Mariana pensa em Joaquim. Lembra dos beijos, de como foi sua semana e das coisas que ele lhe revelou, confiando totalmente nela, além da saudade que já sentia. Ouvia Legião Urbana e, sozinha em seu quarto, olhava seu diário. Ao ler as coisas que escreveu sobre ele, via-se completamente apaixonada. Queria falar com ele, saber o que fazia. Ligou algumas vezes, mas nada de ele atender. O fim de semana passou e logo veio a segunda-feira. Arrumou-se pela manhã, perfumou-se para ele e chegou um pouco mais cedo na escola. Esperava por Joaquim, mas a hora da entrada chegou e nada dele. Foi a última a entrar no colégio; mesmo assim, ficou até o portão fechar por completo, esperando que ele aparecesse. Pensou sozinha: “Onde ele está? Será que aconteceu alguma coisa?”.
No intervalo, tentou ligar sem resposta. A ansiedade tomava conta dela quando Patrícia lhe disse:
— Eu vi os beijos na sexta-feira. Como hoje ele não veio, deve ter sido preso.
Com fúria nos olhos, Mariana respondeu:
— Eu acho é que você está com inveja, né? Por que fala tanto mal dele? Isso deve ser amor incubado ou platônico.
— Daquele merda? Nunca, querida! — rebateu Patrícia.
— Então tente conhecê-lo ao invés de ficar espalhando coisas que não sabe se são verdade ou não. Falar dos outros é fácil, difícil é saber a vida que levam realmente e tentar entender.
— Cada um sabe o que quer. Se você o quer, não diga que nunca fui sua amiga. Onde ele deve estar agora, você sabe?
— Não sei, mas o que ele passa não é normal para ele.
— Eu vi os beijos na sexta-feira. Como hoje ele não veio, deve ter sido preso.
Com fúria nos olhos, Mariana respondeu:
— Eu acho é que você está com inveja, né? Por que fala tanto mal dele? Isso deve ser amor incubado ou platônico.
— Daquele merda? Nunca, querida! — rebateu Patrícia.
— Então tente conhecê-lo ao invés de ficar espalhando coisas que não sabe se são verdade ou não. Falar dos outros é fácil, difícil é saber a vida que levam realmente e tentar entender.
— Cada um sabe o que quer. Se você o quer, não diga que nunca fui sua amiga. Onde ele deve estar agora, você sabe?
— Não sei, mas o que ele passa não é normal para ele.
O sinal do final do intervalo tocou e, assim que Mariana chegou à sala de aula, Joaquim ligou para ela, chorando:
— Oi, desculpe não ter atendido você. Minha mãe faleceu na sexta-feira à noite.
A menina se desesperou e, querendo ajudar de todo modo o seu amado, disse:
— Onde você está? Estou indo aí ficar com você.
Joaquim respondeu:
— Não precisa vir, já a enterramos. Agora preciso ficar com meus irmãos.
— Mas vocês estão sozinhos?
— Não, estamos com uma tia, mas não sei o que vai acontecer.
— Mas eu preciso te ver, saber como você está.
— Oi, desculpe não ter atendido você. Minha mãe faleceu na sexta-feira à noite.
A menina se desesperou e, querendo ajudar de todo modo o seu amado, disse:
— Onde você está? Estou indo aí ficar com você.
Joaquim respondeu:
— Não precisa vir, já a enterramos. Agora preciso ficar com meus irmãos.
— Mas vocês estão sozinhos?
— Não, estamos com uma tia, mas não sei o que vai acontecer.
— Mas eu preciso te ver, saber como você está.
A professora chamou Mariana para entrar na sala e pediu para desligar o aparelho. Joaquim escutou e disse:
— Vai para a sala, é o melhor. Quando eu estiver melhor, eu te ligo e conversamos mais.
— Vai para a sala, é o melhor. Quando eu estiver melhor, eu te ligo e conversamos mais.
Ela se despediu dele e entrou na sala com lágrimas nos olhos. Imaginava a dor que ele devia estar sentindo, pensando que o mundo dele havia desabado e que agora ele estava perdido, talvez sem forças. Pensava em como seria o dia de amanhã e em como ele cuidaria dos irmãos se ele mesmo precisava de alguém que cuidasse dele. Sentada em sua mesa, praticamente chorando, escutou as fofocas de Patrícia:
— Olha lá, ela chorando. O merdinha do Joaquim já deve ter terminado com ela, mas é uma besta mesmo.
