Revista Poesias e Cartas-Julho de 2026

Através do Calendóscopio por Carlos Lopes

“No giro de hoje, quando a alma pede socorro: Um outro ponto de vista”
Há um costume antigo que precisamos desaprender. O de olhar para uma pessoa dependente química e enxergar apenas a substância que ela consome. Como se toda uma existência pudesse ser resumida a um cigarro, uma garrafa, um comprimido ou um pó. Como se uma vida inteira pudesse caber dentro de um diagnóstico.
O caleidoscópio, esse brinquedo que transforma pequenos fragmentos em desenhos sempre diferentes, ensina uma lição silenciosa: a beleza ou a confusão da imagem dependem do ângulo pelo qual olhamos. Talvez seja exatamente isso que nos falte quando falamos sobre dependência química. Mudar o ângulo.
Porque ninguém sonha em ser dependente químico quando é criança.
Os meninos sonham em ser jogadores de futebol, bombeiros, médicos, astronautas. As meninas imaginam castelos, profissões, viagens, famílias, descobertas. Em nenhum desenho infantil aparece alguém dizendo que deseja perder a própria liberdade para uma substância, (droga).
A dependência não nasce como sonho. Ela costuma nascer como fuga.
Às vezes, começa com uma dor que ninguém viu. Outras vezes, com um vazio que ninguém percebeu. Há quem tente anestesiar um luto. Há quem procure silenciar uma ansiedade. Outros apenas desejam pertencer a algum grupo, sentir-se aceitos, experimentar aquilo que parecia inofensivo.
A droga, quase sempre, chega oferecendo aquilo que a vida parecia ter negado.
Coragem para quem tem medo.
Alegria para quem só conhece tristeza.
Energia para quem vive cansado.
Esquecimento para quem já não suporta lembrar.
O problema é que ela cobra caro por cada promessa.
Muito caro.
No início, parece uma escolha.
Depois, transforma-se em hábito.
Mais tarde, torna-se necessidade.
E, por fim, prisão.
A dependência química talvez seja uma das doenças mais cruéis justamente porque sequestra aquilo que existe de mais precioso no ser humano: a capacidade de escolher.
Quem observa de fora costuma perguntar:
— Se faz mal, por que não para?
A pergunta parece simples.
A resposta, infelizmente, não é.
Se dependesse apenas de força de vontade, não existiriam clínicas, grupos terapêuticos, psicólogos, psiquiatras, comunidades terapêuticas nem famílias inteiras lutando durante anos para resgatar alguém que amam.
O cérebro muda.
Os circuitos da recompensa se alteram.
O desejo deixa de obedecer à razão.
É como pedir que alguém com uma perna quebrada participe de uma corrida apenas porque deseja muito vencer.
Querer ajudar.
Nem sempre basta.
Ao longo da minha caminhada como psicólogo, aprendi que, antes da dependência, quase sempre existe uma história.
Existe uma infância.
Existe uma família.
Existem perdas.
Traumas.
Violências.
Frustrações.
Silêncios.
Ninguém chega ao fundo do poço em um único salto. São pequenos escorregões que, muitas vezes, passam despercebidos até mesmo pelas pessoas que vivem ao lado.
E talvez seja justamente por isso que o preconceito machuque tanto.
Chamamos de “vagabundo” alguém que, muitas vezes, está profundamente adoecido.
Chamamos de “fraco” quem trava diariamente uma batalha invisível.
Chamamos de “sem vergonha” alguém que, em muitos momentos, sente vergonha até de existir.
Isso não significa retirar a responsabilidade pelos próprios atos.
Toda recuperação exige responsabilidade.
Exige compromisso.
Exige reparação.
Mas responsabilidade nunca deveria ser confundida com condenação.
Porque pessoas mudam.
E ninguém floresce sendo tratado como lixo.
Há uma cena que sempre me emociona. Ela acontece quando alguém, depois de meses ou anos de tratamento, começa lentamente a recuperar pequenos pedaços de si mesmo.
Volta a olhar nos olhos.
Reconquista a confiança dos filhos.
Retorna ao trabalho.
Sorri sem precisar de nenhuma substância.
Descobre que o café da manhã pode voltar a ter gosto.
Que um abraço pode aquecer mais do que qualquer droga.
Que dormir em paz é um luxo que dinheiro nenhum compra.
Essas pequenas vitórias dificilmente aparecem nas manchetes.
As notícias preferem contar quantos recaíram.
Poucos contam quantos renasceram.
E renascem.
Mais do que imaginamos.
Mas a recuperação também nos ensina outra verdade importante: recaída não significa fracasso.
Assim como uma criança cai inúmeras vezes antes de aprender a caminhar, muitas pessoas enfrentam recaídas antes de conquistar uma recuperação consistente.
Cada retorno ao tratamento representa uma nova oportunidade de reconstrução.
É preciso firmeza.
Mas também acolhimento.
A família sofre.
E sofre muito.
Há mães que envelhecem antes do tempo.
Pais que aprendem a dormir com o telefone ao lado da cama.
Esposas e maridos que vivem entre a esperança e o medo.
Filhos que crescem tentando compreender por que aquele pai ou aquela mãe parece amar mais a droga do que a própria família.
Não ama.
A doença apenas fala mais alto.
Por isso, a família também precisa de cuidado.
Também precisa aprender.
Também precisa de apoio psicológico.
Ninguém atravessa sozinho um deserto tão longo.
Vivemos uma época curiosa.
Nunca se falou tanto sobre saúde mental.
Nunca houve tanta informação disponível.
E, paradoxalmente, ainda temos enorme dificuldade em olhar para o sofrimento sem julgá-lo.
Talvez porque seja mais confortável acreditar que certas dores pertencem apenas aos outros.
Mas basta olhar ao redor.
A dependência química atravessa todas as classes sociais.
Mora em mansões.
Mora em barracos.
Usa gravata.
Usa uniforme.
Usa chinelo.
Tem diploma.
Tem pouca escolaridade.
Tem dinheiro.
Tem fome.
Ela não escolhe endereço.
Nem sobrenome.
Por isso, a prevenção continua sendo o caminho mais inteligente.
Prevenir é conversar.
É escutar sem julgamento.
É fortalecer vínculos familiares.
É ensinar crianças e adolescentes a reconhecer emoções.
É oferecer esporte, cultura, arte e oportunidades.
É construir pertencimento antes que a droga ofereça um pertencimento falso.
Nenhuma campanha será suficiente se continuarmos formando pessoas incapazes de pedir ajuda.

