Dia do Advogado por Johnny Ribeiro
O Dia do Advogado é comemorado no Brasil no dia 11 de agosto, mas você sabe o porquê? Essa data foi criada pelo então imperador do Brasil, Dom Pedro I. No dia 11 de agosto de 1827, ele assinou a lei que criou os dois primeiros cursos de Ciências Jurídicas e Sociais do país. As primeiras faculdades de direito ficaram localizadas em Olinda (PE), instalada no Mosteiro de São Bento, e em São Paulo (SP), a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. A unidade de Olinda foi posteriormente transferida para Recife.
Antes, não havia faculdades de direito no Brasil. Quem quisesse ser advogado precisava viajar para Portugal e estudar na Faculdade de Coimbra. Isso era extremamente caro e limitava o acesso à profissão apenas aos filhos de famílias muito ricas.
Hoje, as faculdades no Brasil são bem abrangentes. Não existem apenas ricos estudando direito; temos pessoas de classes sociais variadas e com o propósito de sempre defenderem seus clientes acima de qualquer coisa. Os advogados ganharam o título de “Doutor” por meio do Decreto Imperial de 11 de agosto de 1827, promulgado por Dom Pedro I. Este decreto criou os primeiros cursos de ciências jurídicas no Brasil e determinou que os formados recebessem o título de bacharel ou doutor.
Podemos dizer que o advogado é um negociante, um vendedor com diploma que honra o que estudou e tem o propósito de defender seu cliente acima de tudo. Na minha opinião, é uma das profissões mais lindas do mundo.
Quem é advogado vive entre o céu e o inferno, passando por nuances intermediárias, estudando casos e procurando brechas na justiça, pois nenhuma justiça é completamente certa. A apuração dos fatos e a forma como eles são ditos pelos advogados é o que vale para um juiz.
A minha pergunta, como uma pessoa praticamente leiga no que é ser advogado, é: como será que eles se sentem ao defender um serial killer ou um estuprador sabendo que abusaram de pessoas indefesas? Será que eles conseguem dormir?
Deus que entenda os advogados. É uma profissão belíssima, mas, como todos precisamos ganhar o pão de cada dia e sustentar nossas famílias, eles têm que aceitar casos difíceis. Em algumas situações, são casos que vão contra a índole com a qual foram criados, mas necessários para se sustentarem no mercado de trabalho e provarem que são capazes de defender, com unhas e dentes, qualquer pessoa que venha a contratá-los.
Advogados merecem aplausos por conseguirem transformar culpados em inocentes por isso mesmo a justiça é cega.
“Esta poesia não se encaixa na literatura!”-por Rose Giar
Há algum tempo, me disseram isso em um grupo de WhatsApp. Ainda bem que conheço um pouco de escrita e sei que a poesia erótica é, sim, um subgênero literário. Tantos grandes poetas de incrível talento colocavam o erotismo e a sensualidade em suas escritas. Bons exemplos são Hilda Hilst, Gilka Machado e Olga Savary — mulheres que quebraram tabus, sendo vozes fortes e falando de erotismo em épocas nas quais eram rotuladas como imorais, histéricas e desprovidas de intelecto por uma sociedade que não entendia as vontades do corpo feminino, questionando-as, criticando-as e achando vulgaridade expressar seus desejos.
Carlos Drummond de Andrade, Gregório de Matos, Olavo Bilac e Manuel Bandeira: quem nunca os leu não sabe o que é literatura. Eles escreveram sobre o erotismo juntamente com o brilhantismo de cada um, deixando expostos desejos e vontades do corpo. E ver uma poetisa, surgida na pandemia após ficar sem poder sair, criticando minha escrita… é o fim da picada e o reflexo da falta de conhecimento. Isso foi uma das coisas que mais me magoaram.
Queria ver se ela se encontrasse com a Pietra Blanco ou, quem sabe, com o Cavaleiro do Amor, mestres do erotismo que não só escrevem poemas e poesias com esse tema, mas também nos fascinam com entusiasmo em seus contos picantes, que nos envolvem do começo ao fim. Prefiro não citar o nome do grupo e sim apenas mostrar a arte da poesia erótica em um poema que Pietra Blanco escreveu.
Deixando uma coisa bem clara a todos os poetas e escritores: escrevam com a alma e o coração. Sintam toda a emoção de criar um verso, seja ele erótico ou de qualquer outro tipo.
Beijo da Sedução.
Quero teus beijos ardentes
Daqueles que levam ao céu
Que fazem ranger os dentes
E lambuzam os lábios de mel.
Os que acendem põem fogo
E o corpo em chama, inflama
Eu entro nesse sedutor jogo
Acabo que te levo pra cama.
Em delírio, suave ânsia louca
Tiro suavemente tua roupa
Com fome devoro tua boca
Gemes, e tua voz fica rouca.
No calor de meus abraços
Vejo teu tímido sorriso
Entre meus braços te enlaço
E levo-te ao meu paraíso.
Autoria: Pietra Blanco
Entrevista com o Poeta- por Rose Giar
Com grande honra entrevistamos um poeta brasileiro residente na Bélgica Conheçam Paulo Faria.
Rose Giar: Nome completo, algum heterônimo que queira relatar?
Paulo Faria: Sou Paulo Renato de Faria, uso heterônimos apenas em concursos literários, melhor não os citar para evitar problemas na avaliação daqueles em que participo neste momento.
Rose Giar: Quem seria o poeta Paulo Faria?
Paulo Faria: Hum, sou um poeta de Campinas-SP, do interior, da simplicidade, que ama café, apaixonado por viajar e conhecer novas culturas. Hoje resido na Bélgica, porém, todo meu trabalho em literatura é voltado à cultura brasileira, suas origens, expressões culturais diversas na literatura, música, teatro, cinema.
Minha obra transita entre meditações, sentimentos e memórias. A poesia que desenvolvo explora temas como identidade, migração, pertencimento e a experiência humana, com uma escrita sensível e reflexiva. Mantenho forte vínculo com a tradição literária brasileira, com objetivo de promover o diálogo cultural por meio de sua produção poética e musical.
Rose Giar: Qual sua formação escolar e qual seu trabalho?
Paulo Faria: Hahaha, sou formado cientista da computação pela Unicamp. Trabalho com desenvolvimento de sistemas há mais de 20 anos. A arte foi a forma que encontrei para sair do mundo tão exato, tecnológico e trazer cor, alegria e sensações para as situações pelas quais eu passo como imigrante, como viajante e como ser humano.
Rose Giar: Quando a poesia entrou na tua vida?
Paulo Faria: Desde muito cedo, recordo-me que meu pai escreveu e ganhou um concurso de poesia em Campinas. Então, desde muito pequeno, eu já gostava de escrever versos e brincar com rimas, jogo de palavras.
Rose Giar: Quantos anos você tinha quando começou a escrever?
Paulo Faria: Digamos uns 6 ou 7 anos, mas comecei a fazer poemas mais refinados com 14/15 anos. Porém, minha escrita normalmente vem em ciclos, tive uma outra fase de bastante produção entre 28 e 30. E hoje diria que é a terceira ou quarta onda poética com 42 anos. O interessante é notar como a nossa vivência muda, como as leituras nos influenciam, como as viagens e obras que vemos nos modificam. Há progressos e retrocessos sempre, caminhos que trilhamos e percebemos que não eram os melhores, mas gosto de manter os textos como os originais, são fotos daquilo que vivi, do que senti e me faz bem recordá-los. Claro, que há poemas que já alterei e isso também é interessante, manter versões de poesias em diferentes fases da vida.
Rose Giar: Quais são suas principais preocupações como escritor?
Paulo Faria: Hoje preocupo-me em criar uma voz própria e original. Após muitos anos, começo a perceber o padrão. Claro, que existem rupturas, porém consigo enxergar uma linha poética e filosófica naquilo que proponho em meus textos. É preciso cuidar da profundidade e da conexão genuína com o leitor, de quais referências podem trazer um conteúdo prazeroso aos novos leitores.
Uma terceira ideia em meus poemas mais recentes é manter um ritmo, uma coerência narrativa, apesar de poesia, alguns poemas mais longos devem manter sua coesão, e em especial trazer novas possibilidades. Explorei temas como poemas visuais, poemas dois cantos: um masculino, outro feminino. É sempre uma surpresa, e é isso que me motiva a escrever, trazer um conteúdo criativo, bem-humorado e às vezes crítico à sociedade em que vivemos.
Acho que a grande vantagem de estar mais velho é ser menos preocupado com críticas externas, e mesmo insegurança do que vão pensar. Algumas vezes, escrevo apenas por escrever e para exprimir as dores e alegrias, não é que ignore os leitores, mas é a genuína expressão de um sentimento, pode ser valioso para alguns, mas não o objetivo em si em alguns escritos.
Rose Giar: Quais livros que você leu, que marcou ou te influenciou?
Paulo Faria: Para escrever é preciso ler muitos livros. Com certeza o expoente primeiro é Machado de Assis: Memórias Póstumas de Brás Cubas. Clarice Lispector exerceu grande influência em meus contos, em especial, A Paixão segundo G.H. Em Guimarães Rosa, li tanto Manuelzão e Miguilim, como Grande Sertão Veredas e foram pilares importante para meu desenvolvimento como autor. Amo imensamente o livro A Pedra do Reino de Ariano Suassuna, é uma preciosidade da nossa cultura, da nossa criatividade e forma de lidar com as adversidades da vida. Porém é muito mais vasto e difícil mencionar todos: João Ubaldo, Lygia Fagundes Telles, Cyro dos Anjos. Queria conhecer mais sobre Milton Hatoum, está na lista para leitura e aprofundamento da Amazônica e do Norte do Brasi.
Para os estrangeiros, li muito autores em especial ingleses, recomendo muito grupos de discussão de livros, cresci muito com isso. Li Oscar Wilde, James Joyce, Robert Louis Stevenson, Virgínia Wolf, Eugene Ionesco, Honoré de Balzac entre outros. Dois autores argentinos que me marcaram muito foram Júlio Cortázar (e seu Animalia) e Jorge Luís Borges (El Aleph). Um autor mexicano que gosto, chama-se Carlos Fuentes (La cabeza de la hidra).
Dos poetas creio que minha primeira referência é Cruz e Souza e seu simbolismo, depois eu li um tanto de Bilac e parnasianismo. Li Lusíadas também (foi literalmente épico hahaha). Outra grande presença é Carlos Drummond e seus recortes precisos e modernos. Vinícius de Moraes foi uma leitura mais presente na adolescência. Porém, durante a vida encontrei Manoel Bandeira, Ferreira Gullar, Arnaldo Antunes, Paulo Leminski, João Cabral de Melo Neto e Hilda Hilst. Mais recentemente me interessei por Jorge de Lima e tenho lido Invenção de Orfeu quando o tempo permite.
Rose Giar: Cite um autor ou escritor que te inspira, porque?
Paulo Faria: Bom, já citei vários. Se fosse escolher um hoje eu citaria Cruz e Sousa. Sua história é de superação, seu texto é maravilhoso. Suas condições para exercer sua arte eram dificílimas e a qualidade é sublime. Espero que todos possam descobrir seu livro Broquéis.
Rose Giar: Qual seu estilo poético preferido?
Paulo Faria: No início e no primeiro livro eu era muito ligado ao Classicismo e seu soneto clássico decassílabo. Hoje desenvolvo muito mais uma poesia em verso livre e moderna. Como influência estética eu uso muito de simbolismo e romantismo, com ligações ao concretismo e pós-modernismo.
Rose Giar: Qual a importância da Literatura na Arte para você?
Paulo Faria: A Literatura em minha visão é um pilar da Arte. Ela apoia o cinema, ela inspira os escultores, pintores e artistas plásticos. Ela fornece o potencial para as músicas, para a narrativa do teatro. O texto é extremamente importante para nossa imaginação, acho uma ferramenta valiosíssima para todos os seres humanos e para guardar nossos sentimentos, emoções, traços culturais.
Rose Giar: O que você acha do uso da Inteligência Artificial (IA) em textos, poemas, letras de músicas?
Paulo Faria: Eu acredito na evolução de tudo. Os poetas foram expostos com o tinteiro, com as canetas esferográficas, máquinas de escrever, com calculadoras, com automóveis, celulares, internet. É um processo de entender os novos meios e conversar com eles. Eu literalmente uso para corrigir pontuações e mesmo como um revisor crítico de meus textos. Ele aponta melhorias que seguramente me levaria um bom tempo para obter de outras pessoas. Porém, é entender o limite ético e não esquecer que para ter ideias é preciso leitura, referências, experiências. Usar a IA sem sentir, sem ter uma inspiração, é como navegar na internet sem um rumo, há muita informação, há muita oportunidade e há preciosidades, porém, sem um bom mapa (livros), sem bons guias (suas referências artísticas) e sem suas experiências (outras jornadas, viagens, experiências) ficará difícil produzir algo de qualidade, e ficaremos em texto muito rasos ou muito similares. Acho que nossa capacidade de romper com paradigmas a melhor resposta à IA, temos muito dentro de nós e nem percebemos. O medo é normal frente ao novo, mas é preciso manter distância e tentar aproveitar o que fizer sentido em sua produção artística, no final, o grande problema é virar um total dependente da IA para escrever qualquer texto, isso já demonstra um limite a considerar.
Rose Giar: Quais são suas esperanças e desesperanças com respeito a literatura brasileira no geral?
Paulo Faria: No contexto mais atual, minha esperança é ver o surgimento de autores diversos, indígenas, negros, periféricos, LGBTQIA+. Há nomes excelentes Conceição Evaristo, Djamila Ribeiro, só para exemplificar. Acho uma mudança de paradigma e traz uma diversidade para leitores e um desafio para os escritores. A renovação das editoras como a de vocês, com espaços independentes e de pequeno porte também me renovam, pois tem menos o viés apenas comercial e apostam em projetos inovadores e diferenciados. A exposição em redes sociais também trouxe curiosidade sobre o Brasil e seus autores, há mais autores sendo traduzidos, lidos e reconhecidos ao redor do mundo.
Acho que no contexto global, minha maior desesperança é a crise de leitura mais profunda, que dure mais de 15 minutos. A importância desse espaço de reflexão mais longo, denso, meditado, que permite sonhar e imaginar reinos e possibilidades. Poesia e romances se fazem nesse espaço, e infelizmente é preciso lutar contra o excesso de tela em especial para um consumo de informações rápidas. O eletrônico ainda permite leituras densas, por isso, defendo mesclar textos curtos, divertidos com um hábito de leitura mais longo e pausado. Infelizmente, mas acho que isso já vez desde épocas imemoriais é que autores não conseguem viver apenas da venda de livros, desde Lima Barreto.
Rose Giar: Qual o papel das mulheres na literatura? Você acha que elas são e foram importantes para a literatura?
Paulo Faria: Claramente as mulheres são uma voz crucial na literatura, seja para a diversidade de gênero, seja para diversidade de temas, de sentimentos e mesmo de foco ao abordarem poemas, contos, romances. Claro, a dificuldade para elas é imensa, muito maiores que para mim, desde as irmãs Bronte, que infelizmente já tinham de escrever em pseudônimos masculinos. Felizmente, autoras como Lygia Fagundes, Cecilia Meireles, Margaret Atwood, Alice Munro, Olga Tokarczuk, Annie Ernaux e Han Kang mostram que elas têm um talento extraordinário e precisam de espaço e apoio para seus trabalhos.
Rose Giar: Você participa de alguma Academia Literária?
Paulo Faria: Não participo de academia literária, sou um poeta amador e independente. Gosto pela liberdade que me traz. Contudo, converso com grupos no Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro e também no Nordeste com o Umbuzerina. Acho o contato com músicos do samba, choro, forró, maracatu extremamente profícuo. Como disse, ainda gostaria de mais contatos no Centro-Oeste e Norte do Brasil, admito que não tenho tantas influências exceto ler Cora Coralina, mas o ideal era um diálogo com autores atuais também.
Rose Giar: Você acha que as mídias sociais e plataformas ajudam na divulgação do trabalho do escritor? Conte-nos sua experiência.
Paulo Faria: As mídias sociais ajudam muito, em especial para autores independentes como eu. O Umbuzerina publicou um poema meu no Instagram recentemente. A Proust Magazine publicou um poema e em breve publicará mais 3 ou 4 poemas. O grupo de vocês de Poesias e Cartas 3 publicará mais poesias e já tem uma no blog. E ainda tem um grupo publicando meus poemas no Kindle junto com poetas de Angola e Moçambique, um projeto chamado A Linguagem do Abismo e outro Asas que Escrevem em Silêncio. Resumindo, se não fosse esses espaços, todos meus poemas estariam sem uma plataforma para divulgação. Logo, sou extremamente grato aos espaços, aos grupos de discussão e espero que surjam a cada dia mais lugares que canalizem novas publicações.
Rose Giar: Você tem um horário ou lugar para a criação de seus poemas?
Paulo Faria: Não, a inspiração para uma poesia vem a qualquer momento. Normalmente ao acordar, porém já meu aconteceu caminhando, em um transporte público, em uma roda de amigos(as). O que normalmente faço é anotar em um papel ou bloco de notas do celular a ideia principal, seja um verso ou tema. E retomo isso ou no mesmo dia, ou mesma semana. Há poemas que levo mais tempo refinando, até um mês. Mas em geral, o processo dura 1 ou 2 semanas.
Rose Giar: O que “ir alto na literatura” significa para você hoje? É o reconhecimento da crítica, o alcance de público ou é o sucesso como escritor?
Paulo Faria: Ir alto na literatura é ser lido e receber reconhecimento dos leitores, seja pela música que toca alguém, seja pelo poema que remete a uma emoção similar para outra pessoa. Naturalmente, se isso atingir um público maior eu ficaria extremamente feliz, e mesmo se alguma crítica reconhecer o trabalho de um autor amador como de qualidade e feito com muita dedicação e leituras variadas. Já tem sido muito gratificante ouvir de pessoas, inclusive de outras nacionalidades de que o texto é bem escrito, que toca em temas sensíveis. Isso já tem um valor inestimável para mim. Muitas vezes me pego em lágrimas de emoção, hahaha. Sim, poetas são sensíveis.
Rose Giar: Você tem livros editados?
Paulo Faria: Tenho publicado um livro de poemas e contos (diria da terceira onda) chamado Om Saraswati Namaha no Kindle. Um dos textos nesse livro chamado “Racionalmente guiados pelo medo” foi premiado pelo Jornal Extra em Alagoas com uma menção honrosa (é totalmente inspirado em Clarice Lispector). Os temas do livro são diversos, só resolvi artisticamente que os títulos de cada sessão seriam referências ao hinduísmo porque me inspirei muito na yoga durante o processo de criação, pois me trazia muita tranquilidade. Saí também em uma publicação em homenagem a João Ubaldo na Bahia, com o poema Mestres.
No momento trabalho em um novo livro chamado “Interiores Exteriorizados” ainda sem previsão de lançamento.
Rose Giar: Deixe um conselho para quem está começando a escrever?
Paulo Faria: Leia, leia, leia muito. Viva, viva, viva intensamente. Dance, converse com muita gente de diversos lugares, aprecie pontos de vista diferentes. Acho que mesmo nesse tempo político acirrado que vivemos – e isso me preocupa muito, no mundo inteiro – aprender a dialogar é a maior lição que escrever nos ensina. Cada autor tem algo dentro de si, todos podem e devem escrever suas histórias, suas vivências, biografias, diários, poemas. É deixar fluir. Há pessoas que irão gostar, outras que irão odiar e discordar, mas o ideal é isso, encontrar um espaço, e em especial, espero que haja sempre respeito e espaço ao diverso e ao democrático.
Rose Giar: Deixe seus perfis em redes sociais para que possam te #seguir
Paulo Faria: No Instagram e Youtube é o mesmo @paulorfbr. No TikTok @paulofaria1983.
No Youtube e TikTok há músicas que fiz com IA, mas os poemas são todos meus.
No Spotify estou com o projeto P. Faria Versos (nome artístico) em que exponho algumas canções.
Através do Caleidoscópio por Carlos Lopes
Psicólogo pra quê?
Outro dia ouvi uma frase que já escutei tantas vezes que ela quase virou bordão nacional: “Eu não vou no psicólogo porque eu não sou louco.”
Confesso que, dependendo do dia, eu rio. Não por achar graça da frase, mas porque ela revela muito sobre nós. Revela o quanto aprendemos a cuidar do carro antes da pane, do dente antes da dor, da pressão antes do infarto… mas deixamos a mente para depois. Sempre para depois.
O brasileiro tem o hábito curioso de esperar a vida desabar para pedir ajuda. Aguenta um casamento ruim até o silêncio virar parede. Aguenta um trabalho tóxico até o corpo adoecer. Aguenta ansiedade até chamar de “cansaço”. Aguenta tristeza até virar isolamento. Aguenta tudo. Parece que sofrer virou medalha de resistência.
E aí, quando alguém sugere procurar um psicólogo, vem a piada pronta: “Vai fazer o quê? Perguntar da minha infância?” “Psicólogo não dá conselho.” “Vou pagar alguém pra me ouvir reclamar?” “Isso é falta de Deus.” “Isso é frescura.” “Isso passa.”
Às vezes passa. Mas às vezes fica.
Fica no corpo em forma de gastrite, insônia, dores sem explicação. Fica no coração em forma de raiva acumulada. Fica na mente em forma de ansiedade, medo, desânimo, irritação e solidão. Tem gente que sorri em público e desmorona no banho. Tem gente que trabalha, cuida da casa, posta foto feliz e, mesmo assim, sente um vazio enorme por dentro.
E sabe o que é mais triste? É que muita gente só procura ajuda quando já não consegue mais respirar emocionalmente.
Mas psicólogo não existe apenas para apagar incêndio. Psicólogo também ajuda a evitar que a casa pegue fogo.
A psicologia não é um lugar para “malucos”. É um espaço para seres humanos. E ser humano é complicado. A gente sente ciúme, medo, culpa, insegurança. A gente perde pessoas, perde sonhos, perde a vontade às vezes. Tem dias em que nem sabemos explicar o que estamos sentindo.
O psicólogo não entra na vida de alguém para dizer o que ela deve fazer. Isso é outro grande engano. Psicólogo não é dono da verdade, guru espiritual ou mágico da felicidade. Ele não entrega uma fórmula pronta para viver. O trabalho da psicologia é ajudar a pessoa a enxergar aquilo que, sozinha, muitas vezes ela não consegue perceber.
É como limpar um vidro embaçado da alma.
Tem gente que procura um psicólogo porque está em depressão. Outros porque sofrem com ansiedade. Alguns porque estão vivendo um luto. Outros porque o casamento está acabando. Há quem procure porque o filho mudou de comportamento. Porque não consegue dizer “não”. Porque vive relacionamentos abusivos. Porque sente medo de tudo. Porque não consegue dormir. Porque se cobra demais. Porque sente que nunca é suficiente.
E também existe quem procure simplesmente porque quer se conhecer melhor.
Sim, isso também é motivo.
A psicologia ajuda crianças, adolescentes, adultos e idosos. Ajuda atletas a lidarem com pressão e desempenho. Ajuda estudantes em momentos de prova e escolha profissional. Ajuda empresas a compreenderem pessoas. Ajuda famílias a dialogarem melhor. Ajuda dependentes químicos, vítimas de violência, pessoas em sofrimento emocional e até quem aparentemente “tem tudo” mas perdeu o sentido da vida.
Porque dor emocional não escolhe classe social, religião ou idade.
Tem empresário milionário em crise. Tem adolescente bonito se odiando no espelho. Tem mãe forte chorando escondida. Tem homem que nunca aprendeu a falar sobre sentimentos. Tem idoso convivendo com a solidão como se fosse companheira de quarto.
E há algo que quase ninguém fala: muitas vezes, o sofrimento cresce justamente porque a pessoa tentou resolver tudo sozinha.
Vivemos numa época em que todo mundo cuida da imagem, mas pouca gente cuida da mente. O celular descarrega e a gente corre para carregar. Mas e quando a alma descarrega? Quantas pessoas continuam vivendo no automático, fingindo força enquanto desabam por dentro?
A verdade é que acompanhamento psicológico deveria ser tão natural quanto fazer exames de rotina.
Não existe uma regra fixa sobre frequência. Algumas pessoas fazem terapia semanalmente. Outras quinzenalmente. Algumas procuram apoio em momentos específicos da vida. O importante é entender que saúde mental também é prevenção.
Você não precisa esperar uma crise para procurar ajuda.
Aliás, muitas crises poderiam ser menores se fossem acolhidas no começo.
Talvez a maior dificuldade seja admitir vulnerabilidade. Ainda existe quem ache que pedir ajuda é sinal de fraqueza. Mas eu penso justamente o contrário. Coragem não é carregar o mundo nas costas até quebrar. Coragem é reconhecer que sozinho nem sempre damos conta.
E não, psicólogo não “coloca ideias” na cabeça de ninguém. Psicólogo ajuda a organizar pensamentos que já estavam bagunçados.
Também não é verdade que psicólogo serve apenas para ouvir. Escutar já é algo poderoso num mundo onde quase ninguém escuta ninguém de verdade. Mas a psicologia vai além. Existe técnica, estudo, ciência, preparo, ética e experiência.
Por trás de uma sessão existe um profissional preparado para compreender emoções, comportamentos, traumas, relações humanas e formas saudáveis de enfrentamento.
Talvez você esteja lendo esta crônica e pensando: “Mas minha vida nem está tão ruim assim.”
Que bom. Então talvez seja exatamente o melhor momento para cuidar dela.
Porque saúde mental não é luxo. É necessidade.
Assim como cuidamos do corpo para viver mais, precisamos cuidar da mente para viver melhor.
Esta crônica talvez pareça uma carta aberta. E de certa forma é. Uma conversa sincera com quem vive adiando a própria saúde emocional. Com quem aprendeu a engolir sentimentos. Com quem transforma sofrimento em piada para não precisar falar sobre ele.
Psicólogo pra quê?
Pra ajudar você a entender a si mesmo. Pra acolher sua dor sem julgamento. Pra fortalecer sua mente. Pra melhorar seus relacionamentos. Pra ensinar caminhos emocionais mais saudáveis. Pra ajudar nos momentos difíceis. E também nos momentos simples, antes que eles se tornem difíceis demais.
No fim das contas, procurar ajuda psicológica não significa que você enlouqueceu. Significa apenas que você é humano.
Carlos J. F. Lopes, psicólogo, escritor, integra
A Associação Cultural dos escritores de Passos
e Região. Autor dos livros “Caminhos Versados,
uma jornada poética” e “Anônimos”.
ENTRE ESTUDANTES por Renato Lannes Chagas
Sou, claro, uma pessoa comum; sou e sempre serei um curioso. Quanto às letras, serei eternamente um aprendiz. Contudo, como é difícil observar que a leitura não é
uma matéria na grade curricular das escolas, ou o quanto ela passa ao largo da vida dos estudantes!
Por outro lado, nos últimos dias, precisamente alguns fatos raros ocorreram. Ao emprestar um livro de Astronomia para a professora de Ciências, um dos alunos comentou que havia gostado da obra. Em meio à atividade quase ininterrupta que faz com que a leitura e a escrita pareçam atos insanos — especialmente para os que ficam organizando livros coletivos, escrevendo matérias e fazendo entrevistas para revistas literárias —, o interesse pelos livros tem o “poder” de ficar armazenado em algum departamento próprio do caos cerebral.
Passadas algumas semanas, esse livro foi devolvido pela citada professora. Oferecido a um outro estudante que gosta de desenhar, acabou retornando com a lombada avariada (mas colada o melhor possível). Ofereci-o, então, a outra leitora, daquelas com um interesse raro pela leitura, mas foi recusado. Primeiro veio aquele sentimento de frustração, para logo depois lembrar-me daquele início de música que está sempre lá, mas que ao mesmo tempo fica “esquecida”: o menino interessado por Astronomia era de outra turma!
Livro levado para a outra sala, qual não foi a surpresa deste escritor/leitor ao ver o sorriso do garoto diante da obra. Isto foi ontem. Hoje, o mesmo menino fez questão de vir correndo me informar sobre a leitura que já estava realizando, querendo saber por quanto tempo poderia ficar com o livro. É um fato quase tão raro quanto chover no deserto.
E hoje ainda ocorreu outro…
— “Tio Renato, li uma poesia sua e gostei.”
Isto é quase como ligar a sirene de um caminhão de bombeiros! Pena que a leitora não lembrou o nome do poema; disse apenas que achou a poesia no Google. Uma leitura assim, espontânea, é quase tão surreal quanto alguém aparecer com um copo de água e gelo neste mesmo deserto hipotético.
A leitura, volto a afirmar, deveria estar no dia a dia escolar. Nunca ouvi falar de alguém que estude em qualquer curso pós-escola sem ler, ou sem adquirir os conhecimentos que só são possíveis por meio da leitura — e leitura daquelas do tipo: ler ou ler. Não há opção de escolha. O gosto e o prazer de ler deveriam fazer parte do contexto escolar para que as pessoas aprendessem que o processo de ser, algum dia, aquilo que desejam no mercado formal passa pelo estudo e pelas leituras realizadas ao longo de anos e mais anos. Não apenas a leitura voltada para o prazer e o entretenimento.
Em homenagem aos fatos ocorridos com relação ao livro de Astronomia, escrevi a poesia que vai abaixo.
Grande
É certo que tamanho quase nunca é documento.
Não é possível medir o tamanho de um coração,
Nem a imensidão da disposição
De um menino que faz tanta questão
De vir falar sobre um livro.
Apesar de não ter o poder
De fazer mais do que oferecer,
Sempre dá gosto de ver
Quando alguém para para ler.
Poder usar “paras”
É algo que me agrada,
Tanto quanto ver a leitura aproveitada
Por este grande menino
Que, se Deus permitir, terá um belo caminho.
Grande!
Alto como os astros!
Para o grande Daniel, deixo registrado
Um forte abraço!
Mesmo que com os dragões eu tenha me enrolado,
O gosto pela Astronomia torna ínfimo esse fato!
Itaboraí, 12 de agosto de 2026.
Renato Lannes Chagas
Homenagem aos pais
“Para homenagear o Dia dos Pais, duas grandes poetisas e escritoras amigas, de extremo talento, prestaram homenagens com poemas e crônicas. Leiam e comentem.”
No segundo domingo de agosto, comemoramos o Dia dos Pais no Brasil, sendo criado em 1953 pelo publicitário Sylvio Bhering.
