Conto-Complexidade Na Adolescência Cap.2

Mariana dormia profundamente com a cara em seu diário quando sua irmã mais nova, Amanda, a acordou:
— Mari, vai para sua cama.
Ela despertou do sono meio tonta, foi para a cama e sua irmã disse:
— Você estava sonhando, sorrindo e resmungando o nome Joaquim, e logo após sorria. Com quem você sonhou?
— Sério? Eu não me lembro.
— Deve ter sido um sonho muito bom. Me conta?
— Queria lembrar para te contar, mas infelizmente não lembro.
Na realidade, ela lembrava sim do sonho, mas preferiu não contar para que sua irmã mais nova não falasse a ninguém. Deitada em sua cama, ela lembrou do sonho: era com Joaquim mesmo. Os dois ouviam música abraçados, como um casal. Ela se deu conta de que ele tinha chamado sua atenção, porém, com aquela pulga atrás da orelha que a mordia — pensando se o que ouviu das amigas seria verdade ou não —, ela fechou os olhos e adormeceu.
O dia amanheceu e ela foi para a escola encabulada ainda pela história de seu novo amigo, ou, quem sabe, um futuro namorado; era esse seu pensamento. Queria muito falar com ele, saber mais de sua vida, e também pensava: “Será que ele reparou em mim da mesma forma que eu reparei nele?”. Estes eram os pensamentos de Mariana, que nunca tinha beijado ninguém e se encantava por um jovem com estilo rock e algumas fofocas que a faziam duvidar daquele rapaz de poucas palavras, que a encantava pela sua sensibilidade.
Na escola, os dois se encontraram e Joaquim puxou conversa dizendo:
— Oi, moça que senta atrás de mim, tudo bem?
Mariana abriu um sorriso imenso, uma mistura de sentimentos descrita em um sorriso de felicidade e contentamento:
— Bom dia, moço que senta na minha frente. Estou bem, e você?
— Ah, na mesma, mas feliz por te ver.
— Que bom, eu também estou feliz por ver você.
Eles foram caminhando até a sala de aula, sentaram-se e começaram a conversar. Mariana falou sobre ela, sua família e seus objetivos futuros, enquanto Joaquim ouvia e sempre sorria, fazendo um comentário, até que a aula começou.
Era aula de Português e a professora começou a falar sobre poetas brasileiros. Naquela aula, ela começou a falar sobre Mario Quintana e sua simplicidade nos versos, uma aula de que Joaquim gostou bastante. Mariana reparou o entusiasmo daquele garoto quieto e até mesmo pensou que era por causa da professora, que era jovem, loira e de olhos claros. Mas, na realidade, era porque ele era apenas um jovem poeta que escrevia versos com uma simplicidade semelhante à de Mario Quintana. Quando a aula acabou, Mariana perguntou:
— Gostou da aula ou dos olhos claros da professora?
Joaquim, com um olhar perdido no que ela disse, respondeu:
— A professora tem olhos claros?
— Você não reparou?
— Não. Eu gosto de Mario Quintana, dos seus poemas, que são parecidos com os meus pela simplicidade e verdade.
— Você escreve poemas?
— Alguns. Essa é minha forma de desabafar.
— Interessante…
— Achou que eu era um revoltado, foi?
— Não é isso. Seu gosto musical, por exemplo… Você é roqueiro, achei que, fora aquela banda de que me falou ontem, você gostasse de uma coisa mais punk.
— Tem algumas bandas punk que são legais, mas eu gosto muito do rock nacional, de letras de músicas que são poesias, e também do estilo MPB.
— É, as aparências enganam.
— Nunca julgue um livro pela capa.
— Me desculpe!
— Relaxa, não me ofendi.
E chegou a hora do intervalo. Mariana foi ficar com suas amigas, enquanto Joaquim ficou sozinho novamente. Ela sentou-se com as meninas e, mais à frente, ele estava solitário, lendo um livro. Enquanto isso, suas amigas falavam para ela se afastar, dizendo que ele era problema.

Patrícia disse:

— Mari, não fique conversando com ele. Se eu fosse você, pedia para a professora de Geografia te trocar de dupla.
Desta vez, Mariana foi em defesa de Joaquim e disse:
— Por quê? Eu não vejo nada de errado com ele. Pelo contrário, ele é uma ótima pessoa para se conversar. Pelo menos nesses dois dias ele conversou comigo e vi uma coisa que nenhum desses garotos tem.
Tamires disse:
— Já sei o que ele tem de diferente: aquele All Star azul.
Todas as meninas começaram a gargalhar, e Poliana fez um comentário:
— Deve ser as drogas que ele deve usar.
Mariana se enfureceu com os comentários das amigas e falou:
— Meninas, olhem os garotos em volta. Os bonitos, os feios e as tribos que temos aqui… Alguém está lendo algum livro?
Tamires, dando risada, falou:
— Deve ser uma revista em quadrinhos.
Patrícia, difamando mais uma vez Joaquim, complementou:
— Ah, com aquele entusiasmo, deve ser quadrinhos eróticos.
Mariana, já irritada, disse:
— Gente, por que o preconceito com ele? Por que vocês não tentam conhecer e ver quem ele é de verdade?
Joana, que só escutava, sendo a mais quieta de todas, soltou uma para acabar com o assunto:
— Conheçam a história do Joaquim antes de ficar deduzindo quem ele é.
Com arrogância, Patrícia perguntou a Joana:
— Você conhece?
— Não, mas não fico falando coisas que eu não sei, assim como vocês.
Tamires falou:
— Mas você não se lembra do que ele fez com o Lucas no ano passado?
— Lembro sim, mas você conhece toda a história e o porquê?
— No, mas sei que aquela professora de Matemática ficou do lado dele.
— Sim, a dona Raimunda. E todos nós sabemos que ela talvez seja a professora mais rígida que tivemos. Então, esta história tem duas versões, não só a que o Lucas espalhou por toda a escola, ou pela turminha que queria pegar ele durante um tempo.
Mariana escutou o que as amigas falavam e, ao mesmo tempo, pensou que queria saber dessa história, e também se ele usava drogas, assim como Patrícia dizia.
O intervalo acabou e todos foram para a sala de aula. Elas chegaram à sala e Joaquim já estava em seu lugar, continuando sua leitura. Mariana viu o que ele estava lendo e deu um sorriso, pois era um romance chamado “O amor que me deu”, de um escritor que ela não conhecia, chamado Johnny Ribeiro. Ela se sentou e cutucou Joaquim:
— E aí, como foi seu intervalo?
— Normal. Estou lendo este livro, muito interessante.
— Ah, eu vi a capa. É um romance?
— Sim, e de um escritor aqui da cidade. Por acaso, ele estudou nesta escola.
— Nossa, que interessante! Depois você me empresta?
— Claro. E como foi o seu intervalo?
— Ah… Ouvindo fofocas das meninas, somente. Me responde: por que você fica sempre só?
— Sabe, digamos assim… Talvez eu não me encaixe, e também não quero me encaixar.
— Não quer fazer amigos?
— Na realidade, eu tinha amigos, mas hoje prefiro me isolar.
— Então não quer ser meu amigo?
— Você é diferente.
— Hum, por quê?
— Outro dia eu te falo.
— Por que esse mistério?
Após esta pergunta, Joaquim desconversou e a aula começou.

 

Não perca o próximo capítulo e saiba mais sobre quem é o Joaquim. Aguardem!                                                                                                                                                                             

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