Crônica Esportiva- Há algo podre no reino do Morumbis

Há algo podre no reino do Morumbis
Luis Augusto do Carmo

O Morumbis virou palco de tragédia e circo ao mesmo tempo. Mais de 50 mil torcedores lotaram as arquibancadas, cantaram até perder a voz e acreditaram, de novo, que a camisa pesada resolveria por si só. Mas Libertadores não se vence no gogó. Não adianta tradição se a bola não entra, se a zaga falha, se o time se arrasta e, sobretudo, se a diretoria administra o clube como um botequim de esquina, onde até a cerveja quente parece mais organizada que Casares e seus pares.
O São Paulo foi eliminado pela LDU com autoridade: 2 a 0 em Quito, 1 a 0 no Morumbis. Um agregado de 3 a 0 que escancara a distância entre o Tricolor e os que realmente brigam por títulos. No Morumbis, bastou um gol de Medina, nascido de uma falha grotesca de Bobadilla, para jogar a pá de cal sobre um caixão já aberto. O roteiro é repetido: o time pressiona, perde chances, se desespera, toma um gol bobo e corre atrás da própria sombra. Nada mais previsível.
Mas a eliminação não é só culpa de Luciano desperdiçando gols feitos ou de Rigoni chutando para fora. Isso é sintoma, não doença. A doença tem nome e sobrenome: Júlio Casares e sua diretoria. São eles que montam elencos sem critério, contratam pensando em likes e repercussão, trocam de técnico como quem troca de roupa e se escondem atrás da história enquanto afundam o presente.
A torcida, cansada de ser enganada, não perdoou. Aos 29 do segundo tempo, o Morumbis tremeu com palavrões dirigidos ao presidente. Mais tarde, quando o time trocava passes burocráticos, veio o “olé” mais cruel que um torcedor pode dar: não contra o rival, mas contra o próprio time. Foi o retrato da farsa, o teatro da própria frustração, o cemitério do orgulho tricolor.
O São Paulo não caiu ontem. Caiu aos poucos, a cada erro de planejamento, a cada contrato malfeito, a cada blindagem de dirigente incapaz. O gol de Medina apenas assinou a certidão de óbito de mais uma campanha continental.
Agora, resta o Brasileirão. Mas sejamos francos: enquanto a podridão continuar nos corredores do Morumbis, enquanto o clube não trocar improviso por projeto, esperança por gestão, continuará colecionando noites como essa. A torcida sempre estará lá, fiel, mas até a fé, quando abusada, sangra e se cansa.
E quando o grito de amor se transforma em “olé” de deboche, é sinal de que a paciência acabou — e não há santo, camisa ou história que ressuscite um morto-vivo chamado diretoria.


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