Sem Froteiras Entrevista – Jackson Santos


Essa função é difícil assim por escrito, quando vem à memória os programas de entrevistas tantas vezes vistos na tv, aí mesmo que só pensar dá calafrios. Entrevistar e bem ali no ao vivo e a cores deve ser arte para poucos, ainda mais quando a pessoa a ser entrevistada é como este jovem, com idade para ser filho do entrevistador, com uma imensa bagagem artística, de uma simpatia ímpar, de talentos fora da curva nas artes: literária, fotográfica, plásticas (esculturas, pinturas), fora seus trabalhos como arquiteto e agricultor, se algo não ficou esquecido. Este irmão mais novo, participante em várias obras do Projeto Literário Palavras Sem Fronteiras, aceitou o convite para participar de uma entrevista, o que vamos ler abaixo é uma ínfima amostra de quão talento um único artista pode ter, além do quanto faz belo o que pode bem fazer um ser humano, poder apresentá-lo neste tipo de trabalho é um grande privilégio, sempre com gratidão pela amizade a coluna Sem Fronteiras trás para o leitor a entrevista com este multitalentoso moçambicano: Jackson Santos

Renato Lannes Chagas: É difícil escolher um determinado assunto, quero que esteja à vontade para falar sobre cada uma dessas atividades que realiza pontuando sobre a relação de cada com, sob a sua ótica, com a educação e o que poderia ser realizado para desenvolvimento do seu país não só do ponto de vista econômico, mas também social e cultural.
Jackson Santos: -Creio que toda arte nasce de uma necessidade íntima, em particular, a poesia, a arquitetura, a pintura, a fotografia, cada uma dessas atividades me ensinou que educar não é apenas transmitir conhecimento, mas despertar sensibilidade. Um país não se desenvolve somente com estradas, edifícios e mercados, desenvolve-se também com leitores, artistas, sonhadores e pessoas capazes de pensar além da sobrevivência diária. -A arquitetura me ensinou a observar os espaços onde o homem vive, a poesia ensinou-me a observar os espaços invisíveis da alma. A pintura tornou-se uma linguagem silenciosa para aquilo que as palavras não conseguem carregar. Já a fotografia, para mim, é uma tentativa de impedir que o tempo destrua certas memórias. -Moçambique possui uma riqueza cultural imensa, porém muitas vezes esquecida dentro das próprias fronteiras. Precisamos investir mais em bibliotecas, centros culturais, oficinas literárias e espaços onde os jovens possam criar sem medo. A educação deve dialogar com a arte, porque um povo sem imaginação torna-se facilmente prisioneiro da própria pobreza espiritual. -Sonho com um país onde as crianças tenham livros nas mãos antes mesmo de conhecerem o peso das dificuldades da vida. Porque um livro pode salvar alguém do vazio, da violência e do silêncio interior.

Renato Lannes Chagas: Como é você leitor? Embora jovem sei dizer sobre o que acompanho de algumas das suas várias leituras, mas como se mantém o interesse pelos livros em meio a tantas outras atividades?
Jackson Santos: -Sou um leitor movido mais pela inquietação do que pela disciplina. Leio como quem procura amizade e companhia em lugares desconhecidos. Há livros que me acompanham como velhos amigos benevolentes da infância, Dostoiévski, Fernando Pessoa, Tolstói, Albert Camus, entre tantos outros que parecem compreender aquilo que nem eu mesmo consigo explicar. -O interesse pelos livros permanece porque a leitura nunca foi para mim uma obrigação intelectual, mas uma necessidade existencial. Em meio às inúmeras atividades, sempre encontro algum instante silencioso da madrugada ou da solidão para abrir um livro. Às vezes leio poucas páginas, porém suficientes para alimentar pensamentos durante dias inteiros. -Creio que quem descobre verdadeiramente a literatura nunca mais consegue abandoná-la. Porque os livros tornam-se espelhos, cemitérios, mapas e confissões.

