Crônica- O Valor do nosso Quintal, Entre o SUS e a Cultura- Por Johnny Ribeiro

Por que o brasileiro desvaloriza tanto os seus? O brasileiro é um povo guerreiro e batalhador, que acorda driblando dificuldades, samba na hora dos problemas e ginga para se sobressair a eles. No Brasil onde eu moro, admiro o meu povo, mas, ao mesmo tempo, faço críticas que a sociedade me permite fazer. Vocês já pararam para perceber que muitos brasileiros idolatram outros países e criticam o nosso?
Em alguns casos, vamos concordar em uma coisa: aqui pagamos altos impostos, mas também é um país onde podemos ser o que quisermos. É um país alegre, onde temos um dos melhores programas de saúde para o povo, o SUS. Sabe aquele de que todo mundo reclama da demora? Só quem vai morar em um país como os Estados Unidos vê que, para ter um atendimento decente, é preciso ter um seguro de saúde muito bom, pois são poucos os hospitais públicos. Aqui no Brasil, reclamam da demora de um sistema que precisa melhorar nessa parte, mas que vem caminhando para isso.
Continuando a falar sobre a saúde, vocês sabiam que o SUS é referência no mundo? Sim, o Sistema Único de Saúde (SUS) é considerado uma referência internacional em saúde pública. O Brasil é o único país do mundo com mais de 100 milhões de habitantes a garantir um sistema de saúde universal, integral e 100% gratuito para toda a sua população.
Com certeza terei comentários me chamando de petista, esquerdista ou comunista, mas tudo bem, eu não me importo. Eu corro pelo meu país, não tenho referência política e não sou apoiador de ninguém; eu sou brasileiro, isso sim.
Outra coisa que nós, brasileiros, não sabemos valorizar são os nossos filmes e séries. Enquanto vemos séries americanas que são muito boas, não damos valor ao nosso próprio conteúdo, que também é excelente. Admiramos o cotidiano americano, mas não valorizamos o nosso; batemos palmas para o faroeste e deixamos a desejar quando assistimos a algo que fala do nosso Nordeste.
Eu pergunto aqui: quem não deu gargalhadas com Chicó e João Grilo em O Auto da Compadecida? As atuações de Selton Mello e Matheus Nachtergaele foram incríveis. O talento deles e o que transmitiram na atuação falando da cultura nordestina foram fantásticos. E o autor, então? Ele é célebre, um dos maiores escritores do Brasil, um nordestino nascido na cidade de João Pessoa (PB): o grande mestre Ariano Suassuna. Na obra O Auto da Compadecida, ele trouxe seu conhecimento ilimitado sobre o folclore nordestino e também uma capacidade imaginativa simplesmente maravilhosa. Por isso, podemos dizer que ele é um mestre. No entanto, os brasileiros adoram outros escritores, outros atores e outros músicos sem conhecer a grandeza da nossa própria cultura.
Mas também, como hoje vivemos em um mundo globalizado em que as coisas chegam rapidamente de um hemisfério a outro, sem contar a correria da vida, podemos dizer que quem tem o melhor marketing é o que vai ser mais visto. Devíamos olhar para o nosso próprio quintal e valorizar o que temos, e não apenas citar os defeitos. Quem sabe se o brasileiro deixasse de dizer que somos um país ruim e começasse a fazer a sua parte para tentar melhorar?
Imagine o SUS sem demora? E se na educação, em que tanto pecamos, tivéssemos projetos para melhoria, colocando nas nossas escolas públicas oficinas culturais? Ou, também, se acrescentássemos na base curricular algo como cuidados básicos de saúde e uma oficina sobre direitos, deveres e leis, para que os jovens pudessem conhecer o seu papel na sociedade? Eu, como poeta e escritor, gostaria que nas escolas públicas existisse uma oficina de artes que tratasse de passar aos alunos como o nosso país tem coisas boas e mostrar que, se nos juntarmos, poderíamos melhorar tanto na arte quanto na saúde.
Eu sou brasileiro e amo meu país, apesar das coisas ruins que nele acontecem. Eu não bato continência para nenhum outro país e também não tenho em meu quintal a Estátua da Liberdade. Sou ciente dos problemas que temos aqui e tenho uma visão política diferente de muitos, sem defender nem atacar partidos. Eu só olho para o povo, que é brasileiro, e vejo o quanto somos enganados. Com o que escrevi, só quero dizer que, apesar de tantos problemas, podemos nos considerar um país muito bom para se viver. Digamos assim: temos o “jeitinho brasileiro” de nos virar… devemos usar este mesmo jeitinho para tentar melhorar. Vamos dar mais valor ao que temos aqui!

