Sem Fronteiras Entrevista- noi soul

Renato Lannes Chagas traz para a gente está grande poetisa uma menina de talento apreciadora de livros, uma leitora voraz e uma escritora espetacular.
Acompanhe esta entrevista de Noil Soul

Renato Lannes Chagas: Quando começou a noi soul leitora?
As poesias já entraram em cena logo no início?
noil soul:  A noi leitora começa quando a noi criança descobre as letras. Aos 4 anos de idade, eu fui alfabetizada, em parte, em casa, por uma das minhas irmãs. Eu sou a nona filha de dez, mas fiquei como caçula, porque o décimo, meu irmão mais novo, ficou pouco tempo com a gente. Eu tinha 3 anos quando ele nasceu e morreu. Então, a noi leitora já começa ali, ainda na pré-alfabetização, em casa, com a ajuda das minhas irmãs, e se amplia quando chego à escola e descubro esse mundo encantado dos livros. Mas nós não tínhamos uma situação financeira que nos permitisse ter livros em casa. Então, eu lia tudo o que encontrava pela frente. Quando a criança está começando a ler, ela lê de tudo: placas, qualquer palavra pelo caminho… vai parando enquanto caminha, querendo decifrar tudo. Eu lia bula de remédio, que era o que mais tinha lá em casa, e outras leituras mais acessíveis à época. Até que descobri a biblioteca de uma escola pública. Isso aconteceu quando fui estudar na sexta série, que hoje corresponde ao sétimo ano. Eu devia ter ali por volta dos 11, indo para os 12 anos. E, quando encontrei aquela biblioteca na escola Polivalente, fiquei encantada. Foi então que comecei a me tornar uma leitora mais assídua, de livros mesmo, de literatura. E é também por volta dos 12 anos que nasce meu interesse pela poesia, porque eu achava um gênero muito fascinante. Comecei a copiar os poetas de que mais gostava na época: Álvares de Azevedo, Augusto dos Anjos, Castro Alves… entre outros desse mesmo período. Eu copiava os poemas exatamente como estavam nos livros, passava para o meu diário e para o meu caderno. Depois, comecei a rascunhar algum versinho também, a escrever meus próprios poemas. Tenho um cadernno que vem desde os meus 11 anos, o primeiro em que comecei a registrar meus poemas. Eu numerava tudo: poema 1, poema 2… achava aquilo adorável, ainda assinando com meu nome completo. Mais tarde, já na adolescência, comecei a inventar nomes para assinar esses poemas.
Então, a noi leitora e a noi poeta não nascem exatamente ao mesmo tempo, mas têm uma ligação muito forte, principalmente a partir da pré-adolescência, que é quando começo a ter um contato mais direto com a literatura de fato.

Renato Lannes Chagas : São muitas as perguntas que não terão respostas, porque entendo que não é aqui a hora e nem o local, mas fica a dica para o leitor acompanhar a carreira desta jovem e multitalentosa poetisa, como:
Por que o nome em letras minúsculas?
Já está em prática o uso de outros pseudônimos?
Quantos são os estilos poéticos por você já praticados?
noi soul: Sobre a primeira pergunta: o meu nome foi sendo construído até chegar a esse formato noi soul, tudo em letras minúsculas. Ele veio de experimentações anteriores até se consolidar como o meu nome artístico, que hoje engloba todas as áreas com as quais eu trabalho ou que cultivo como hobby. Algumas dessas áreas são profissionais, outras são mais pessoais, mas todas acabam dialogando com a minha escrita. Por exemplo, a dança me estimula muito a escrever. Dançar faz com que eu oxigene o cérebro, as ideias… me inspira mesmo. Mas, voltando à pergunta: por que o nome em letras minúsculas? Eu conheci a bell hooks, uma escritora feminista fantástica, que traz um olhar muito cuidadoso sobre a presença no mundo. E ela utilizava o próprio nome em letras minúsculas justamente para que a atenção estivesse na obra e não no nome da autora. É como se ela quebrasse essa hierarquia que muitas vezes existe entre autor e obra, como se o autor estivesse acima daquilo que produz. Eu me encantei muito com esse conceito, que para mim também é profundamente político. Não diz respeito apenas à estética, mas a um posicionamento no mundo. E pensei: se é para me inspirar, que seja em algo em que eu realmente acredito. Eu já usava o nome noi soul, mas com iniciais maiúsculas. “Noi” vem do meu nome, Noiane, que é um apelido que me acompanha desde a infância. E “soul” vem de “Souza”, meu sobrenome, mas também carrega esse sentido de “alma”, em inglês. Para mim, naquele momento, fazia todo sentido pensar em “noi soul” como uma alma coletiva. O “noi” traz essa ideia de “nós”, de coletividade, inclusive com uma inspiração no italiano e “soul” como essa dimensão mais sensível, mais essencial. Então, é como se fosse mesmo uma alma coletiva, que é a forma como eu busco atuar no mundo. Sobre o uso de outros pseudônimos: sim, já está em prática, considerando noi soul como um pseudônimo; no entanto, também utilizo heterônimos, que são criações paralelas, com identidades próprias. Eles não têm vivência no mundo material, claro, mas dentro do meu universo interno possuem histórias, idades, perspectivas distintas e isso se reflete na escrita. Alguns estão em uso atualmente, outros já foram utilizados e hoje não fazem mais tanto sentido, embora possam voltar em outro momento. E também existem aqueles que ainda podem surgir. Entre os heterônimos que já utilizei ou ainda utilizo, posso citar: Rosa Custódia, que é uma mulher mais velha, com uma vivência muito diferente da minha e por isso também com uma escrita própria; Medeia, que surgiu por um tempo com uma escrita mais voltada para o campo amoroso, algo que eu raramente abordo diretamente, mas que foi uma forma de canalizar esse tipo de energia; Êni, que tem um perfil mais pragmático, com uma escrita voltada para questões sociais de maneira mais enfática; Celéstyan, que trabalha com temas mais espiritualistas.
 Neste momento, quem está mais em evidência para mim é Rosa Custódia, que tem produzido bastante.
            Sobre os estilos poéticos: eu não saberia dizer exatamente quantos já pratiquei. Eu gosto muito da experimentação, especialmente dentro da poesia brasileira contemporânea. Já experimentei, por exemplo, a aldravia, o setígono, inclusive com desdobramentos bem interessantes atualmente, e também a catadupa, que é um estilo muito bonito criado por uma amiga minha, Jaque Monteiro. Vou praticando à medida que me identifico, que conheço… mas tenho um interesse muito grande em explorar novos estilos poéticos, principalmente os contemporâneos.

Renato Lannes Chagas: Como anda o fomento da leitura, na sua visão, nas escolas do seu Estado e da sua Cidade?
Você tem algum projeto voltado para as escolas?
O manifesto para uso das poesias nas escolas vai ser retomado este ano?
noi soul: Bom, em relação ao fomento da leitura aqui na minha cidade e no meu estado, ainda estamos em um processo bastante inicial de construção de possibilidades nessa área, tanto de forma mais independente, a partir da própria atuação de escritores e escritoras da cidade e do estado, reunidos, seja individualmente ou em coletivos como é o caso do coletivo de escritores aqui em Vitória da Conquista, minha cidade, quanto por meio de outros movimentos, como é o caso do movimento Raiz Livraria e de outras iniciativas existentes na Bahia, que incentivam a literatura e a leitura de modo geral e buscam, cada uma em seu contexto, levar esse estímulo a espaços como a escola. Ainda assim, há muitos entraves nesse campo; trata-se de um processo mais burocrático, e temos maior facilidade em mobilizar ações externamente, em outros equipamentos culturais ou de forma mais autônoma, nos próprios quintais de pessoas que se disponibilizam, seja para reuniões, seja para saraus e para o incentivo à leitura e à literatura em clubes de leitura ou, também, de forma online. Há, portanto, um longo caminho a ser percorrido.
  Há um projeto de lei em tramitação aqui na minha cidade, proposto pela vereadora, Viviane de Araújo (PT). Este projeto de lei é fundamental por promover a valorização da cultura local dentro das escolas públicas de Vitória da Conquista, garantindo que pelo menos 10% dos acervos das bibliotecas sejam compostos por obras de escritores da própria cidade .Para a comunidade, a proposta fortalece o sentimento de pertencimento, aproxima os estudantes de suas próprias realidades e estimula o interesse pela leitura por meio de narrativas que dialogam com seu contexto cultural. Além disso, contribui para a formação de uma identidade local mais consciente e valorizada. Para os escritores conquistenses, o projeto amplia a visibilidade de suas obras, cria oportunidades concretas de circulação literária e incentiva a produção cultural, fortalecendo também a economia criativa do município. Trata-se, portanto, de uma iniciativa que integra educação, cultura e desenvolvimento local de forma estratégica. Neste momento, não tenho projetos específicos voltados para escolas, além da possibilidade de retomada do manifesto para o uso da poesia nas escolas, que ainda precisa ser lapidado, aprimorado e, também, contar com novos parceiros. O objetivo é que esse manifesto seja disseminado em âmbito nacional, de modo que não se configure como uma ação pontual. No entanto, é preciso começar de algum lugar. Assim, espero conseguir retomar esse projeto ainda em 2026. Por ora, ele permanece no “forninho”, sendo cuidadosamente guardado, mas com a perspectiva de que, em breve, será retomado.

