Curióóó
Curióóó,
por que estás assim,
enlouquecendo por besteiras?
Tu sabes o apreço que tenho por ti
e, mesmo assim, acreditas em boatos.
Não precisas ouvir atrás das portas
nem te preocupar com o que não te traz paz.
Oh, Curióóó, tu és especial.
Não tenhas medo de nada,
nem te irrites com o improvável.
Pensa, respira e me diz:
o que acontece contigo?
Oh, meu amigo Curióóó,
eu não quero te prejudicar,
apenas te ajudar,
pois tens a minha amizade.
Acalma-te…
Não te irrites.
Tudo tem o seu propósito,
e quem te conhece
sempre te dirá:
Obrigado pela tua existência nesta terra.

Analise do poema
Este é um poema lírico contemporâneo, estruturado em versos livres, que assume a forma de um monólogo dramático ou apelo direto. O eu lírico dirige-se a um interlocutor específico, apelidado ou metaforizado como “Curióóó”.
O tema central do poema é a amizade, a paranoia e a busca pela pacificação emocional. O eu lírico assume o papel de um conselheiro ou de um amigo protetor. O tom da composição varia entre o desabafo, o acolhimento e a súplica. Há uma clara tentativa de desmistificar mal-entendidos e resgatar o interlocutor de um estado de ansiedade autodestrutiva causada por terceiros (“acreditas em boatos”, “ouvir atrás das portas”). O uso do nome “Curió” (um pássaro canoro brasileiro conhecido pelo canto belo, mas também por ser territorialista e arisco) funciona como uma excelente metáfora central.
