Biografia do Autor
Aurédny do Rosário das Neves Vanduno, conhecido no meio literário como Auréd Ross, nasceu em Conceição, distrito de Água Grande, em São Tomé e Príncipe. Órfão desde muito cedo, demonstrou um interesse precoce pelas artes, especialmente pela literatura, área na qual viria a desenvolver grande parte da sua trajetória intelectual e criativa.
Passou a maior parte da infância na cidade de Neves, no distrito de Lembá, sob os cuidados dos avós paternos. Foi nesse ambiente que iniciou a sua formação escolar e deu os primeiros passos no universo da leitura, da escrita e da criação artística. O contacto com a cultura local, as histórias populares e a riqueza humana da sua terra natal contribuíram profundamente para moldar a sua sensibilidade literária.
Escritor e poeta, adotou os heterónimos Luís Vand, Olívia Catherina Bush (Olívia C. Bush) e Ubaga, entre outros, navegando pela poesia, contos, crónicas e romances para desenvolver a sua produção literária. Durante a juventude, integrou o Clube de Escritores de Lembá, participando ativamente em iniciativas culturais ao lado de jovens autores da sua geração.
Após mudar-se para a cidade de São Tomé, ampliou a sua participação no panorama literário nacional, marcando presença em diversos concursos e manifestações culturais. Integrou vários projetos, grupos e academias literárias digitais, como a ETAH Editora e a Academia de Letras Guimarães Rosa (Brasil), na qual ocupa a cadeira nº 160.
Destacou-se no concurso de poesia “Os Novíssimos”, promovido pelo Instituto da Juventude, pela Embaixada do Brasil e pela União dos Escritores e Artistas Santomenses (UNEAS). Com o poema “Minha Vida”, alcançou o 10.º lugar entre 71 concorrentes, numa cerimónia realizada a 25 de março de 2017 no Arquivo Histórico de São Tomé e Príncipe.
Ao longo dos anos, consolidou a sua presença no meio cultural santomense, tornando-se membro do Clube dos Amigos da Biblioteca, da UNEAS e da Associação de Jovens Escritores Santomenses (AJES). A sua atuação caracteriza-se pelo espírito de liderança, pelo incentivo à leitura e pela valorização da literatura como instrumento de transformação social e desenvolvimento humano.
A sua escrita explora temas ligados à condição humana, à espiritualidade, à liberdade, ao amor, à identidade cultural e à busca de sentido na existência. Como autor, procura unir reflexão, sensibilidade poética e compromisso com a promoção da literatura santomense.
Atualmente, Auréd Ross continua a desenvolver atividades literárias junto à comunidade da CPLP, além de projetos educativos, culturais e movimentos solidários, mantendo vivo o propósito de contribuir para o crescimento da literatura em São Tomé e Príncipe e de inspirar as novas gerações através do poder das palavras.
Por que razões escrevo?
Respondendo a esta questão, digo-lhe que por razões incompreensíveis, ou talvez seja mesmo um dom de nascimento. Porém, todos nós temos partes deste universo das quais a vida nos parece incompleta; ou seja: uma perda, uma solidão, uma mágoa, uma dor, uma decepção amorosa ou familiar.
Porém, escrevo para me compreender neste universo vasto, perdido e amistoso. Tentando me encontrar em cada versão, é como em um teatro no qual cada um faz a sua apresentação. Caro Johnny, a escrita é a arte de pensar, refletir e criar. Talvez tenha sido isso: a busca de um mundo no qual só eu consigo viver, me esconder de mim mesmo e fluir entre pensamentos e mundos, assim como o pólen a cada vento.
“Escrevo desde que me conheço!” É utopia, melodia, vertigem e africanidade que me trazem esse sonho embalado de escrever.
Amar-te… Não sei mais de mim…
Sei o que tu fazes. Não deves ser aquela rósea
Dentre os campos, a mais linda e jovem moça;
Isso não pode ser verdade, o coração que tenta não transportar
A carga de todas as ternuras, de amor tão moço.
