Seus olhos eram negros como o cair da noite e dentro deles havia um universo. Seu sorriso brilhava e me mostrava uma constante alegria — ou seria apenas um disfarce para os problemas que ela guardava?
Eu sempre penso naquele dia, quando ela, sem saber, me tirou do abismo de uma vida que um jovem achava ser a correta. Pelo simples fato de não se interessar por mim na época, ela me fez mudar. Como a gente não manda no coração, fiquei por anos pensando naquela moça vaidosa de cabelos e olhos negros. Deus faz as coisas completamente certas; às vezes achamos que Ele está errando, mas, na verdade, está nos preparando para o que vem pela frente.
E Ele me preparou para ficar com ela.
Sexta-feira, ano de 2004. Lá estava eu, Benício, um jovem de 18 anos. Era mês de outubro, primavera, em um final de tarde de horário de verão, quando a lua acordava mais tarde. Imagine o que um jovem dessa idade faria em uma sexta-feira: indo encontrar os amigos, como de costume, na casa pintada de cor salmão, em frente à praça que tinha aquele coreto onde o pessoal tocava violão e cantava.
Foi no início da noite que a Mel veio e me apresentou aquela que transformaria toda a minha vida.
Eram olhos negros e intensos que pareciam conter um universo; olhos da cor de jabuticabas, mas tão brilhantes que despertavam em mim sensações que eu nunca havia sentido. Um sorriso carismático, puro e magnífico; mãos delicadas com unhas bem-feitas no estilo francesinha; um pezinho tamanho 36 em um sapato de salto médio. Ela tinha uma beleza natural vista em poucas mulheres. Usava uma camisa cor-de-rosa de formandos do terceiro ano do ensino médio e uma calça social preta.
Com sua pele morena bem clara e cabelos negros e lisos, ela me encantou. Nunca acreditei em amor à primeira vista — na realidade, nem sabia que isso existia —, mas, naquele momento, meu coração disparou. Pela primeira vez, senti borboletas no estômago que mais pareciam águias dando rasantes em um rio.
Mel me apresentou àquela garota de 16 anos. Seu nome era Selena. Ela usava um perfume adocicado e, quando me cumprimentou com um beijo no rosto e ouvi a sua voz pela primeira vez, senti minhas mãos gelarem, sem saber o que dizer.
— Oi, eu sou a Selena, tudo bem?
Eu, meio gaguejando, respondi:
— Prazer… sou o Benício.
Trocamos poucas palavras e, quando ela fez menção de ir embora, eu a convidei:
— Selena, gostaria de sair com a gente?
Sorrindo, ela respondeu:
— Bem que eu gostaria, mas tenho horário para chegar em casa hoje. Minha mãe vai até brigar comigo porque não fui à aula.
— Tudo bem, quem sabe em uma próxima vez.
— Oi, eu sou a Selena, tudo bem?
Eu, meio gaguejando, respondi:
— Prazer… sou o Benício.
Trocamos poucas palavras e, quando ela fez menção de ir embora, eu a convidei:
— Selena, gostaria de sair com a gente?
Sorrindo, ela respondeu:
— Bem que eu gostaria, mas tenho horário para chegar em casa hoje. Minha mãe vai até brigar comigo porque não fui à aula.
— Tudo bem, quem sabe em uma próxima vez.
Foi amor à primeira vista. Aquela garota ficou na minha mente e eu percebi que estava apaixonado.
Naquela época, eu levava uma vida meio torta. Não tinha conseguido terminar o colégio, tendo desistido poucos meses antes de o ano acabar. Além disso, mantinha um relacionamento com alguém que me tratava como um objeto. Eu vivia um caso intenso com Cléo, uma mulher cinco anos mais velha. Eu era o brinquedo dela: quem ela queria, quando queria e na hora em que estivesse disponível. Ela me fazia de gato e sapato, e eu sempre aceitava porque o sexo era bom e, nessa parte, combinávamos bem. Tínhamos diálogo, mas aquela situação me deixava desconfortável; muitas palavras que ela dizia não combinavam com o nosso jeito de nos amar.
O tempo passou e eu sempre perguntava para a Mel como a Selena estava. Quando perguntei novamente, em uma de nossas conversas, a Mel me questionou:
— Ficou a fim dela?
— Ah, não digo apenas “a fim”, mas sim apaixonado.
— Mas você nem a conhece!
— Você acredita em amor à primeira vista?
Mel deu uma gargalhada e disse:
— Isso não existe. Pelo menos, eu acho que não.
— Eu a quero. Não como uma garota que irei beijar hoje e amanhã nem lembrarei o nome, mas como alguém que quero que esteja comigo para sempre. Eu fantasia até em me casar com ela.
— Pense assim: o destino a Deus pertence, quem sabe um dia? Pois, no momento, é impossível. Ela disse que está namorando.
Fiquei cabisbaixo e pensativo. Sorri e mudei o tom:
— Eu ainda vou me casar com ela.
— Ficou a fim dela?
— Ah, não digo apenas “a fim”, mas sim apaixonado.
— Mas você nem a conhece!
— Você acredita em amor à primeira vista?
Mel deu uma gargalhada e disse:
— Isso não existe. Pelo menos, eu acho que não.
— Eu a quero. Não como uma garota que irei beijar hoje e amanhã nem lembrarei o nome, mas como alguém que quero que esteja comigo para sempre. Eu fantasia até em me casar com ela.
— Pense assim: o destino a Deus pertence, quem sabe um dia? Pois, no momento, é impossível. Ela disse que está namorando.
Fiquei cabisbaixo e pensativo. Sorri e mudei o tom:
— Eu ainda vou me casar com ela.
Na cabeça da Mel, talvez Selena e eu nunca mais nos encontraríamos. Mas o futuro se escreve a cada dia em que se vive o presente e, na minha concepção, tudo é uma questão de tempo.
Autor Johnny Ribeiro



Encantador e poético. 👏👏👏👏
Boa história. Quando virá a continuação?
👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻
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Maravilhosa intenso parabéns pela obra.
obrigado
Muito lindo