Poeta Selecionado para Coletânea Poesias e Cartas 3-Alexandre Braga

João, Esse Joãozinho do Cão (Alexandre Braga)

João,
a epítome
de um verdadeiro tiozão.
Mas no pior dos sentidos,
o tiozão do morro,
nosso maior desgosto.
Assombra toda a favela,
enquanto espia as filhas dos vizinhos
se despindo através do parapeito das janelas.

João,
esse cara é mesmo do cão!
Ostenta a fé católica ortodoxa,
enquanto, sem nenhuma demora,
regozija-se da luxúria de cada morena.
Que Deus tenha pena!

Casado e pai de uma menina,
engana toda a família.
Ensina, com orgulho, cada novinha a se prostar como uma dama,
exceto na cama.

Apaixonado por uma mulher evangélica,
iludida com seu amor e, cada vez mais, com sua fé,
tão maleável
quanto uma bomba de mascar.
De primeiro, evangélico;
de católico romano a ortodoxo.
Parece mudar o negócio
cada vez que sua máscara,
já por dentro tão imunda,
cai na lama dos porcos.

Amante das baladeiras,
das casas festeiras,
cheias de bebedeiras.
Condena as roupas curtas, ao mesmo tempo seus olhos brilham e vigiam cada curva.
Fiel à fé ortodoxa, mas de olho em cada nádega que roça.
Marido na igreja, amante no puteiro.
Julga os outros o tempo inteiro,
mas com uma moral que não adota nem por dinheiro.

À noite, de vigília.
De madrugada, escondido da família,
no prostibulo, dançando nu.
Fazendo sempre o seu espetáculo de hipocrisia
e culpando o autista
à revelia.

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