Renato Lannes Chagas:
Quando começou o interesse pelas poesias? Quando os versos começaram a surgir? Qual a importância das participações nos livros do Projeto Literário Palavras Sem Fronteiras? Participa de outros projetos internacionais? Se sim, as participações também são gratuitas? É fácil adquirir livros em Moçambique? Livros da literatura brasileira e universal são comuns por aí?
Jackson Santos: -O interesse pela poesia surgiu muito cedo, talvez no instante em que percebi que certas dores não podiam ser explicadas em linguagem comum. Os versos começaram a surgir silenciosamente, Primeiro escrevia para mim mesmo, depois percebi que outras pessoas também habitavam tristezas semelhantes. -Participar do Projeto Literário Palavras Sem Fronteiras possui enorme importância para mim, porque a literatura rompe limites geográficos e aproxima almas que jamais se encontrariam fisicamente. É emocionante perceber que um poema escrito em Moçambique pode alcançar leitores em outros continentes. -Sim, participo de outros projetos internacionais, muitos deles gratuitos (concursos de poesia) submissão de originais. -Em Moçambique ainda existe certa dificuldade para adquirir livros. O acesso não é tão amplo quanto deveria ser, especialmente fora dos grandes centros. Livros da literatura brasileira e universal existem, porém nem sempre são facilmente encontrados. Muitas vezes os leitores dependem de sebos, partilhas digitais ou pequenas livrarias independentes. -Mesmo assim, há resistência. E onde existe resistência literária, existe esperança.

 

Renato Lannes Chagas: Cite uma frase de alguma obra que tenha marcado a sua vida.
Jackson Santos: -Uma das frases que mais marcaram minha existência encontra-se em Os Irmãos Karamázov: “Cada um de nós é culpado perante todos por todos e por tudo.” -Essa frase ensinou-me que a existência humana está profundamente ligada à responsabilidade e à compaixão.

Renato Lannes Chagas: Indique uma ou duas obras que as pessoas deveriam ler mais de uma vez na vida.
Jackson Santos: -Creio que Crime e Castigo deveria ser relido em diferentes fases da vida, porque cada leitura revela um novo abismo humano. -Também considero Tabacaria de Fernando Pessoa, uma obra indispensável. É um texto que parece crescer dentro do leitor com o passar dos anos.

Renato Lannes Chagas: Deixe suas redes sociais para o leitor que queira entrar em contato. Jackson Santos: -Podem acompanhar meus trabalhos literários, artísticos e projetos culturais através das minhas redes sociais, onde compartilho poemas, reflexões, pinturas e fotografias ligadas à arte e à literatura.
Facebook: Jackson dos Santos
Instagram: jackson dos santos
Youtube: @jacksonsantos01
Renato Lannes Chagas: Por fim: deixe uma mensagem para encorajar os leitores a estudarem e se manterem em atividade e com interesse, assim como você vem fazendo de forma brilhante. Jackson dos
Santos:-Aos leitores, digo apenas isto: nunca permitam que o mundo endureça completamente o coração de vocês. Continuem estudando, lendo, criando e observando a beleza escondida nas pequenas coisas. O conhecimento talvez não elimine todas as dores humanas, porém oferece luz suficiente para atravessarmos a esPostcuridão. -Leiam mesmo quando estiverem cansados. Escrevam mesmo quando ninguém estiver ouvindo. Persistam mesmo quando tudo parecer inútil. -Porque existem almas que sobrevivem graças às palavras que vocês ainda irão escrever. Nampula, Moçambique, 02 de Maio de 2026 Jackson dos Santos.

35 thoughts on “Sem Froteiras Entrevista – Jackson Santos

  1. A escolha de palavras é difícil. É mais um trabalho realizado em que a língua portuguesa mesmo não sendo o elemento a ser destacado fica muito evidenciado. Poder apresentar os trabalhos do Jackson aqui é motivo de orgulho e gratidão. Este é um grande privilégio. Agradeço mais uma vez e sempre a Deus, ao entrevistado e ao editor por mais essa bela entrevista!!!🙌🏼🙌🏼🙌🏼 🇲🇿❤🇧🇷

  2. Obrigado pela oportunidade de participar desta entrevista.
    O mundo é feita de mil acasos, é evidente que entrar em contato com outros valores e cultura, isso torna mais esplendor e possível fazer mil maravilhas (Artes), ainda assim gratidão aos organizadores.

  3. Que profunda as palavras de Jackson. Tirar frases de obras é como carrega-lá debaixo do braço.
    A literatura deveria obrigatoriamente levadas a tdas às pessoas.
    Parabéns.

  4. Parabéns ao Renato Lannes Chagas pela belíssima entrevista conduzida com sensibilidade, inteligência e profundo respeito à arte. Conversas assim não apenas informam, mas valorizam a cultura, preservam memórias e aproximam o público das grandes mentes criativas do nosso tempo.

    E um reconhecimento especial ao nosso conterrâneo moçambicano Jeckson Santos, cuja trajetória honra a literatura e as artes em Moçambique. A sua capacidade de transformar palavras, formas e emoções em expressão artística revela não apenas talento, mas também compromisso com a identidade cultural do nosso povo.

    Moçambique precisa de artistas que não apenas criem obras, mas que inspirem consciências, despertem reflexões e deixem marcas eternas na alma da sociedade. Jeckson Santos representa exatamente essa força criativa, um nome que engrandece a poesia, a arquitetura e a arte moçambicana como um todo.

    Que mais entrevistas como esta continuem a dar voz aos nossos talentos e a mostrar ao mundo a riqueza cultural que existe em Moçambique 🇲🇿. Parabéns Meu irmão.
    Deus abençoe sempre.

  5. Excelente entrevista! Poesia, pintura, literatura, todo tipo de criação artística nos ajuda a impulsionar o mundo.

  6. Muito bom ver e, saber como jovens estão cada vez mais engajados, no mundo da literatura. E como são, por assim dizer, pessoas que têm a preocupação de modificar pensamentos, através da sua própria arte. Jackson Santos, não só compartilha conhecimento, mas também é comprometido com toda forma de melhoria do povo do seu país. Existem pessoas que nasceram com essa natureza de fazer a diferença no vasto espaço que chamamos de mundo! Parabéns, Jackson! Siga esse caminho de levar luz para aquecer os corações de outros jovens.

    1. Você pode responder de forma elegante e humilde assim:

      Muito obrigado pelas palavras tão generosas e inspiradoras. Saber que a literatura e a arte conseguem tocar outros corações é uma das maiores motivações para continuar escrevendo e compartilhando conhecimento. Acredito profundamente no poder das palavras como instrumento de transformação social.
      Receber esse reconhecimento fortalece ainda mais a caminhada.
      Gratidão pelo carinho e pelo incentivo.

  7. A Arte Cura, a cultura encaminha! Linda entrevista, querido escritor e amigo Renato Lannes. Parabéns por tão lindas palavras Jackson.

    Eliane Lita ig: @elianelita.escritora

  8. Essa imagem é extremamente significativa, marca o choque, a bofetada, o soco no queixo, o sinônimo que melhor servir para você, de estar diante de um *GRANDE* artista, com poesia nos dedos. Essa poesia nasceu mal bati os olhos nas primeiras imagens enviadas pelo Jackson, foi só o mesmo autorizar que pudesse tentar escrever uma poesia sobre a mesma. A escolha do fundo foi deliberada para remeter a cor de terra das casas de pau a pique, talvez a cor das letras pudesse ser outra, mas não é nada que uma ampliação da imagem não permita a leitura. O fato é que essa poesia com essa imagem serve como marco dessa amizade que nasceu por meio da arte. Hoje existe um grande amor fraternal pela pessoa que tem dentro de si tantas outras. Assim como ocorre com os versos que cada um envia para cada livro, o princípio primeiro é não interferir naquilo que os entrevistados irão escrever, mas seria ótimo ler mais a seu respeito irmão mais novo!!! Olha que a primeira resposta já foi uma daquelas que já valeu a entrevista!!! Caso o Johnny consiga inserir essa imagem na sua entrevista, esse texto irá nos comentários. Fique com Deus!!! Abraço!!!👊🏼👊🏼👊🏼

  9. Um artista não só com as palavras mas com a fotografia, que junção maravilhosa ele conta um conto e mostra como se vê o conto não somente com os sentimentos mas também com a visão. Sou amante de poesias e de fotografias.

