossas e de todas as crianças, fora o tempo em que ali nos dedicamos a estar com elas. Não tem preço. É uma delícia!!! Puro deleite como diria uma amiga minha.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *