Luciane Cunha Entrevista- Renan Farias

Luciane Cunha- Entrevista Renan Farias

Ele vem lá da região norte do Brasil, mais precisamente de Belém do Pará: Doutor Renan.

Com várias atribuições em diversos setores educacionais, Renan Farias ainda encontra fôlego para atuar na literatura e fazer dela sua marca registrada para alcançar muitas vidas através de livros que retratam desde questões de autoajuda até o universo infantil.

Cristão atuante, onde o amor de Deus não só o fortaleceu na luta contra suas próprias dores quanto o conduziu a ser um canal de bênçãos na vida de muitas famílias, uma de suas maiores missões.

Vamos conhecê-lo um pouco melhor nesta envolvente entrevista:

 Renan, você começou a escrever aos 21 anos. O que despertou em você, naquela época, o desejo de transformar sentimentos e experiências em palavras?

Primeiramente, gratidão pelo convite. Desde os 6 anos de idade eu tinha uma tendência de sonhar acordado e ficcionar os eventos da minha realidade. Eu criava histórias como se minha vida fosse uma série em várias temporadas. Aos 21 anos, tomei a coragem de registrar os que imaginava, época em que cursava Letras, creio que as aulas de literatura me estimularam.

 Você foi adotado aos 4 anos de idade, na Sacramenta, em Belém. De que maneira sua história de vida e suas raízes influenciaram sua formação como escritor e como pessoa?

A rejeição é uma ferida em várias camadas. Nesse contexto, tive que aprender a agir e reagir em meio a dor desde cedo. Tentava fugir dela, mas não adiantava, foi aí que descobrir que as dores da vida são inevitáveis, logo, passei a “cobrar” aluguel das minhas dores! E esse aluguel se chama “lições de vida”. O que aprender nos dias difíceis?
Cada produção está ligada a minha cronologia de vida e minha percepção de mundo, inclusive a percepção de outros sujeitos que até discordo, mas está presente nas minhas produções, até porque o escritor representa múltiplas vozes, haja vista que vivemos em sociedade.

 Seu primeiro livro foi lançado em 2021, durante a Feira Pan-Amazônica do Livro. O que aquele momento representou para você e qual foi a sensação de finalmente ver sua obra publicada?

Um receio misturado com um desejo de décadas, visto que era o período da pandemia. Tive que usar lágrimas como regador para realizar esse sonho. Minha mãe adotiva Rosemar faleceu em 2020 e meu pai adotivo Paulo Roberto morreu em 2021, duas perdas irreparáveis! Eu lancei 02 livros, “Raízes profundas” e “Capilar dos sonhos”. Cada livro desses tem a foto e um poema para cada um deles, mesmo partindo, o legado que eles deixaram jamais morrerá!
Desde então lanço livros todos os anos.

Você é autor de 10 livros, entre obras de autoajuda, literatura infantil, poemas, contos e frases e pensamentos. Como você lida com essa diversidade de gêneros e o que cada um deles permite expressar?

Escrever é se desafiar, por isso senti a necessidade de lançar novos gêneros. O meu filho começou a estudar aos 3 anos de idade, então decidir ser o primeiro autor dele, haja vista que na escola dele solicitaram um livro paradidático infantil, foi aí que lancei “O incrível e vazio mundo de AI”, meu livro infantil.
Quanto aos 02 livros de autoajuda, percebi que existe uma escassez de livros dessa categoria no Pará! Logo, me lancei como autor de autoajuda nesse contexto. Por fim, produzi contos, crônicas, frases e pensamentos, sendo esse último inspirado na minha colega de trabalho, escritora Ester, da rede municipal de Belém.

Como doutor em Letras, mestre em Linguagens e Saberes e professor há 20 anos, de que maneira sua trajetória acadêmica e profissional influencia sua escrita literária?

Como Doutor tive que buscar um tempo paralelo para conciliar textos acadêmicos e literários. Percebi que ao evoluir como pesquisador amadureci como escritor, é algo que vai sendo construído com o tempo. No âmbito da sala de aula, busco inspiração convivendo com muitas pessoas constantemente, isso alimenta meu viés literário. Literatura tem uma relação intríseca com pessoas de modo geral.
Você atua em praticamente todas as etapas da educação e também como orientador de mestrado e doutorado. O que a convivência diária com estudantes ensina ao escritor Renan Farias?

A educação básica é o melhor início que todo educador precisa passar, porém é necessário passar pelas outras etapas educacionais, tais como educação no campo, educacão religiosa, educação profissional, educação superior e assim por diante. Cada público estudantil tem algo a ensinar, por isso quanto mais séries passarmos, mais experientes ficaremos. Tenho alunos em situações de vulberabilidade e ao mesmo tempo alunos com alto poder aquisitivo ao mesmo tempo. Cada ser humano é único!

Além da literatura e da educação, você trabalha como tradutor, empreendedor, criador de conteúdo, palestrante e coach. Como consegue conciliar tantas atividades e ainda preservar seu espaço para a escrita?

É um grande desafio, pois algumas dessas exigem mais tempo. Atuo por ciclos e etapas, algumas dessas são mais sazonais, enquanto outras são semanais. Creio que não nascemos para sermos uma única coisa. Somos uma floresta de possibilidades e não um cacto no deserto. Ao final de tudo, todas essas funções são para servir um dado público e isso aprendi na Bíblia, minha principal literatura, afinal são quase duas décadas servindo a Deus, meu Senhor e patrocidador !

Você também atua como líder de casais em uma igreja batista. Como sua experiência com relacionamentos, família e espiritualidade aparece — direta ou indiretamente — em seus livros?

Não tenho livro específico para casais ainda, todavia meus temas preferidos são relacionados à família. Minha história que surgiu num lar desestruturado, mas renasci ao ter um encontro com Deus em 2009. A espiritualidade é fundamental para ressignificarmos nossas dores. Hoje sou casado há mais de 13 anos e um casal de filhos, isso só foi possível após eu me converter e manter minha fé. Creio que Deus é a base de uma sociedade mais fortalecida, não é a toa que a Bíblia é o livro mais traduzido e lido no mundo.

Você nasceu em Belém, em 1984, e hoje mora em Marituba. O quanto a cultura, as paisagens, as pessoas e a realidade do Pará estão presentes na sua literatura?

Belém, casa do pão, é minha terra natal, mas foi em Marituba que fortaleci minha carreira.
Essa cidade possui uma história de dor e resiliência, desse modo, utilizo essas vozes e faço uma copilação em muitos dos meus poemas. Conheço mais de 50 cidades do Pará, logo, posso afirmar que em cada lugar há uma dada fonte de inspiração. Meus textos são destinados principalmente para pessoas que passam por problemas psicológicos ou espirituais.

 Depois de 10 livros publicados e uma trajetória marcada pela educação e pela literatura, qual é o maior sonho que Renan Farias ainda deseja realizar como escritor?

São milhares, posso afirmar! Mas posso destacar um deles: ser um autor difundido nas escolas do país, ao ponto de transformar vidas a partir da arte literária.

Qual foi o livro que você mais gostou de escrever?

É difícil escolher, sou apaixonado por todos. Mas posso afirmar que “Capilar dos sonhos” e “Fenômenos da alma” foram os mais marcantes.

Quais seriam seus planos futuros?

Expandir as obras para o teatro ou cinema nacional.

Deixe uma mensagem de incentivo para os jovens que estao começando agora?

Se você já sofreu na vida, saiba que é possível transformar o mal que nos aconteceu numa história de diligência, resiliência e superação. Hoje aos 42 anos posso dizer que se eu não passasse por tudo que passei eu não teria uma história para contar. Por fim, posso afirmar que a dor de ontem é o fundamento da alegria do futuro, só depende de nós, afinal é na pressão e na dor que nascem os verdadeiros diamantes.

Deixe o link de suas redes sociais?

Insragram@edersonrenanf

facebook@edersonrenanfarias

3 thoughts on “Luciane Cunha Entrevista- Renan Farias

  1. Excelente escritor com uma abordagem ampla da vida, do ser humano , do universo e de Deus . Por mais seres assim 🙌🏻👏🏼

  2. Parabéns para o entrevistado e para entrevistadora, esta publicação tem apresentado pessoas as mais diversas, não só aqui do nosso país, mas que, em geral, são brilhantes e desconhecidas do grande público. Este grande educador, colega escritor é uma delas, grata surpresa para quem está nesta frente dia a dia labutando e mesmo diante de todas as dificuldades, entende que a instrução é uma dos poucos caminhos que nunca deve ser posto de lado por nenhuma cidade, seja onde estiver, as pessoas devem continuar tendo acesso e oportunidades para estudar, buscar a melhor formação que estiver ao seu alcance e por meio dela buscar e conseguir, mesmo com tantas adversidades, melhores condições de vida para si, para sua família e isto automaticamente irá refletir positivamente para várias outras pessoas. Nunca havia ouvido falar sobre o entrevistado antes, mas penso ser difícil alguém que se dedica com tanto afinco a educação não ser um excelente professor e profissional nesta área. Parabéns!!! 👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼

  3. Amei a entrevista! Fiquei com muita vontade de conhecer as obras desse autor. A entrevista foi muito clara, dinâmica e agradável de acompanhar. Parabéns!

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