Mariana respirou fundo. Pensou em falar algo, mas imaginou que não adiantaria: “Deixa o tempo dizer. Se ela se acha perfeita, não posso fazer nada”.
— Olha lá, ela chorando. O merdinha do Joaquim já deve ter terminado com ela, mas é uma besta mesmo.
Mariana respirou fundo. Pensou em falar algo, mas imaginou que não adiantaria: “Deixa o tempo dizer. Se ela se acha perfeita, não posso fazer nada”.
A aula acabou e Mariana seguiu seu caminho com o semblante triste e preocupado. Ao chegar ao ponto de ônibus, Joaquim apareceu. Com os olhos vermelhos e a tristeza estampada no olhar, eles se abraçaram apertado. Ele disse:
— Precisava te ver. Desculpe por não ter atendido você, é que a tristeza é tanta que às vezes pegar o celular é custoso.
— Tudo bem, eu entendo. Mas não faz essas coisas, eu quero estar com você.
— Precisava te ver. Desculpe por não ter atendido você, é que a tristeza é tanta que às vezes pegar o celular é custoso.
— Tudo bem, eu entendo. Mas não faz essas coisas, eu quero estar com você.
Joaquim chorou. As lágrimas escorriam de sua face com muita rapidez; ele estava desesperado, desolado e sem saber o que fazer. Um menino que acabava de perder sua referência como ser humano. Mariana perguntou:
— E agora, como vai ser?
— Não sei. Meus irmãos estão com minha tia. Meu pai disse que vai cuidar da gente, mas minha mãe sempre nos afastou de tudo o que ele era e, por várias vezes, nos pedia perdão por ter nos dado um pai como ele. Eu nem sei como sustentá-los, como pagar as contas, já que trabalho meio período e ganho muito pouco.
— Mas tem alguém que se dispôs a ajudar vocês?
— Minha mãe pediu para minha tia cuidar de nós, mas o problema é que ela não mora aqui na cidade.
— Então você vai embora?
— Não sei!
— E agora, como vai ser?
— Não sei. Meus irmãos estão com minha tia. Meu pai disse que vai cuidar da gente, mas minha mãe sempre nos afastou de tudo o que ele era e, por várias vezes, nos pedia perdão por ter nos dado um pai como ele. Eu nem sei como sustentá-los, como pagar as contas, já que trabalho meio período e ganho muito pouco.
— Mas tem alguém que se dispôs a ajudar vocês?
— Minha mãe pediu para minha tia cuidar de nós, mas o problema é que ela não mora aqui na cidade.
— Então você vai embora?
— Não sei!
Mariana o consolou e disse:
— Sua mãe estava sofrendo… Quem sabe não foi o melhor ela ter ido morar com Deus?
— Com certeza ela descansou. Lutou até o último suspiro, ensinou-me a ser uma boa pessoa e a não me importar com o que os outros diziam de mim. Na nossa última conversa, disse que gostou de você, que era para eu nunca abandonar meus irmãos porque eles vão precisar de mim, e que ela já sabia que eu era uma boa pessoa.
— Sua mãe estava sofrendo… Quem sabe não foi o melhor ela ter ido morar com Deus?
— Com certeza ela descansou. Lutou até o último suspiro, ensinou-me a ser uma boa pessoa e a não me importar com o que os outros diziam de mim. Na nossa última conversa, disse que gostou de você, que era para eu nunca abandonar meus irmãos porque eles vão precisar de mim, e que ela já sabia que eu era uma boa pessoa.
Mariana enxugou as lágrimas de Joaquim, beijou-o e disse:
— Tudo tem um propósito na vida. Vai dar tudo certo, meu amor. Confie em Deus.
— Eu confio e sei que Ele nunca nos dá um fardo que não podemos carregar. Mas, se eu ficar com minha tia, vou ter que ir embora, e isso eu não queria agora. Você apareceu na minha vida e penso em você todo dia, desde o primeiro momento.
— Tudo tem um propósito na vida. Vai dar tudo certo, meu amor. Confie em Deus.
— Eu confio e sei que Ele nunca nos dá um fardo que não podemos carregar. Mas, se eu ficar com minha tia, vou ter que ir embora, e isso eu não queria agora. Você apareceu na minha vida e penso em você todo dia, desde o primeiro momento.
Não perca o próximo capítulo e descubra o que vai acontecer com a vida de Joaquim daqui para frente!