Renato Lannes Chagas: Você já esteve a frente ou envolvida em várias iniciativas literárias, fale para o leitor sobre aquelas que foram ou são ainda mais significativas, aproveitando para informar ao leitor sobre eventuais obras existentes e como adquiri-las.
noi soul:   Eu acredito que, quando a gente começa no mundo artístico — e utilizo essa expressão de forma bastante ampla, porque a literatura está inserida nesse universo, embora algumas pessoas a separem —, partimos de um campo maior, que é o da arte e da cultura, e a literatura está nesse meio. Então, eu sempre me vi envolvida em projetos que dizem respeito à coletividade, ao fazer conjunto, a algo que envolva mais pessoas, que não seja apenas algo meu, restrito à minha própria experiência. Isso foi o que me guiou até hoje dentro da literatura. Comecei efetivamente com a publicação do meu primeiro livro, Ventre de Mãe, em 2021. A partir daí, passei a encontrar outras pessoas e a compreender que havia, de fato, a necessidade de construirmos projetos coletivos. Então, criei a comunidade Pulsão Poética, com o objetivo de disseminar principalmente a poesia, que é o meu estilo literário preferido, embora eu também escreva outros gêneros. A poesia é algo que me atravessa de maneira muito forte. A proposta dessa comunidade era promover o encontro entre poetas do Brasil e do mundo, além de dar voz a pessoas que estão começando ou até mesmo àquelas que escrevem há muito tempo, mas mantinham seus textos guardados, muitas vezes por insegurança em compartilhar o próprio trabalho. A partir disso, passei a desenvolver projetos nessa linha.
Também fui convidada para integrar outras iniciativas, algumas já encerradas, mas que foram muito importantes no meu percurso, como o Poesia Falada, parceria com o Tertúlias com VC e o ArtNutri, unindo Nutrição e Arte, realizado em parceria com o Instagram Tupi no Mundo, de Sofia Sá Barreto. Atualmente, sigo envolvida em outros projetos coletivos, como a Comunidade Palavrilhas, em parceria com Ybeane Moreira, escritora aqui de Vitória da Conquista e também minha amiga. Participo ainda do projeto Poesia em Gota, junto ao Instagram Tertúlias com Você, de Tácio Dê. Tenho, também, uma parceria muito significativa com Katiana Rigaud, da Raiz Livraria, movimento que atua no estado. Além disso, já participei de iniciativas mais pontuais, como o Elas In Versos, com o qual realizamos saraus em diversos espaços da cidade e também em outras locais.
Outro momento muito marcante foi a participação na organização de encontros com escritores do Coletivo de Escritores Conquistenses, que reforçou ainda mais a importância desse caminhar conjunto no fazer artístico-literário. Acredito que, por ora, essas são as iniciativas mais significativas.
Em relação às obras, atualmente desenvolvo um trabalho em dupla com Jaque Monteiro, que é de Brasília. Nós nos conhecemos pela internet e, desde então, mantemos uma conexão muito constante por meio da arte. Inclusive, realizamos juntas o projeto Jogral Multiverso, uma iniciativa online bastante rica, cujo registro permanece disponível no instagram jogralmultiverso. Hoje, temos um livro em coautoria, composto por setígonos, um estilo poético pelo qual somos muito apaixonadas. A obra reúne 70 setígonos, sendo 35 de cada autora, e se intitula As Setigonistas ao Quadrado: uma dança poética. Esse é o meu mais recente lançamento e pode ser adquirido pela Uiclap ou diretamente conosco em nossas contas no instagram: jaquemonteiroescritora e noi.pulsaopoetica.
Além disso, estou em processo de pré-lançamento de um livro solo, pela Manufatura das Letras, que considero o mais corajoso até agora. A obra aborda a violência contra as mulheres, temática delicada e complexa, mas extremamente necessária. Em muitos momentos, é preciso falar de forma direta, sem suavizações, e o próprio título já carrega essa proposta: Nua e Crua na Rua. Tive a felicidade de contar com a colaboração de diversas mulheres da minha cidade nesse projeto, tanto na criação da capa quanto nas revisões e nos textos de apresentação. O prefácio foi escrito por Jaque Monteiro e o posfácio por Ybeane Moreira. É uma alegria imensa poder construir um trabalho tão significativo ao lado de outras mulheres que tanto admiro.

Renato Lannes Chagas: Para você qual a importância da leitura na formação geral de uma pessoa?
A leitura vai além dos livros?
noi soul:  É importante que a gente imagine, que faça esse exercício imaginativo de pensar o que seríamos nós sem a leitura. Primeiramente, nós, como escritores e escritoras. Imaginar o que seríamos, e não no sentido profissional, não é disso que estou falando neste momento, mas no sentido de compreensão da vida e do mundo, caso não tivéssemos tido essa oportunidade de ler. Refiro-me, antes de tudo, à leitura propriamente dita: ler livros, ler o que está disponível em palavras. Esse é o primeiro movimento. A partir dele, vem a compreensão do quanto a leitura nos formou e continua nos formando. Seja a leitura de romances, de livros policiais, de histórias em quadrinhos, de jornais, de uma bula (como eu costumava ler quando era criança e adolescente), seja a leitura de poesia, tudo isso contribui profundamente para a nossa formação. Esse contato com a palavra escrita nos direciona, quando nos permitimos, a processos de autoconhecimento, de aprimoramento e de lapidação interna. E isso sem contar uma outra dimensão igualmente essencial: a leitura do mundo. É preciso considerar essas duas perspectivas, a leitura das palavras, dos livros, do que está escrito, e a leitura do que existe, a capacidade de ler o mundo e de ler o outro nas conexões que se estabelecem.
   Então, para mim, a leitura é imprescindível para a formação geral e, mais do que isso, para uma formação integral do indivíduo. Podemos nos formar por diversos caminhos, mas a leitura nos possibilita acessar e alcançar lugares que, sem ela, dificilmente conseguiríamos. E falo tanto de lugares simbólicos quanto físicos: podemos estar aqui, no sertão da Bahia, e, por meio da leitura, conhecer outros territórios, imaginá-los, habitá-los de alguma forma. Porque a leitura, antes de tudo, ativa essa força imaginativa que, muitas vezes, outras linguagens, como o cinema ou as séries, já entregam pronta, com imagens cristalizadas. Isso pode, em certa medida, reduzir uma dimensão tão importante da formação humana, que é a imaginação. A leitura nos convida a imaginar e a imaginar, inclusive, outros mundos, novos mundos, mundos melhores.
   E sim, a leitura vai além dos livros, mas é fundamental que as pessoas tenham contato com eles. Os livros guardam histórias, preservam a memória da humanidade e registram os seus caminhos. O livro, como nos lembra Carolina Maria de Jesus, é uma das invenções mais extraordinárias da humanidade, ideia que atravessa sua obra Quarto de Despejo e que permanece extremamente atual.

Renato Lannes Chagas: Cite uma frase marcante de uma obra literária que tenha marcado a sua vida.
noi soul:  Eu raramente consigo decorar frases, citações ou versos de poemas de outras pessoas. No entanto, na adolescência, eu fazia muito isso: decorava poemas para ficar declamando na cozinha, enquanto minha mãe estava lá, cozinhando, fazendo alguma coisa, e eu recitava para ela. Esse hábito acabou me deixando com alguns versos guardados dessa época, porque, depois, acabei esquecendo boa parte e também me distanciei desse exercício de memorizar trechos, mesmo quando algo me chama atenção. Ainda assim, há um verso daquele período ao qual me apego até hoje, porque vem de uma autora que muito me inspirou desde que conheci sua obra. Trata-se de Florbela Espanca. No poema Amar, há um trecho final — os três últimos versos — que dizem:

“Se um dia hei de ser pó, cinza e nada,

que seja a minha noite uma alvorada,

que me saiba perder… pra me encontrar…”

 Esses versos fazem muito sentido para mim, de forma bastante ampla, não apenas no que diz respeito a relações, mas à vida como um todo. Eles abordam a finitude de maneira profunda e sensível, mas não pesada, ao contrário, como um convite a viver o melhor possível enquanto estamos aqui: viver o instante, ser intenso, autêntico, original. Pelo menos, é essa a leitura que faço. É um trecho que permanece comigo e que, de certa forma, me guia como modo de estar na vida.

Renato Lannes Chagas: Cite uma ou mais obras da literatura brasileira e universal.
noi soul:  Quero citar quatro obras de quatro autoras, três delas brasileiras e uma estrangeira, porque foram obras que, em momentos distintos da minha vida, me marcaram, seja pelo conteúdo, seja pela forma da escrita, por esse quê de autenticidade que eu sempre observo.
Então, vou começar com Um Teto Todo Seu, de Virginia Woolf, que me inspirou a refletir sobre questões que até então eu não havia considerado, especialmente sobre a condição da mulher escritora e o que significa ser uma mulher escrevendo no mundo, inclusive na atualidade.
Depois, Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus, que também foi uma leitura muito impactante. Embora eu tenha lido recentemente, foi uma verdadeira ruptura, pois me fez pensar de maneira muito mais profunda sobre as desigualdades sociais, econômicas e culturais no nosso país.
O meu livro preferido é A Hora da Estrela, de Clarice Lispector, uma obra que me atravessa de diversas formas que ainda retorno nele de tempos em tempos para muitas reflexões.
E, por fim, Oração para Desaparecer, de Socorro Acioli, que também me marcou profundamente. Quero relê-lo.
São esses quatro livros que me tocaram em momentos distintos. Há muitos outros, claro, mas quis destacar esses como uma indicação de leitura, não apenas para mulheres, mas, especialmente, para mulheres escritoras.

Renato Lannes Chagas: Por fim, como você avalia seu contato com os demais países falantes da língua portuguesa?
noi soul: Eu tenho contato com alguns autores e autoras, principalmente de Angola, Moçambique e Portugal. Acredito ser de extrema importância que a gente não apenas leia, mas também estabeleça trocas e conexões com escritores e escritoras lusófonos, porque isso nos permite redescobrir a própria língua portuguesa e perceber como ela se manifesta de maneiras diferentes em cada lugar. Aqui no Brasil, já vivenciamos isso dentro do próprio país, por conta da nossa extensão continental, em que muitas vezes chamamos de regionalismos as variações presentes nas obras de diferentes regiões. No entanto, o que há, na verdade, são diferenças culturais marcantes, tanto internamente quanto quando ampliamos esse olhar para outros países.
Ao conversar com escritores, escritoras, leitores e leitoras de outros países lusófonos, percebemos o quanto essas diferenças culturais, mesmo estando todos nós ancorados em uma mesma língua, o português, se refletem em nuances na escrita e até mesmo na forma de pensar. Isso é algo muito rico. Por isso, considero esse contato extremamente valioso e necessário. Inclusive, tenho algumas criações poéticas em dueto com poetas de Moçambique e de Angola. Um exemplo é o livro Hematoma Social, que foi escrito por mim em parceria com um amigo de Angola, Paulo, conhecido pelo codinome Poeta Falso. A obra está disponível pela Uiclap e também na Amazon.
Dentro das minhas possibilidades, busco aprofundar essas conexões, mantendo o diálogo com pessoas de países lusófonos que também atuam no campo da escrita e da literatura.