Dentre os campos, a mais linda e jovem moça;
Isso não pode ser verdade, o coração que tenta não transportar
A carga de todas as ternuras, de amor tão moço.
Suportar a maré… Serei eu navegador?
“Ó Ulisses;
Viajas onde o perigo é uma vingança, por revelares quem és!”
Maldito ego que te faz. Amar-te, não sei mais de mim…
“Ó Ulisses;
Viajas onde o perigo é uma vingança, por revelares quem és!”
Maldito ego que te faz. Amar-te, não sei mais de mim…
Foge depressa para longe, onde a noite te aguarda,
Numa caverna, longe da morte, o teu amigo,
Vis à luna cantarrie fellicita! Sem barganhar-me
Naquela vencida batalha que ordenado soa,
Milhares de mortos ao seu lado caindo.
Numa caverna, longe da morte, o teu amigo,
Vis à luna cantarrie fellicita! Sem barganhar-me
Naquela vencida batalha que ordenado soa,
Milhares de mortos ao seu lado caindo.
[…. E navegando em mim mesmo,
Dentro de todos os teus abismos e tempestades,
Destruo a minha barca, em teus olhos, na partida…]
Dentro de todos os teus abismos e tempestades,
Destruo a minha barca, em teus olhos, na partida…]
Amigos, é minha esta estrada de sobrevivência;
Vou passar em palácios de amarguras
E resgatar o meu coração, cárcere de ti, malvada;
Sei o que tu fazes. Por amar-me no critério mais sombrio;
Terrena Almada em cavalos de suturas marchando,
Olhos alados de fogo me passam por dentro
Da minha alma tão sublinhada de versos e verdades.
Vou passar em palácios de amarguras
E resgatar o meu coração, cárcere de ti, malvada;
Sei o que tu fazes. Por amar-me no critério mais sombrio;
Terrena Almada em cavalos de suturas marchando,
Olhos alados de fogo me passam por dentro
Da minha alma tão sublinhada de versos e verdades.
__Não espereis por mim, meus amigos;
Não espereis por mim, meus irmãos!…
Não espereis por mim, meus irmãos!…
Perdido estou: em mundos, universos e galáxias,
Amei-a.
Não sei mais de mim;
O presente me reserva sombras ainda de ti na minha memória,
Embalado na carpa fina do teu cabelo de linho e óleo,
Onde deslizo por todos aqueles a quem amaste.
Amei-a.
Não sei mais de mim;
O presente me reserva sombras ainda de ti na minha memória,
Embalado na carpa fina do teu cabelo de linho e óleo,
Onde deslizo por todos aqueles a quem amaste.
Em espada do lençol, com meu furor de luta,
Piso no medo, na raiva, na dor de te perder.
Neste meu conjunto, há mesmo ciúmes
Montando o cavalo negro da sua morte.
Piso no medo, na raiva, na dor de te perder.
Neste meu conjunto, há mesmo ciúmes
Montando o cavalo negro da sua morte.
Sim!… Já imagino como isso acaba:
Nem eu, nem você, sendo eternos deste mundo.
Pela compaixão da vida, deitar sobre ácido o resto
Da ira de não mandar em mim mesmo, a explodir
Sobre o alto todo o tempo em que nos amamos.
Nem eu, nem você, sendo eternos deste mundo.
Pela compaixão da vida, deitar sobre ácido o resto
Da ira de não mandar em mim mesmo, a explodir
Sobre o alto todo o tempo em que nos amamos.



Parabéns pela participação neste projeto. Deixo o convite para que conheça e participe dos livros do projeto literário chamado Palavras Sem Fronteiras, pegue meu contato com o Johnny Ribeiro.
Será uma alegria ter um colega de São Tomé e Príncipe no livro que sairá mês que vem.
Gratidão enorme, na mesura enorme de me conter. ao vosso reconhecimento, verdadeiramente é um imenso prazer e orgulho participar nessa obra e juntar aos irmãos artistas neste vasto universo. Minhas humildes saudações