E a despedida, as lágrimas dos olhos que saíam, a vontade de Clara de ficar, mas era seu futuro o que ela sempre quis.
Leandro, mesmo com lágrimas nos olhos, entende que é preciso deixá-la ir; se ela voltar e o procurar, com certeza sentirá algo por ele.

E a rotina de Leandro volta ao normal: trabalha na peixaria e frequenta a escola, um pouco cabisbaixo, com saudades de Clara, mas tentando manter-se calmo e contente como sempre. No primeiro dia sem ela, logo quando ele abre a peixaria, encontra um envelope rosa escrito “Meu menino”: uma carta com poucas linhas, na verdade uma mensagem.
“Eu vou, mas meu coração fica; vou sentir sua falta. Fique bem; logo nos veremos novamente.”
Ela também deixa seu endereço no bilhete, esperando cartas dele.
O dia passa e ele fica pensando nela, fazendo seu trabalho e sorrindo algumas vezes para as pessoas que vão lá. Logo chega a hora de ir embora e ir para a aula.
Aula de português com a professora Renata. Na sala, os alunos sentam em duplas e, naquele dia, Leandro senta com Paula. Pouco se falavam, mas era preciso, pois a professora acabara de passar um trabalho em dupla.
Paula, uma menina de 17 anos, sorridente e brincalhona, se conheciam porque estudavam juntos, mas o diálogo entre os dois pouco tinha ocorrido até aquele dia, quando ela começou a conversar com ele querendo conhecer.
— Bom, Leandro, a gente quase nunca troca mais que quatro palavras. Vamos ter que fazer este trabalho juntos. Não sei o que você acha de mim, mas eu quero tirar uma ótima nota.
— Fique tranquilo: de você eu não acho nada mal. Nos conhecemos e por que não juntos fazer um ótimo trabalho.
— Exato, então vamos nos conhecer!
— Ok.
— Eu sou Paula, tenho 17 anos, sou do Sagitário, gosto de cinema, shopping e trabalho em uma contabilidade.
— Sou Leandro, tenho 16 anos, sou de Áries, gosto de escrever, futebol e trabalho na peixaria.
— Nossa, o que você escreve?
— Eu gosto de escrever poemas, poesias e fantasiar histórias.
— Um escritor?
— Não… apenas alguém que escreve.
O papo entre os dois fica leve e o trabalho começa a fluir, analisando juntos um texto e se conhecendo, alguém falando da vida ao outro. Um diálogo legal e interessante faz com que Leandro, por alguns instantes, diminua a saudade que tanto ele sentia.

Chega o intervalo. Paula vai ficar com seus amigos e Leandro com os dele; Rodrigo e André notam que Leandro está meio triste e perguntam o que aconteceu.
Leandro diz:
— Conheci uma garota; ficamos juntos estes dias, foi um furacão, mas ela se foi e não sei se significou algo.
Rodrigo, com um sorriso, diz:
— É, meu amigo: mulher é assim!
André debocha:
— Também deve ter conhecido seu lado peixeiro com esse fedor horrível.
— Mas tu não tem graça.
— Mas você é o cara das letras; o que escreve te faz apaixonar fácil, e meu amigo, não gosto de ver você triste.
Rodrigo dá uma gargalhada e diz:
— Leandro, você sabe que para qualquer coisa estamos aqui, né?
— Obrigado.
O intervalo acaba; a aula muda, mas Paula continua sentada junto de Leandro, conversando.
A professora de inglês chega, Dona Beatriz. Enquanto ela explica a matéria, Leandro começa a escrever em seu caderno; ele pensa em Clara e as palavras saem. Paula observa e pergunta:
— Quando você terminar, eu posso ler?
— Sim, pode, mas não é para rir.
— Por que você acha que vou rir?
— Sabe, a primeira vez que uma garota viu um poema meu, ela riu.
— Mas eu acho lindo poemas e como os poetas escrevem.
— Olha, eu só olho para fora o que estou sentindo agora.
— Já pensou em escrever um livro?
— Não, porque eu só escrevo porque me sinto bem.
— Hum, então você deve ter alguns escritos guardados, que nunca viram?
— Quase isso: uma pessoa recentemente viu.
— E o que ela achou?
—Ela também escreve e gostou.
Leandro deixa Paula ler seu poema, o qual ela fica encantada, e diz:
— Lindo. E a pessoa para quem você escreveu, quem é?
— Uma amiga.
— Parece um pouco mais.
— Ficamos esses dias, mas ela teve que ir embora.
— E te deixou apaixonado?
— Digamos que sim; talvez ainda fiquemos juntos de novo.
Sem prestar atenção na aula, eles conversam até o sino da escola tocar e chegar a hora de ir embora. Eles falam sobre várias coisas; nesses momentos, conversando, Paula diz a Leandro:
— Nunca imaginei que você fosse tão interessante e sensível. Até amanhã.
Eles se despedem e o celular de Leandro toca… Aquela voz do outro lado da linha diz:
— Boa noite, meu menino. Como foi seu dia!
Leandro abre um sorriso de orelha a orelha.
— Boa noite, foi um dia normal; senti muito a sua falta.
— Eu também…
— E o que fez de bom hoje?
— Organizei umas coisas, fui à aula, pensei em você, escrevi e passei vergonha.
— Nossa, por que passou envergonha?
— Ah, tipo, eu estava distante e o professor me perguntou uma coisa e eu acabei respondendo contraditoriamente à pergunta, e você gostou do meu bilhete?
— Sim, foi o que me animou hoje.
— Estou chegando no apartamento; te ligo daqui a pouco, ok?
— E eu estou indo pra casa; saindo da aula, demoro uns 10 a 15 minutos pra chegar, ok.
— Te ligo em 20 minutos.
Leandro fica contente e vai embora, esperando a ligação de Clara.
Ela liga.
— Chegou?
— Sim. Ah, você mora em um apartamento sozinha?
— Não, moro com minha tia e minha prima de 10 anos.
— Legal, pelo menos não fica sozinha aí.
— Ah, fico solitária, sabe? Minha tia tem seu trabalho, sua vida. Minha prima é criança, e eu saio às 7 da manhã e volto tarde, porque tenho meu trabalho e, para a facul, tenho que correr.
— Pensei tanto em você; sei lá, tudo foi tão rápido, apaixonante, que sei lá.
— Eu também imaginei seu sorriso, sua voz, e queria muito sentir seu cheiro.
Leandro e Clara conversam por horas; ela se mostra apaixonada em cada palavra. Por volta das 2 da manhã, eles se despedem sem saber quando vão se ver novamente.
Continua…


Legal. Quero ler mais…