Existe uma coragem silenciosa em admitir:
“Eu preciso de ajuda.”
Talvez essa seja uma das frases mais difíceis da língua portuguesa.
Porque ela exige abandonar a máscara da invulnerabilidade.
E admitir que ninguém consegue carregar o mundo sozinho.
No consultório, aprendi outra lição preciosa.
Quando uma pessoa finalmente encontra alguém que a escute sem condená-la, algo começa a mudar.
Nem sempre imediatamente.
Nem sempre de forma visível.
Mas muda.
Porque ser ouvido também é uma forma de tratamento.
Ser acolhido também cura.
Ser respeitado também fortalece.
O dependente químico não precisa de aplausos.
Precisa de oportunidades.
Não precisa de piedade.
Precisa de dignidade.
Não precisa ser reduzido ao pior momento da própria história.
Precisa ser lembrado de que ainda existe futuro.
O caleidoscópio continua girando.
Os fragmentos permanecem os mesmos.
Mas a imagem muda completamente quando mudamos a forma de olhar.
Talvez seja esse o convite desta semana.
Antes de enxergar uma droga, enxerguemos uma pessoa.
Antes de perceber um erro, procuremos compreender uma dor.
Antes de apontar um dedo, estendamos uma mão.
Porque ninguém vence uma tempestade sozinho.
E, às vezes, tudo o que alguém precisa para reencontrar o caminho é descobrir que ainda existe uma luz acesa esperando pela sua volta.
Até o próximo giro!

Carlos Lopes
CRP 04/49834

A queda não começa no chão

Ninguém sonha, quando criança, em perder-se na fumaça ou no pó;
Todo menino quer ser herói, toda menina com um mundo melhor.
Mas a vida, por vezes, sem aviso, abre um vazio que ninguém vê,
E a droga chega oferecendo, por instantes, o que faltou pra você.

No princípio é só um refúgio para calar o que doía,
Depois transforma-se em costume, dependência e agonia.
O que era escolha vira prisão, o que era fuga, solidão;
E o espelho já não reflete um rosto, mas fragmentos do coração.

“Se faz mal, por que não para?” — pergunta quem observa de fora.
Mas a mente já travou batalhas onde a razão já não mora.
Dependência não é fraqueza, tampouco ausência de querer;
É uma ferida na alma, que precisa de cuidado para renascer.

Antes da droga existe uma história, uma infância, um sentimento calado;
Há lágrimas sem testemunhas, afetos ausentes, um coração machucado.
Ninguém despenca de uma vez — são pequenos passos na escuridão;
Enquanto muitos apontam o dedo, poucos oferecem a mão.

Mas há quem reaprenda a viver sem aplausos, sem alarde,
Reconstruindo, dia após dia, o que parecia perdido tarde.
Volta a encontrar beleza no amanhecer, no aroma simples do café,
E descobre que um abraço sincero tem mais poder, que qualquer maré.

Que o convite seja este: antes da droga, enxergue a pessoa;
Antes do julgamento, a dor; antes da queda, a coragem que ecoa.
Porque ninguém vence sozinho aquilo que o mundo insiste em esconder;
E, às vezes, uma mão estendida é o primeiro motivo para alguém voltar a viver.

