Luis
Augusto do Carmo (Luis Alladin Bambá) é jornalista multimídia, repórter fotográfico, diagramador editorial, escritor e produtor cultural, natural de Gravatá, no agreste pernambucano. Vindo de uma família de aboiadores e repentistas, iniciou sua relação com a palavra ainda na infância, aprofundando sua trajetória literária aos 22 anos, quando passou a frequentar os saraus da ONG GAMR (Grupo de Apoio a Meninos de Rua), mergulhando definitivamente na escrita, na arte e na comunicação popular.
Atua na apuração, produção de conteúdo, registro visual e construção editorial de veículos de comunicação, projetos sociais e iniciativas culturais, desenvolvendo narrativas completas que integram texto, imagem e design. Trabalhou como produtor e editor na Revista Literatura Errante e como jornalista na Revista Perpétua, com foco em artes visuais e movimentos underground. Atualmente é editor-chefe de jornalismo e repórter da Revista Poesia e Cartas (Projeto EntreLinhas) e fundador, editor-chefe e repórter dos veículos
Metade
Antes de teus passos
cruzarem o caminho dos meus,
eu já carregava teu nome
escondido entre os silêncios do peito.
Como quem espera uma primavera
sem nunca ter visto uma flor,
eu já amava a tua existência
antes mesmo de conhecer teu rosto.
Eu sei…
não sou jardim em todos os dias.
Há espinhos em minhas palavras,
tempestades em meus olhos
e noites que insistem
em morar dentro de mim.
Mas, ainda assim,
foi para ti que meu coração
aprendeu a bater mais devagar,
como quem encontra abrigo
depois de uma vida inteira
perdido entre vendavais.
Tu é a metade
que Deus esqueceu em mim
É o verso
que faltava ao poema.
O fogo que aquece
o inverno do meu peito.
A água que mata
a sede dos meus desertos.
Quando te abraço,
o mundo se organiza.
Quando te beijo,
até o tempo parece ajoelhar-se.
Quando me olhas,
eu finalmente existo.
E quando estás longe…
O céu pesa,
as manhãs adoecem,
o vento perde teu perfume
e meu coração caminha
como um pássaro
que desaprendeu o caminho de casa.
Porque te amar
não foi uma escolha.
Foi lembrança.
Como se minha alma
já conhecesse a tua
muito antes de nossos corpos
se encontrarem nesta vida.
E se algum dia
me perguntarem
o que és para mim,
Direi apenas:
é a parte de mim
que caminhava pelo mundo
antes de nascer em o abraço.
sem ti,
eu não sou metade,
não sou inteiro,
não sou verso,
não sou homem.
Sou apenas saudade,
esperando o milagre
de voltar para casa.


