Conto-Anos de Espera, Segundos de Um Sim cap 1

João conheceu Aline em uma noite de primavera no ano de 2005. Ele, então com seus 19 anos, vivia aquela fase de transição, saindo da adolescência e partindo para a vida adulta. Ela era uma menina de 17 anos. Era noite, por volta das 19 horas. Naquele dia, a lua estava com um brilho radiante. Era sexta-feira, dia de cerveja, como João e seus amigos, Henrique e Pedro, costumavam dizer.
Como de costume, resolveram sair. O ponto de encontro era a casa de Henrique, que morava em frente a uma praça bem movimentada no bairro dos Campos Elíseos, na cidade de Ribeirão Preto. Amigos desde a época da escola, eles ainda tinham outros colegas que frequentemente se encontravam lá. Naquele dia, Jéssica, que era amiga de João, trouxe uma convidada junto com ela: uma moça morena clara, de cabelos lisos e olhos negros brilhantes, que mais pareciam duas jabuticabas. Calçava tamanho trinta e seis, tinha as unhas bem feitas e pintadas de uma cor bem delicada, e usava a roupa de formandos do terceiro ano do ensino médio. Seu nome era Aline.
João paralisou naquele momento. Sentiu um frio tremendo na barriga. Ao conhecê-la, apaixonou-se instantaneamente por aquela garota, que sorria de uma forma diferente: era delicada e, ao mesmo tempo, parecia muito forte pelas palavras que dizia. Naquele dia, foram poucas palavras trocadas, um convite recusado e um amor que ela conquistava sem querer — e sem ao menos dar a atenção que ele queria. Aquele momento ficou marcado para ele. Mais tarde, em uma conversa com Jéssica, ele afirmou:
— Eu ainda vou ser namorado da sua amiga Aline!
Jéssica sorriu, desacreditando nas palavras de João. Naquele dia, ele saiu como de costume com seus amigos; beberam e paqueraram, mas a imagem daquela moça não saía de sua cabeça.
O tempo passou. Meses se desdobraram desde o primeiro e único encontro dos dois, e João ainda pensava muito nela. Lembrava-se de seus olhos de jabuticaba, de seu sorriso brilhante e da simpatia com que falava com todos, sem deixar de agradar a ninguém. Naquela época, as pessoas que não tinham computador em casa frequentavam muito as lan houses. João estava sempre por lá. Certo dia, navegando pela rede social do momento, o Orkut, ele a encontrou nos comentários de uma foto de uma amiga comum. Logo a adicionou. Sem ter muita esperança, olhou suas fotos e se encantou cada vez mais pelas mensagens carinhosas que ela deixava para os familiares. Ali, ele descobriu um pouquinho mais sobre ela. Depois de dois dias, ela também o aceitou e começou a segui-lo.
Ele era dono de uma comunidade chamada “Poesias e Cartas”, onde se expressava anonimamente, escrevendo seus poemas e pequenos versos. Por um longo período, declarou-se a ela por meio dessas poesias, guardando no peito aquele amor que talvez parecesse platônico. Afinal, quem acredita em amor à primeira vista?
Os anos se passaram. Relacionamentos vieram, algumas amizades se perderam, novos amigos chegaram, surgiu um emprego novo com novos companheiros e a maturidade avançava. O ano já era 2006 e João estava namorando. Um dia, quando voltava para casa, resolveu passar em uma lan house próxima. Era 25 de junho de 2006, e o Orkut acusava o aniversário dela. Ele escreveu um recado de “parabéns”, desejando felicidades, e, de forma anônima em sua comunidade, deixou os seguintes versos:
“É seu aniversário! Parabéns…
Queria ser mais que um desconhecido,
Pois me encantei pelo seu sorriso, olhos e palavras.
Acredita em amor à primeira vista? Pois é, aqui estou eu,
Que não tira você dos pensamentos e hoje vive sozinho
Com este amor platônico.”

Ele se declarava anonimamente e, por vezes, torcia para que ela visse alguma de suas postagens, quem sabe se identificasse e, talvez, se lembrasse dele. Mas a vida continuou para ambos. Ele seguia com seus relacionamentos — que às vezes achava que eram amor —, e ela tocava sua própria vida. Sempre que podia, João perguntava a Jéssica como Aline estava. Em uma dessas conversas, Jéssica contou que ela estava namorando. Ele sorriu com tristeza, mas desejando que ela estivesse feliz. João também continuou namorando, ficando, bebendo e se divertindo do seu modo, mas em muitas ocasiões pensava: “Quem sabe um dia seremos um do outro”.
Os anos correram, cada um focado em sua vida e rotina. Até que, em um belo dia, em uma lan house, ele a encontrou online no Orkut. Começaram a conversar e logo migraram para o famoso MSN. Era uma noite de sexta-feira, 19 de janeiro de 2009. Conversaram por duas horas, contando as novidades da vida de cada um. João pediu o telefone dela, e ela o passou.
Ele passou o fim de semana inteiro tentando ligar, mas ela não atendia. Tudo bem; quando não é para acontecer, o tempo de espera não interfere. Na segunda-feira, às 21h40, João escutava João Neto & Frederico, sozinho em casa, tomando cerveja. Ele pegou o telefone e tentou mais uma vez… Um, dois, três toques. Um frio na barriga, e ela atendeu. Ele escutou aquela voz que não ouvia há anos, mas que nunca havia saído de sua memória. A conversa fluiu e virou rotina: todos os dias ficavam até tarde conversando, contando sobre família, trabalho, amores e planos futuros.
Três encontros foram marcados e cancelados por imprevistos, até que, em um belo dia — exatamente em 26 de março de 2009 —, eles conseguiram se encontrar. Aquela altura, João já podia dizer que a amava, que sentia ciúmes de tudo e que queria ser mais do que alguém apaixonado que apenas conversava diariamente. Foram ao cinema. Assistiram ao filme (ou melhor, beijaram o filme todo) e, na hora da despedida, João disse a ela:
— Hoje eu beijei a boca de alguém que esperei por anos. Alguém de quem eu já gosto muito e não quero ser somente um ficante. Quero algo maior… Namora comigo?
Dois dias depois seria o aniversário de João. Ele completou dizendo que o melhor presente de sua vida seria o “sim” dela. Aline sorriu e respondeu:
— Preciso pensar, mas, de qualquer forma, é muito bom estar com você.
 

não percam o proximo capitulo!

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