Carlos Lopes

10-07-2026

 

 

 

Entrevista com o Poeta-Por Johnny Ribeiro

A revista poesias e cartas deste mês de Julho decidiu entrevistar o entrevistador original e mostrar para os leitores o talento desta magnifica mulher, acompanhem esta entrevista e deixem seus cometários.
Johnny Ribeiro: Quem é Rosemary Aparecida Giarolla?
Rose Giar: Uma pessoa simples, que sempre gostou muito de estudar, ler. Dar prioridade a família e ter ela como base, alicerce na vida. Apreciar coisas básicas como belo por do sol, ouvir barulho da chuva, amar os animais, um gostoso mergulho no mar. Ter bons amigos nem que sejam poucos mais os melhores. Apreciar as boas qualidades que as pessoas tem e demonstram. Pois quando vamos embora não levamos nada, a não ser o nosso nome e o que fomos na vida.
Johnny Ribeiro: Quais são suas influências literárias?
Rose Giar: A primeira foi meu Avô Pedro, sempre me apresentou os livros, a poesia foi a que mais me chamava atenção, meu avô vendo a minha preferência por elas, começou a me apresentar livros de Camões, Machado de Asis, e grandes poetas da época. Sem dúvidas essas foram a minhas primeiras influências.
Johnny Ribeiro: Qual seu gênero de escrita favorito?
Rose Giar: Gosto muito dos poemas clássicos. Mas eu aprecio um bom Romance.
Johnny Ribeiro: Qual foi seu primeiro livro?
Rose Giar:“Estações do Amor”, foi um livreto de bolso, praticamente artesanal feito por mim em meu primeiro computador e impresso na minha impressora, meu orgulho esse livro.
Johnny Ribeiro: Quem te incentivou na escrita?
Por que ser poeta e escritora?
Rose Giar: Quem me incentivou foi meu avô, ele lia muito e eu amava sentar ao seu lado e vê-lo declamar poemas. Porque ser poeta, porque peguei amor, paixão pela poesia, comecei a ver que tudo fica mais leve quando colocamos nos poemas o que sentimos.
Johnny Ribeiro: Como surgiu Pietra Blanco?
Rose Giar: Quando eu era adolescente comecei escrever poemas quentes, os eróticos, mas nunca mostrei pra ninguém, não queria ser vista como uma pessoa pervertida. Adulta uma pessoa leu esses poemas e me incentivou a postar no Facebook com outro nome, ai fiquei pensando no nome veio o nome da bisavó Pietra Rhomera Blanco ou Pietra Blanco. Logo nos primeiros poemas ela começou fazer muito sucesso na rede mas, despertou muita inveja, sempre era denunciada, perdia seu perfil, suas páginas, tentaram calar Pietra, mas ela ja tinha despertado o coração das pessoas. Ela existe até hoje produzindo poemas que mexem com o imaginário das pessoas.

Johnny Ribeiro: Quando surgiu a ideia de montar uma editora?
Rose Giar: Foi com uma conhecida, abrimos a editora e lançamos para começar o livro Pietra Blanco e Anjos Urbanos, foi um sucesso, os dois escreviam com conotação erótica. As pessoas imaginavam que éramos amantes, casal, namorados foi uma loucura na época. Depois de alguns anos, resolvi abrir uma editora sozinha, pois nossos objetivos tinham mudado e eu queria alcançar outras coisas com minha editora, ai surgiu a PARLE.

Johnny Ribeiro: O que você acha de usar IA para escrever?
Rose Giar: Ela veio para ajudar, tem seu valor para uma correção de texto, mas vai acabar com a imaginação e a capacidade de criação das pessoas. É triste ver um texto, um poema com assinatura de uma pessoa sendo que não foi ela que escreveu e sim a IA.
Johnny Ribeiro: Qual sua relação com a Revista Poesias e Cartas?
Rose Giar: Conheci o seu autor da revista em uma Academia as vezes conversávamos, ele participou de algumas Coletâneas que a minha editora editava, eu via a paixão que ele tinha por escrever, adotei e viramos muito amigos, hoje somos grandes parceiros o considero como um irmão mais novo.
Johnny Ribeiro: Quantas antologias você ja produziu?
Rose Giar: Acredita que nunca contei (risos) mas creio ser umas 60 Coletâneas.
Johnny Ribeiro: O que a Rose dos 5 anos diria para a rose de hoje?
Rose Giar: Você conseguiu, hoje você faz o que seu coração com 5 anos se apaixonou, escreve poesias. Parabéns pelo seu esforço e dedicação.
Johnny Ribeiro: Quais são os seus maiores parceiros na literatura?
Rose Giar:Um de meus parceiros é Johnny Ribeiro o dono da revista Poesias e Cartas, Julio Cesar Mauro um poeta que também é um irmão pra mim, a Acadêmica CLIP que só edita seus livros comigo, Academia de Ibiá outra parceira que a vida me deu e inúmeros poetas que confiam e participam de meus projetos.

