30 de abril de 2026, às 11:14 da Cidade de Ouro Preto, Estado de Minas Gerais, no Brasil
Por Jacilene Arruda — jornalista, turismóloga e escritora na revista Poesias e Cartas
A poesia é muitas vezes o refúgio das dores e das esperanças humanas. No caso de Roma Poeta Falso, esse refúgio se transformou em identidade artística e em missão de vida. O nome que carrega nasceu de uma homenagem e se tornou símbolo de resistência, fé e superação. Nesta entrevista, o poeta fala sobre sua trajetória pessoal, suas obras, projetos atuais e sua visão sobre o papel social da literatura.
1. Trajetória pessoal
Como nasceu o nome artístico “Poeta Falso” e o que ele significa para você?
Roma Poeta Falso: O nome “Poeta Falso” surgiu por intermédio de uma amiga e colega do tempo de escola, chamada de Margareth, que infelizmente já faleceu devido a problemas cardíacos. Após a sua partida, decidi adotar esse nome como forma de homenagem e continuidade da sua memória.
Para mim, “Poeta Falso” carrega um significado profundo: representa, ao mesmo tempo, liberdade e prisão liberdade para expressar tudo o que sinto e penso, e prisão pelas verdades e dores que carrego dentro de mim.
Em que momento da sua vida percebeu que a poesia seria o caminho para se expressar?
Roma Poeta Falso: Foi em 2012 que comecei a encarar a literatura como parte de mim um espaço onde posso expressar tudo aquilo que, muitas vezes, não consigo dizer em palavras.
Quais foram os maiores desafios que enfrentou até publicar sua primeira obra?
Roma Poeta Falso: As pessoas mais próximas de mim nem sempre aceitaram o que faço a arte. Recebi muitas críticas, tanto da família quanto de amigos, que viam a minha escolha como algo sem futuro. Chegaram até a chamar-me de louco. Ainda assim, continuei firme no meu caminho.
2. Obras e estilo
O que motivou a escrita de Sorriso Não é Felicidade e como esse livro reflete sua experiência pessoal?
Roma Poeta Falso: Foi no meio dos fracassos, quando parecia que ninguém acreditava em mim, que a minha vida atravessava um dos momentos mais difíceis. Tudo corria mal: dívidas, desemprego, a doença da minha mãe… Eu sentia-me como alguém preso no fundo do poço.
Naquele tempo, parecia que só Deus me ouvia. Aprendi, na dor, aquilo que muitos escondem: às vezes sorrimos apenas para disfarçar tudo o que está a desmoronar por dentro.
Você costuma abordar temas de dor, fé e superação. Como transforma vivências tão intensas em poesia?
Roma Poeta Falso: Sim, falo muito sobre isso, porque acredito que, por meio das nossas experiências, podemos ajudar quem mais precisa e, muitas vezes, até salvar vidas.
Quais autores ou movimentos literários mais influenciam seu estilo?
Roma Poeta Falso: Noi Soul, Agostinho Neto, Florbela Espanca, Aris de Almeida e a minha mentora de cordel, Mel, são algumas das minhas referências e inspirações.
3. Projetos atuais
Pode nos falar sobre a Luz-Editora e a antologia que está em preparação?
Roma Poeta Falso: Trata-se de uma antologia que reúne escritores de Angola, Brasil, Moçambique e Guiné-Bissau. Cada autor partilha a sua luta diária, sempre entrelaçada com a sua fé. A obra tem como título Onde há luz, há esperança.
Qual é o papel da CNJ (CONSELHO MUNICIPAL DE JUVENTUDE) na atividade poética que você está participando atualmente?
Roma Poeta Falso: Também estou envolvido em atividades literárias promovidas pelo município, o Kilamba Kiaxi, com o objetivo de levar a literatura e a poesia às bibliotecas e à própria população.
Trata-se de uma grande iniciativa cultural, uma verdadeira festa de abertura de um novo ciclo do meu tempo, pensada para aproximar os jovens da leitura, da escrita e da expressão artística.
Desde já, deixo o convite a toda a juventude para participar neste momento inesquecível, que celebra a cultura, a poesia e a união da comunidade.
Como você vê a importância das editoras independentes na difusão da literatura contemporânea?
Roma Poeta Falso: Acredito que as editoras deveriam valorizar mais o lado artístico do que apenas o lado comercial. Quando o foco se torna exclusivamente o lucro, muitas obras que poderiam transformar e até salvar vidas acabam por ser ignoradas ou silenciadas.
A literatura não deve ser apenas um produto de mercado, mas também um instrumento de consciência, reflexão e humanidade. Quando se perde esse equilíbrio, corre-se o risco de enfraquecer o verdadeiro papel dos livros na nossa existência.
4. Visão de mundo e futuro
Qual é a função social da poesia hoje, especialmente em contextos de crise e desigualdade?
Roma Poeta Falso: Acredito que, em vez de apenas criticar, a arte e os seus agentes poderiam também criar projetos capazes de ajudar a lidar com o impacto psicológico causado pelas crises sociais.
A arte tem um papel fundamental na sociedade e, na minha visão, já está a fazer o seu máximo para contribuir para a melhoria deste problema, servindo como um espaço de expressão, cura e reflexão para muitas pessoas.
Que mensagem você gostaria que seus leitores levassem de sua obra?
Roma Poeta Falso: A mensagem que gostaria de deixar é que, apesar das dores, da culpa e dos erros, nunca se deve desistir. Deus está contigo em todos os momentos, mesmo nos mais difíceis.
Acredito que coisas melhores sempre virão, desde que se mantenha a fé, a esperança e a perseverança. É importante acreditar nos próprios sonhos e confiar no Criador, pois é Ele que guia os nossos caminhos e nos fortalece para continuar.
Quais são seus próximos projetos literários e editoriais?
Roma Poeta Falso: Como escritor que sempre lutou por mais oportunidades e reconhecimento, nunca deixo de escrever e criar. A escrita faz parte da minha vida e do meu propósito.
Neste momento, estou a apostar também na produção de livros de cordel e na literatura infantil, explorando novas formas de expressão e alcance de públicos diferentes. Além disso, estou a desenvolver novas obras, sempre com o objetivo de trazer o melhor de mim como Poeta Falso, evoluindo artisticamente e mantendo a minha identidade literária.
Roma Poeta Falso é um exemplo de como a poesia pode nascer da dor e se transformar em esperança. Sua trajetória mostra que, mesmo diante das críticas e dificuldades, a arte pode ser caminho de resistência e fé. Ao falar de suas obras e projetos, ele reafirma que a literatura não é apenas estética, mas também consciência e transformação social. Sua mensagem final ecoa como um convite à perseverança: nunca desistir, porque a poesia e a fé sempre iluminam os caminhos.



