Poesia-Curióóó-por Johnny Ribeiro

Curióóó

Curióóó,
por que estás assim,
enlouquecendo por besteiras?

Tu sabes o apreço que tenho por ti
e, mesmo assim, acreditas em boatos.

Não precisas ouvir atrás das portas
nem te preocupar com o que não te traz paz.

Oh, Curióóó, tu és especial.
Não tenhas medo de nada,
nem te irrites com o improvável.

Pensa, respira e me diz:
o que acontece contigo?

Oh, meu amigo Curióóó,
eu não quero te prejudicar,
apenas te ajudar,
pois tens a minha amizade.

Acalma-te…
Não te irrites.

Tudo tem o seu propósito,
e quem te conhece
sempre te dirá:

Obrigado pela tua existência nesta terra.

Analise do poema
Este é um poema lírico contemporâneo, estruturado em versos livres, que assume a forma de um monólogo dramático ou apelo direto. O eu lírico dirige-se a um interlocutor específico, apelidado ou metaforizado como “Curióóó”.
O tema central do poema é a amizade, a paranoia e a busca pela pacificação emocional. O eu lírico assume o papel de um conselheiro ou de um amigo protetor. O tom da composição varia entre o desabafo, o acolhimento e a súplica. Há uma clara tentativa de desmistificar mal-entendidos e resgatar o interlocutor de um estado de ansiedade autodestrutiva causada por terceiros (“acreditas em boatos”, “ouvir atrás das portas”). O uso do nome “Curió” (um pássaro canoro brasileiro conhecido pelo canto belo, mas também por ser territorialista e arisco) funciona como uma excelente metáfora central.

 

 

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