Johnny Ribeiro: Qual dos livros que escreveu que mais gosta?
Rose Giar: Sou apaixonada por Estações do Amor pelo motivo que disse acima, sem contar que foram poemas escritos na minha adolescência.
 Johnny Ribeiro: Sobre mulheres na literatura qual são os maiores desafios?
Rose Giar: Ter que provar a todo tempo que mulher também sabe escrever e muitas são boas na escrita.
Johnny Ribeiro: O que Pietra Blanco trouxe de bom para você? E de Ruim?
Rose Giar: De bom, não ligar para julgamentos e preconceitos, por ser uma mulher que escreve poemas eróticos. Ruim, é alguns homens por achar que faço tudo que escrevo, e fazerem propostas indecentes, como se eu fosse uma “mulher de programa”.
Johnny Ribeiro: Me fale sobre o amor visto pelos olhos de uma poetisa?
Rose Giar: O amor sempre permeia e foi o grande destaques dos poetas, não tem como ser um poeta ou escritor se não houver amor. Existe o amor romântico que inspira os poetas a escrever amor não correspondidos na maioria das vezes. O amor é o combustível para um lindo poema, sem amor a poesia não existiria.
Johnny Ribeiro: Como conciliar sua profissão de contadora, sua editora e os poemas que escreve?
Rose Giar: A profissão sempre exige muito de mim, mas eu sempre deixo a inspiração tomar conta de mim, quando ela vem paro e escrevo, se não nem consigo fazer mais nada, deixo o poema fluir, não tenho muitas regras, a noite onde mais escrevo. Deixo um dia da semana para me dedicar a editora para fazer arquivos, montar livros, e tenho ajudas também pra isso, tanto no escritório como na editora.
Johnny Ribeiro: Descreva o entrevistador?
Rose Giar: Apaixonado pelo que faz, vaidoso (risos) ,
uma pessoa leal, coloca sentimento em tudo que escreve, fala em linguagem bem popular para atingir as pessoas e sem dúvida consegue isso. Muito bom trabalhar com ele, esses anos todos nunca tivemos problemas. Porque ele tem uma qualidade boa a humildade, sabe ser flexível para não impor sua opinião, esse é o segredo para boa parceria.
Johnny Ribeiro: Quais as vantagens e as desvantagens de participar de uma academia literaria virtual?
Rose Giar: Vantagens é tornar o trabalho conhecido, já a desvantagem é a disciplina e a responsabilidades em cumprir com os compromissos, não que seja tão ruim mas um um peso a mais para quem já tem uma vida corrida.
Johnny Ribeiro: Deixe um poema para os leitores se deliciarem com seu talento.
Rose Giar:Esse escrevi faz só alguns dias.

O Valor da Ausência

Quando a pessoa escolhe sair da tua vida,
Não prendas seus passos nem sua decisão;
Por mais que doa a triste despedida,
Não aprisiones quem deixou teu coração.

Deixa que siga o caminho escolhido,
Sem rancor, sem querer convencer;
Às vezes, só quem já tem perdido,
Descobre o verdadeiro valor de um viver.

O tempo é mestre e nunca se engana,
Revela o que o orgulho escondeu;
Quem hoje parte por vontade insana,
Amanhã dará valor ao que perdeu.

E quando a saudade lhe bater à porta,
Talvez seja tarde para atrás voltar;
Não cuidou do amor que importa,
Aprendeu tarde demais a amar.

Rose Giar

Vou deixar uma de Pietra também.

Lascividade da Flor

Na ânsia ardente por te querer
transpiram dos poros, desejos.
Meu corpo pelo teu a tremer,
ao me devorar com teus beijos.

Umedecida, deixa minha flor,
despertando o prazer do libido.
Enrigecido fica o falo de amor,
sem pudor, penetrando atrevido.

O perfume vem, das pernas,
é doce mel a escorrer do favo.
Ao se aprofundar na caverna,
torna-se dela, devoto escravo.

Lambuza com o gosto do acre,
ignorando minha ingenuidade.
Faz do meu corpo um massacre,
mas, cai em minha lascividade.

Pietra Blanco


Johnny Ribeiro: Qual suas redes sociais ?
Facebook Rose Giar
Instagram rosegiar
Tik tok @rgiarjkr6ec
E-mail [email protected]
(11) 99772-8507

Obrigado pela sua participacao e parceria com a revista!
Eu que agradeço, pois se eu cresci também devo isso a Revista Poesias e Cartas ea seu editor Johnny Ribeiro.

Falando sobre elas por Alexandre Braga

 EM MEMÓRIA ÀS ROSAS VERMELHAS (ALEXANDRE BRAGA)

Já disse para muitos que sou austrolibertário. Da mesma forma, insinuei que minhas histórias se passam no modelo de sociedade que eu gostaria de viver, mas nunca fui muito a fundo nos motivos para isso. Mas agora tudo será explicado, incluindo até mesmo as razões para as minhas muitas indagações. A explicação definitiva de porque sempre me caracterizei por ser um escritor que muda muito de ideia, a ponto de, ao longo desta jornada pelos livros, ter deixado vários leitores inseguros.
Minha mente fervilha a todo instante. Frequentemente, tenho a impressão de que meu cérebro vai explodir. Brincadeiras à parte, a grande questão é que meu projeto literário não é só um projeto literário. É um projeto de vida, um projeto de vida em que consegui alinhar tudo: minha vida, minha cosmovisão, profissão, relacionamentos, posicionamento, postura e normas de conduta.
Como eu abrangi tudo num só projeto, a sua execução ficou ainda mais difícil. Transpôs o mundo da imaginação, da escrita literária propriamente dita, e atingiu a investigação filosófica e científica.
Em suma, fiz do austrolibertarianismo meu grande pano de fundo criativo e literário.