Renato Lannes Chagas : E quais as expectativas ou, em caso de já ter sido realizada, como foi a experiência da bienal do livro realizada aí na Bahia?
noi soul: A Bahia é um estado bastante extenso e a Bienal é realizada na capital, Salvador. Para quem mora no interior, como é o meu caso (estou a mais de 500 quilômetros da capital), o deslocamento é significativo: uma viagem de ônibus pode durar entre oito e nove horas. Trago essa questão porque é importante ressaltar que, embora esse seja um evento muito relevante, que acontece a cada dois anos e movimenta intensamente a literatura, (não apenas a produção local, mas também promovendo o encontro com autores nacionais e internacionais), nem sempre é possível, para quem está no interior da Bahia, participar da Bienal. Isso ocorre justamente pelas dificuldades de deslocamento e pela ausência, no momento, de políticas ou projetos que facilitem a ida de escritores e escritoras de outras cidades até Salvador, seja por meio de apoio financeiro, seja por algum tipo de incentivo que viabilize uma participação mais efetiva.
Dito isso, tenho a alegria de compartilhar que estarei presente na Bienal este ano, a partir de um convite para representar a Academia Conquistense de Letras, da qual faço parte desde agosto de 2025. Também estarei lá para o lançamento do livro que escrevi em parceria com Jaque Monteiro. Ela não poderá estar presente, mas eu a representarei no lançamento da nossa obra em coautoria, As Setigonistas ao Quadrado: uma dança poética.
 A expectativa é muito grande, porque será a minha primeira Bienal, não apenas a primeira participação na Bienal do Livro da Bahia, mas a minha primeira Bienal como um todo. Estou tendo essa oportunidade agora e a expectativa é das melhores. Não poderei permanecer durante todos os dias do evento, mas estarei presente por dois dias e espero aproveitar ao máximo essa experiência, que, tenho certeza, será muito especial dentro da minha trajetória.

https://www.instagram.com/noi.pulsaopoetica?igsh=YjN3NTh6Zm5iYjJj  

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22 thoughts on “Sem Fronteiras Entrevista- noi soul

  1. Desejo uma ótima edição da bienal para noi soul e para todos os escritores que estiverem por lá. Mais uma vez agradeço a Deus, também ao Johnny Ribeiro pela oportunidade de apresentar estas entrevistas que são uma forma a mais de enaltecer a arte literária, essas pessoas com suas tão belas trajetórias e trabalhos que aqui são apresentados. Muito obrigado!!!

    1. Renato Lannes Chagas eu agradeço seu comprometimento em trazer sempre otimas entrevistas juntos somos mais fortes e podemos mudar um pouco o mundo.

    1. Obrigado pela leitura e pelo comentário. Difícil quem conhece o trabalho dela e não vire um fã!!!

  2. Nossa! Fiquei emocionada relendo a entrevista. As perguntas me fizeram reviver minha trajetória. Agradeço imensamente ao Renato e ao Johnny pela oportunidade neste espaço literário tão importante. Gratidão a todas as pessoas que vieram prestigiar a entrevista. Gratidão!!

    1. A revista poesias e cartas agradece e deixa as portas abertas para quando você quiser participar novamente ou até mesmo fazer publicações.

    2. Já li, já tentei reler todo conteúdo e agradeço pela oportunidade de compartilhar com o público leitor parte da história de uma pessoa com muito talento, criatividade e que está sempre colocando a arte poética em evidência. Parabéns noi!!! Parabéns Johnny!!! E agradeço sempre aos leitores que aqui tem se manifestado. Muito feliz por mais está grande entrevista!!!

  3. Que maravilha de entrevista. “Nossa” noi soul, dimensionou seu nome na literatura de forma tão grandiosa que é impossível não cita-la nas atuais tendências desse fomento. Parabéns Renato, por escolha tão importante para falar de assunto tão importante. Vida longa para noi

      1. A entrevista foi “show”!!!!
        Deixou-me tão fascinado a entrevista e as falas nela encontrada!
        Parabéns!!!!

      2. Grande escritora/poetisa, boa entrevista, e terei aprendido algo maior ao longo da minha leitura. Tudo nos traz uma reflexão de outros mundos, que são viagens do mundo cultural e da arte. O que nos faz enriquecer as nossas faculdades mentais tem sido uma leitura saudável, que é feita com algumas metas a alcançar.
        Dou-lhe o meu muito obrigado ao entrevistador Renato Lennes Chagas, que tem vindo a desempenhar um papel importante, que nos inspira a desenvolver mais a cultura ou prática da leitura. E seu trabalho tem deixado aos leitores e escritores a si aprimorar as suas rotinas de buscar nas técnicas e a revelar o que eles são na sua íntegra.
        Contudo, ela carrega conhecimento extraordinário e isso serve de incentivo para todas as pessoas do mundo inteiro a se mergulhar através de diversos materiais que nos são fornecidos através de diversas fontes, sejam elétricos ou físicos. O mais importante é consumir a essência de cada livro, independente de ser livro nacional ou internacional, para construção interna. Já que tudo isso envolve a leitura da cultura geral, sendo romances, contos, poemas, poesias, prosas, crônicas, textos dramáticos, etc.

        Poetisa incomparável e incrível:
        noi soul.
        Meus parabéns e avante.

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