Benício estava desanimado da vida, sem rumo. Depois de tantos planos que havia feito, ele queria muito poder ser um exemplo para o seu filho, mas Cléo conseguiu estragar tudo ao tomar aquela decisão idiota. Desorientado, ele se entregou às noitadas, às bebidas e aos amigos falsos; seus sorrisos eram raros. Até que um dia, de passagem por uma Lan House para olhar o Orkut, a foto de Selena chamou sua atenção.
Na imagem, ela exibia um sorriso lindo, e seus olhos transmitiam alegria e paz. Ele ficou completamente hipnotizado e sentiu, novamente, a centelha do amor acender dentro de si. Como podia uma garota com quem ele trocara poucas palavras provocar tamanha transformação em sua vida? Pensou em deixar um comentário ou pedir seu número para que conversassem, mas, ao mesmo tempo, refletiu sobre o rumo caótico que sua vida tomara e achou melhor não fazer nada. Ainda assim, não tirava o pensamento dela: “Se o destino une as pessoas, quem sabe um dia viramos um casal”.
Benício saiu da Lan House e começou a caminhar para casa calmamente, sem se importar com o tempo. Pensou muito no que Cléo havia feito, sentindo-se triste, mas procurando algo que justificasse aquela decisão e que pudesse lhe dar um pouco de alívio. No entanto, nada se encaixava. Nada atenuava o que ela fizera, o que, para ele, era o assassinato de um ser indefeso.
Andou mais um pouco e encontrou Humberto, um amigo de longa data, que perguntou:
— Oi, Benício! Sumido, por onde anda?
— Oi. A vida corrida da gente, sabe como é, né?
— Sei sim, mas é sempre bom ver os velhos amigos.
— Digo o mesmo para você.
— Oi, Benício! Sumido, por onde anda?
— Oi. A vida corrida da gente, sabe como é, né?
— Sei sim, mas é sempre bom ver os velhos amigos.
— Digo o mesmo para você.
Começaram a sorrir e a caminhar juntos. Humberto notou que o amigo estava meio cabisbaixo e questionou:
— O que houve? Por que está triste?
— Ah, nada não… Só consequências da vida, né?
— Mas que consequências? Você sabe que pode falar comigo, pode se abrir.
— Esta história é complicada e dói sempre que falo dela.
— Tudo bem. Se quiser conversar, estou aqui.
— O que houve? Por que está triste?
— Ah, nada não… Só consequências da vida, né?
— Mas que consequências? Você sabe que pode falar comigo, pode se abrir.
— Esta história é complicada e dói sempre que falo dela.
— Tudo bem. Se quiser conversar, estou aqui.
Os dois foram caminhando e falando de futebol. Humberto respeitou o tempo de Benício até que, quando chegaram em frente à praça onde ele vira Selena pela primeira vez, Benício disse:
— Você acredita em amor à primeira vista?
— Não acredito nem que o amor exista, imagine à primeira vista! Por quê?
— Você lembra de uma amiga da Mel que veio aqui alguns meses atrás?
— Olha, pouco me recordo, mas me conte.
— Acredite, eu me apaixonei só de olhar!
— Mas como alguém se apaixonei assim, do nada?
— Não sei explicar, apenas senti algo diferente. Não eram borboletas no estômago; pareciam mais águias que davam rasantes em um rio, se banhavam na água e sentiam uma sutileza, uma espécie de sentimento que acelerava o coração de uma forma boa e plena.
— Caramba, cara! Mas e aí, foi atrás? Chamou para sair? Qual o nome dela?
— Fui esnobado… ou não, porque nem tentei nada de verdade. O nome dela é Selena.
— Mas o seu desânimo é por causa disso?
— Na realidade, não. Foi ela quem me animou, porque eu estava bem pior antes.
— Caramba, mas como ela te animou?
— Acredite se quiser: foi apenas por causa de uma foto dela que vi no Orkut.
— E por que você não vai atrás?
— Não sei, acho que não é a hora. Do jeito que estou e por tudo o que me aconteceu, talvez seja melhor esperar um pouco.
— Mas o que aconteceu?
— Vou te contar. Você lembra daquela garota com quem eu saía, a Cléo?
— Sim, aquela que sempre fazia você sair correndo e que nunca assumia nada sério.
— Ela mesma. Ela me disse que estava grávida.
— Putz, moleque! Então você vai ser pai?
— Eu fiquei todo eufórico, feliz, fazendo planos… Mas ela fez um aborto.
— Mas era verdade mesmo?
— Sim, fizemos o teste de gravidez, eu vi o resultado. Ela tinha voltado para a faculdade e, quando retornou, disse que abortou porque não queria estragar a vida dela e também porque eu não a amava. Meu mundo caiu quando ela me disse isso. Todos os meus planos foram por água abaixo. Bateu uma tristeza profunda e comecei a beber fora do normal. Mal durmo, mal como… Mas aquela foto me deu uma luz de esperança. Se ela sorria tão bonito, por que não imaginar que aquele sorriso poderia ser para mim?