Embora a data, inicialmente, tivesse apenas fins comerciais, ao longo dos anos, instituições educacionais, religiosas , dentre outras, vieram reforçando a merecida homenagem àqueles que assumem a missão de gerar e cuidar de outro ser, considerando tarefas que envolvem responsabilidade, afeição, zelo, empatia e, principalmente, amor. Não é a toa que essa dádiva faz analogia ao amor e cuidado que Deus, como nosso pai maior, dá-nos o privilégio de sermos chamados de filhos.
É importante estreitar os laços familiares e afetivos através de gestos , palavras e atitudes que representem não apenas a lembrança de um único dia, mas a consideração de toda uma vida que deve-se priorizar sentimentos de amor e respeito mútuo.
Vale ressaltar que o maior presente é ser presente. E essa presença, por vezes , nem sempre é possibilitada pela forma física, mas o mundo virtual está aí para nos aproximar em apenas um “clic”.
Sendo assim, os filhos que ainda têm seus pais no plano terreno, não podem perder a oportunidade de fazer uma ligação, enviar uma mensagem, escrever uma carta, fazer uma surpresa presencial,enfim, existem muitas formas de dizer: “Eu amo você , papai! “.
Quanto aos pais, sejam recíprocos e sintam-se valorizados, porque ser pai é carregar as alegrias e dores, as pedras e flores que deixarão marcas preciosas e significativas em suas histórias de vida.
Feliz Dia dos Pais!

PAI DUREPOX por Rita Cruz
A figura de um pai, na maioria das vezes, está associada à imagem de um herói. Há uma convenção social que faz com que a maioria das crianças reconheça nele uma aptidão quase inata: a de saber tudo, consertar tudo, ter resposta para tudo e aguentar tudo…
E tudo isso sem sequer ser solicitado. Pois, além de saber e consertar tudo, pai também parece ter o dom de adivinhar o que se passa na cabeça de um filho, reconhecer, de longe, os perigos e perceber as necessidades daqueles que ama.
Quando eu era criança, para mim, meu pai era exatamente um desses personagens. Eu o enxergava como um super-herói. Porém, ao invés de uma capa, ele usava… Durepox!
Isso mesmo: meu pai é um super-herói cuja capa é um Durepox.
Desde que me conheço por gente, meu pai conserta tudo. Mas tudo mesmo! E, para ele, quase tudo pode ser resolvido com um pouco de Durepox.
Ele arrumou um brinquedo quebrado quando eu era pequena. Cresci vendo-o colar utensílios domésticos, pé de mesa, pé de cama, asa de xícara, caneca de água e, pasmem, até vasilha de plástico.
Para ele, nada estava perdido. Se quebrou, ele dava um jeito. Se soltou, ele colava. Se rachou, lá estava o Durepox!
Certa vez, ele ganhou um jogo de jantar novinho. Era lindo, impecável, daqueles que a gente tem até dó de usar.
Até que uma das peças sofreu um pequeno acidente e ficou com uma pequena parte quebrada. Pequena mesmo.
Mas meu pai, fiel à sua vocação de super-herói, não poderia simplesmente aceitar aquela perda.
Pegou o Durepox e foi consertar.
O problema é que, dessa vez, o conserto ficou pior do que o quebrado!
A peça, que tinha apenas uma pequena imperfeição, ganhou uma cicatriz enorme.
E eu me lembro disso com carinho porque, de certa maneira, aquele episódio representa muito da vida.
Às vezes, a gente também tenta consertar as coisas.
Tenta remendar relações, recuperar sonhos, juntar pedaços, apagar marcas, voltar ao que era antes.
E nem sempre conseguimos.
Às vezes, o nosso conserto deixa a marca ainda mais evidente.
Mas talvez exista uma beleza nisso.
Porque a vida não exige que tudo volte a ser como antes.
Algumas coisas quebram.
Algumas pessoas nos ferem.
Alguns sonhos se partem.
E algumas cicatrizes permanecem.
Mas isso não significa que tudo perdeu o seu valor.
Talvez o verdadeiro conserto não seja apagar a marca, mas aprender a conviver com ela.
Certo dia, eu estava triste e alguém me perguntou:
— Quem te magoou e quebrou seu coração?
Naquele momento, senti uma certa esperança e pensei comigo mesma:
“Meu pai conserta tudo.”
E, por alguns instantes, acreditei que ele também pudesse consertar um coração partido. Afinal, se ele conseguia devolver a vida a tantos objetos quebrados, por que não poderia dar um jeito também nas dores da filha?
Hoje eu sei que há coisas que nem mesmo o Durepox consegue consertar.
Talvez seja isso que significa ser pai: ter respostas, apontar caminhos e, de algum modo, tentar consertar o mundo para que o filho possa viver nele com mais leveza, proteção e segurança.
E, principalmente, é nos fazer acreditar que, mesmo quando alguma coisa se quebra, ainda existe uma maneira de seguir em frente.
Porque pai também é isso: aquele que, mesmo sem ter todas as respostas, faz a gente acreditar que tudo vai ficar bem.
Cada pai, um herói.
Cada herói, a capa que lhe convém.
E o meu?
O meu usa Durepox.
Rita Cruz
Primeira Infância: Onde o Futuro Começa
Fortalecer o Futuro
Inocência,
Brincar, sorrir, correr,
Imaginar,
Ser um super-herói
E, com seus poderes,
Salvar o mundo.
Ser criança
De olhos brilhantes,
Transparecer a esperança
E nos trazer aprendizado,
O ensinamento que precisamos ter.
Aprender nunca é demais.
E enquanto olho uma criança
E vejo os olhos brilharem,
Sinto a esperança e a vontade de sempre continuar,
Mesmo que o caminho seja difícil e escuro
E os obstáculos, pontudos.
São aqueles olhos brilhantes que me inspiram,
É aquele sorriso a minha esperança,
É a força que eu nem sabia que tinha.
O meu futuro hoje é cultivar
Um amanhã para que todas as
crianças possam florescer em sabedoria e amor.
Johnny Ribeiro
Dia Do Folclore- por Johnny Ribeiro
O folclore brasileiro é o conjunto de manifestações culturais que formam a identidade popular do Brasil, resultado da mistura das tradições indígenas, africanas e europeias. Celebrado oficialmente no Dia do Folclore (22 de agosto), ele vai muito além das famosas lendas, abrangendo festas, danças, músicas, culinária e superstições que variam de acordo com cada região do país.
Conto: O pequeno heroi da lua cheia
— Papai, não se preocupe, eu já sei como nos salvar.
