Dr. Love – Amigos: escolher ou ser escolhido por quem vira família

Bom dia, meus queridos ouvintes! Aqui quem fala é o Dr. Love, o único especialista que receita abraço sem receita, café sem contraindicação e conversa boa sem cobrar consulta.

Hoje é Dia do Amigo.

E antes que você pegue o celular para marcar cinquenta pessoas naquela corrente de “amizade eterna”, responda para si mesmo: quantos desses nomes atenderiam o telefone às três da manhã?
É… o silêncio também responde.
Vivemos a era dos cinco mil seguidores e dos três amigos de verdade. Quando muito.
Amigo é uma palavra pequena para uma responsabilidade enorme.
É curioso como passamos anos aprendendo matemática, química e português, mas ninguém ensina a matéria mais difícil de todas: manter pessoas na nossa vida.
Porque amizade não nasce pronta. Ela é cultivada.
É igual planta.
Se você rega, cresce.
Se esquece, seca.
Se pisa em cima… depois não adianta reclamar que morreu.
Existe amigo para rir.
Existe amigo para chorar.
Existe amigo para dividir pizza.
E existe aquele amigo tão íntimo que divide até boletos emocionais.
E convenhamos…
Todo mundo quer ter um amigo fiel.
Pouca gente quer ser um.
A amizade verdadeira tem uma característica curiosa: ela sobrevive ao tempo, mas não sobrevive ao descaso.
Há quem ache que amizade é mandar um “parabéns” automático no aniversário.
Não é.
É perceber que o outro anda estranho antes mesmo que ele diga uma palavra.
É lembrar da entrevista de emprego.
Da consulta médica.
Da prova.
Da saudade.
É aparecer sem interesse.
Aliás…
Quando o interesse entra pela porta, a amizade costuma sair pela janela.
Tem gente que só lembra do amigo quando precisa de carona.
Ou de dinheiro.
Ou de indicação.
Ou de alguém para ouvir a novela da própria vida.
Curiosamente, quando o amigo precisa falar, a bateria acaba.
O sinal cai.
O mundo fica ocupado.
Engraçado, não?
Outra coisa…
Amigo não é aquele que concorda com tudo.
Esse é plateia.
Amigo de verdade discorda.
Puxa a orelha.
Confronta.
Impede você de fazer uma grande besteira.
Quem ama não passa a mão na cabeça.
Estende a mão.
Existe uma diferença enorme.
Também existe um tipo perigoso de amizade.
A competitiva.
Aquela que sorri quando você chega…
…mas sofre quando você vence.
Cuidado.
Nem todo aplauso vem de quem torce por você.
Algumas pessoas batem palmas apenas para medir a altura da sua queda.
E falando em queda…
Quantos amigos você perdeu por orgulho?
Por esperar que o outro mandasse mensagem primeiro?
Por causa de uma interpretação malfeita?
Às vezes dois adultos deixam uma amizade morrer porque nenhum dos dois quis escrever apenas três palavras:
“Como você está?”
O ego é um péssimo jardineiro.
Ele cultiva solidão.
E já que estamos falando de cultivar…
Quer conservar um amigo?
Aprenda uma arte raríssima hoje em dia:
Ouvir.
Ouvir sem interromper.
Sem transformar a história do outro na sua.
Sem competir para ver quem sofreu mais.
Às vezes alguém não precisa de conselho.
Precisa apenas de um colo em forma de silêncio.
Outra dica do Dr. Love.
Celebre as conquistas dos seus amigos.
Sem inveja.
Sem comparação.
O sucesso deles não diminui o seu.
A luz da vela do outro nunca apagou a chama da sua.
Agora vem uma pergunta difícil.
Você é o tipo de amigo que gostaria de ter?
Porque é fácil reclamar que ninguém procura.
Difícil é lembrar da última vez que você procurou alguém.
É fácil dizer que o mundo anda frio.
Difícil é oferecer um abraço.
É fácil dizer que ninguém escuta.
Difícil é guardar o celular enquanto alguém fala.
Toda amizade precisa de quatro vitaminas.
Tempo.
Respeito.
Lealdade.
E bom humor.
Porque amizade sem risada vira reunião de condomínio.
E ninguém merece.
Ah…
E não economize elogios.
A gente aprende cedo a criticar.
Mas esquece de agradecer.
Diga ao seu amigo que ele faz diferença.
Enquanto ele pode ouvir.
Flores no velório não substituem palavras em vida.
E se algum amigo decepcionou você…
Lembre-se de que amigos não são personagens perfeitos.
São pessoas.
Erram.
Vacilam.
Perdem o rumo.
Assim como você.
Perdoar não significa aceitar qualquer coisa.
Significa decidir que algumas pessoas valem mais do que alguns erros.
E para terminar…
Talvez amizade seja o único investimento cujo lucro nunca cabe na carteira.
Cabe no coração.
Nos domingos difíceis.
Nas risadas sem motivo.
Nos cafés demorados.
Nas lembranças que o tempo não consegue envelhecer.
Então hoje…
Não publique apenas uma homenagem bonita.
Seja uma homenagem bonita.
Ligue.
Visite.
Escute.
Peça perdão.
Agradeça.
Abrace.
Porque um amigo não precisa de grandes demonstrações.
Precisa de pequenas presenças.
Eu sou o Dr. Love e deixo uma última receita para este Dia do Amigo:
Colecione menos contatos.
Cultive mais pessoas.
Até o próximo programa… e cuide bem daqueles que sabem a sua história inteira e, mesmo assim, decidiram continuar ao seu lado.

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