ESTÁGIO 1
Entenda o universo como uma unidade, como um ser vivo autossustentável. Ele não precisa de energia estelar, pois as estrelas seriam tipo um órgão de seu próprio corpo. Neste primeiro estágio, o universo conta apenas com a sua força criadora (os Dois que São Um), e por ela surge como uma unidade. Afinal, consegue ser autossustentável.

ESTÁGIO 2
Ao entrar em contato com a energia de Adrag (a causa de toda entropia), esse ser unitário se fragmenta, dando origem ao mundo como o conhecemos. Porque Adrag, limitando o poder dos Dois Que São Um, distorce o universo. A partir dele surge a finitude, a escassez.
Os Dois Que São Um (a energia criadora) são constituídos por Hito e Hita.
Hita direciona. Hito dá o movimento. Adrag faz com que nunca haja uma sincronização completa entre direção e movimento, causando assim a finitude.
Como os Dois Que São Um e Adrag possuem atuações muito bem delimitadas e excludentes, existe o Acordo Interdimensional: O universo fragmentado, duplicado três vezes, constituindo uma tríade multiversal.
No mundo 1, a manifestação temporal de Hito e Hita age diretamente primeiro; no mundo -1, Adrag se antecipa em suas ações diretas; no mundo 0, ou mundo neutro, as ações diretas das manifestações temporais das duas entidades antagônicas ocorrem simultaneamente, acabando por anularem-se.

ESTÁGIO 3
Como a necessidade de criar dos Dois Que São Um é infinita, bem como sua imaginação — e esses mesmos aspectos valem para a necessidade e poder de destruir de Adrag —, existe ainda mais um estágio, que abrange o que denominei de mundos externos, fora da tríade interdimensional descrita nos tópicos anteriores.

SÍNTESE
Em resumo, o que fiz aqui foi uma construção de mundo baseada no austrolibertarianismo, utilizando conceitos existentes no mundo real e personificando-os. A finitude, a escassez, é a causa primeira da existência da Lei. A antítese entre construção ou criação e destruição representa o grande dilema ético em que estamos inseridos: não se pode construir e destruir uma mesma coisa ao mesmo tempo. Conflito no austrolibertarianismo é definido dessa forma, como uma impossibilidade de ação, quando dois ou mais indivíduos tentam se apropriar de um mesmo recurso escasso para fins excludentes simultaneamente.
Essa é a religião/filosofia de vida dos personagens de todas as minhas histórias e é sobre ela que se assenta toda a ordem moral, social e institucional das sociedades onde eles estão inseridos. É o pano de fundo da saga “Uma Sombra No Multiverso”, cujo processo criativo inspirou tudo isso.
E não para por aí. Podemos extrair de todo este sistema ainda a exaltação e a superioridade do feminino, tão presente em minhas obras.
Hito é o masculino. Sua mobilidade é, nesta simbologia, análoga ao espermatozoide, a célula móvel que caracteriza os machos. Hita é o feminino, dá a direção para o movimento, assim como o óvulo serve de direção para cada espermatozoide.
No mundo ideal, descrito no ESTÁGIO 1, uma vez que direção e movimento estariam em sincronização perfeita, a própria ideia de movimento, uma categoria fundamental do conceito de mudança, é anulado, pois o ser simplesmente já É. A direção, por outro lado, continua a existir, com a única diferença de que ela deixa de ser um ideal e passa a constituir-se como propriedade do próprio ser.
O feminino, partindo dessas premissas, representa a plenitude, a perfeição, a imutabilidade. Em outras palavras, naquilo que é eterno, somente o feminino prevalece. Como não somos eternos e vivemos num mundo onde a energia de Adrag (finitude) é uma realidade, o universo como o conhecemos, não passa de uma distorção do projeto original do Divino.
Entretanto, as mulheres ainda carregam resquícios de sua energia ancestral. Esses resquícios estão no poder de formar um novo ser humano em seu ventre, na liderança das mulheres inteligentes e/ou sábias, em virtudes predominantemente femininas, como amor, cuidado, empatia, dentre várias outras.
A mulher é o portal entre o mundo transcendental e o mundo onde estamos. Nascemos delas. Temos estas guerreiras como primeiro objeto de amor, na maioria esmagadora das vezes. O leite materno, nosso primeiro desjejum, como podemos constatar, é prova viva desta força maior feminina. Assim como o princípio criador, a energia primordial da existência, representada por Hita.
As mulheres são como rosas vermelhas: a cor do portal sagrado por onde o intercurso sexual culmina para gerar uma nova vida. Rosas vermelhas cujo aroma se torna a primeira de nossas memórias afetivas, abarcando memórias inconscientes da vida interina. Memórias de amor, cuidado e carinho. Memórias da gênese de nossa existência.

REFERÊNCIAS

HOPPE, Hans-Hermann. Uma teoria do socialismo e do capitalismo. São Paulo: Instituto Ludwig Von Mises Brasil, 2013.