6 thoughts on “Crônica- O Valor do nosso Quintal, Entre o SUS e a Cultura- Por Johnny Ribeiro

  1. Com certeza esse sentimento de desmerecimento das riquezas brasileiras é potencializado no discurso da política de direita e extrema-direita no Brasil, sempre disposta a venerar o estrangeiro vídeo as atitudes de cachorro pirento do ex-presidente e seus filhos fazendo continência pra bandeira dos EUA e querendo entregar nossas terras raras pro estranja. Viva o Brasil, o povo brasileiro e suas riquezas

  2. Parabéns sensacional adorei não troco meu Brasil precisamos é de agradecer pelo que temos o nosso Brasil é rico apesar de alguns problemas mas se cada um fizesse a sua parte para melhorar mais e começarmos a valorizar e tentar ver as coisas boas que temos ficaria bem melhor

  3. Assuntos difícies… Há quase dois anos esperando para ser visto um exame de imagem da coluna, não é por acaso que existem tantos planos de saúde neste país. Esqueça política ou políticos, nasci em 1976 de lá para cá ninguém precisou me falar, constato a piora seja na saúde, seja na educação, seja no setor que for.

    Quanto a nossa cultura, as nossas coisas, o que diremos, já foi muito bem dito por Renato Russo lá em “Geração Coca-Cola”, melhoramos de lá para cá? Dúvido muito.
    Sou brasileiro, amo este país, amo tudo o que é nosso que presta e amo a arte, mas não sei olhar apenas para o que é nosso, sou filho do que fui exposto para ser e hoje, ao buscar entrar em contato com outras culturas dos países falantes da língua portuguesa, ainda ouço aquilo que ouvia quando comecei a escrever os primeiros versos: -“Para quê entrar em contato com pessoas lá de Angola e Moçambique, não entendemos nem o que falam direito, nem o que cantam direito, largue isso para lá e fique só aqui com as nossas coisas.” E outras xaropadas ainda piores.

    Desde que comecei a escrever meus contos baseados na nossa História do Brasil, sei o quanto nada sabemos, porque é ínfimo o que sabemos a respeito da cultura, da língua dos nossos povos originários. Tiro isto pela amostragem entre os meus familiares, entre as pessoas que lido no dia a dia. Não somos instados a adquirir conhecimento daquilo que temos e, antes eram os canais de tv abertos, as únicas opções a nos entupir com todos os tipos de enlatados vindos de fora, qual seria o resultado que esperaríamos ter? Tudo que aí esta hoje é fruto do que vem sendo feito há décadas, nada em arte, cultura, educação é coisa que ocorra no aqui e agora somente. É o passado o retrato das bases do que é visto hoje, se está feio de ver e nada for feito de diferente, amanhã podemos estar diante de algo ainda mais triste.

    Não adianta comparar países que não enfrentam os mesmos problemas, quando falamos em cultura, nossa comparação deveriam ser os nossos vizinhos da América Latina que poucas oportunidades têm para lançar aquilo que de fato chegaria o Rio Oiapoque ao Arroio Chuí…

    Por fim, infelizmente, não nos conhecemos. Nós aqui do Sudeste, pelas próprias dificuldades econômicas, no geral, não temos oportunidades de ir por aí neste país de meu Deus. Especialmente se o seu salário fica na casa do mínimo e a maior parte ainda vai no transporte urbano.

    São muitas, mas muitas mesmo as questões que um texto como este suscita, absolutamente não servem para ser olhadas hora alguma pelo prisma desta politiqueta de apontar Direita ou Esquerda…

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