— Mas nos salvar de quê? — perguntou Leandro.
— Uai, papai, deste lobo mau que quer derrubar a nossa casa com um assopro! Mas nossa casa é de tijolos, vamos jogar água fervendo nele.
— Filho, vamos pegar as nossas armas de água e as benzer. Pode não ser só um lobo mau, e sim um lobisomem, pois é noite de lua cheia.
— Mas, papai, como se benze água?
— Deus Todo-Poderoso, pela sua glória e graça, nos ajude a enfrentar o perigo. Que possamos, com esta água, tirar o espírito ruim deste homem transformado em lobisomem.
— Filho, só saia quando eu mandar.
— Mamãe, fique aqui que vou salvar o meu pai!
— Papai, eu vou te salvar!
— Não mexam com os meus meninos!
— Será que eu sonhei ou espantei mesmo um lobisomem?
Dia dos povos indigenas e sua realidade- Por Daya Ribeiro
Dia Da fotografia
Eis um momento
Não um momento
Não um pensamento
Não um argumento
Não um passatempo
Não algo que jamais poderá ser criado
Eis que surge pelo inexplicável
Pelo inexorável
Pelo inalcançável
Que é quando a beleza
De uma sigela delicadeza
Faz tudo parar
E você em pensamento pede
Aquilo que sabe ser tão ridículo
Pueril
Infantil
Que só Deus mesmo para atender
“Espere para eu registrar e poder este momento congelar”
E ela “espera”
Logo após a imagem
Sem aviso
Sem pressa
Vai
Como se nunca tivesse estado
E fica o momento guardado
A beleza que é obra não do acaso
Presente, colorida
Que aquece logo o início do dia
E quase grita: vida!
Viva!
Renato Lannes Chagas
O Dia Nacional das Artes no Brasil é comemorado em 12 de agosto. A data homenageia a criação cultural do país e valoriza profissionais da dança, teatro, música, circo, cinema, literatura e artes visuais, além de marcar a regulamentação das profissões artísticas.
- A data surgiu com base nas leis de 1978 que organizaram o trabalho de artistas e técnicos de espetáculos no Brasil.
- Órgãos federais como a Fundação Nacional de Artes (Funarte) usam a data para promover editais e incentivos à cultura.
- Escolas e centros culturais realizam oficinas e mostras para debater o impacto social da cultura.
A ARTE DA MORTE
Nasci.
E naquele instante
alguma coisa morreu.
Morreu o silêncio
que me protegia antes do primeiro choro,
morreu o ventre que era meu universo,
morreu a ausência de nome,
e nasceu em mim
a obrigação de existir.
Ainda bebê,
matei o medo
quando dei meu primeiro passo.
Tropecei,
caí,
chorei…
e levantei.
Foi minha primeira vítima.
Depois assassinei minha infância
com a crueldade inocente
do primeiro beijo.
Naquele instante,
morreu o menino
que acreditava que amor
era apenas brincar de esconder.
Adolescente,
suicidei minha curiosidade
quando descobri que algumas perguntas
não tinham respostas prontas.
E matei também
a ingenuidade,
quando descobri que nem todo sorriso
é amizade
e nem todo abraço
é abrigo.
Entrei na escola
e atropelei minha ignorância.
Cada livro aberto
era um pequeno funeral.
Cada palavra aprendida
enterrava uma versão anterior de mim.
Depois veio o primeiro emprego.
E eu atirei na preguiça.
Não morreu de imediato.
Ainda tentou sobreviver
nas manhãs de segunda-feira,
nos despertadores ignorados,
nas desculpas inventadas.
Mas morreu.
Ou pelo menos
aprendi a escondê-la.
Então conheci a responsabilidade.
E ela matou minha liberdade.
Ou aquilo que eu chamava de liberdade.
Vieram as contas,
os boletos,
os compromissos,
o relógio correndo atrás de mim
como um cobrador impaciente.
Casei.
E naquele dia
matei o homem que só pensava em si.
Nasceu o marido.
Depois nasceram os filhos.
E eu assassinei o egoísmo
com minhas próprias mãos.
Nunca mais dormi
da mesma maneira.
Nunca mais amei
da mesma maneira.
Nunca mais fui apenas eu.
Quando perdi alguém que amava,
morreu em mim
a ilusão da eternidade.
Foi uma morte silenciosa.
Sem velório.
Sem flores.
Sem ninguém perceber.
Com o tempo,
matei algumas amizades
por falta de tempo.
Outras,
por excesso de orgulho.
Algumas morreram sozinhas,
sem que nenhum de nós
tivesse coragem de admitir
que já não existiam.
Também enterrei sonhos.
Alguns por medo.
Outros por necessidade.
Alguns porque descobri, tarde demais,
que não eram meus.
E matei certezas.
Ah, quantas certezas matei!
Aquela de que eu sabia tudo.
Aquela de que conhecia as pessoas.
Aquela de que o mundo
era justo.
Aquela de que amanhã
estaria sempre esperando por mim.
A velhice chegou devagar.
Primeiro levou alguns cabelos.
Depois levou alguns nomes
da memória.
Levou a velocidade dos passos.
Levou amigos.
Levou parentes.
Levou versões minhas
que eu nem sabia
que ainda estavam vivas.
Foi então que compreendi:
viver
é aprender a morrer
sem deixar de nascer.
A cada fase,
uma morte.
A cada despedida,
um nascimento.
Somos cemitérios ambulantes
carregando dentro do peito
as pessoas que já fomos.
O menino morreu.
O adolescente morreu.
O jovem morreu.
O homem que queria conquistar o mundo
também morreu.
E aquele que acreditava
que tinha todas as respostas
foi enterrado sem cerimônia.
Mas alguma coisa sempre nascia
sobre cada sepultura.
Até que um dia…
não houve mais nascimento.
Não houve metáfora.
Não houve transformação.
Não houve uma nova versão de mim
esperando para aparecer.
A morte chegou.
Dessa vez,
não matou minha infância,
nem minha curiosidade,
nem minha ignorância,
nem minha preguiça,
nem meu egoísmo,
nem meus sonhos,
nem minhas certezas.
Dessa vez,
ela não levou uma parte de mim
para que outra pudesse nascer.
Dessa vez,
ela levou tudo.
E talvez tenha sido essa
a única morte verdadeira.