— Dá para entender a sua história e os seus motivos, mas já pensou que o que ela fez poderia ser o mais sensato para ela?
— Eu sou contra o aborto. Ela tirou uma vida que poderia ser o início de uma família.
— Mas e o que você sentia por ela?
— Naquele momento, sentia um carinho enorme, mas o amor já estava acabando. Era uma pessoa que só me usava como brinquedo, só me procurava quando precisava. Eu já tinha dado um basta na relação quando ela veio dizer que estava grávida. Fiquei contente, mas já não a amava. Depois que ela me contou o que fez, a raiva tomou conta de mim. Ela estragou meus planos e a vida que eu estava disposto a levar por causa daquela criança.
— Benício, meu amigo, às vezes é o destino. Deus escreve certo por linhas tortas.
— Você acredita em amor à primeira vista?
— Não acredito nem que o amor exista, imagine à primeira vista! Por quê?
— Você lembra de uma amiga da Mel que veio aqui alguns meses atrás?
— Olha, pouco me recordo, mas me conte.
— Acredite, eu me apaixonei só de olhar!
— Mas como alguém se apaixonei assim, do nada?
— Não sei explicar, apenas senti algo diferente. Não eram borboletas no estômago; pareciam mais águias que davam rasantes em um rio, se banhavam na água e sentiam uma sutileza, uma espécie de sentimento que acelerava o coração de uma forma boa e plena.
— Caramba, cara! Mas e aí, foi atrás? Chamou para sair? Qual o nome dela?
— Fui esnobado… ou não, porque nem tentei nada de verdade. O nome dela é Selena.
— Mas o seu desânimo é por causa disso?
— Na realidade, não. Foi ela quem me animou, porque eu estava bem pior antes.
— Caramba, mas como ela te animou?
— Acredite se quiser: foi apenas por causa de uma foto dela que vi no Orkut.
— E por que você não vai atrás?
— Não sei, acho que não é a hora. Do jeito que estou e por tudo o que me aconteceu, talvez seja melhor esperar um pouco.
— Mas o que aconteceu?
— Vou te contar. Você lembra daquela garota com quem eu saía, a Cléo?
— Sim, aquela que sempre fazia você sair correndo e que nunca assumia nada sério.
— Ela mesma. Ela me disse que estava grávida.
— Putz, moleque! Então você vai ser pai?
— Eu fiquei todo eufórico, feliz, fazendo planos… Mas ela fez um aborto.
— Mas era verdade mesmo?
— Sim, fizemos o teste de gravidez, eu vi o resultado. Ela tinha voltado para a faculdade e, quando retornou, disse que abortou porque não queria estragar a vida dela e também porque eu não a amava. Meu mundo caiu quando ela me disse isso. Todos os meus planos foram por água abaixo. Bateu uma tristeza profunda e comecei a beber fora do normal. Mal durmo, mal como… Mas aquela foto me deu uma luz de esperança. Se ela sorria tão bonito, por que não imaginar que aquele sorriso poderia ser para mim?
— Dá para entender a sua história e os seus motivos, mas já pensou que o que ela fez poderia ser o mais sensato para ela?
— Eu sou contra o aborto. Ela tirou uma vida que poderia ser o início de uma família.
— Mas e o que você sentia por ela?
— Naquele momento, sentia um carinho enorme, mas o amor já estava acabando. Era uma pessoa que só me usava como brinquedo, só me procurava quando precisava. Eu já tinha dado um basta na relação quando ela veio dizer que estava grávida. Fiquei contente, mas já não a amava. Depois que ela me contou o que fez, a raiva tomou conta de mim. Ela estragou meus planos e a vida que eu estava disposto a levar por causa daquela criança.
— Benício, meu amigo, às vezes é o destino. Deus escreve certo por linhas tortas.
Os dois sentaram-se na praça e continuaram a conversar. Mudaram o foco e começaram a observar as pessoas ao redor, até que Mel se aproximou. Benício perguntou:
— Oi, Mel, tudo bem? E a Selena, como vai?
— Benício, desencana. Ela está namorando, já te disse, e está superapaixonada.
— Oi, Mel, tudo bem? E a Selena, como vai?
— Benício, desencana. Ela está namorando, já te disse, e está superapaixonada.
Humberto comentou:
— É, meu amigo… Segue a sua vida. Esquece a que te magoou e esquece essa por quem você se apaixonou. Não mandamos no coração, mas, às vezes, o melhor é usar a razão para não se magoar ainda mais.
— É, meu amigo… Segue a sua vida. Esquece a que te magoou e esquece essa por quem você se apaixonou. Não mandamos no coração, mas, às vezes, o melhor é usar a razão para não se magoar ainda mais.
Benício olhou para a lua e concluiu:
— A razão… Quando se ama ou se está magoado, será que ela realmente funciona?
— A razão… Quando se ama ou se está magoado, será que ela realmente funciona?


