E sábado, dia 15 de novembro de 2025, é feriado, e Luís está trabalhando. Sua profissão é porteiro em um prédio comercial na zona sul da cidade de Ribeirão Preto. Algumas salas estão funcionando e dentro delas há psicologia das Dra. Ilma e Dra. Ingrid.
Por volta das 14 horas chega ao prédio uma família: o pai, a madrasta, uma filha e o filho, que Luís já conhece de outras vezes, pois ele veio com a mãe. O menino, Danilo, tem um pouco de autismo, mas nada que tire a inteligência e a esperteza deste garoto, que sempre que vem conversa com Luís e já faz muito tempo que Luís não via Danilo.
Luis cumprimentou Danilo e os dois começaram com um diálogo simples.
— Tá crescendo em Danilo.
— Sim, e você tá ficando sem cabelo.
Os dois começaram a rir e foi quando a madrasta de Danilo disse:
— Danilo, venha pra cá.
Danilo pergunta:
— Mas por quê?
Luís fica meio sem saber o que está acontecendo e por que aquela mulher falou com Danilo, um garoto tão gentil daquela maneira, meio ríspida.
Danilo vai até a sua madrasta, que pede pra ele se sentar ao lado dela e faz uma pergunta que deixa Luís chateado e bravo:
— Danilo, você quer ser porteiro quando crescer?
Ele responde que não.
A mulher de olhar carrancudo, querendo se achar melhor do que qualquer outra pessoa, fala para o menino de aproximadamente 9 ou 10 anos de idade:
— Então estuda, que você vai acabar sendo porteiro.
O coração de Luís dispara; a raiva toma conta daquele rapaz de 39 anos, que já escreveu 2 livros, tem conhecimento sobre muitas coisas e está cursando o segundo ano de letras. Um homem de boa educação, culto, que não fica como ela vendo vídeos do TikTok — ele lê livros e alguns artigos na internet, sabe conversar com qualquer doutor; com ele perde alguns minutos e não fala besteiras ou futebol.
Ele respirou, sorriu, e logo a psicopedagoga Ingrid chamou Davi para a sua consulta. Luís pensou em falar besteira ou tentar se defender do marido que era pai de Davi, parecia um homem que faz tudo pela esposa, e a senhora ogra madrasta de Davi falava com ele sobre valores de cartão de crédito e viagens futuras, para que Luís e o casal que aguardava atendimento no dentista ouvisse.
Luís ficou pensando e desabafou no grupo do trabalho com seus colegas porteiros, sobre o descaso com essa profissão que controla a segurança de qualquer condomínio e precisa ser muito bem cuidada.
Rodrigo, o porteiro mais experiente, disse a Luís para não se abater por tal caso, pois pessoas que não sabem o que a vida lhes reserva acabam menosprezando a profissão do próximo sem saber o dia de amanhã; Deus sabe o que faz.
A Ariane, indignada, com uma fúria dizia que aquela mulher comia angu e arrotava peru, que o caviar que ela comia era um girino pego no córrego da cidade.
Mas a vida tem dessas coisas: valorize-se, pois ninguém sabe o que está na sua pele. Podem dizer que o seu trabalho é lixo, mas lembre-se: é o lixo do nosso trabalho que nos sustenta e sustenta nossa família.
Antes de julgar o que o outro faz, conheça a vida dele; veja se o salário dele é maior que o seu.
Respeitar as pessoas é primordial para a vida; nunca devemos desvalorizar nenhuma profissão e, assim, ajudar os profissionais a se orgulharem do que fazem.
Respeite o Porteiro
Controlar a entrada
A saída é ainda ser humilhado
Dizem que eu não faço nada
Mas nem sabem todo o meu esforço
Aturo gente chata que não gosta de mim
Em um condomínio tenho mais de quarenta
Que mandam e eu só tenho que obedecer
Mas é minha profissão, onde ganho o meu pão
Falam que eu não tenho estudo
Mas sei mais do mundo do que qualquer um
Me chamam de fofoqueiro, mas quando há problemas
Sou eu quem vocês chamam
Tentam me tirar, depois se arrependem
Do porteiro você precisa
Senhor me respeite!
Eu sou gente e também trabalho
Sou quem não deixa ninguém entrar sem ser anunciado
E eu só te peço respeito para mim e o meu pessoal
Trabalhamos com orgulho e zelo
Cuidando do lugar que é seu
Respeite o porteiro!
Johnny Ribeiro