  10. Foi muito bom acompanhar esta entrevista maravilhosa.
    É impressionante como o Jackson Santos conecta e enxerga essas áreas.
    Parabéns!

    1. Vocês dois são jovens com muito a dizer e com uma bagagem, que sempre servirão de exemplo do quão importante é a leitura e estar diante de artistas que deixam muito de si naquilo que fazem. Tecer comentário sobre os dois ao mesmo tempo é tarefa mui difícil. Estão entre dois dos vários moçambicanos a quem tenho muita alegria e gratidão pela arte literária, as poesias, as palavras, terem permitido que nos conhecêssemos um dia. Gratidão🙏🏼🙏🏼🙏🏼

      1. Só Deus, kkkkk.
        Esse campos literário é muito bom.
        Desde os pequenos textos até a troca de premissas.
        Amo vocês, abraços!

    2. Eunice, minha querida amiga, gratidão e abraços literários. recebeu a minha carta?

      Obrigado pela lembrança.
      me dedique no seu trabalho de poesias, Rsrsrsrs.

  11. *A PUREZA DA FAMÍLIA*

    O título e a imagem já estão aí garantidos.
    O leitor não fique aflito.
    Se não gostar do exercício.
    Faz parte também do risco.
    O olhar vai de encontro aos olhares.
    Não sei se era o momento do almoço.
    Nem sei se poderiam ir descansar.
    O miúdo com certeza já dá a dica.
    De não fazer ideia de que participaria da fotografia.
    Como não sei se o colega fotógrafo, pintor, arquiteto, escritor, escultor.
    Só pediu uma imagem, estando ali de passagem.
    Pareceram todos mais para cansados.
    Menos a que está com o dorminhoco.
    Estampando o belo sorriso.
    E deixando a imagem.
    Com aquela doce certeza.
    De congelar o tempo.
    O momento.
    É a arte que faz sempre da fotografia.
    Essa coisa que nunca sairá da moda.
    E o preto e branco sempre a mais ainda embelezar.
    O cotidiano de um lar.
    Uma família.
    Como bem destaca o título lá em cima.
    Sete pessoas.
    Pessoas.
    Num momento de boa.

    Renato Lannes Chagas BR

    1. O meu maior registo fotográfico:

      1. Família em crise;
      2. Homem morto por amor;
      3. Trabalho Infantil;
      4. Mulher Cega ( Vendedora);
      5. Homem Paralítico (Praticando Desporto).

      Estes são os meus registros favoritos.

  12. Agradeço profundamente por cada comentário nesta entrevista, por cada partilha e pelo tempo dedicado às minhas palavras incertas.
    É reconfortante perceber que a literatura ainda encontra abrigo nos corações atentos, capazes de sentir, refletir e dialogar através da arte, sobre tudo aos nossos Países falante da língua Portuguesa.

    Cada comentário, torna o caminho mais significativo, porque escrever também é construir pontes entre pessoas que acreditam na força da sensibilidade e do pensamento (literário).

    Minha gratidão a todos que leem, comentam, incentivam.
    Gratidão a @Poesias e Cartas;
    @Renato Lannes Chagas;
    Em especial, todos nós.
    O meu profundo Obrigado!

  13. Vou deixar uma Poesia, Assim:

    FALEM ENQUANTO HOUVER PALAVRAS
    CALEM ENQUANTO HOUVER SILÊNCIO
    AMEMOS ENQUANTO HOUVER AMOR
    ODEIEM ENQUANTO HOUVER ÓDIO
    CHOREM ENQUANTO HOUVER DOR.

    ENQUANTO HOUVER POESIA
    VIVA.

    in O Voo das Palavras Inúteis, 2026
    Autor: Jackson dos Santos

    1. Amado irmão mais novo!!! Mais um vez e sempre GRATIDÃO imensa pela entrevista, pela atenção dispensada em responder aos comentários e Deus o Abençoe cada dia mais por ser esse ser humano tão humano e esse artista tão brilhante que és. Grande alegria poder ter feito este registro e ler tudo o que aqui está. Parabéns!!!!👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼

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