REDALYC. Punição e Proporcionalidade: A Abordagem do Estoppel. Disponível em: https://www.redalyc.org/journal/5863/586364159016/html/

Dia Mundial das Bibliotecas por Renato Lannes Chagas

Vamos aproveitar o clima futebolístico, para indagar se em meio a todos os anúncios sobre a copa e seus derivados: bebidas, apostas, carros, etc. Se alguém saberia informar a quantas andam as bibliotecas pelo planeta?
Será que todos os países que mandam seleções, se preocupam em selecionar (com o mesmo empenho) boas obras literárias?
A “seleção” de bibliotecários faz parte do imaginário popular?
Em algum nação livros são objetos desejados? Não com a mesma simpatia que existe por essa esfera “mágica”, claro. Alguma que seja serve.
Não são muitas as bibliotecas comhecidas virtualmente, em outros países, menciono uma em Portugal por questão de afinidade com a Língua Portuguesa e outra na Dinamarca por guardar um extenso acervo de jornais daqui do Brasil que embalaram as peças dos estudos paleontológicos realizados e enviados pelo dinamarquês Piter Lund. Como muitas outras coisas, as referências ao que existe no Oriente é zero. Se os parâmetros forem os países que competem nesta copa, cabe mencionar algumas das que existem nos Estados Unidos, várias por aparecerem em filmes como um elemento emblemático, porém, caso fosse necessário fazer menção a uma só, seria a do filme Clube dos Cinco.
Sempre que possível vá até a biblioteca mais próxima de você e esqueça do tempo por algum tempo. As bibliotecas são uma parte interessante de qualquer lugar. Existem cidades que têm somente uma, outras contam com várias. O mais comum é vermos as maiores nas capitais e nas universidades, no caso daqui do Brasil. Isto limita o acesso da população, apesar de ser bem compreensível.
Por fim, com o acesso as informações que existe hoje em dia e suas facilidades, cabe questionar se de fato as bibliotecas continuarão a ter seus acervos devidamente bem guardados, preservados e utilizados com tanto declínio que é visto no número de leitores. O tipo de coisa que só podemos pensar…

Itaboraí, primeiro de julho de 2026.
Renato Lannes Chagas

O valor das Palavras no ISLÃ por Jacilene Arruda

Entre o Silêncio Respeitoso e a Verdade Frente a Frente
No Islã, a língua é vista como uma das ferramentas mais poderosas que o ser humano possui, capaz de construir laços profundos ou destruir vidas e reputações. Por essa razão, a ética da fala é um pilar central na conduta de um muçulmano. A regra de ouro é clara: se não for para dizer algo bom e construtivo, o melhor caminho é o silêncio.
A fofoca e o ato de falar de alguém pelas costas — conhecidos como Gheebat — são estritamente proibidos e classificados como grandes pecados no Alcorão e nas tradições do Profeta Muhammad. Falar sobre as falhas, a aparência ou a vida de alguém em sua ausência, de uma forma que a pessoa não gostaria, é comparado espiritualmente a um ato de extrema crueldade e desrespeito. A fé islâmica protege a honra do indivíduo, e espalhar boatos (Namimah) apenas para criar discórdia é visto como uma quebra grave da harmonia social.
Por outro lado, o Islã não prega a omissão diante do erro ou o acúmulo de mágoas. Se existe um problema real, um mal-entendido ou uma falha que precisa ser corrigida, a orientação é a franqueza: fale diretamente com a pessoa.
Essa abordagem direta e honesta é chamada de Nasiha (aconselhamento sincero). Longe de ser uma oportunidade para lavar roupa suja ou humilhar o próximo, a Nasiha deve seguir regras rígidas de empatia e educação:
Privacidade absoluta: O erro deve ser discutido a sós. Quem aconselha em público não está corrigindo, está expondo o irmão.
Intenção de acolher: A conversa deve nascer do desejo genuíno de ver o outro bem e ajudar, nunca do orgulho ou da arrogância.
Suavidade no tom: Palavras duras afastam; palavras gentis conectam e transformam.
Quando falar diretamente com a pessoa não for seguro ou puder gerar um conflito ainda maior, o crente é instruído a silenciar e entregar a situação a Deus.
Em resumo, a postura de um muçulmano deve ser pautada pela coragem de falar a verdade olho no olho e pela nobreza de guardar a honra do próximo quando ele não está presente para se defender.
Jacilene Arruda (Maryam)
📚 Escritora | 🌍 Turismóloga | ✨ Especialista em culturas e espiritualidade
Muçulmana desde 13 de fevereiro de 2026, apaixonada pela riqueza das conexões humanas.
Autora das obras O Poder Mágico da Gratidão, Uni-Verso Poético e Não beba das águas de quem finge matar a sua sede.
No universo literário e espiritual, também sou Maryam, meu nome árabe, que reflete minha nova jornada de fé e identidade.

📸 Instagram: @evolucaoeconhecimento

“Entre o silêncio e a palavra,
escolho sempre a ponte que une corações.”
— Jacilene Arruda (Maryam)

 O DIA DO AMIGO POR LUCIANE CUNHA

No dia 20 de julho comemoramos o Dia do Amigo, data que também faz alusão ao dia internacional da amizade por conta desta data coincidir com a conquista do homem à lua, ou seja, uma celebração global.
Falar de amizade é falar de companheirismo, empatia, lealdade, alegria e, principalmente, amor. Com tantos atributos nobres, é perceptível que não seja algo conquistado de forma corriqueira, mas construído através do tempo e de experiências que ora se fortalecem e consolidam, ora enfraquecem e revelam o verdadeiro significado da relação.
O certo é que a convivência entre os seres humanos sempre foi algo inerente ao homem em qualquer faixa etária. Inevitavelmente, precisamos uns dos outros.
Nada melhor do que o privilégio de ter uma companhia agradável para conversar, compartilhar momentos prazerosos ou contar com apoio em momentos difíceis.
Um amigo vale ouro, é uma joia rara. Por essa mesma razão, não está disponível em qualquer vitrine.
Por isso, é sempre bom cultivarmos o que há de mais precioso na essência de cada amizade.

