A injustiça social não se manifesta apenas em grandes escândalos políticos ou econômicos; ela está presente nas pequenas atitudes do dia a dia, quando alguém se recusa a assumir a responsabilidade por seus atos e ainda encontra respaldo em uma sociedade que prefere defender aparências a buscar a verdade.
Um acidente de trânsito, que deveria ser resolvido com diálogo e responsabilidade, se transforma em um pesadelo quando a pessoa envolvida evade do local, mente repetidas vezes e ainda conta com familiares que intimidam a vítima. O sofrimento não é apenas material — o carro danificado, as dívidas postergadas, os custos extras — mas também emocional, marcado por pesadelos, humilhação e medo.
O mais doloroso é perceber que quem ocupa funções sociais importantes, como trabalhar em uma escola, deveria ser exemplo de ética e respeito, mas age de forma contrária, reforçando a sensação de que vivemos em uma sociedade onde a falsidade e a defesa dos que erram prevalecem sobre a justiça.
Essa realidade expõe uma ferida coletiva: a lentidão da justiça formal e a covardia de muitos que se escondem atrás de aparências. A vítima, que apenas trabalhava para conquistar seus bens, vê-se obrigada a enfrentar não só o prejuízo financeiro, mas também a indiferença social.
A injustiça social, portanto, não é apenas a ausência de leis ou instituições, mas a falta de solidariedade e verdade entre as pessoas. Enquanto a sociedade continuar a proteger quem mente e a intimidar quem busca justiça, estaremos perpetuando um ciclo de covardia que corrói a confiança e a dignidade humana.
Assinado por Maryam Arruda — escritora, turismóloga, filantropa, jornalista, muçulmana.