Porque todas as outras
foram apenas ensaios.
Pequenas mortes necessárias
para que eu pudesse continuar vivo.
Até que, finalmente,
deixei de morrer aos poucos
e morri de uma só vez.
E então compreendi:
a vida inteira
eu não estava caminhando
em direção à morte.
Eu estava caminhando
através dela.
Morrendo um pouco
a cada vez que me transformava,
até que restasse apenas
a última versão de mim.
A definitiva.
Aquela que, pela primeira vez,
não precisava morrer
para que outra nascesse.
Carlos Lopes, 10/03/2026
Homenagem a Jorge Amado por Rose Giar
Jorge Amado: 114 Anos de Imortalidade Literária
Se estivesse entre nós, Jorge Amado completaria 114 anos no dia 10 de agosto. Contudo, os grandes escritores jamais partem por completo; permanecem vivos em suas palavras, em seus personagens e nas histórias que atravessam gerações.
Nascido na Bahia, Jorge Amado transformou a cultura brasileira em literatura universal. Com sensibilidade e talento incomparáveis, retratou o povo simples, os costumes, as lutas, os amores e as riquezas de um Brasil vibrante e cheio de identidade. Suas obras revelam a alma brasileira, marcada pela diversidade, pela alegria e pela resistência.
Personagens inesquecíveis como Gabriela, Dona Flor, Tieta e tantos outros continuam encantando leitores ao redor do mundo, mantendo acesa a chama de seu legado. Seus livros ultrapassaram fronteiras, foram traduzidos para diversos idiomas e contribuíram para levar a literatura brasileira aos mais distantes cantos do planeta.
Neste aniversário de 114 anos de seu nascimento, rendemos homenagem a esse mestre das letras, cuja obra permanece atual e inspiradora. Jorge Amado nos ensinou que a literatura é um espelho da vida e que as histórias do povo merecem ser contadas com verdade, humanidade e paixão.
Que sua memória continue viva nas páginas de seus livros e no coração de todos aqueles que encontram, em sua escrita, um retrato autêntico do Brasil.
Jorge Amado: eterno em sua obra, imortal em nossa cultura e membro imortal da Academia de Letras.
Rose Giar
Astrologia e Cia por Jaciline Arruda (Maryam)
🌙 Agosto de 2026: Entre eclipses e renovações
Agosto de 2026 chega carregado de intensidade cósmica. O céu nos presenteia com dois eclipses marcantes e uma sequência de fases lunares que convidam ao desapego, à reinvenção e à cura emocional. É um mês em que o tempo parece se dobrar sobre si mesmo, revelando portais de transformação.
✨ O poder dos eclipses
No dia 12 de agosto, às 14h36 (hora de Brasília), a Lua Nova em Leão coincide com um Eclipse Solar Total. Esse evento astral é um chamado para o protagonismo: assumir quem somos, brilhar sem medo e dar início a novos ciclos de coragem e autenticidade. Já em 28 de agosto, às 01h18, a Lua Cheia em Peixes traz um Eclipse Lunar Parcial, que fecha o mês com energia de liberação espiritual. É o momento de deixar ir mágoas antigas e abrir espaço para a compaixão.
🌌 O Portal de Leão
Entre 26 de julho e 12 de agosto, o céu abre o chamado Portal de Leão, um alinhamento energético entre o Sol em Leão, a Terra e a estrela Sírius. O ápice ocorre em 08/08 (8/8), considerado um dia de abertura espiritual e manifestação. Em 2026, esse portal ganha força extra por acontecer dentro da janela do Eclipse Solar em Leão, potencializando temas de coragem, autenticidade e expansão espiritual.
É um período para:
Reconhecer talentos e assumir protagonismo.
Manifestar sonhos com clareza e confiança.
Expandir a consciência através da conexão espiritual com Sírius.
Renovar ciclos e abrir-se para novos caminhos.
🌙 As fases lunares
5 de agosto, 23h21 – Lua Minguante em Touro: desapego de hábitos e rotinas pesadas.
12 de agosto, 14h36 – Lua Nova em Leão (Eclipse Solar): recomeço vibrante e cheio de confiança.
19 de agosto, 23h46 – Lua Crescente em Escorpião: intensificação emocional e transformações internas.
28 de agosto, 01h18 – Lua Cheia em Peixes (Eclipse Lunar): encerramento espiritual e cura profunda.
🔮 Trânsitos astrológicos
6 de agosto – Vênus em Libra favorece harmonia nos relacionamentos.
9 de agosto – Mercúrio em Leão traz comunicação confiante e criativa.
11 de agosto – Marte em Câncer desperta ações guiadas pela emoção.
22 de agosto – Sol em Virgem reforça foco e organização.
25 de agosto – Mercúrio em Virgem fortalece raciocínio prático e decisões claras.
🌟 Energia do mês
Agosto é um portal de transformação. O céu nos pede coragem para nos reinventarmos, confiança para assumir nosso brilho e serenidade para curar feridas emocionais. Entre o fogo leonino e a fluidez pisciana, o convite é claro: ser inteiro, ser verdadeiro e se permitir renascer.
Por Jacilene Arruda (Maryam)
📚 Escritora | 🌍 Turismóloga | ✨ Especialista em culturas e espiritualidade
Autora de O Poder Mágico da Gratidão, Uni-Verso Poético e Não beba das águas de quem finge matar a sua sede



















Parabéns por mais uma bela edição. Parabéns para todos os colegas participantes!!!
Apenas retifico aqui que na entrevista do nobre colega Paulo Renato, o projeto literário chamado Palavras Sem Fronteiras e as obras em que o mesmo já participou são A Linguagem do Abismo e Asas que Escrevem em Silêncio, sou o idealizador e coordenador deste projeto que tem realizado estas pontes entre a nossa cultura e a cultura africana dos países falantes da língua portuguesa.
Mais uma vez gratidão por fazer parte desta bela publicação!!!!
obrigado pela sua colaboração e vamos continuar a fazer arte sempre.
Primeiro parabéns aos autores e artistas que abrilhantaram nessa edição. Adorei o conteúdo.
Sucesso sempre. ❤️
A equipe agradece o seu comentário.
Parabéns Renato Lannes. E este piema do Carlos Lopes é sensacional ♥️