 

 

 

 

 

 

 

Poesias e Cartas para Todos

Todo escritor, com sua vasta criatividade, coloca um pouco de si em tudo o que escreve. É com esse espírito que estreamos esta nova coluna, onde apresentaremos trabalhos inéditos de poetas e autores baseados em temas sugeridos. Para começar em grande estilo, trazemos duas obras de fantásticas poetisas. Leiam, reflitam e deixem seus comentários! O tema de estreia é: HUMANIDADE..

Fabiana Rosa

ESCRITORA • POETISA • PRODUTORA CULTURAL
Apaixonada por palavras, pessoas e propósitos. Acredita no poder da escuta, da escrita e da ação coletiva para transformar realidades e construir uma sociedade mais justa, humana e inclusiva.
    • GRADUANDA EM Gestão Pública e Serviço Social
    • COORDENADORA DO Coletivo Cedro Rosa
    • CEO DA Cedro Assessoria
    • ESCRITORA E POETISA com o
      compromisso de dar voz a
      histórias que inspiram, acolhem e transformam.
    • PRODUTORA CULTURAL atuando na criação, organização e realização de projetos que valorizam a arte, a cultura e a diversidade.

 

 

 

 

 

instagram: Fabiana Rosa

Debora Camila Brasil
Nasci em Belém (PA) e fui criada em Brasília (DF), cidade que influenciou profundamente minha sensibilidade e minha trajetória literária. Sou servidora pública federal, escritora, taróloga, oraculista e pesquisadora de Astrologia, Quiromancia e Runas Nórdicas. Atuo na literatura com uma produção que transita entre poesia, microconto, conto, crônica e literatura infantil, explorando temas como memória, afeto, simbolismo, espiritualidade e os mistérios da experiência humana. Em 2026, passei a integrar mais de cinquenta antologias literárias, com participações em obras lançadas na FLIP e na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, além de colaborar em coletivos literários e revistas digitais.
Instagram: @debbybrasildf

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Crônica- Carlão e Flavinha- por Dinho Cumbense

Carlão e Flavinha costumavam falar que não eram almas gêmeas ou a outra metade da laranja, muito menos Eduardo e Mônica. Segundo eles, vibravam na mesma sintonia. Eu era amigo do Carlos Augusto desde a adolescência e, por ser dentro de campo um zagueiro dos mais determinados, ele era conhecido como Carlão. O apelido saiu dos campos e foi para a vida.
Casaram-se e foram morar em Jaboticabal, cidade do interior paulista, terra dos pais de Flavinha. Ela se formou em veterinária; ele, em engenharia. Diziam fazer parte de um seleto grupo no mundo, daquele que o algoritmo do universo presenteia, em que o melhor amigo casa com a melhor amiga e vice-versa.
Estive com Carlão há quatro anos. Ele veio a passeio ao Rio logo após o surpreendente falecimento de Flavinha. Percebi que uma parte dele havia morrido junto. O cigarro, acessório comum no seu visual, passou a ser ainda mais constante. Estava mais magro, tinha perdido o pouco de musculatura que possuía e, o principal, não tinha mais o brilho nos olhos. Naquela noite, bebemos em um grupo de oito pessoas; no final, restamos nós dois.
— Dinho, está sendo muito complicado ter que ser forte para os filhos estando destruído por dentro — disse ele. — Gosto de todos que estavam nesta mesa, amizades antigas, muitas histórias, ótimas lembranças. Também fiz muitos amigos em Jaboticabal, mas se foi aquela que era, indiscutivelmente, a melhor pessoa da minha vida. Quem eu confiava, para quem tudo contava, a que sabia que estaria presente em todos os momentos.
Após acender o que deveria ser o vigésimo cigarro daquela noite, continuou:
— Você já viu em algum lugar do mundo um casal confidente? Por pior que fosse a situação, eu me sentia confortável somente com ela para me abrir. E o melhor: também sentia que ela tinha isso comigo. Pois é… nós fomos assim.
Este texto é uma pequena homenagem a este casal maravilhoso. Até porque Carlos Augusto, hoje, foi ao encontro da sua amada Flavinha. Fico imaginando a sua “moreninha”, como ele a chamava, recebendo-o. Cabelos lisos e longos, olhos pretos e brilhantes, com um sorriso enorme no rosto, falando:
— Carlinhos, acorda! Deixa de preguiça, amor das minhas vidas. Estou ansiosa para saber de tudo.
Tenho certeza de que ele despertará com os olhos novamente brilhando e um sorriso no rosto, descobrindo que o amor nunca morre.

Beijão para vocês.

Dinho Cumbense

 

Dia do Escritor 25 de julho

Neste mês de julho, quero desejar a todos os escritores felicitações para que a inspiração corra solta em seus pensamentos e em seus corações. Escrever é uma arte sem fim, pois, se analisarmos o cotidiano em que vivemos de um modo geral, as histórias que nele aparecem e as pessoas que olhamos e nos tocam nos permitem criar histórias lindas e poesias que vão fazer arrepiar quem as lê.
Ser escritor é transmitir para as pessoas aquilo que o coração quer dizer. Qual escritor nunca colocou um pouco de si em seus personagens? Ou qual poeta, em um momento, decidiu fazer-se poema?
Que nunca falte inspiração a vocês, escritores. Meus parabéns!

Casa do Poeta e do Escritor de Ribeirão Preto: 36 anos promovendo a literatura e a cultura-por Rita Cruz

Em abril deste ano, a Casa do Poeta e do Escritor de Ribeirão Preto (CPERP) comemorou seus 36 anos de existência. Fundada em 22 de abril de 1990, a instituição nasceu da iniciativa do Capitão Luiz Oliveira Passos, de Othniel Fabelino de Souza (OEFE Souza) e do poeta e professor Nilton Manoel Teixeira.
Desde sua fundação, a Casa do Poeta conta com o apoio da Associação dos Militares da Reserva e Oficiais de Ribeirão Preto – AMOR, da qual alguns de seus fundadores faziam parte. A entidade funciona, desde então, no mesmo endereço da Associação, situado na Rua Liberdade, nº 182, no bairro Campos Elíseos, em Ribeirão Preto.
A primeira presidência foi exercida pelo Capitão Luiz Oliveira Passos. Posteriormente, a entidade foi presidida por Othniel Fabelino de Souza, carinhosamente conhecido como OEFE Souza. Há aproximadamente 30 anos a Casa do Poeta vem sendo brilhantemente conduzida pela professora Maris Ester Souza.
Tradicional entidade literária de Ribeirão Preto, a CPERP tem como missão apoiar, valorizar e divulgar a cultura, especialmente a literatura e a poesia. Ao longo de sua história, tornou-se um importante espaço de incentivo à produção literária, ao intercâmbio cultural e ao fortalecimento dos laços entre escritores, poetas e artistas.
Atualmente, a Casa do Poeta reúne dezenas de escritores, poetas e artistas de Ribeirão Preto e de toda a região. As reuniões acontecem no primeiro sábado de cada mês e, em média, quarenta participantes, entre membros e convidados, prestigiam o tradicional sarau, declamando poesias, apresentando textos ou compartilhando suas diversas manifestações artísticas.
O ambiente é acolhedor e marcado pela amizade, pela união e pelo encantamento que a arte proporciona. Cada participante contribui com sua identidade literária: há romancistas, prosadores, poetas, sonetistas, cordelistas, trovadores e representantes de muitos outros estilos e formas de expressão.
Entre uma declamação e outra, o público também aprecia apresentações musicais, que procuram valorizar, sobretudo, a cultura brasileira. Entretanto, por ser um espaço de aprendizado e de troca de experiências, a Casa do Poeta também abre suas portas para manifestações culturais de outros países, enriquecendo ainda mais seus encontros.
Ao final de cada sarau, um dos momentos mais aguardados é a confraternização em torno de um lanche comunitário, preparado pelos próprios participantes. Tradicionalmente, as mulheres contribuem com um prato de salgado, enquanto os homens levam refrigerantes, fortalecendo o espírito de convivência e amizade que caracteriza a entidade.
Mais do que um espaço para declamar versos, a Casa do Poeta e do Escritor de Ribeirão Preto é um lugar de encontros, partilha de saberes, incentivo à leitura, valorização da escrita e celebração da cultura. Ao longo de seus 36 anos, consolidou-se como um verdadeiro lar para aqueles que acreditam no poder transformador da literatura, da poesia e da arte, cultivando, acima de tudo, o amor pelos livros, pela leitura e pela união entre as pessoas.
*Rita Cruz*
Vice-presidente da Casa do Poeta e do Escritor de Ribeirão Preto – CPERP.

A CASA

Paródia da Música de Vinícius de Morais
Por Rita Cruz

É uma Casa muito engraçada
É do Poeta a nossa amada!
Ninguém fica de fora dela não,
Porque é grande seu coração!

Lá tem poesia e tem um teto
Tem alegria e muito afeto
Você vai chorar, você vai sorrir
Muitos amigos fazer ali

E ela é feita com muito esmero
Primeiro sábado lá te espero
A casa existe e é de verdade
Fica na AMOR, rua Liberdade!
Parabéns Casa do Poeta.

 

 

 

 

 

 

3 thoughts on “Revista Poesias e Cartas-Julho de 2026

  1. Como sempre, a revista abordando temas necessários, reflexivos e pertinentes. Parabéns a todos 👏 👏 👏 👏 👏 👏 👏 👏

  2. Boa noite! Muito boa a revista, parabéns para todos os participantes!!! Mais uma matéria interessante de escrever e agora, com as demais, poder ler. Vá até uma biblioteca!!!!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *